Do fundo do baú: boneco do Fofão

fofaoEu sinceramente não acredito que isso seja característica de apenas uma geração, mas às vezes prestando atenção na molecada fico pensando se o pessoal que foi criança nos anos 80 e começo dos 90 não tinha uma criatividade mais fértil, pelo menos no campo do coisas para sentir medo. Não bastava o monstro escondido no armário ou embaixo da cama. Nem o homem/velho do saco. Ou ainda, vilões de filmes de horror da época como Freddy Krueger (só de lembrar daquela musiquinha eu já fico com medo!) e Jason Voorhees.

Nããããão, isso não era tudo o que nossas cabecinhas conseguiam criar (e temer!). Um exemplo foi a quantidade de lendas urbanas que pipocavam em pátios de escola, inveriavelmente envolvendo elementos do nosso universo. As músicas da Xuxa que tocadas ao contrário era um hino ao diabo, ou mesmo o caso da boneca que matou (heim?) uma criança. E, talvez uma das lendas mais recorrentes, a do boneco do Fofão.

Fofão era um bicho esquisito que surgiu nos tempos do Balão Mágico e fez muito sucesso – tanto que teve o nome estampado em brinquedos variados, além de doces (eu adorava um waffer da Dizioli). E aí nessa onda de fama (hehe) veio junto a tal da lenda: de que a fábrica responsável pelos bonecos do Fofão tinham um pacto com o demônio, e que dentro do boneco você poderia encontrar um punhal. Outras versões falavam do ator que interpretava o Fofão como o sujeito por trás do pacto, por exemplo.

Eu nunca pude comprovar porque não tive um boneco do Fofão, nem conhecia alguém que o tivesse. Mas conhecia alguém que conhecia alguém que tinha, e viu a tal da faca. Não é assim que as lendas urbanas se proliferam? De qualquer forma, há mesmo um punhal no tal do brinquedo, o que deve ter ajudado a lenda a se espalhar ainda mais rápido (consigo imaginar a infinidade de crianças abrindo o bichinho só para ver se era verdade mesmo).

A questão é: não era um punhal punhaaaaaaaaaaal, digamos assim. Era um negócio para sustentar a cabeça do boneco no corpo, e só. Mas sabe, o legal daqueles tempos era isso: não precisávamos de muito para invertarmos as histórias mais mirabolantes. E para quem sentiu saudades desse tempo e ficou curioso sobre por onde anda o Fofão, por coincidência no mês passado o Ego (cofcof) publicou um artigo sobre isso (e aqui jaz um link que morreu, I’m so sorry leitores de 2013).

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