O Monstro de Olhos Verdes

Othello-Delacroix.jpgAssim: eu sou uma pessoa MUITO ciumenta, tenho ciúmes até quando a Miu lambe o Fábio e não eu. E não, eu não me orgulho disso, sei que é um sentimento meio torto de quem acha que amor é posse e blablablabla. Mas eu não estou conseguindo entender são os últimos casos que apareceram no jornal recentemente, relacionados à isso.

Primeiro vem o locão e seqüestra um ônibus por causa da ex, aí vem outro doido que dá seis tiros na cabeça da mulher que, milagre dos milagres, sobrevive. Aí então vem essa: por ciúme, homem atropela (e mata) mulher na frente dos filhos.

A questão é aquela velha história do homem reagir com força por causa de emoções que não sabe controlar, e no final das contas sempre esteve por aí e só não viámos porque a imprensa “séria” não dava bola ou está rolando um surto mesmo? Uma espécie de nuvemdeciúmedescontrolado que está fazendo com que algumas pessoas relacionem atos tão absurdos com… ahn… amor?

Se bem que é melhor frisar que o “matar por ciúmes” não é lá novidade nesse mundo, Shakespeare chegou inclusive a retratar isso em Othello – peça que vale a pena ser relida (porque eu não levei à sério quando li, mas depois da leitura do Diogo Vilela com a Bárbara eu pensei em ‘n’ coisas que não tinha pensado antes sobre a obra, hehe). No caso, a questão sobre esses últimos eventos (pelo menos minha surpresa) é um caso ocorrendo tão próximo do outro. Eu tenho medo que isso “banalize” esses atos, mesmo. Porque não, isso não tem nada a ver com amor.

Aproveitando a deixa: por que será que Shakespeare definiu o ciúme como “o monstro de olhos verdes“? Confesso que essa imagem foge da minha compreensão.

8 comentários em “O Monstro de Olhos Verdes”

  1. Pois é, além desses tem o ex da Ana Paula Arósio que se matou na frente dela, sem falar nos casos onde a mulher castra o cara com os dentes, etc.

    Sobre o Othello, no Porto Alegre em Cena esse ano eu assisti a uma montagem da Lituânia, excelente! Ah, e legendada. :mrgreen:

  2. Eu acho ciúmes legal, se for controlado. Você sente que tem alguem cuidando de você, etc. Inclusive, acho que a referencia para “Olhos Verdes” é justamente isso. Um sentimento que deveria ser belo, mas que acaba exagerando e se tornando num monstro. =P

    E todo mundo tem ciúmes, Anica. Quem não tem, já morreu por dentro. 😉

  3. Não teria co-relação com o famoso “fulano ficou verde de ciúmes!”? Para mim faz sentido, já que eu diria que ele falou dos olhos verdes, devido ele (o olho) ser “o espelho da alma”, aonde realmente o monstro transmitiria a razão do crime.

    É, bem falha, bem “profunda” essa minha argumentação. Mas é a que melhor responde o “monstro de olhos verdes” para mim.

    Mas assim, você já percebeu como hoje em dia é, de certa forma, banal, o homicidio pacional? Para mim qualquer ciúmes é valido, até o ponto que você perde o controle e começa a gerar situações para ter total controle da razão do ciúmes.

    Eu me sentiria num momento inicial desejado se alguma namorada minha pegasse um celular meu (mas ai eu teria de ter um celular e uma namorada. 8) ) e ver se alguma mulher me ligou ou que eu tenha ligado, mas ficaria extremamente puto dentro das calças se ela viesse tirar satisfações, comigo ou com a pessoa, por conta disso. Isso é invasão da minha privacidade e uma falta de controle emocional dela. Dois grandes motivos para bicar.

  4. Na verdade, qdo Shakespeare diz q o ciúme é um monstro é pq, mitologicamente, os monstros eram criados deles mesmos, o que simbolizaria as paixões humanas.
    Qto aos olhos verdes, significa dizer q o ciúme te engana, ou seja, vc pode “ver” algo q, na verdade, não existe. Shakespeare era muito culto, estudado e observador para a sua época, tendo, assim, conhecimento do fato de existirem apenas dois tipos “bases” de cor de olhos: castanhos e azuis. O verde (assim como o preto) é uma “variação” do castanho (não entrando muito a fundo no caso, pois a questão se refere à literatura, e não à biologia).

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