O Estranho Misterioso

Há uns seis anos atrás caiu em minhas mãos uma obra do Mark Twain da qual eu nunca tinha ouvido falar. Chamava-se O Estranho Misterioso e lembro que de lá para cá virou obra recorrente na minha lista de favoritos. Na história, Theodor (um garoto de uma pequena vila) faz amizade com uma “criança mágica’ chamada Satã que faz vários “favores” para o moleque que sempre têm uma conseqüência ruim.

O charme do livro é como o Twain usa essa história em teoria singela para discutir assuntos como predestinação, outras vidas, divindades, senso moral e afins. Cada fala do garoto Satã é de ficar de queixo caído, tanto que eu lembro que em um dos momentos finais do livro meu coração simplesmente disparou.

Enfim, obra recomendada, vamos ao que eu realmente queria falar. Tem um certo momento do livro no qual Satã fala sobre Destino para o Theodor, que então lhe pergunta:

“- É Deus que determina a linha de nossa vida?
– Que a predetermina? Não. As circunstâncias e o ambiente do homem que a determinam. O primeiro ato de um ser humano determina o segundo e tudo o que vem depois. Mas suponha, só apra argumentar, que o homem pudesse “pular” um desses atos. Um ato aparentemente insignificante, por exemplo. Suponha que aquele ato tivesse sido determinado para acontecer num certo dia. Numa certa hora, minuto, segundo e fração de segundo, o homem deveria ir até o poço. Mas ele não vai. A vida desse homem vai mudar totalmente a partir desse momento. Daí até o túmulo, será totalmente diferente da vida que seu primeiro ato de criança tinha lhe determinado. Na verdade, pode ser que ele, se tivesse ido até o poço, terminasse sua vida sentado num trono. Deixar de ir ao poço lançou-o numa carreira que vai levá-lo à mendicância e a uma cova de indigente. Por exemplo: se a qualquer momento, na infância, digamos, Colombo tivesse”pulado” o mais insignificante e pequenino elo da cadeia de atos projetada e tornada inevitável por seu primeiro ato de bebê, isso teria mudado toda a sua vida subseqüente e ele teria se tornado monge e morrido obscuramente numa aldeia italiana, e a América só teria sido descoberta doisséculos mais tarde. Eu sei disso. “Pular” qualquer um dos bilhões de atos da cadeia de Colombo teria mudado totalmente sua vida. Eu examinei o bilhão de carreiras possíveis para ele, e só naquela única carreira ocorria o descobrimento da América. Vocês, humanos, não suspeitam que todos os atos têm tamanho e importância, mas é verdade. agarrar uma determinada mosca é tão significativo para o destino de vocês quanto qualquer outro ato determinado.”

E eu acho que ninguém poderia ter ilustrado melhor minha idéia de “destino” do que o Twain nesse momento: o resultado das nossas escolhas. Eu vejo um punhado de gente dizendo que não tem culpa de estar infeliz porque não escolheu isso, mas eu deveria dizer que se há “culpa” é a de não se rebelar contra a pessoa que fez uma escolha que era sua.

A vida é sua, a responsabilidade de se fazer feliz é sua. Se a escolha foi ruim e desarrumou sua “cadeia de atos’, crie uma nova cadeia que te deixe bem.

Só não venha esculhambar a minha.

7 comentários em “O Estranho Misterioso”

  1. Eu curto pra caramba esse negócio de “tentar descrever o indercritível”. Claro que eu nunca admito isso para todo mundo, mas eu gosto pra caramba. Porque tentar explicar o Destino é quase como tentar traduzi-lo para palavras. E Goeth tinha uma frase interessante sobre isso: “o trabalho do tradutor é traduzir o intraduzível”. Claro que está fora de contexto, mas se aplica perfeitamente ao caso 😉

  2. ei, to aki d intrometida, pq fui no google, atras d algo falando sobre esse livro, aih axei seu comentario :mrgreen: mt massa :mrgreen: :mrgreen:
    axo q eh soh…
    hj mesmo vo comprar o livro =]

  3. fiz que nem a menina de cima, mas já li o livro
    perfeito né?
    eu amei, porque ele falou por mim. tudo o que eu tinha de dúvidas sobre o destino, descarreguei neste livro. :mrpurple:

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