O menino do pijama listrado (John Boyne)

Já vi mais de uma vez editoras tentando vender uma obra com aquela ideia de “quanto menos você souber sobre esse livro, melhor”. E a verdade é que por conta disso já me meti em algumas roubadas, em que virava as páginas de um livro sem graça esperando quando chegaria aquela grande surpresa que ninguém deveria saber antes de ler. E ela não chega, ou se chega, é bem sem graça. Estou comentando isso como uma espécie de defesa e pedido de um voto de confiança em mim, porque a verdade é que sobre O menino do pijama listrado, de John Boyne, quanto menos você souber antes de ler, melhor.

É evidente, você cidadão educado que já estudou alguma coisa sobre a Segunda Guerra Mundial saberá que o tal do pijama listrado tem a ver com as roupas dadas aos judeus nos campos de concentração. E por ser um livro dito infantojuvenil (classificação da qual discordo e logo direi o motivo), há de se esperar aí uma história de amizade em tempos de guerra. Bom, sem entregar o ouro eu posso dizer que é quase isso. Mas soma-se ao enredo encantador o fato de que Boyne lança mão de um truque fantástico ao escolher como protagonista uma criança.

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Breves entrevistas com homens hediondos (David Foster Wallace)

Já tinha algum tempo que cruzava com o nome de David Foster Wallace, seja como indicação de amigos que conhecem meu gosto para livros, seja simplesmente através de artigos mencionando o escritor norte-americano. Ia adiando a leitura, até que ano passado li o artigo do Caetano Galindo sobre Foster Wallace e depois “Isto é água“, título que deram para um discurso que ele fez para uma cerimônia de graduação. Pronto, eu precisava ler Foster Wallace. Virou um daqueles casos (raros) em que você sabe que vai gostar do autor antes mesmo de ler algo dele – você sabe que ele te dirá algo, que marcará sua vida como leitor.

E eis que, no momento, o único livro traduzido dele aqui no Brasil é a coletânea de contos Breves entrevistas com homens hediondos, lançado em 2005 pela Companhia das Letras. Embora tenha o Infinite Jest no meu Kindle, achei que começar por Breves entrevistas parecia mais adequado: aquela oportunidade de sentir uma amostra do que é o trabalho do autor aos poucos, como uma preparação para algo que parece ser obviamente mais complexo. E não me arrependi, encontrei no livro o que esperava, e ainda me surpreendi (alguma dúvida que logo começo Infinite Jest?). Continue lendo “Breves entrevistas com homens hediondos (David Foster Wallace)”