Lei Seca

Eu resolvi esperar um pouco antes de comentar sobre a tal da “Lei Seca”, embora eu esteja matutando o assunto já há algum tempo. Queria ver qual é a opinião geral das pessoas, queria ver como seria quando ela passasse a valer e por aí vai. Preciso dizer, antes de mais nada, que concordo com um ponto que o Skywalker (que é contrário à Lei) levantou no Estranho Vizinho. Disse ele:

Muita gente se irrita com Leis mal formuladas que são publicadas por aí. Mas o que se pode esperar de um país onde a Casa Legislativa é composta por cidadãos que nós elegemos do quilate de Clodovil, Maria do Rosário, Sérgio Zambiasi, dentre tantos outros que tem notória ignorância jurídica? Por mais redundante e pleonasmático que possa parecer, nunca é demais lembrar que os cidadãos que nós elegemos foram eleitos por nós.

Em ano de eleição, nunca é demais lembrar – especialmente para aqueles que votam “de zueira” e que agora estão aí reclamando da lei. Se seu principal argumento é que essa lei é “culpa do governo”, lembre que o governo é culpa sua.

Mas voltemos à tal da lei. Tolerância zero, não é aceito mais nem “as três latas de cerveja” que a lei antiga permitia (antes a tolerância era de algo em torno de 0,6 g/L) – na realidade, segundo a nova lei, três latas é cadeia, chuchu. E no final das contas, por mais radical que seja, eu devo dizer que concordo com a lei. Por quê? Basicamente por dois motivos básicos:

1. Se não há como padronizar, cada caso é um caso: Está aí algo que tanto os que são contra como os que são à favor da lei concordam. A absorção do álcool pode variar muito de um corpo para outro, de uma situação para outra. Eu, por exemplo, bebo duas taças de vinho e fico numa boa. Mas se num dia qualquer estou mais nervosa, não comi – ou mesmo quando estou perto da menstruação – meu corpo não reage do mesmo jeito: às vezes uma taça já basta para fazer um estrago.

É justamente baseado nessa idéia da impossibilidade de prever como cada um reagirá a determinada quantidade de álcool no corpo que a medida foi adotada. É nossa margem de segurança, algo para previnir acidentes que em sua grande maioria acontecem porque o sujeito achava que estava ok para dirigir.

2. O motorista brasileiro precisa de uma Super Nanny: Não falarei sobre o trânsito ao redor do mundo porque isso não vem ao caso, o caos é aqui. Infelizmente, sim, precisamos de leis punitivas e não leis que prevejam um acaso. Aqui a regra é motorista achar que parte dos direitos dele decidir se vai falar ao celular enquanto dirige, de usar ou não o cinto, de emprestar ou não o carro para o filho de menor que nem tem carteira. Acha que está tudo bem aquela “escapadinha” no sinal vermelho ou sair por aí de moto sem capacete. Enfim, somos mal educados. Horrendamente mal educados e egoistas – porque o sujeito que fura o sinal vermelho não pensa que é só ele que pode se arrrebentar em um acidente, mas que ele pode matar alguém no ato também.

Enquanto não parar a mania do jeitinho, do querer ser o espertalhão do trânsito, precisaremos de leis como essa. E sim, o negócio do “espertalhão” vale aqui também, porque desculpe, antes dessa lei eu simplesmente não conheci ninguém que bebesse e respeitasse o limite anterior. Não era o limite de 0,6 g/L que valia. Valia o achômetro do motorista, o “opa, to bem, vamos nessa!”. Eu fico pensando aqui, quantos achômetros mal regulados mataram não apenas motoristas, mas também passageiros e terceiros que nada tinham a ver com o fato do sujeito simplesmente não acreditar em situações como pegar um táxi ou deixar que quem não bebeu dirija.

Em tempo, uma reportagem bem interessante do Reinaldo (nosso Cisne :grinlove: ) no G1: Única forma segura de driblar bafômetro é não beber, alertam especialistas.

6 comentários em “Lei Seca”

  1. eu tive que ouvir esse dias
    onde está meu direito de beber e dirigir?
    como assim?
    hellou
    então onde está o meu direito de xingar a tua mãe quando estou p da vida
    ou onde está o meu direito de dar em cima da tua mulher, não importa se está acompanhada, afinal é um pais livre e eu quero exercer meu direito de paquera.
    acho que a discussão válida não é essa
    pra mim a discussão ideal é, onde estão as alternativas? Pq o metro para a meia noite e táxi uma minoria pode pagar. Onde está meu direito de ir e vir de madruga? A discussão é, melhoria no transporte publico pela madruga, pelo menos sexta e sábado metro 24h
    isso seria algo questionar e discutir
    exagerei fiz um coment livro dãr
    sorry

    beijo

  2. Olá,
    primeiro que considero necessário e muito saudável o debate em grande escala sobre a nova lei. Entretanto não concordo com alguns pontos de teu texto.

    1. “É justamente baseado nessa idéia da impossibilidade de prever como cada um reagirá a determinada quantidade de álcool no corpo que a medida foi adotada. É nossa margem de segurança, algo para previnir acidentes que em sua grande maioria acontecem porque o sujeito achava que estava ok para dirigir.”

    Então reduzimos a responsabilidade de cada um e a liberdade individual em nome de uma ‘margem de segurança’ intolerante..!? Algo como: já que não sabemos como os alunos vão reagir diante de traficantes vendendo droga na porta da escola, então fechamos a escola para previnir o vício dos jovens.

    2. “Enquanto não parar a mania do jeitinho, do querer ser o espertalhão do trânsito, precisaremos de leis como essa. … Não era o limite de 0,6 g/L que valia. Valia o achômetro do motorista, o “opa, to bem, vamos nessa!”

    Equivocadamente tu omites o exercício da lei – ponto que considero fundamental e vital no debate da nova lei. O limite de 0,6 valia Sim, e não o achômetro. O que não acontecia era a fiscalização que agora está ocorrendo (muito em parte, talvez, pela espetacularização da lei, saudável ou não). O ‘jeitinho’ espreita-se quando há maior rigor no exercício da lei.

    3. “Eu fico pensando aqui, quantos achômetros mal regulados mataram não apenas motoristas…”

    Tenho escutado esse argumento e confesso que considero um tanto passivo. Concordo contigo que é condenável a irresponsabilidade desses motoristas que causam tragédias. De fato. Mas isso deve ser válido como correlato de – novamente – uma maior fiscalização, um forte exercício da lei. E não a partir de um mal estar na sociedade que acaba por criminalizar o padre que bebe meia taça de vinho na igreja e vai pra casa.

    De todo modo, sempre é instigante dar um passada por aqui. rs

    1. A ordem dos fatores nao altera o produto. O que importa é se a lei está mostrando resultado… O brasileiro é mal educado sim e se acha no direito de tudo… Mas vale salientar que nao há direitos sem deveres!

  3. Tolerância “zero”, o erro do bafometro é 0.1.
    Todo motorista que for parado vai perder a carteira levar multa e ter o carro apreendido.
    Com essa a bancada evangélica, que criou a lei, não contava.
    Acho é pouco, todos vão dançar sem exceção. Menos eu, já que estou de ônibus.
    Muita burrice. Antes de criarem algo, pensem nas consequências, demagogos.

  4. Du, releia a primeira parte do post, sim?

    ” Muita gente se irrita com Leis mal formuladas que são publicadas por aí. Mas o que se pode esperar de um país onde a Casa Legislativa é composta por cidadãos que nós elegemos do quilate de Clodovil, Maria do Rosário, Sérgio Zambiasi, dentre tantos outros que tem notória ignorância jurídica? Por mais redundante e pleonasmático que possa parecer, nunca é demais lembrar que os cidadãos que nós elegemos foram eleitos por nós.

    Em ano de eleição, nunca é demais lembrar – especialmente para aqueles que votam “de zueira” e que agora estão aí reclamando da lei. Se seu principal argumento é que essa lei é “culpa do governo”, lembre que o governo é culpa sua.”

    Obrigada e volte sempre :g:

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