Take a long holiday, let your children play…

babyComo se não bastasse hoje em dia já temos que conviver com a praga dos sabichões palpiteiros (aquela gente que acha que uma busca no Google dá base para qualquer discussão a respeito de qualquer coisa), ainda há a praga das “crianças prodígio”. Não, não estou falando daquelas criancinhas que usam saia curtinha e saltinho e dançam na boquinha da garrafa, é um tipo pior (até porque é irritante).

Essas crianças acham que ter assistido Laranja Mecânica, lido O Retrato de Dorian Gray, escutado Chico Buarque faz delas assim, “adultas”. Veja bem, qualquer cultura que se adquira é excelente, mas ler pencas de livros clássicos ou assistir dezenas de filmes cults não fazem de você uma pessoa madura.

O que temos é um papagaiozinho que repete falas e trejeitos, mas que fica nisso. Fala de “Fidel”, mas não iria muito longe se começassem a questionar sobre história e política de Cuba. Fala de “relacionamentos” mas em sua bagagem tem apenas uma penca de amores platônicos ou namoricos de colégio.

Eu, que já não sou muito fã de crianças, confesso que fico extremamente irritada quando uma começa a posar de ‘gente grande’ ou ainda, sente-se ofendida quando alguém lembra a criança que ela é exatamente isso: uma criança.

Tsc. Se bagagem cultural amadurecesse…

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vSobre o V: eu até estava pensando em elaborar um post bacaninha falando timtim por timtim do filme, mas acho que preciso reler a HQ para definir exatamente o que saiu errado por ali. Por enquanto só um registro de coisas que incomodaram: Evey, a forma como foi mostrado o regime político da Inglaterra e… hmmm… V sentimental.

No mais, tem aquela pinta de filme que agrada horrores quem não leu a HQ. Ou quem gostou de mudernoscheiodereferenciaopseudointelectual tipo Matrix. Oops.

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Ontem lembrei de uma lua cheia que vi muitos e muitos anos atrás. Estava na praia e ela estava enorme e bem vermelha, lembro da minha decepção quando ela foi diminuindo e clareando até ficar uma bolinha branca lá no alto. De repente, lembrei que tinha algo sobre “lua vermelha no outono” em um livro do Ziraldo, e fiquei com medo que já estivesse naquela fase da vida na qual começamos a confundir as coisas que vimos das coisas que lemos.

9 comentários em “Take a long holiday, let your children play…”

  1. Não agrada nem quem não leu a HQ, os irmão aí tem problemas sérios qdo o assunto é amarrar algo, eles não sabem como finalizar as coisas, tentam explicar tudo e acabam atropelando e assassinando toda a história.

  2. Uma pessoa não se torna madura absorvendo cultura simplesmente, é verdade, pois para isso é necessário viver. Mas ajuda a pensar – no mundo e em si mesmo. O que já um passo.

    Irritante mesmo são os pseudos intelectuais. Tem um grupinho aí que se acha [i]O[/i] entendor de cinema porque “entendeu” e gostou do estilo alternativo de Dogville. Ou, como já colocado, passou horas observando os “simbolismos” de Matrix.

    :uhu:

  3. São os PIMBAs da vida… aliás, tem um em especial que sempre vejo por aqui e que foi bastante criticado nos últimos posts, e o mais engraçado é que o carinha se queimou hahaha
    Aliás, os comentários-pimba do sujeito me incomodaram tanto que tinha parado de falar qquer coisa por aqui…
    Mas enfim, não acho que minha cultura seja ‘uhu’ e suficiente para analisar qquer assunto que seja, e tbem não me considero ‘senhora do saber’ ou conhecedora de qualquer coisa, mas vamos lá… adorei a frase do Fabiano agora a pouco: “uma pessoa não se torna madura absorvendo cultura simplesmente, é verdade, pois para isso é necessário viver.”
    Acho que já passei por bastante coisa nesses quase-trinta pra entender que ler por ler, assistir por assistir e, principalmente, criticar por criticar é muuuuito pimba e totalmente desnecessário. Melhor manter a boca calada…

    Ah! Estive no Angeloni, lembrei-me de vc… :mrpurple:
    beijo

    obs: voltarei pra minha vida observadora… muito mais engraçado!
    :uhu:

  4. Vi uma lua vermelha e grandona esses dias atrás, voltando de viajem.

    Acho mais legal ver a lua nascer do que o sol. É mais dificil de se encontrar e totalmente diferente do resto do dia/noite.

  5. Irritantes são essas crianças e irritantes são aquelas pessoas que até lêem mais do que orelhas, mas que se comportam de forma tããão legal, TENDO que mostrar que ultrapassaram google e orelhas…

    Leu? Ouviu? Viu? Que bom……… pra vc, não é mesmo? Que que eu tenho a ver com isso? Nada contra uma pessoa comentar que conhece algo, mas comentar com ar de superioridade é que mata… sendo o sujeito uma criança ou um candidato a intelectual ou um intelectual mesmo…

  6. O caso dessas crianças (e não só delas, das pessoas em geral que agem da forma como você citou) é o que eu e a Delmary definimos por (desculpa a expressão porca) ‘gozar com o pau alheio’: conhece, entende, curte; ótimo! Mas isso não dá motivo pra ninguém se achar, afinal foram os outros que criaram, foi outra pessoa que trabalhou naquilo, que pensou aquilo, e não o indivíduo em questão! Então como alguém pode se considerar algo por conhecer Laranja Mecânica, Dorian Grey? O mérito é TODO do Kubrick, é TODO do Wilde. E nem um pouco do leitor ou do espectador.
    But… É disso que o mundo é feito, basicamente. Pessoas que não sabem, e tão cagando; pessoas que não sabem, mas fingem bem; pessoas que sabem, e que são babacas; e pessoas legais: as que sabem, mas tão cagando.

    Quanto ao V eu não sei o que dizer, visto que não conheço nem o gibi nem o filme (peraí, vou ler no google sobre eles, já te dou uma opinião… :dente:).

    E eu nunca uma lua assim. E não conheço a pira da lua do Ziraldo (shame on me). Mas tem umas de um umbigo, não tem?

    smack

  7. Ora, as criancinhas do Programa do Raul Gil são uma gracinha. Se você deixar a televisão sem som, claro.

    Basicamente, o que saiu errado com V de Vingança foi…tudo. Sério, adaptação indigesta tudo bem. Adaptação indigesta que é feita pra posar de filme cabeça-político-social-comportamental é que não rola.

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