Paulo Leminski

“ Faço uma proposta, frase feito por via de uma dúvida: alguém pensou aqui e não fui eu. O mundo não quer que eu me distraia. Distraído, estou salvo. Essa necessidade não é só física, é a necessidade da verdade, a carência de informações, a pobreza de dados. Não é agradável ser olhado por nós, saí da geografia por meio da história.”

Paulo Leminski

Bairrismo? Provalvemente não. Mesmo que Paulo Leminski não fosse curitibano tenho certeza que admiraria seu trabalho com a mesma paixão.É inovador até mesmo para os dias de hoje, e em alguns casos tão bem… “confeccionado”, que não tem como não reconhecer o mínimo de valor literário.

O melhor ao se ler Paulo Leminski é não recorrer aquele monte de lendas que se criaram ao redor de seu nome. A obra conta muito mais do que saber se ele bebia muito ou qualquer coisa do gênero.

Segue uma poesia:

Incenso Fosse Música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

Ele tem um estilo bem conciso, e cheio de jogos de palavras. Há bastante estrangeirimos, mas na maioria das vezes se apresentam mais como crítica do que como ferramenta de linguagem.

Mas acho que no que ele se sai melhor mesmo são os haicais. São delicados como é natural desse tipo de poema. São singelos, mas sem perder o encanto. Segue um haicai:

cortinas de seda
o vento entra
sem pedir licença

Mas ele não escreveu só poesia, não. Tem, na prosa, o dificílimo “Catatau”. Está aí um livro difícil de se acompanhar, muito próximo da idéia de stream of consciouness que podemos ver em Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf. Aliás, aquela citação ali em cima é dessa obra.

E, para dar uma finalizada nesse quadro geral da obra do Paulo, ele foi também compositor. Escreveu músicas que foram gravadas por Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes, a banda curitibana Blindagem, entre outros tantos.

Não deixem de dar uma olhada no trabalho dele se surgir oportunidade. Já vi muita gente deixando de lado a birra besta de “não gosto de poesia moderna” depois de ler um ou dois haicais do Leminski ^^

E assumindo a posição de bairrista mesmo, fico devendo um post sobre a Alice Ruiz para qualquer dia desses.

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