Main Characters (Bobby Palmer)

Quando adolescente eu adorava carnaval, e por causa disso tenho cá meu baú de memórias do tempo em que comemorava a data. E sim, eu sou uma pessoa autocentrada (o exercício de escrever em blog já serve como indicativo), portanto a maior parte das minhas lembranças são sobre mim: eu dançando macarena com a Marilia no ferryboat enquanto o sol nascia, eu e a Nane vestidas de capetinha e máscara da Tiazinha (???) e muitas, muitas Quarta-feiras de Cinzas acompanhando apuração de desfile de escola de samba do Rio de Janeiro (era algo que eu gostava de verdade, sem um pingo de ironia).

Mas tem uma lembrança que vem à mente sempre que penso em carnaval, e não é sobre mim. São duas pessoas que eu só conhecia tangencialmente, porque eram primos, amigos, vizinhos ou seja lá o que for de amigos meus. Eu estava em um baile de carnaval do clube local, tinha subido na galeria do segundo andar que tinha vista para o salão onde acontecia a festa. Dali eu vi um casal que dançava Taí, completamente felizes e apaixonados, criando um mundo próprio dentro de um salão lotado de foliões.

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Brasil x Escócia em dois tempos (não é sobre futebol)

E aí que veio a notícia ruim, e como acontece sempre que recebemos uma notícia desse tipo, ficamos meio maníacos por memórias. Criar memórias, resgatar memórias, como se lembrança por si só fosse vida. Por causa disso, ontem assistimos Brasil x Escócia juntos, uma cobertura legal, churrasquinho em plena quarta-feira à noite, duas tvs enormes e muito frio. Após o jogo perguntei para o Arthur o que ele achou da bagunça toda, ele sorriu e disse que gostou, descreveu a noite como “Umas três pessoas assistindo ao jogo e um monte de gente conversando alto sobre assuntos aleatórios”, ficou feliz por ganhar (e não ganhar) o bolão de Schrödinger.

Eu voltei paras minhas lembranças mais antigas de Copa. Tenho registrado em um diário um Brasil x Escócia anterior, de um tempo que as notícias ruins ainda não chegavam com tanta constância. Copa de 1998, seleção com muito mais moral do que na Copa anterior, embora sem o Romário. Assistimos na casa da vó, mas o cenário era o mesmo descrito pelo Tui, muito barulho e conversa, porque é o que a família faz quando reunida.

Ter o registro anotado em diário ajuda a ser mais precisa: 10 de junho de 1998, 2×1 para o Brasil (Escócia bem retranqueira). Por causa de comentários sobre outras coisas naquela página acabei relendo mais dias daquele ano, o primeiro em que estar em família já não era mais minha opção preferida, eu queria estar no bar com os amigos.

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