De porque não estou empolgada sobre o filme do Dylan Dog

dylandog_03Isso não deveria acontecer, mas fã de HQ sofre. Pelo menos aqui no Brasil, lugar onde um contrato com a DC parece uma batata quente que ninguém quer ter em mãos, ou que ao chegar qualquer coleção nas bancas, a preocupação maior do leitor é “Será que será publicada até o fim?”. Às vezes fico cá pensando se esses caras não são até meio sádicos, sabe? Do tipo “Ei, conheça essa hq super bacana!” e aí quando você está adorando ler as histórias, empolgado esperando a próxima publicação… pans! Título cancelado.

Isso aconteceu comigo em 2006, quando cancelaram Dylan Dog. E o mais chato desse negócio é que você fica meio descrente sobre tudo. Por exemplo, quando falaram de adaptação para o cinema, eu pensei “Puxa, que bacana”, mas nem levei à sério. Pensei que seria um daqueles ‘n’ casos de projetos que depois são engavetados por motivos óbvios (leia-se “por não dar lucro”). Aí ontem o Ramalokion postou lá no Meia Palavra um link para a matéria do Omelete com fotos da tal da adaptação. Talvez tivesse sido melhor a ideia não ter passado de projeto.

Primeiro: vocês sabem, eu não sou a pessoa que mais exige fidelidade de adaptações. O que eu não gosto é de mudanças que afetam pontos que eram, na minha opinião, o charme da obra adaptada. Por exemplo, Eu sou a Lenda, eles simplesmente acabam com qualquer possibilidade da inversão feita pelo Matheson na novela (e eu não vou especificar aqui qual é a inversão porque eu ainda boto fé de que você vai atrás do livro para ler, e eu quero que você se surpreenda como eu não pude me surpreender). Então. Isso FERRA o que é mais legal na história.

E agora que chegaram as fotos do Dylan Dog eu fui dar uma especulada geral sobre o filme. Primeiro que não há qualquer Groucho na lista das personagens, o companheiro dele é Marcus. E gente, peloamordedeus, Groucho é uma das coisas mais legais em Dylan Dog. Eles podem fazer desse Marcus um piadista e tudo o mais, mas a questão é que era importante o Groucho ser o Groucho, não só para justificar as piadas, mas também para dar aquele tom meio bizarro para a história.

Acho que isso deve ter acontecido por causa de alguma questão de direitos de imagem ou de personagem ou qualquer coisa que o valha que os engravatados sempre conseguem arranjar. Provavelmente não podem usar o Groucho por questões legais, aí substituiram. Ok, nesse caso a culpa não é da produção, mas do “sistema” (uhh).

Poréééém, a sinopse no IMDb fala de Dylan combatendo monstros na Louisiana. Opa, falha na matrix! Déjà vu! Lembram do Constantine? Que virou um americano e blablabla? Essa história do Dylan na Lousiana significa que fizeram o mesmo com ele? Espero MESMO que não, e que o Brandon Routh além de tchotchó e muito bem caracterizado como Dylan Dog ainda faça o favor de virar inglês. Sim, isso importa. O mesmo capricho que a produção tem com o detalhe do figurino (que realmente está perfeito), deveria ser estendido para outras características marcantes da personagem.

No mais, o vilão não ser o Abraxás também é um pouco decepcionante, é tipo filme de X-Men sem confronto contra Magneto, se é que vocês me entendem. Mas ok, estou colocando o carro na frente dos bois, posso me surpreender e aí morder a língua. O que sinceramente espero que aconteça, já que Dylan Dog é uma das minhas personagens favoritas de HQs…

3 comentários em “De porque não estou empolgada sobre o filme do Dylan Dog”

  1. então, um dos roteiristas do dellamorte é o sclavi, que criou o dylan. mas no fringir dos ovos eu acho que as semelhanças ficam mais ali no tema (sobrenatural) e no fato do rupert everett ser o dylan dog (fisicamente falando).

  2. Espectativas são uma merda. Assisti o tão bem falado Wolverine ontem e saí do cinema quase com depressão, que troço ruim.

    Você fala de Constantine, mas ele é só um filme meio chato, enquanto o Max Payne conseguiu ser ridículo, insuportável e com certeza a pior adaptação de todos os tempos (considerando até Resident Evil, hehehe).

    E sobre as editoras de quadrinhos, elas realmente são masoquistas, pois eu já parei de comprar este tipo de quadrinhos e muita gente está fazendo o mesmo: esperaremos pela edição completa e encadernada. E exatamente por esse pensamento que a Pixel faliu, lançando aqueles fragmentos de histórias pra só depois lançar a encadernada.

    Anica, adoro seus textos, parabéns.

    Abraço

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