Ao antagonista, com carinho

m020514heman.jpgEstava cá lembrando de um dia na terceira série. A professora cujo nome eu achei que jamais esqueceria mas percebo agora que já esqueci queria fazer um teatrinho baseado na novela “Que rei sou eu?” e no fatídico momento da distribuição de papéis, ninguém queria ser o vilão, Ravengar.

Seguiu então uma daquelas conversas das quais a gente só entende de fato o conteúdo uns quinze anos depois. Vale ressaltar que professora cujo nome esqueci conhecia as limitações de compreensão de crianças de nove anos de idade então usou expressões como “Ah, gente! A história ficaria tãããão chata se o herói não tivesse quem derrotar! Pensem no He-Man, que graça teria se ele ficasse andando em Etérnia sem ter que lutar com o Esqueleto!

Claro, a partir disso houve até briga para saber quem interpretaria o Ravengar. A saber, meu papel foi “esposa do conselheiro”, o equivalente a “pedra” ou “árvore” em qualquer peça infantil.

Enfim, retornemos ao antagonista. Faço questão de usar esse termo e não “vilão”, porque o segundo está carregado de um sentido de maldade pela maldade (como o Esqueleto do He-Man), já o primeiro dá apenas a idéia de oposição ao protagonista. Supondo que você seja o protagonista da história da sua vida, você pode ter vários antagonistas. Aquele “colega” de trabalho que te passa a perna e não deixa você ficar com uma vaga boa, aquele professor que te ferra sabendo que você é bom naquilo que estão estudando e por aí vai.

Para se ter noção da importância do antagonista nas peças de nossas vidas, o termo surgiu com o teatro grego (acredita-se que introduzido por Ésquilo), e este era o nome dado ao ator que vinha ao palco depois do primeiro. Era a presença do antagonista que possibilitava o desenvolvimento do diálogo nos dramas.

Além disso, se pensarmos bem, o antagonista também superlativa as virtudes do protagonista, tornando-as superior a qualquer falha. É o antagonista que mostra para o público o quanto o rival é bom caráter e trabalhador, salvando a personagem principal de ter que dizer “Oi, eu sou um cara bom caráter e trabalhador” (o que poderia soar arrogante – um defeito).

No final das contas, eu penso cá se a vida caminhando por Etérnia sem lutar contra o Esqueleto não seria de fato um saco. Precisamos de uma carga dramática diária, de pequenos problemas e conflitos. O motivo eu não sei explicar, até porque se encararmos a vida como um jogo, qual a graça de ganhar um monte de experiência se você sabe que vai morrer no final? E se encararmos como uma peça de teatro, será sempre uma tragédia.

Mas deixando de lado a parte das motivações, sim, eu gosto de antagonistas. Nos livros e na vida, parece que eles são peça fundamental que fazem as coisas simplesmente acontecerem e a vida não ser apenas um monótono passeio por Etérnia…

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(história completa aqui)

10 comentários em “Ao antagonista, com carinho”

  1. Se os antagonistas não existissem, não haveriam mais destopias*, logo, poderíamos viver em paz desfrutando de sociedades perfeitas. (Eu concordo com o seu post. Só fiz esse comentário sem sentido pra poder ser um antagonista)

  2. Lukaz on 18 May, 2007 at 1:45 pm said:

    Eu sou o antagonista na vida de um monte de gente. 🙂

    Eu acho que todo mundo tem um momento de antagonista, por mais que não esteja ciente disso – até porque a posição de ‘antagonista’ é relativa: depende de quem é o protagonista. Em teoria vc só é o herói na sua própria história.

    Raphael on 18 May, 2007 at 2:08 pm said:

    Se os antagonistas não existissem, não haveriam mais destopias*, logo, poderíamos viver em paz desfrutando de sociedades perfeitas. (Eu concordo com o seu post. Só fiz esse comentário sem sentido pra poder ser um antagonista)


    Dis
    não des :mrpurple:

  3. Adorei o texto, é por essas e outras que me pergunto por que fico tanto tempo sem vir aqui… enfim: “Em teoria vc só é o herói na sua própria história”, superou o texto todo. Adoro essas frases de impacto, sou um rapaz careca e clichê. :dente:

  4. Ronzi on 18 May, 2007 at 3:38 pm said:

    Adorei o texto, é por essas e outras que me pergunto por que fico tanto tempo sem vir aqui… enfim: “Em teoria vc só é o herói na sua própria história”, superou o texto todo. Adoro essas frases de impacto, sou um rapaz careca e clichê. :dente:

    nhó, obrigada, ronzi :love: e não suma mais. já basta o higor sumido =P

    Raphael on 18 May, 2007 at 7:43 pm said:

    E se eu quiser ser o antagonista da gramática? td bem, dis.

    :mrpurple:

    marco on 18 May, 2007 at 7:52 pm said:

    eu sou meu próprio antagonista. sério

    Ah, mas isso acontece toda hora, qdo nos sabotamos, né? Outra coisa que eu tb não entendo pq fazemos, aliás.

    Fabio Bettega on 19 May, 2007 at 9:09 am said:

    marco on 18 May, 2007 at 7:52 pm said:

    eu sou meu próprio antagonista. sério

    Não. Alguém que se acha seu próprio antagonista não é sério.

    :dente:

    Profundo =P

  5. O Higor está na Inglaterra. Volta em Julho… pelo menos foi isso que me disse no orkut… procure por “Sputnik” no orkut e vc o encontra…

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