Um pouco de ultraviolência (com leitinho, é claro!)

Hoje cedo enquanto tomava café vi a notícia sobre o tal do grupo de skinheads que espancou um policial lá em São Paulo. A violência foi tamanha que dizem que tinha até um deles pulando sobre o rosto da vítima, que obviamente ficou completamente desfigurada. E mais uma vez, são os bem nascidos filhos da classe média brasileira, carregando consigo todas as incoerências típicas. A começar, eles têm educação, mas são ignorantes. Não falta qualquer necessidade básica para eles, mas ainda assim se comportam como animais.

Eu fui dar uma pesquisada sobre o tal do movimento para não falar qualquer bobagem, e aparentemente há uma parcela do grupo que não se envolve com esse tipo de barbárie. Por outro lado, temos os casos de grupos que pregam o ódio aos negros, nordestinos (wtf?!) e homossexuais. É sobre esses que falo daqui para frente.

É bem provável que coisa de dois séculos atrás eu até os compreendesse (o que não significa de modo algum “segui-los”). Convenhamos, não tínhamos ainda no livrinho do conhecimento comum informações sobre genética e evolução. Não tínhamos os registros históricos das inúmeras conseqüências nocivas da intolerância. Trocando em miúdos: os estudos ainda não tinham esfregado em nossa cara com fatos e dados o quanto o preconceito é imbecil.

Mas hoje em dia é algo absurdo, difícil de aceitar. Eu juro que tento de quando em quando compreender a lógica de pessoas que matam por causa da cor ou da orientação sexual de outro sujeito (para não entrar no campo das crenças…), e de uns tempos para cá isso só me faz lembrar dos versos do Marcelo ao som da banda Zirigdansk:

E se sociólogos, antropólogos, psicólogos metidos à besta
quiserem explicar os tantos motivos de nossa singular rebeldia
Eu de minha parte, simplesmente direi:
– Ele existe. E concedeu-nos franquia. Por gentileza, queira aceitar o meu cartão.

Em tempo: sobre o título, o mais irônico de tudo é pensar que no começo da década de 60, Anthony Burguess escreveu o Laranja Mecânica, ele estava mais para ‘cronista’ do que ‘profeta’. Tanto que teve o trabalho de criar o Nadsat justamente para não ter que retratar a gíria da rapaziada da época, o que deixaria o livro meio datado. E mesmo assim…

13 comentários em “Um pouco de ultraviolência (com leitinho, é claro!)”

  1. Hi teacher!!!!!! how are you? I said that I was going to enter in your blog and I have kept my word, here I am. I loved your site, and for me the best part is “eu, eu mesma e anica” but I disagree about the part of a 40 person’s body.
    I love you,
    kisses bye, bye
    Isa

    ps: don’t forget to say for your husband that I still angry with him

  2. Comecei a ler o Laranja Mecânica hoje. Pura coincidência. Enfim, tipos como esses infelizmente sempre vão existir e os motivos, vão ser cada vez mais estranhos. A nós, resta torcer para não acontecer com quem estiver por perto e sempre olhar por cima do ombro quando estiver fora de casa.

  3. Sério, não tinha lido o post do Sky também, me deu vontade de vomitar (literalmente).
    Quanto aos skins paulistas, infelizmente não me surpreendo. Sei que skins são vários grupos diferentes sob um mesmo nome e tals. Mas alguns desses grupos são violentos MESMO, saem pra meter porrada no diferente deles (e às vezes nem é questão de raça ou questão sexual – às vezes é por… gosto musical diferente!).
    Muito ruim mesmo :disgust:

  4. A ciencia é contraditoria nos termos de evolução e raca. Não se esqueça que recentemente o premio nobel James Watson que foi um dos responsáveis pela descoberta da estrutura do DNA disse que os negros são intelectualmente inferiores às outras raças.
    Algumas das suas afirmações foram: “inerentemente pessimista quanto às perspectivas para África”, porque “todas as nossas políticas sociais baseiam-se no facto de que a inteligência deles é a mesma que a nossa, enquanto que a prática revela que não é assim”.
    Alguns outros cientistas concordam parcialmente com ele:
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u342554.shtml
    Mas é claro. Violencia é estupidez.

  5. Pediu desculpas meio quer forçadamente. E mesmo assim acabou se ferrando.
    Mas leia oq o tal de CHARLES MURRAY diz sobre o assunto (no link que postei com materia da folha), as opiniões dele são um pouco mais coerentes.
    Antes que me entendam mal estou comentando no posto, mas isso não tem nada haver com os SkinHeads violentos, que pra mim são só uns malucos que nem mereciam existir.

  6. Pediu desculpas meio quer forçadamente. E mesmo assim acabou se ferrando.
    Mas leia oq o tal de CHARLES MURRAY diz sobre o assunto (no link que postei com materia da folha), as opiniões dele são um pouco mais coerentes.
    Antes que me entendam mal estou comentando no post, mas isso não tem nada haver com os SkinHeads violentos, que pra mim são só uns malucos que nem mereciam existir.

  7. Então, Alucard, eu estou a par de algumas teorias (o bafafá do Bell Curve, por exemplo, foi muito bem defendido pelo Pinker), o problema é que so far, só apresentaram teorias, certo? Eu acho que afirmações extraordinárias precisam de um pouco mais de cuidado.

    De qualquer modo, quando falei em igualdade foi como seres humanos e os direitos de todos. Se o Watson estiver certo e os negros forem intelectualmente “inferiores”, isso não significa que são menos “humanos” e tenham menos “direitos”. Portanto sinceramente não sei porque você levantou essa questão aqui.

  8. Com respeito a estes assuntos preconceituosos, minha opinião é um sonoro ‘não sei’. Vejo incoerência por toda parte, de ambos os lados das moedas e, na real, prefiro ser egoísta, cínico e filha da puta, com todos. Viva a igualdade.
    Mas sou contra violência covarde. O problema é agredir alguém indefeso, em menor número e sem justificativa. O certo é bater em alguém com igualdade de chances, sem justificativa.
    Se um skinhead e um negão entram na porrada, mano a mano, os dois do mesmo tamanho, não é mais ‘ultraviolência’, é uma luta de boxe. Que vença o melhor.

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