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Não sei. A sensação que dá é de que o blog fazia mais sentido quando tudo estava de cabeça para baixo na minha vida. Vir choramingar aqui de certo modo era um tanto quanto reconfortante (mesmo porque meus leitores sempre foram educados o suficiente para não me mandar a merda por causa do chororô ).

Enfim, só para deixar registrado que hoje eu sou uma pessoa feliz, porque posso ficar embaixo do cobertor comendo sorvete de flocos direto do pote assistindo Fritz Lang com o namorado e sabendo que toda a novela das Literaturas Inglesas finalmente acabou. Ueba!

(e viva eu sem sono de madrugada!)

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Uma vez eu estava lendo um texto na aula de Teoria da Literatura (cujo autor não lembro, sorry), que dizia que o maior problema para as pessoas compreenderem o trabalho de um crítico literário é que uma maioria de pessoas sabem escrever. Dessa forma costuma-se confundir os critérios de avaliação de uma obra, na maioria das vezes caindo naquele negócio de “ah, eu gostei da história então o livro é bom”, o que sabemos que não é exatamente por aí.

Comecei retomando esse texto para explicar um termo que uso para definir excelentes autores, que é “artesão”. Não é meramente uma questão de contar uma história (embora eu reconheça que contar uma boa história é algo difícil bagarai), mas realmente trabalhar naquilo, utilizar as palavras não só da forma como todos nós (pobres mortais sem talento) usamos.

Vou citar três exemplos disso que aproveito para deixar aqui como sugestão de leitura:

a. “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa.
Para falar sobre a dualidade humana, Rosa faz uma obra toda cheia de duplos em vários detalhes da obra. Por exemplo, a linguagem utilizada por Riobaldo ao contar suas histórias é tanto a do sertanejo quanto uma linguagem culta (o que dá um toque atemporal para a narrativa, há de se frisar). O tempo da narrativa varia a todo momento entre presente e passado. E por aí segue. Compreendem? Para provar seu ponto de vista, ele não conta simplesmente uma história: ele trabalha essa história.

b. “Budapeste”, de Chico Buarque.
É o tipo de livro do qual não posso falar muito senão estrago (ótimas) surpresas. Mas adianto que todos os elementos da obra estão voltados para criar o efeito da conclusão da obra, até mesmo a capa! É algo para dar um nó na cabeça mesmo, um livro dentro de um livro. E digo: o melhor livro que saiu em Literatura Brasileira nos últimos anos.

c. “Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess.
Ahá, acharam que eu não comentaria da experiência de leitura nem um tiquinho? É realmente um livro impressionante, e o trabalho do Burgess foi além de criar um vocabulário para os adolescentes que ele queria retratar. A obra tem 21 capítulos (21 é a idade de maioridade plena na cultura anglo-americana), dividido em três partes de sete capítulos cada. Essa divisão é baseada no mónologo sobre as sete idades do homem na peça “As Thou Like it” de Shakespeare.

Estão aí, três casos de sujeitos que foram além no uso das palavras. Não é meu único critério de avaliação, mas confesso que tenho uma queda por sujeitos que sabem inovar.

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Sinceridade intelectual é isso: assisti O Cão Andaluz ontem à noite e confesso que não entendi nadica. Confesso também que foi uma experiência um tanto perturbadora. Enfim, diz a crítica que o negócio não é compreender o filme, mas de qualquer forma pensarei melhor sobre ele antes de avaliá-lo ou coisa assim.

***

Eu, Fábio, Lu e Marlo fomos assistir A Fantástica Fábrica de Chocolates ontem no cinema. Eu não cheguei a rever todo o filme de 71 conforme planejado, mas algumas coisas dá para comparar sem medo de ser injusta.

Primeiro, o toque “Tim Burton” que faz toda a diferença: é impressionante como ele sempre consegue deixar um qüê de bizarrice no ar. Com isso acho que o filme perdeu um pouco do tom infantil da versão anterior.

Por falar em ‘infantil’, o molequinho que colocaram no papel de Charlie está *bem* menos irritante do que o do filme de 71. Sério, eu não conseguia simpatizar com aquele loirinho, esse pelo menos foi tragável.

Não vou entrar na comparação Depp X Wilder porque são dois contextos completamente diferentes: no filme de 2005 temos até flashbacks mostrando a infância de Willy Wonka. E bem, convenhamos: Burton e Depp é uma combinação bizarra que sempre dá certo.

Só para completar: os Oompa Loompas estão hilários!! As músicas mais engraçadas ainda! Para quem não gostava muito do filme antigo por causa das cantorias (como eu, hehe), ficará feliz em saber que elas são mais raras nessa nova versão.

PORQUE SIN CITY É O FILME MAIS COOL DO SEMESTRE

1. Porque foi baseado em uma obra de Frank Miller: Embora o fato de um filme ser baseado em uma obra de um sujeito que costuma fazer só coisas boas não seja de fato uma garantia (Alan Moore que o diga), a questão é que com Sin City a coisa funcionou. Desde a caracterização do elenco (se comparar imagens da HQ com as dos filme é coisa de ficar com o queixo caído) até mesmo os diálogos, a adaptação não deixou nada a desejar para nenhum fã.

2. A escolha do elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Clive Owen, Rutger Hauer, Elijah Wood, Benicio Del Toro e meu amadado salve salve Michael Madsen. E tipo, isso é SÓ O COMEÇO. Tem muita gente boa trabalhando nesse filme, não é nem questão de ser pop, é um elenco competente que segura muito bem a trama. E sim, a Jessica Alba tá gatinha bagarai como a Nancy. E foi legal pra caramba ver o Frank Miller atuando no filme também.
3. É um filme noir: sim, é noir, em todos os sentidos. Seja pela presença de mulheres fatais, detetives, viradas de trama, seja pela atmosfera obscura e os contrastes conseqüentes da fotografia p&b com alguns detalhes coloridos. Quem gostou de filmes como “O Falcão Maltês” tem tudo para gostar desse também (mas que estejam avisados que há um elemento extra em Sin City: muita violência).

4. Tarantino: Ele coloca as mãos em apenas uma seqüência do filme, mas com toda certeza uma das melhores: o momento em que Dwight está no carro com a cabeça do Jackie Boy. Carregada do típico humor negro, não tem como não perceber o toque do diretor nesse momento. Muito legal mesmo!
5. Coesão da narrativa: O filme é dividido em três histórias independentes uma das outras (baseadas nas histórias ‘The Hard Goodbye’, ‘The Big Fat Kill’ e ‘That Yellow Bastard’ das HQs), mas que são unidas de um jeito bem interessante. Se em ‘The Hard Goodbye’ vemos a personagem Nancy apenas como coadjuvante (aparecendo rapidamente como uma amiga de Marv), em ‘That Yellow Bastard’ ela é uma das personagens pricipais. Todas as personagens tem relação entre si, aliás, não só as personagens, os lugares em geral.

Enfim, filme dos bons. Só deixo como única ressalva que ele é um tanto exagerado na questão da violência, o que pode ser ruim para algumas pessoas. Tem canibalismo, cabeças decepadas, sangue jorrando para todos os cantos. Então, se você não consegue compreender o que esse tipo de elemento significa dentro de um filme assim, melhor nem passar perto de Sin City.

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Ok, não sei bem como colocar isso aqui. Mas às vezes tenho a sensação de que sou a única pessoa que embala momentos em papel celofane, digamos assim. Explicando: eu jamais comeria um cachorro quente pós balada com uam nova amizade, depois que fiz isso com a Nane diversas vezes. Porque eu vejo nesse novo amigo uma possibilidade de… mudar.

E não é só pelo mudar. É que tenho um carinho enorme pelos momentos que tenho com determinada pessoa, e por isso sinto mal tentando, de certa forma, impor para outro alguém o que gostaria de reviver.

A coisa toda me incomoda especialmente no que diz respeito a “momentos em casal”. Há um quê de acomodação em incluir o namorado em uma rotina que já existia antes com outra pessoa. É quase como tirar um para colocar outro. Aí repetem-se apelidos, programas de finais de semana, declarações, brincadeiras…

E pior: a outra pessoa nem sabe que está só repetindo algo que já aconteceu antes. Ou sabe, né? Agora, fica a pergunta: tem sentido mudar, para continuar tudo igual?

***

Após almoço com a dona Jô, peguei emprestado o Laranja Mecânica para ler (eu vou dar chicotada em quem vier aqui comentar um “Ué, mas Laranja Mecânica não é um filme?”). Tem tudo para ser uma das melhores experiências literárias do ano, pelo menos acredito que sim. Obviamente deixarei para falar do livro quando terminá-lo.

O mesmo vale para o Gozo Fabuloso (do Leminski) que o Fá me emprestou ontem. Enquanto preparávamos croutons (somos chiques, benhê!) eu já li alguns dos contos e digo uma coisa: foda. Morro de inveja de quem tem talento em prosa e em verso, devo confessar.

O que me faz lembrar do pai do Voltaire, que costumava dizer sobre seus filhos “Tenho dois idiotas em casa: um em prosa, e outro em verso”.

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Pronto, dessurtei. E vamos ao Quizz que tirei lá do Eu Diria Que…

1. melhores filmes dos últimos anos:

Dogville
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
Herói
Kill Bill vol.2
As Invasões Bárbaras

CADÊ O NÚMERO DOIS?
(pergunto o mesmo)

3. Atores com pujança:

Orson Welles
John Cusack
Kevin Spacey
Kenneth Branagh
Humphrey Bogart

4. atrizes de mão cheia:

Rita Hayworth
Scarlett Johansson
Nicole Kidman
Marilyn Monroe
Catherine Zeta-Jones

5. o meu musical:

Chicago

6. realizador(es) com ‘r’ grande:

Tim Burton
Quentin Tarantino
Stanley Kubrick
David Lynch
Orson Welles

Então, aí vocês fazem como eu, copiam e colocam lá no blog de vocês, ou respondem aí, só para minha caixa de comentários não ficar fazendo ‘cri cri cri’ e tal.

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Futuro…

Eu tenho medo de um monte de coisas. Vacas, hospitais, fogos de artifício, ladrão, elevador velho, de ficar cega, palhaços, piriguetes sem noção, portas de armários abertas, estranhos na janela e por aí vai.

Mas acho que nada me dá tanto medo quanto o futuro. A longo ou curto prazo, tanto faz: a idéia de pensar no que está por vir me dá pânico. E o engraçado é que quando você é mais novo, pode ir adiando o momento de pensar a respeito, mas chega um momento que o cerco se fecha e a coisa se torna inevitável. Futuro do presente…

Mais um ano de faculdade? O que fazer depois disso? O que eu quero para mim? Talvez o que assuste não seja o futuro em si, mas a falta de perspectivas. Quando ainda é sonho, não pode virar fracasso.

***

Passado…

Internet é uma ferramenta cheia de qualidades contraditórias. Por exemplo, ao mesmo tempo que uma das vantagens dela é ser uma espécie de arquivo gigante, isso também pode ser o pior dela.

Especialmente quando você tem lá seus 8 anos de acesso (sim, eu sei que tem gente que freqüenta há mais tempo do que isso, me poupem dos comentários do tempo da internet à manivela que o post não é sobre isso). Você já andou por ali e por aqui, deixou opiniões e um tanto de sua história aos pedaços no meio.

A praga é que independente de você não querer relembrar ou saber de certas coisas, elas acabam aparecendo para você. É quase como se você estivesse passeando em um shopping e alguém te puxasse do nada para uma sala de museu.

Um passeio nem sempre agradável, se levar em conta as perguntas levantadas. Pretérito Imperfeito…

***

Presente…

?

O Império do Sol e o tempo

Bem, acabei me distraindo e não consegui ver todo ‘O Império do Sol’, mas vou locá-lo em breve, esse filme vale muito a pena assistir. É impressionante, mas toda vez que o John Malkovich aparece na tela como o Basie eu penso em como é importante para um ator a escolha dos papéis: não é que a interpretação dele não valha nada, mas o Malkovich poderia fazer das tripas coração e não agradaria tanto se a personagem Basie não fosse bem construída. É um dos filhos da puta mais cativantes que já vi no cinema, por assim dizer.

Agora, por falar em cativar, como é que esse moleque:

vira essa coisa totosa aqui:

???

É… nem sempre o tempo é um inimigo. Agora vocês me dão licença que eu vou me afogar em um caneco de Toddy Floresta Negra.

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Vazio agudo
ando meio cheio
de tudo*

e talz.

Mããããs temos boas notícias! E por incrível que possa parecer, são coisas que não envolvem dinheiro (pelo menos não o meu). Hoje à tarde passa na HBO o ótimo Império do Sol (do tempo que o Christian Bale ainda não tinha tanquinho, he he he) e à noite no Telecine tem Belle de Jour. Iupi!!!!

*é do Leminski

***

Só porque hoje cedo estou ouvindo Queen:

Insanity laughs under pressure we’re cracking
Why Can’t we give ourselves one more chance?
Why can’t we give love that one more chance?
Why can’t we give love give love give love?
Give love give love give love give love give love give love?
Cause love’s such an old fashioned word
And love dares you to care
For the people on the edge of the night
And love dares you to change our way
Of caring about ourselves
This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under Pressure
Under Pressure
Pressure

Que mundo louco…