Na noite de sábado para domingo comecei a ler a biografia Paulo Leminski – O bandido que sabia latim (escrita por Toninho Vaz), mas foi ontem à noite que a leitura engrenou de um modo que eu simplesmente não conseguia deixar o livro de lado (o que rendeu bastante reclamação do Fábio sobre a luz, hehe). Eu sei que não basta uma personagem interessante sem talento para se contar a história, só que, não desmerecendo o trabalho do Vaz (que é excelente, diga-se de passagem), Leminski parece uma daquelas pessoas que renderam histórias que nem o mais inapto dos escritores conseguiria tirar o brilho.
O que eu acho engraçado é que quando comecei a ler me dei conta que na realidade nunca fui fã do Leminski, mas da obra dele. E isso é raro, visto que sempre que me apaixono por algum trabalho quero logo fuçar a vida do autor (vide Wilde, Voltaire e Poe, por exemplo). Sabia pouco dele, pelo menos comparado com o que há para se saber.
Mas do que adianta uma estrela sem nada orbitando ao redor, certo? E o charme da biografia fica por conta da contextualização, a articulação entre um evento e outro que de certa forma serviram como um mapa para guiar o poeta. E confesso, dentro de mim mora uma tia bairrista que adora ver sua Curitiba como um dos palcos dessa história. E aliás, ler algumas tiradas impagáveis sobre o pessoal daqui, como por exemplo “O ideal do curitibano é ser invisível“.
Enfim, o livro é uma delícia de ler e agora deu vontade de reler o Leminski. E deixarei aqui então a sugestão da leitura não só da biografia, mas principalmente da obra. Segue um aperitivo:
ICEBERG
Uma poesia ártica,
claro, é isso que eu desejo.
Uma prática pálida,
três versos de gelo.
Uma frase-superfície
onde vida-frase alguma
não seja mais possível.
Frase, não, Nenhuma.
Uma lira nula,
reduzida ao puro mínimo,
um piscar do espírito,
a única coisa única.
Mas falo. E, ao falar, provoco
nuvens de equívocos
(ou enxame de monólogos?)
Sim, inverno, estamos vivos.




nana
28 de abril, 2008 às 11:10
Oi Anica! Nunca comentei aqui… mas senti necessidade de te contar que senti algo BEM parecido quando li essa biografia ^_^.
Abraço.
[Reply]
Ronzi
29 de abril, 2008 às 15:16
Estou aprendendo agora a gostar de Paulo Leminski. tenho lido umas coisas bem interessantes dele e descobri que em todo curitibano é ruim
[Reply]
cleber rosa
29 de abril, 2008 às 18:42
oi anica. meu nome é cleber e faço jornalismo. to procurando parceiros pra montar uma revista em curitiba. dae queria conversa mais de perto ctgo sobre o assunto. te add la no orkut. se puder me aceitar te agradeço. ou se não em add no msn. bjo e parabens pelo blog.
[Reply]
Anica
29 de abril, 2008 às 23:07
ô, cleber, me adiciona então para conversarmos _o/
[Reply]
Cleonice
07 de janeiro, 2009 às 23:29
Oi, Ana!!!
Futricando na Valinor, encontrei seu perfil, futricando no seu perfil, encontrei seu blog!! E futricando no blog resolvi comentar!!! Que cult vc é!!! Li o seu texto sobre os 5 livros, estou para ler o Ensaio Sobre a Cegueira, que ganhei no Natal, mas os outros ainda não conhecia!!! Espero trocarmos várias figurinhas entre blogs, ou lá na Valinor… Abraços e parabéns pelo blog sensacional! :hug:
[Reply]
Anica
08 de janeiro, 2009 às 07:56
Ei, Cleonice, valeuzão!! Qual é seu nick lá na Valinor??
[Reply]