O menino do pijama listrado (John Boyne)

Já vi mais de uma vez editoras tentando vender uma obra com aquela ideia de “quanto menos você souber sobre esse livro, melhor”. E a verdade é que por conta disso já me meti em algumas roubadas, em que virava as páginas de um livro sem graça esperando quando chegaria aquela grande surpresa que ninguém deveria saber antes de ler. E ela não chega, ou se chega, é bem sem graça. Estou comentando isso como uma espécie de defesa e pedido de um voto de confiança em mim, porque a verdade é que sobre O menino do pijama listrado, de John Boyne, quanto menos você souber antes de ler, melhor.

É evidente, você cidadão educado que já estudou alguma coisa sobre a Segunda Guerra Mundial saberá que o tal do pijama listrado tem a ver com as roupas dadas aos judeus nos campos de concentração. E por ser um livro dito infantojuvenil (classificação da qual discordo e logo direi o motivo), há de se esperar aí uma história de amizade em tempos de guerra. Bom, sem entregar o ouro eu posso dizer que é quase isso. Mas soma-se ao enredo encantador o fato de que Boyne lança mão de um truque fantástico ao escolher como protagonista uma criança.

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O Palácio de Inverno (John Boyne)

Em uma noite de 1918, o Czar Nicolau II e sua família foram brutalmente assassinados pelos bolcheviques na Casa Ipatiev. A tragédia que marcou o fim de uma era para os russos sempre foi cercada de mistérios, baseados principalmente no fato de que quando realizada a exumação dos corpos, faltavam dois Romanovs – que muitos supunham ser os filhos do Czar: Alexei (herdeiro direto do trono) e Anastácia. Por anos especulou-se sobre o que poderia ter acontecido com os dois e, mais ainda, o que de fato ocorre naquela noite. Com O Palácio de Inverno John Boyne nos oferece o ponto de vista de um empregado do Czar, alguém comum narrando os fatos daqueles tempos e seus desdobramentos.

Boyne foi extremamente competente na tarefa de prender a atenção do leitor usando duas fórmulas já bem conhecidas tanto no cinema quanto na literatura: a primeira é a do homem comum vivendo situações extraordinárias. Geórgui, o empregado do Czar, era um simples camponês antes de mudar-se para o Palácio de Inverno (que dá o título da edição brasileira do livro). A segunda é de começar com a história já na velhice do protagonista, mostrando antecipadamente o fim – isso causa empatia imediata, o leitor quer saber como ele chegou naquele momento, o que obviamente se revela aos poucos.

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