
Lovers at the Palace Theater, 1955
Lá em 2004 por causa de um tópico no subfórum Cinema da Valinor eu comecei a publicar anualmente uma lista com os dez melhores filmes que assisti naquele ano. A regra principal era de que só entrava na lista filmes lançados no Brasil, e naquela época isso até fazia algum sentido. Com o passar dos anos, cada vez que deixava um filme de fora (porque não tinha sido lançado no Brasil ainda, ou porque era mais antigo) eu comecei a pensar que talvez fosse uma boa fazer com os filmes o que eu já faço com os livros – não importa a data de lançamento, se foi um dos dez favoritos do ano, entra para a lista.
Só que aí no pós-pandemia bateu um desânimo geral com o blog e em 2022, 18 anos depois de ter começado a publicar as listas, eu parei. Saltamos aí mais uns anos e aqui estou eu, aos poucos me animando novamente a escrever (até como um ato de resistência, sabe? Vou criar conteúdo de graça para fdp tech bro milionário por quê?) e resolvi voltar com as listas. Assisti quase nada esse ano, mas acho que saiu uma seleção ok – e então a partir de agora, não importa mais o ano de lançamento. A lista completa dos filmes que assisti em 2025 está aqui. E os dez favoritos são:
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Era uma vez um texto que rodou bastante a internet ali no começo dos 2000 (ou seja, ainda era recebido em e-mails ou aparecia como posts em fóruns de discussão) e apresentava um título que prometia a versão “verdadeira” dos contos de fadas. Saem os casamentos com príncipes e finais felizes, entram histórias macabras com olhos arrancados, pés decepados e muito, muito sangue. Mas esse uso do termo “verdadeira” é coisa típica de internet, a certeza de saber o que na realidade não sabe, né? Porque a ideia de uma versão ser a “verdadeira” vai contra a própria natureza dos contos, que segundo Angela Carter, tratam-se de “histórias anônimas que podem ser reelaboradas vezes sem fim por quem as conta“.