Filmes do Oscar (Parte II)

Tcharaaaam, voltei para a segunda parte. Para quem chegou agora: estou comentando (bem) brevemente alguns dos filmes indicados ao Oscar que assisti nos últimos meses. Para ler a primeira parte é só clicar aqui. Então, sem maiores enrolações vamos lá.

stevejobsSteve Jobs (Steve Jobs, 2015): Eu não tinha nenhum plano de assistir ao filme (estava ali junto com Joy, que eu continuo sem nenhuma vontade de assistir), primeiro porque não tenho muito interesse na vida do cara, segundo porque não tem nem dez anos que ele morreu e esse é o segundo filme falando da vida dele. Aí o Gabriel elogiou um monte e o bichinho da curiosidade me pegou, fui lá ver colé. E olha, não é que o filme é bom mesmo? Fassbender e Winslet estão ótimos (mereceram as indicações, mas não acho que ganham), o roteiro tem força e aquele jeitão dinâmico que você quase consegue imaginar a história em uma peça de teatro, sabe como?

Interessante também não cobrirem linearmente tooooooooooodaa carreira do Jobs, se concentrando mais em três lançamentos importantes: deu para apresentar o sujeito sem ter que narrar infância, adolescência e blablabla. E aí tem a trilha né. Falei do roteiro dinâmico, mas muito do que dá ritmo para o filme é a trilha. “Duh, isso é óbvio, trilha sonora Anica!“. É, eu sei. É que senti a trilha quase como um outro personagem ali. Dum, dum, dum. Constante, como se fosse alguém que estivesse constantemente cutucando o Jobs. E tem a manipulação também, né. Ir aumentando a música enquanto a filha vê o pai apresentar o iMac lembra bastante o truque número 4 descrito nesse artigo do Cracked. Por mim já levou Oscar de filme-que-eu-não-ia-assistir-nem-se-Fassbender-fizesse-pintocóptero-e-que-acabou-me-surpreendendo-positivamente.

  • Categorias: Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante.

brooklynBrooklyn (Brooklyn, 2015): Pensando aqui, acho que é o feel good movie do Oscar desse ano. Não que a irlandesa Eilis não passe por maus bocados quando vai para os Estados Unidos atrás de novas oportunidades. Mas é que as peças vão se encaixando e parece que mesmo as pessoas ruins com quem ela eventualmente cruzará acabam se dobrando à doçura da personagem (consigo pensar aqui só na ex-patroa dela, que também teve o azar de querer dar uma de esperta quando Eilis já não era mais tão inocente).

Ótimo trabalho da Saoirse Ronan, até por conseguir dividir bem o que era uma característica própria da personagem (a doçura) do que era a inocência (basta notar a cena final, como ela ajuda a jovem que está chegando). Segunda indicação do Nick Hornby para roteiro adaptado. Curioso que nos dois filmes (o primeiro foi Educação) temos mulheres como protagonistas, e são ótimas personagens – quando nos romances as mulheres do Hornby não são lá minhas favoritas, digamos assim. 

  • Categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado.

carol2015Carol (Carol, 2015): Tem filme que você fica tão hipnotizado pelo trabalho dos atores que sei lá, poderia ser uma história sobre um sujeito indo comprar pão e tá ótimo, você só quer que dure muito tempo o caminho para a padoca. É o caso de Carol. Rooney Mara está brilhante como Therese, aqueles olhões esbugalhados de quem finalmente encontrou uma brecha na vida para sair do mesmo e ser feliz. Mas o show mesmo é de Cate Blanchett. Tem algo sobre o tom de voz que ela usa ao representar Carol que é sedutor demais – num breve diálogo na loja com Therese você consegue entender na hora o que fez a garota investir na amizade com Carol.

E vale notar como ela é tão contida, discreta – porque é daquelas características fortes que acabam aumentando o valor de cenas em que ela vai para o outro lado do espectro (como quando pega a arma e vai atrás do detetive). Enfim, acaba sendo um filme envolvente, apaixonante – tal como a própria Carol. Daqueles que mal dá para perceber o tempo passar. Seis indicações mas provavelmente vai ficar só com o Oscar de Melhor Figurino, fuééém.

  • Categorias: Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora Original.

danishgirlA Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, 2015): Tenho tanto dó de boas histórias que acabam virando filmes medianos ou ruins. A Garota Dinamarquesa é isso, uma boa história que fica ali, na média. Sim, a dupla Vikander e Redmayne (aposto em Vikander para melhor atriz coadjuvante) está ótima e até certo ponto o filme vai bem. Mas aí chega um momento que você pensa “meu amigo, qual a necessidade disso?” (o momento: a chegada da personagem Hans) e outros de extrema vergonha alheia (aquele lenço voando no final do filme). Tinha como seguir para o outro lado, fugir um pouco da clichezada da biopic.

Em tempo: comentaram que não mostraram que a Gerda era bissexual, mas aí eu dou um ponto positivo para o filme. É mostrado, sim. Só que é sutil, não é de forma escancarada (tipo mostrar a Gerda com uma mulher ou a Gerda anunciando sua orientação sexual para todo mundo). Dois momentos chave: o primeiro quando ela diz que beijar Einar foi como beijar ela mesma. O segundo, quando ela fica claramente excitada quando vê Einar usando uma camisola por baixo da roupa. Enfim, o filme é ok, mas só isso. Dava para ter sido bem melhor.

  • Categorias: Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Ator, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte.

madmaxMad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015): Eu queria ter amado Mad Max como todo mundo, mas eu fiquei no “Opa, bem bom né”. Não mexeu comigo como eu esperava, embora seja inegável que mexa com os sentidos: cenas belíssimas, gostei especialmente daquelas noturnas no lugar cheio de corvos (até porque deram um descanso no teal/orange predominante). Tem também a pegada feminista com a Furiosa quase atuando como protagonista. E é divertido também, até pelo absurdo de algumas situações: o cara da guitarra, por exemplo, eu morria de rir cada vez que ele aparecia. É uma recriação perfeita de um pesadelo, sabe como? Tudo é familiar, ao mesmo tempo que está tudo fora de ordem.

Mas… o negócio é que filme no estilo do Mad Max não é bem minha praia. Por “estilo do Mad Max” algo que inclua explosão, perseguição de carros e afins. Eu assisti mesmo sabendo que “não era minha praia” porque pelo tanto de coisa que tinha lido sobre ele eu já tinha percebido que os pontos positivos pesariam mais. E pesam. Mas ficou aquela sensação fuééém de quem ficou de fora do bondinho do amor ao Mad Max. “Não é você, sou eu“.

  • Categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte.

filmes_10105_b12A Grande Aposta (The Big Short, 2015): Então, tem muita gente comparando A Grande Aposta com O Lobo de Wall Street, provavelmente porque o enredo de ambos giram em tornos de maracutaias que os leigos podem penar um tanto para entender. Mas acho a comparação um tanto besta, até porque O Lobo segue pelo lado do humor beirando ao nonsense, enquanto A Grande Aposta mescla bastante humor com drama. A todo momento somos lembrados que toda a grana que está rolando por ali tem um lado ruim: o enorme número de pessoas que perderam os empregos e suas casas por causa da crise em 2008.

Gostei demais do Steve Carell no filme, bem mais do que em Foxcatcher no ano passado. Ri muito com aqueles momentos que eles colocavam pessoas famosas para explicar determinados pontos da história (tipo o Anthony Bourdain <3 e a Margot Robbie) e aliás, vale dizer que funcionou na hora de explicar, viu. Eu acho que a única coisa que eu deixaria de fora era a narração da personagem Jared Vennett. Talvez ele seja o narrador no livro? Não sei, mas algumas tentativas de fazer humor ali não deram certo (como quando comenta “eu nunca estaria com esses losers” ou algo tipo, logo no começo). Mas no geral é bem divertido. Deve acabar levando o Oscar de Roteiro Adaptado.

  • Categorias: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição.

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