Penny Dreadful S01E01 (Night Work)

penny-dreadful-poster-2Quando falamos de alguns títulos da literatura do século XIX, pensamos nas histórias já em seu formato fechado, em um único livro (ok, às vezes mais de um livro). O negócio é que era bem comum naquela época as histórias serem publicadas aos poucos em periódicos. Fazendo uma comparação com a tv, o periódico seria seu canal favorito e algumas histórias seriam novelas ou séries que você costuma acompanhar. Charles Dickens? Vários romances saíram capítulo por capítulo no Household Words. Sir Arthur Conan Doyle? vários contos de Sherlock Holmes apareceram primeiro na Strand Magazine. E isso para citar os dois mais conhecidos.

Nesse formato em série existiam também os penny dreadfuls, publicações que contavam histórias de horror e eram vendidas por, ahnnn… um penny (dona Wikipédia pede para diferenciar e dizer que é o “old penny“). Muito embora eu goste muito de assuntos relacionados à Inglaterra do século XIX, a primeira vez que ouvi falar dos penny dreadfuls foi através da Kika, enquanto ela pesquisava para escrever o livro Construindo Victoria.

Enfim, a ideia era de entretenimento barato para quem gostava de histórias com monstros e sangue, muito sangue. Para ter uma ideia, a primeira vez de Sweeney Todd no mundo da literatura foi em The String of Pearls: A Romance, publicado originalmente como um penny dreadful. Caso queira saber mais sobre o assunto, recomendo esse link aqui. E se eu estou falando tudo isso é um pouco para que você possa entender o espírito da nova série do canal Showtime, chamada (sim, você adivinhou) Penny Dreadful.

Antes de mais nada, vamos nos situar: a data de estreia da série é 11 de maio, mas o primeiro capítulo já foi liberado – assim, liberado mesmo, não “vazado” – problema é que liberaram com limitação de região, aí para assistir você precisa recorrer ao conhecido método Jack Sparrow. Pelo IMDb estão previstos oito episódios para esta temporada, cada um com aproximadamente uma hora de duração. O elenco junta nomes conhecidos (Eva Green, Timothy Dalton, Josh Hartnett,  a Rose Billie Piper, etc.) com gente de quem nunca ouvi falar, malz aí (Reeve Carney?). Ok, todo mundo bem informado, vamos lá para as primeiras impressões.

Se você pegar a sinopse do IMDb para o programa, vai ler “Some of literature’s most famously terrifying characters, including Dr. Frankenstein and his creature, Dorian Gray and iconic figures from the novel Dracula. become embroiled in Victorian London.” e provavelmente pensar “Humm, ok, isso me parece familiar”.

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Assim, beeeeem familiar.

Mas ao invés de esquemas de dominação mundial, a “liga” que parece estar começando a se formar tende mais para combater “as forças do mal” mesmo. Por isso (e para garantir sua diversão, é claro), deixe o Alan Moore para lá e se for pensar em inspiração, tome os penny dreadfuls mesmo, é mais seguro. Nesse primeiro episódio conhecemos Sir Malcolm (Timothy Dalton) e Vanessa Ives (Eva Green), duas figuras bastante enigmáticas que contratam os serviços de Ethan Chandler (Josh Hartnett) para salvar uma pessoa muito importante para Sir Malcolm.

Ok, observações: é primeiro episódio, normal que as coisas aconteçam num ritmo diferente, e que as personagens ainda não estejam muito bem entrosadas. Achei um pouco irritante a constância das “olhadas misteriosas” da personagem da Eva Green (quem é ela? qualé o lance do olhar dela? mata mais do que bala de carabina, que veneno e estricnina, que peixeira de baiano?), mas fora isso sabe que vai até que tudo bem? Mesmo. De no outro dia eu pensar “ok, vou acompanhar” e até resolver sentar aqui e escrever sobre o primeiro episódio.

De tanto levar frechada do teu olhar...
De tanto levar frechada do teu olhar…

Interessante o modo como apresentam os vampiros, dando a entender que vão seguir aquela linha “matem o vampiro chefe que os outros voltarão ao normal”, e a mistura com cultura egípcia ajuda a moldar o cenário vitoriano – naquela época eles eram todos meio loucos por isso. Aliás, não manjo dos paranauê como a Kika mas até que gostei da ambientação – é estranho ver a Inglaterra vitoriana retratada não só com tons de cinza (pensem no filme do Sweeney Todd para entender o que quero dizer).

Eu estou evitando entrar em maiores detalhes porque aparentemente nos primeiros episódios parte da graça é descobrir quem são as personagens (lembro de ser parte da minha diversão lendo a Liga também aimeudeus, comparei de novo, desculpa desculpa desculpa). Mãããs:

SPOILER!
Ok, fica meio óbvio que o “legista”é o Dr. Frankenstein, então aquele “Meu nome é Victor… Frankenstein” do final não tem parte da força que deveria ter, mas eu gostei do momento do nascimento do monstro – o modo como ele fica feliz quando escuta Victor falando, as lágrimas de Victor ao ver sua criatura viva. Houve um cuidado em não só jogar a personagem na história, mas mostrar um pouco dela como seria se tivessem resolvido adaptar só o romance do qual ela faz parte.

Se tiverem o mesmo cuidado para as outras personagens que estão para aparecer (já vi que tem Dorian Gray e sou pentelhíssima sobre Dorians Grays), pode ser uma experiência interessante. Pelo visto esse primeiro ano não vai muito além em personagens da literatura, mas é até sábio economizar: desenvolve melhor cada uma delas, e guarda um tico para apresentar em (possíveis) futuras temporadas. E agora é ver como serão os outros sete episódios, né.

PS: Dani acabou de dizer no twitter que não gostou, mas curtiu muito Salem. Vou dar uma conferida. Eu estou sentido que em breve terei que achar um substituto para série de terror, especialmente se a quarta temporada de American Horror Story for o lixo que foi a terceira.

8 comentários em “Penny Dreadful S01E01 (Night Work)”

  1. Como alguém pode preferir Salem ao invés de Penny Dreadful, é gosto não se discute mesmo e chamar Coven de lixo foi ridículo. Pelo menos já sei onde não acompanhar reviews dessa série que tem tudo pra ser ótima, o primeiro episódio foi MUITO bom.

  2. Eu fiquei pensando sobre o porquê de não ter gostado, já que a ambientação é realmente muito bacana. Concluí que esperava uma série de horror, e ela tem mais a ver com aventura (nisso Salem dá um banho). Também achei os personagens perdidos. Por exemplo, não entendi a função do Ethan na história: ele de início parecia o protagonista, e não fez nada de útil no tal do resgate.
    Mas o principal foi o esforço de “wink wink, nudge nudge” o tempo inteiro, que foi mais importante que a trama, e né, como você bem falou, na Liga Extraordinária isso já é muito bem feito. Em Penny Dreadful, é irritante: eu só revirei os olhos quando falaram que o sobrenome de Sir Malcolm era Murray, afff.

    1. hahaha eu demorei pra conectar o malcolm com a mina =F

      eu acho que parte do que te incomodou pode ser um pouco de reflexo daquela coisa de primeiro episódio. o ethan, por exemplo, provavelmente vai ganhar mais espaço (e função) nos próximos episódios, quando a “liga” deles estiver formada.

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