Lugar Nenhum

lugar nenhumEntão que em 2007 dois livros do Neil Gaiman que fizeram com que o gosto agridoce de Deuses Americanos finalmente saísse da garganta. Primeiro Os Filhos de Anansi, divertidíssimo e com algumas personagens bem marcantes. Agora, Lugar Nenhum. Se bem que usar “agora” para se referir ao livro é um tanto estranho. Isso porque, apesar de ser lançado aqui no Brasil pela Conrad em outubro de 2007, o livro já existe tem quase uns 10 anos.

“10 anos?!!” Sim, sim… Na verdade, ao contrário do que tem acontecido cada vez com maior freqüência, primeiro veio uma série de tv (lançada em setembro de 96 na BBC) e depois Gaiman ‘novelizou’, digamos assim, a série, criando então Lugar Nenhum (Neverwhere em inglês).

Sobre a série, eu vi alguns trechinhos do primeiro episódio e não sei se é lá grandes coisas (no sentido de “explorar bem todo o potencial da idéia de Gaiman e Lenny Henry, que é co-autor da série). A qualidade não é das melhores também, mas bom, de 96 para cá avançamos um monte e obviamente estamos mal acostumados. Mas enfim, assim que eu assistir todos os episódios comento sobre a série apenas.

Mas vamos agora ao livro. Eu estava dando uma olhada em um site sobre Lugar Nenhum e lá diz que logo na época que saiu a série foi lançado um romance, e um ano depois saiu uma versão diferente nos Estados Unidos. Essa versão diferente seria um “Londres for dummies“, digamos assim, enquanto a edição britânica leva em consideração que desde que é uma edição britânica, não precisa ficar explicando peculiaridades da cidade.

Enfim, não sei qual foi a edição traduzida pela Conrad, mas sei que me conquistou. A idéia em si é original no que diz respeito a como é desenvolvida, porque teoricamente é um misto de Alice no País das Maravilhas com O Mágico de Oz (e lógico, de Sandman). No caso, a história gira em torno de Richard Mayhew, um cara meio bobalhão que num belo dia resolve ajudar uma moça que parecia machucada. Depois que ela é “salva”, Richard percebe que entrou em uma baita encrenca: na Londres que ele vive, ninguém mais o enxerga ou reconhece. Agora ele não pertence mais à Londres-de-cima, mas à Londres de onde viera a garota que ele ajudara. Uma Londres subterrânea, cheia de esgotos e mistérios: a Londres-de-baixo.

Lugar Nenhum começou meio morninho e sem gracinha (e eu até ia dizer que Gaiman estava se especializando em criar protagonistas meio bocós), mas no final das contas parece que somos levados à Londres-de-baixo com Richard Mayhew, e vamos conhecendo as peculiaridades daquele lugar junto com ele e então passamos do atordoamento inicial do rompimento das regras como as conhecemos na Londres-de-cima para um encanto pelas personagens da Londres-de-baixo.

É um livro muito divertido, daqueles que você não consegue parar de ler (pelo menos quando a leitura engata, hehe), saltando de um capítulo para outro conhecendo novas personagens, daquelas que só poderiam mesmo ter saído da cabeça do cara que contou a história de Sonho.

A boa notícia é que além do lançamento do romance, a Conrad está prometendo a adaptação para HQ já para este ano (alô, garotada, 2008, tomem cuidado na hora de colocarem as datas nos cheques!). Foi escrita por Mike Carey (que já escreveu Hellblazer, Lúcifer e alguns daqueles especiais Sandman com personagens como As Fúrias) e a arte é de Glenn Fabry. E lógico, sem as restrições de dinheiro que a série de TV apresentava, no caso da HQ é possível aproximar as personagens muito mais de como são descritas por Gaiman no romance.

Em tempo: já leu o livro e ficou se perguntando por que diabos ainda não pensaram em adaptar para o cinema? Calma, meu pimpolhinho. Já pensaram sim, é claro. Mas ainda está em fase de, ahn, desenvolvimento digamos assim. É aquele chove-ou-não molha mais conhecido como “ainda no papel” (embora o IMDb anuncie a provável data de lançamento como 2009).

UFA, esse deu pano para manga. Então, vamos para os links? Antes de mais nada, temos “the very small but quite significant Neverwhere homepage“, que além de ter algumas imagens da série de tv ainda tem várias informações (incluindo aquela das edições diferentes). Ainda sobre a série, o artigo da wiki (em inglês) está bem interessante também. E finalmente, tem uma pequena degustação (hehehe) de Lugar Nenhum na página da Conrad.

9 comentários em “Lugar Nenhum”

  1. Sky, acho que você vai gostar. Tem um tom meio rpgístico, com todo aquele lance de quest e guerreiros e afins =D E Ronzi, depois de Uma Longa Queda leia esse então =P

  2. Acho que o mais interessante é o poder da Door. Exatamente o tipo que você não imagina o quão realmente útil pode ser, e que rende as melhores histórias. =P

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