Pontypool

Um dos pontos fortes em filmes de zumbis – pelo menos os mais conhecidos – é o desenvolvimento da sensação de claustrofobia que as personagens em dado momento passam a ter. Seja porque estão há muito tempo escondidos em um lugar, seja porque têm noção que não podem sair e sequer têm ideia de quando poderão, dependendo do diretor até uma situação dos sonhos pode virar um pesadelo (pense no shopping de Dawn of the Dead, por exemplo).

E é justamente esse o aspecto mais positivo de Pontypool, filme de horror canadense que saiu lá fora no ano passado e ainda não tem previsão de estreia aqui no Brasil. Todos os elementos estão lá: é um inverno deprimente, em uma cidadezinha no meio do nada no Canadá (o que por si só já poderia criar a atmosfera claustrofóbica). Somos apresentados ao trio que cuida da transmissão matutina de uma rádio local: Grant Mazzy (o locutor), Sidney Briar (diretora do programa) e Laurel-Ann (auxiliar). É uma manhã comum, com Mazzy batendo boca com Briar por não poder falar o que quer, até que…

Aos poucos, notícias sobre revoltas na cidade começam a aparecer. Ken Loney, que é responsável pelas informações direto do “Helicóptero Sunshine”, alerta para ataques envolvendo dezenas de mortos. A cada aparição de Loney, fica claro que a situação está completamente fora do controle, e que os habitantes de Pontypool passaram a agir como zumbis, comendo outras pessoas que encontram pela frente e repetindo palavras de modo inteligível.

É nesse primeiro ato, quando encontramos o trio completamente isolado e sem qualquer noção do que de fato está acontecendo, que o suspense atinge o ponto máximo. Mazzy em dado momento prefere acreditar que trata-se apenas de um hoax e até tenta sair da rádio quando finalmente percebe que a situação é real.

A partir desse ponto, o filme cai um pouco porque entra em uma trama meio nonsense de vírus espalhando através de determinadas palavras da língua inglesa. Vocês sabem minha opinião sobre filmes de zumbis: quanto menos explicação, melhor. Poderiam adotar a ideia do “tom” que Stephen King usou em Celular, por exemplo, ou simplesmente dizer que é uma palavra que “hipnotiza” quem a escuta, mas a inclusão de Dr. Mendez tentando explicar o processo de “infecção” distrai e acaba com toda a tensão que tinha sido tão bem construída anteriormente.

Mesmo assim, vale a pena conferir Pontypool, até por extrair o horror de algo cotidiano, e por isso mesmo inusitado. O filme foi baseado no livro de Tony Burgess, Pontypool Changes Everything e pelo que andei lendo, fizeram uma transmissão por rádio baseada no filme, nos mesmos moldes daquela famosa leitura de Welles para A Guerra dos Mundos. Já pensou a CBN noticiando um ataque zumbi aqui em Curitiba? Muito bem sacado.

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