Crônicas

Nada contra o Luís Fernando Veríssimo (escritor que, por acaso, acho engraçadíssimo). Mas quando o assunto são crônicas e, indo mais além, crônicas engraçadas, o melhor cronista aqui do Brasil é o Carlos Eduardo Novaes. Estou para lembrar de uma vez que eu tenha rido TANTO enquanto lia uma crônica, do modo que ri quando li “A Cadeira do Dentista”, há muito tempo atrás em um dos volumes daquela série Para Gostar de Ler (que algum número certamente você teve que ler para a provinha de interpretação do colégio).

Sério. Se tiverem oportunidade, confiram o trabalho dele. Eu até transcreveria um trechinho de umas das crônicas, mas enfim, vida corrida essa de duas monografias e um trampo. Mas não vou reclamar. Pelo menos as coisas estão acontecendo, ahn?

Como prometido, um trechinho:

(…) Passei a observar e notei que já não se escreve mais como antigamente. Ninguém mais faz diário, ninguém escreve nas portas dos banheiros, em muros, em paredes. Não tenho visto nem aquelas inscrições, geralmente acompanhadas de um coração, feitas em casca de árvore. Bem, verdade é que não tenho visto nem árvore.

– Quer dizer – disse a um amigo enquanto íamos pela rua – que o estudante brasileiro não sabe escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos diminui a concorrência e me garante o emprego emprego por mais dez anos.

– Engano seu – disse ele. – A continuar assim, dentro de cinco anos você terá que mudar de profissão.

– Por quê? – espantei-me. – Quanto menos gente sabendo escrever, mais chances eu tenho de sobreviver.

– E você sabe por que essa geração não sabe escrever?

– Sei lá – dei com os ombros -, vai ver é porque não sabe pegar no lápis direito.

– Não senhor. Não sabe escrever, porque está perdendo o hábito da leitura.(…)

(trecho de “A Regreção da Redassão“)

Detalhe é que essa crônica foi publicada pela primeira vez em 1976. Ou seja, não dá para culpar a internet pelas péssimas redações que temos visto hoje em dia…

2 comentários em “Crônicas”

  1. Comigo nada acontece. Ok, o dinheiro e os cigarros se vão, e a vida fede.

    Hahaha. Não posso falar muito de crônicas (não leio) mas, um livro que me çlembro que me fazia dobrar de tanto rir foi o Almas Mortas do Gógol. Dá até lágrimas nos olhos de lembrar…

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