O mês mais gostoso do ano

Minha memória sempre se funcionou melhor com cheiros. Na lista daqueles que automaticamente me conduzem para bons momentos: cheiro de grama cortada, de café sendo coado, de perfume, de bolo assado em dia de chuva, etc. etc. etc. Tem até uns cheiros mais abstratos, tipo “cheiro de tarde de outono” ou ainda “cheiro de felicidade” mas enfim, o fato é que se existe algo que faz lembranças despertarem para mim, é o cheiro das coisas.

Mas aí chega junho, e junho sempre foi um dos meus meses favoritos (talvez o favorito, porque dezembro é legal também, mas fim de ano é sempre uma correria e aquele calor dos infernos sux). E em junho, o que mais atiça minha memória é o paladar, quase tudo envolvendo aquelas comidinhas típicas de festa junina.

A saber: sempre fui gamada em festas juninas. Tanto, que lembro que eu, meus irmãos e minhas primas organizamos por dois anos o “Arraiá da Popota“, com brincadeiras e, é claro, comida. As festas do Lourdão desde os meus doze anos tinham um caráter meio agridoce, mas não por causa da comida, hehe. Eu sempre estava apaixonada por algum fulano que não me dava bola, e achava que a festa junina do colégio era a grande oportunidade para conquistar a atenção dele. Nunca conquistei. Em compensação, bebia quentão aos montes (eu acho que o quentão do Lourdão era o único quentão de colégio que não era aguado).

E tem lá pinhão, canjica e aqueles docinhos de abóbora com formato de coração. Coisas que em qualquer outra época do ano não tem a menor graça comer. Legal é quando está aquele friozinho típico da estação, com aquele céu azul lindo (como hoje, diga-se de passagem!). E tudo isso sempre traz de volta aquela época tão gostosa que antecedia as férias do meio de ano, quando a maior das preocupações da sua vida (fora conquistar a atenção dos caras mais velhos) era tirar nota boa para não ficar de recuperação (o que depois dos meus 12 anos também nunca acontecia, recuperação em matemática toda vida. Gee, eu era mesmo um fracasso juvenil).

Então, para comemorar a chegada do mês mais gostoso do ano, compartilharei com vocês a receita do Quentão, que em outras regiões é conhecido como “Vinho Quente”. A saber, nosso quentão ruleia mais que o quentão de fora, então o “vinho quente” deveria ser quentão e o “quentão” de fora do sul deveria ser “pinga quente”. E tenho dito!

QUENTÃO

INGREDIENTES
– 4 litros de vinho tinto suave;
– 1 litro de cachaça;
– 20 gramas de gengibre;
– 10 gramas de canela em pau;
– 10 gramas de cravo;
– casca de 2 laranjas;
– 1 quilo de açúcar.

Modo de fazer:
Coloque o açúcar na panela e mexa até que ele vire uma calda. Acrescente o vinho e depois a cachaça, e mexa até misturar bem o açúcar. Depois, coloque os demais ingredientes. Deixe cozinhar por pelo menos 20 minutos, mas quanto mais tempo passar melhor para sentir o sabor dos “temperos”. Coe o quentão antes de servir, porque é um saco engolir cravo da índia. Pronto =D

8 comentários em “O mês mais gostoso do ano”

  1. Não tenho mês preferido. 😐

    E festa junina era uma coisa que eu fugia quando era criança. Não gostava de nada e só queria que passa-se rápido. Deve ter sido trauma de todas aquelas quadrilhas que me forçaram a participar.

    Hoje em dia eu gosto, mas nada demais. ^^

  2. Realmente é em junho que nosso paladar faz a festa, acabamos fazendo de tudo pra que essa época nunca passe…
    E ainda por cima quando esse maravilhoso mês acaba, a memória resiste em nos lembrar que este foi o melhor mês do ano.
    Mas ainda assim prefiro dezembro que esse sim passa tão rápido que nem se nota, melhor também porquê aqui no sul não faz calor no verão,então é perfeito…

  3. O meu lance é com músicas. Por exemplo, gosto de ouvir Belle & Sebastian em tardes ensolaradas de outono ou manhãs chuvosas de julho. Bizarro, não? Sempre achei as noites frias de sábado ideais para escutar coisas pesadas e as manhãs frias em que vou trabalhar Nine Inch Nails… ok, nada a ver com teu post, mas é que o lance com os cheiros me lembrou isso… :mrpurple:

  4. Hum. Eu acho que é meio pedante dizer que ‘tardes chuvosas de outono clamam por tal banda ou disco’. Acredito que exista sim uma trilha sonora nas nossas vidas, mas tentar transformar nossas vidinhas néscias, curtas e sem sentido em capas de álbuns do Bob Dylan ou Beatles e afins é bobagem.
    Enfim.

  5. Não dá para dizer que é “pedante” a relação que alguém tem com determinado som, Paulo. Isso varia de pessoa para pessoa, e se na sua vida um certo momento não faz com que você lembre de uma música, é algo pessoal (assim como o oposto). Não tem nada a ver com transformar vida em capa de disco, é só de gostar de determinada banda e relacionar lembranças com a música que tocava no momento que isso acontecia.

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