O Orfanato

the_orphanage_still03.jpgEu nunca tinha dado atenção para como o pessoal da língua espanhola parece ter um dom especial para histórias de fantasmas. Fugindo do esquema anglo-saxão de castelos e histórias de amor que não deram certo, a base nos filmes hispânicos é quase sempre um crime horrível – o que de certa forma traz a história para mais perto da realidade do que da fantasia, apesar do tema.

E isso é importante para a criação da atmosfera de horror. Se você embarca em uma história que desde o momento grita “É só uma história!” você não compra a idéia e consequentemente não tem medo. É por isso que Poe, por exemplo, é tão genial: o horror dele é o horror de sermos humanos e percebermos do que somos capazes no momento da loucura.

No caso das histórias de fantasmas, a linha é ainda mais tênue e o trabalho do “contador” é dobrado. Porque partimos do princípio de que fantasmas não existem. Por isso deixar o “E se?” pendurado na testa do espectador é tão importante – e esse “E se?” é muito bem formulado em O Orfanato, que chegou aqui no Brasil agora no dia 7.

Uma mulher compra a casa que fora outrora um orfanato, no qual ela viveu com outras crianças, decidida a reformá-la e fazer dela um orfanato mais uma vez. No dia da inauguração, o filho (que dizia ter amigos “invisíveis”) desaparece, e passado um tempo ela passa a acreditar que os tais amigos invisíveis são os responsáveis pelo sumiço.

O filme parte em alguns momentos para a cartilha básica do horror em casas assustadoras: portas rangendo, barulhos de pessoas correndo no andar de cima, janelas quebrando, etc. Mas também tem alguns bons momentos de desenvolvimento de atmosfera de horror, especialmente quando passa da primeira metade.

O problema, e o que é mais decepcionante, é que o diretor Bayona quando se aproxima do fim abre mão de ter nos apresentar uma excelente história de horror para fazer um filme para americano ver. Até a trilha sonora muda bruscamente, se adaptando às dos filmes de língua inglesa. Você acaba se sentindo um tanto logrado, como se tivessem mudado o narrador de repente, torcendo para que não fosse notado.

Mesmo assim, para quem gosta de histórias de fantasmas, ainda vale a pena assistir. Não é um A Espinha do Diabo, isso é certo. Mas também não chega à mediocridade dos recentes lançamentos americanos, quase todos remakes de filmes japoneses.

6 comentários em “O Orfanato”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *