Curitibanidades, palestras e fetiches

Então, ontem fui assistir uma palestra da Barbara Heliodora sobre Otelo. Nessa palestra, o Diogo Vilela ilustrou os comentários da Barbara com uma leitura dramática (muito boa!) da peça. Lógico que valeu a pena, deu até vontade de reler Otelo. O que estraga são os curitibanos com suas curitibanidades…

1. Duas senhoras extremamente bem vestidas e fedendo perfume passam a segunda parte da palestra inteira tagarelando. É aquele tipo de gente que queria ser vista na palestra, e não assisti-la.

2. Um monte de gente de outros cursos não relacionados (leia-se “Exatas”) perdidos lá na platéia, obviamente tagarelando durante toda a palestra. O interesse deles era Otelo? Não, era o ator da Globo. Queria entender porque curitibano fica louco quando ator da Globo dá as caras por aqui.

3. Curitibano é discreto até na hora de pagar mico. Pega o celular disfarçadamente, faz um verdadeiro malabarismo para que ninguém perceba que – ôa! – está tentando fotografar o ator global. Obviamente o malabarismo é tão bizarro que os fulanos chamam a atenção de qualquer forma.

Éééé… excluindo esses detalhes, realmente valeu a pena. Ainda mais que, segundo a professora Liana, está cada vez mais difícil para a Barbara dar palestras (e ela é “O” nome quando falamos de Shakespeare aqui no Brasil).

***

Hoje cedo teve uma palestra sobre as edições de Hamlet no século XIX, extremamente interessante. A palestrante falou de versões feitas para crianças e mulheres, com diversos cortes e “adaptações”. E eis que de repente ela MOSTRA uma dessas edições. Sim, diretamente de 1861Shakespeare para a Família.

Eu já revelei aqui para vocês em outra oportunidade que sou uma verdadeira fetichista. E pensem então qual foi minha sensação ao ter em mãos um livro de 1861, com uma dedicatória de 1864. É lindo! Acho que o livro mais velho que tenho na minha estante é uma edição de 1958 de O Retrato de Dorian Gray do Wilde.

No momento que vi aquele livro, decidi que quando crescer quero ser como a personagem do Johnny Depp naquele horroroso filme chamado O Último Portal. Na verdade, lembro que a profissão dele foi a única coisa que achei interessante no filme todo, hehe.

11 comentários em “Curitibanidades, palestras e fetiches”

  1. Ah! Três vezes maldito seja o cursinho, que me impede de ir nessas palestras! Que, aliás, são as da Unicenp, né? Que eu não pagaria, sendo aluno do Positivo. Que *alegria*.
    Mas como você conseguiu não pegar o livro e sair correndo? Eu não conseguiria.
    smack
    E Echo sexta ein!

  2. Na verdade depois eles abriram para os outros estudantes também (em teoria eu teria que pagar 5 royals pra entrar mas foi no vascão =] ) e sobre echo, uhuuuuuuuu!!!! esse show será fo-da! :love:

  3. Os Curutibanos são ainda assim mais interessantes que os paulistanos. Talvez pelo fato dos paulistanos serem tudo isso é se esforçarem ao máximo para não parecerem e esnobarem os carinhas da tal cidade sorriso amarelo.

    Ah, em tempo, sim, a Cultura decidiu fazer algo que preste com relação ao Will Shake e vai cediar algumas palestras e workshops sobre o cara. Dia nove, em inglês. O problema é que, humhum, fazem cinco anos que eu não leio nada dele. Bugger fukin’ shame on me 😳

  4. Eu não tinha taanto fetiche por livros e quadrinhos, até comprar o “Cartas de Tolkien” e o “Tigre e o Dragão”. Agora fiquei chata, mas continuo emprestando pras poucas pessoas que confio a ponto de comprar as minhas preciosidades. Passei a cuidar melhor dos meus livros também. :mrgreen:

    Que platéia bizarra, hein? rsrsrs… mas públicos desse tipo existem em todas as cidades, mesmo no Rio, onde os globais moram…. quando calha de um deles atuarem em peças interessantes não é que chove público só pra ver o global? Fui a uma com o Giannechini (sei lá como se escreve o nome dele).Precisa dizer das patyzinhas dando shows de gritos histéricos?Foi patético…

  5. A tal da família tradicional curitibana gera filhos curitibanos que, em situações de encontros globais, ficam ansiosos…

    Ó deus! Não deixe que eu morra sem que daqui eu me vá!

  6. Anica on 27 Abril, 2006 at 12:15 pm said:

    Na verdade depois eles abriram para os outros estudantes também (em teoria eu teria que pagar 5 royals pra entrar mas foi no vascão =] ) e sobre echo, uhuuuuuuuu!!!! esse show será fo-da! :love:

    Ah! Maldito cursinho, mais uma vez! Eu não acredito que eu não fui!
    Mas hoje tem Echo, que não, não será foda, será FODÁSTICO! Lá pelas sete ou oito horas acho que eu já vou estar por lá! Qualquer coisa me liguem!
    smack

    PS- Quer que eu troque o Ana Paula nos meus links por Ana, Anica ou algo assim? haha 😉

  7. Eh
    eu passei aqui pq gosto muito do seu blog
    apareço só às vezes, mas apareço!!!

    queria deixar uma dica de banda que consegui um cd muito antigo
    acho que de 95
    a banda The President of United States of America
    se conhece muito bom então
    se não
    dica dada!!!

  8. Então, só passei pra te deixar com inveja, pois tenho uma edição lusitana d’Os Lusíadas de 1898 que foi do meu bisavô materno, que não tem dedicatória, mas tem uma inscrição feita por ele (numa letra muito bonita) que diz: “Este livro pertence ao alumno Ernesto de Rezende Waick. Porto Alegre, 30 de Agosto de 1902. 5ª Divisão”.

    O livro é lindão e tem aquele cheirinho de velho (não de pó) que é uma beleza. :love:

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