Sombras de Goya

goyas-ghosts-2006.jpgMilos Forman é um diretor muito bom, que tem no currículo filmes como O Povo Contra Larry Flint e, um dos meus favoritos de todos os tempos, Amadeus. Então, era natural uma certa expectativa (e curiosidade) sobre o mais recente trabalho dele, Sombras de Goya. E como sempre dizem, expectativas são uma droga…

Não dá para dizer que o título é enganoso, porque pela opção “sombras” (em inglês seria “fantasmas”), fica claro que o foco não será o Goya. O pintor (Stellan Skarsgård) aparece no filme para unir a vida de uma personagem com outra, é mais uma desculpa. A história mesmo não é dele, mas de pessoas retratadas por ele.

A primeira é Alicia, musa de Goya. Uma adolescente jovial e aparentemente bastante moderna, vivida por Natalie Portman. A segunda personagem é Lorenzo (Javier Bardem), um padre envolvido com a Inquisição Espanhola (que na realidade é peça principal para torná-la mais severa).

Um vê o retrato do outro em situações diferentes, no estúdio de Goya. Logo depois, suas vidas se embaralham: Alicia é presa pela Inquisição, Lorenzo apesar de prometer intervir no assunto, aproveita a situação para manter relações com ela, enquanto Alicia está presa.

Nisso tudo bastante fatos históricos incluindo a Guerra Civil espanhola, e Goya como uma figura quase muda, impotente, um mero observador. Os elementos parecem interessantes, vistos assim em pedaços, não?

O problema é justamente esse. Não há muita coesão e, mais do que isso, não há algo que faça você ver os sentimentos das personagens. É tudo muito rápido, com vários saltos e as situações que surgem simplesmente não convencem. Até mesmo a explicação de Goya sobre a insistência em ajudar Alicia é fria.

Há apenas dois momentos nos quais você se emociona com a situação das personagens, uma é a do pai Alicia, convencendo Lorenzo de que qualquer um diria qualquer coisa sob tortura (esse é um dos melhores momentos do filme, aliás). O outro é já no final – e não vou descrever a cena para não estragar a surpresa de vocês.

Eu sei que comparações são injustas, mas se for colocar Goya e Amadeus um do lado do outro, quase não dá para acreditar que são do mesmo diretor (talvez apenas a trilha sonora denuncie). Enquanto em Goya as personagens parecem recortes colados lado a lado sem qualquer capricho, em Amadeus todas as paixões saltam da tela, como se pudessem ser tocadas.

Entre um e outro, talvez valha mais a pena assistir Amadeus mais uma vez. De qualquer modo, chega nos cinemas em sete de setembro (é, de novo, mais um atraso com relação ao lançamento internacional…).

2 comentários em “Sombras de Goya”

  1. Tinha até esquecido que esse filme existia. Dei uma olhada lá no Rotten Tomatoes, e parece que também não fez muito sucesso lá fora. Uma pena… Ainda assim vou ver com toda curiosidade que o Forman merece.

  2. Poisé, rolaram umas esquisitices para o lançamento deste filme. Parece que até nos Estados Unidos o lançamento foi atrasado, aqui mais ainda. Enfim, não é um filme ruim. É só so-so (o que é uma pena, no caso do Forman).

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