A Estrada da Noite

estrada.jpgPois então, conforme prometido, cá estou. Antes de tudo, vamos ao óbvio: não é uma obra prima da Literatura contemporânea, nem é o tipo de livro que daqui uns anos estudantes de Letras se debruçarão sobre ele estudando as mil e umas técnicas narrativas empregadas pelo autor, Joe Hill, para contar a história do roqueiro Judas Coyne, que passa a ser atormentado por um fantasma após comprar um ‘paletó assombrado’.

Não, não acontecerá isso, porque Estrada da Noite é só diversão. É como assistir um filme pipoca – você não está em busca de diálogos primorosos, uma fotografia perfeita ou aquelas cenas com longos silêncios: quer apenas uma aventura que te distraia por um tempo.

Eu sinceramente não vejo nada de errado nisso, acho até necessário. Mas enfim, voltando ao livro do Joe Hill. É bem legal, mas não, não dá tanto medo – ele peca exatamente naquilo que Poe fala sobre manter “a alma do leitor” (irônico, não?), ainda falta um pouco para ele aprender a administrar a tensão dentro do romance.

E bem, terror é tensão. O que acontece é que de uma hora para outra você é jogado dentro de “momentos assustadores”, quase como que estivesse no meio de um sonho tranqüilo e então este se tornasse um pesadelo. Claro que a fórmula funciona e você toma uns bons sustos, mas chega um momento que você já espera que aquilo aconteça, então o efeito não é igual.

Mas veja bem, não estou dizendo que o livro é ruim: só não dá para encaixar naquela estante das obras primas de horror. E, na realidade, eu confesso que até fiquei com medo de ir ao banheiro ontem de madrugada, pensando nos fantasmas da história, hehe. Mas de qualquer modo, faltou alguma coisa ali.

Como ponto alto de A Estrada da Noite, eu deveria dizer que está a inclusão dos “causos” de fantasma ao longo da aventura de Jude. Justamente por serem “causos”, é que dão mais medo (prestem atenção quando Geórgia, a namorada de Jude, conta sobre quando ela viu um fantasma pela primeira vez).

Outra coisa: a idéia dos “olhos riscados” para os fantasmas, criando uma identidade visual, assim quando o autor diz que o sujeito tem olho riscado ele não precisa dizer mais nada: você sabe que é um fantasma. E bem, a economia de palavras é preciosa quando você quer dar sustos (como também dizia o Poe :mrpurple: ).

Mais um ponto alto, pelo menos para quem gosta de música: é bem legal achar (mais do que procurar, é claro) as diversas referências espalhadas ao longo do livro. Eu não sei se meu gosto musical é parecido com o autor, mas quando ele citava versos de uma música do nine inch nails eu sabia exatamente de qual se tratava, por exemplo.

Resumindo todo o conversê: é um livro bacana, se você está pensando em apenas se divertir, se deixar levar como que em uma montanha russa. A notícia boa é que no Submarino está custando 19,80 (o que nem é muito absurdo para um livro hoje em dia).

E amanhã, não percam: 1408 (porque eu não tenho paciência :dente: ).

4 comentários em “A Estrada da Noite”

  1. Anica,

    R$ 19,80 é praticamente de graça por um livro 0 KM. Mas, sou meio complicado com livros de terror. Ou classifico como “muito bons” como “Eu sou a Lenda” que descobri através deste brogue, ou como “horrível! não toque ou sua mão cairá” onde entra grande parte dos Stephen Kings (tirando “O Iluminado” e mais uns dois ou três).

  2. Ronzi on 1 July, 2007 at 7:26 pm said:

    Anica,

    R$ 19,80 é praticamente de graça por um livro 0 KM. Mas, sou meio complicado com livros de terror. Ou classifico como “muito bons” como “Eu sou a Lenda” que descobri através deste brogue, ou como “horrível! não toque ou sua mão cairá” onde entra grande parte dos Stephen Kings (tirando “O Iluminado” e mais uns dois ou três).

    Bão, esse é batuta. Não vou dizer para vc investir seu rico dinheirinho nele, mas caso conheça alguém que tenha comprado, pega emprestado só para ver qualé. Nunca se sabe =]

    Fabiano on 1 July, 2007 at 8:35 pm said:

    A minha namorada quer ler esse livro… e eu li o I am Legend e achei o Salem´s Lot bastante superior, sabe?

    Salem’s Lot tem um problema parecido com Estrada – o desenvolvimento da tensão. Chega mais para o fim, o King perde a mão (como ele faz na maioria dos livros dele). Já em I am Legend, a tensão se mantem do início ao fim. Obvio que é muito mais fácil, sendo uma novela (e não um romance), mas acho que o Lenda tem uns pontos a mais do que o Salem’s Lot.

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