Verborrágica (ou: Oi, estava com saudades)

three-musketeers-1.jpgPor não ter muito o que fazer enquanto cuidava do meu noivo adoentado na Bettegolândia, acabei retomando a leitura de “Os Três Mosqueteiros” (na verdade era para ele ler o livro). O impressionante é que, tal como na primeira vez que li, fui novamente fisgada pela história de D’Artagnan e companhia.

A fórmula do Dumas pai é manjada e foi repetida várias vezes depois (a aventura misturada com elementos históricos e o romance) mas tem algo que é mérito dele e só dele: o desenvolvimento das personagens. Está para surgir um grupo mais carismático do que Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan.

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Não comentei por aqui pela mais pura falta de tempo, mas assisti recentemente um filme de suspense lusitano. Sim, o nome da pérola é Coisa Ruim, e fico tentada em dizer que o nome não tem nada a ver com a qualidade do filme, quee superou as expectativas, hehe. Vale para quem gosta de tomar alguns sustos, como eu. O único problema é que a não ser que você esteja acostumado com o português de Portugal, você precisa das legendas.

Isso deveria inclusive valer um post à parte discutindo essa questão da língua portuguesa, mas não ando com muita vontade de falar de Lingüística.

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Mas falando em tradução… Luci comentou que foi premiada com uma bolsa de estudos, com passagem, acomodação, alimentação e lingüista disponível 24 horas lá na Irlanda. Falta para o Brasil aprender a investir nessa questão da cultura, o retorno seria algo fantástico se levarmos em conta o quão rico somos nesse quesito, o que bate na minha idéia de que não há arma mais poderosa de conquista do que a cultura.

O problema é que cruzamos os braços e esperamos que os estrangeiros venham para cá e eles mesmos reconheçam o que temos de bom – e assim divulguem lá fora. Na realidade, nos contentamos com aquela babaquice de “lugares bonitos com mulheres bonitas e povo feliz” e esquecemos do que produzimos aqui que é bom, muito bom. Aquela coisa: não fosse Elizabeth Bishop, os americanos demorariam ainda mais para conhecer Vinícius de Moraes, Carlos Drummond e João Cabral, por exemplo.

Aí nós ficamos todos putiadinhos com episódios de Simpsons ou quando dizem que nossa capital é Buenos Aires, mas o quanto a gente investe nesse sentido de divulgar nossa cultura em outros lugares (e não só os lugares bonitos com mulheres bonitas e povo feliz)? Esse projeto irlandês, por exemplo, seleciona determinados países e oferece bolsa para tradutores de obras, o que garante um, digamos, boom de livros irlandeses sendo lançados no país escolhido.

Em tempo: como faz tempo que não faço um poetry from the strange, fica como curiosidade uma tradução de uma poesia MUI conhecida de Drummond, por Bishop:

poetry

In the Middle of the Road

In the middle of the road there was a stone
there was a stone in the middle of the road
there was a stone
in the middle of the road there was a stone.

Never should I forget this event
in the life of my fatigued retinas.
Never should I forget that in the middle of the road
there was a stone
there was a stone in the middle of the road
in the middle of the road there was a stone.

5 comentários em “Verborrágica (ou: Oi, estava com saudades)”

  1. O Brasil não tem o hábito de divulgar a sua cultura nem em seu próprio território, quem dirá no mundo…

    Mas eu to com saudades de vocês! Ainda bem que daqui a pouco tenho férias e fica susse… Mas eu quero ver vocês antes disso, tava pensando nisso esses dias, passando de carro perto do Bettega. Não digo que rola nesse domingo, mas quem sabe no próximo??

    smack

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