Onde os fracos não têm vez

no-country-for-old-men-poster1.jpgO que você faria se encontrasse uma maleta com mais de dois milhões de dólares? E se com a maleta encontrasse vários corpos e uma quantidade absurda de drogas, deixando claro que foi uma negociação mal sucedida? “Onde os fracos não têm vez“, dos irmãos Cohen, começa com Llewelyn Moss, um soldado aposentado que costuma caçar nas horas vagas tendo que tomar esta decisão.

A partir daí, começa um dos melhores jogos de gato e rato que já vi no cinema. Quem vai atrás de Moss é Anton Chigurh, um psicopata que usa uma arma muito peculiar: um tubo de ar comprimido. O que faz a história ser tão interessante é que tanto Moss quanto Chigurh são bons no que fazem – e cada fechadura arrombada pelo tubo de ar comprimido é garantia de pelo menos alguns minutos de pura tensão.

E se Chigurh está seguindo Moss, o xerife Ed Tom Bell persegue Chigurh. O oficial, já velho e cansado da violência que tem enfrentado todos os dias, vê nessa perseguição o momento para refletir sobre o próprio trabalho. É com ele que vemos uma das melhores cenas do filme, daquelas que você prende o fôlego e só respira novamente quando acaba: conseqüência de ele estar sempre dois passos atrás de Moss e Chigurh.

Há ainda a ótima participação de Woody Harrelson como Carson Wells, um assassino tão perigoso quanto Chigurh mas com um tanto de senso de humor. Acaba enriquecendo o jogo entre os três, e obviamente o filme – que sim, é muito bom e merece o tanto de elogio que tem recebido lá fora. Javier Bardem está brilhante como Chigurh, tenho certeza que mais uns tempos ele começará a aparecer em todas as listas de Vilões do cinema – especialmente com o questionamento que ele faz sobre o ‘herói’ (Moss) mais para o final do filme. Quando estrear aqui no Brasil dia 1º de fevereiro, corra para os cinemas.

E para terminar, duas curiosidades sobre o filme: repare como ele simplesmente não tem trilha sonora, música nenhuma. Outra coisa: o título do filme no original (“No country for old men”) foi retirado dos primeiros versos de um poema do Yeats, chamado Sailing to Byzantium e que você poderá conferir aqui:

Sailing to Byzantium (Yeats)

THAT is no country for old men. The young
In one another’s arms, birds in the trees
– Those dying generations – at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl, commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unageing intellect.

An aged man is but a paltry thing,
A tattered coat upon a stick, unless
Soul clap its hands and sing, and louder sing
For every tatter in its mortal dress,
Nor is there singing school but studying
Monuments of its own magnificence;
And therefore I have sailed the seas and come
To the holy city of Byzantium.

O sages standing in God’s holy fire
As in the gold mosaic of a wall,
Come from the holy fire, perne in a gyre,
And be the singing-masters of my soul.
Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.

Once out of nature I shall never take
My bodily form from any natural thing,
But such a form as Grecian goldsmiths make
Of hammered gold and gold enamelling
To keep a drowsy Emperor awake;
Or set upon a golden bough to sing
To lords and ladies of Byzantium
Of what is past, or passing, or to come.

4 comentários em “Onde os fracos não têm vez”

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