Uma dedicatória

Cornell Capa. Teenage Girls Resting Feet at First Formal Dance at the Naval Armory.

Eu acho que nesse momento dizer que 2025 foi um ano estranho é quase um pleonasmo. Não só 2025, parece que estamos acumulando anos estranhos, tropeçando meio às cegas desde que as coisas começaram a dar errado de um modo geral1. Mas divago. O fato é que 2025 foi sim um ano estranho, em partes pela experiência de ter uma pessoa muito querida naquele limiar entre vida e morte durante um período prolongado de tempo.

Sol é uma pessoa extraordinária – quem conhece sabe. Ela é tão extraordinária que ano passado mais de uma vez contradisse plantonista da UTI que nos alertava que ela poderia morrer a qualquer momento. Extraordinária porque contradisse estimativas e está aqui conosco, um ano depois. E mesmo ainda trabalhando física e mentalmente todo o trauma que viveu, ainda tira tempo para lembrar pessoas que nem conhece sobre a importância da vacina do HPV.

Em uma saída para um café (que privilégio, ainda temos nossos cafés!) falei para ela sobre como foram os dias em que ela estava apagada. Falei da primeira vez, quando um temporal despencou na cidade, uma chuva assustadora quando a vi e me dei conta ao mesmo tempo do milagre que é um corpo funcionando e de quantas coisas podem dar errado conosco. A médica chamou e avisou que poderia ser a última noite. Não foi. Não foi fácil, a recuperação ainda está em andamento, mas ela está aqui.

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