Retrato de um Assassino

Eu tenho certeza que já comentei aqui sobre minha angústia como leitora: aquela coisa de não importar o quanto eu leia, eu nunca lerei todos os livros do mundo e por consequência nunca saberei o que estou perdendo. Para filmes a sensação é mais leve, mas volta e meia eu me dou conta de que se fosse depender de assistir só o que sai nos cinemas, eu provavelmente perderia MUITA coisa e às vezes não necessariamente boas, mas no mínimo interessantes.

Veja o caso de Retrato de um Assassino (Henry: Portrait of a Serial Killer) que vi ontem à noite. Nunca tinha ouvido falar. Minhas referências de filmes com assassinos seriais ficavam ali entre Assassinos Por Natureza e Aconteceu perto de sua casa e provavelmente continuariam assim se eu não tivesse cruzado com esse. Enfim, não é exatamente uma experiência que vá mudar minha vida, mas é o tipo de situação que me faz lembrar que tem muito mais por aí, argh.

Então, sobre o filme. Honestamente eu ainda acho que os outros dois que comentei dão mais o que pensar. Retrato de um Assassino é baseado na história real de Henry Lee Lucas, que parece mais interessante no artigo da wikipedia do que no longa. Detalhes mais sórdidos como o número de crimes que ele dizia ter cometido, ou mesmo que “Becky” tinha 12 anos, por exemplo. O que temos no filme é a personagem revelando para o colega com quem divide apartamento o que faz, como faz, etc.

E aí você para e pensa que bem, é um filme de 1986. Não dá para assistir com toda uma bagagem Tarantinesca, Stonesca ou whateveresca de quase duas décadas que já temos aí de filmes que exploram a violência sem sentido (para não falar de Laranja Mecânica, que é de 70). Talvez o valor desse filme esteja justamente nessa “coragem” de seguir essa abordagem quando ainda não era algo tão comum que qualquer um que tenha sido adolescente nos anos 90 (como eu) ache até meio sem sal.

Mas não se enganem com o “sem sal”, porque estou falando sobre o tema. O filme em si tem algumas cenas bem fortes (e vamos lembrar que eu sou fã de horror, então não facilmente impressionável), como uma na qual a vítima tem uma garrafa de refrigerante enfiada no rosto (!!!) ou mesmo a de Henry decepando um sujeito na banheira de casa.

No final das contas é aquilo: não é o melhor filme sobre o assunto, nem é exatamente algo imperdível. Mas para quem tem a mesma sensação ruim de estar deixando passar um monte de coisa (hehe), de repente vale a pena conferir, nem que seja para lembrar que tem muito mais por aí do que pensamos.

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