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Nós sempre culpamos nossos pais pelo que somos, a dita “educação”. Eu não vou entrar aqui na discussão de quanto hoje em dia os pais legam à tv e à escola a tarefa de criar os filhos, porque não é disso que quero falar. Eu quero falar do momento em que você se dá conta de quanto é igual aos seus pais.

Meu pai morreu quando eu tinha 10 anos de idade. Não foi tempo suficiente para me ensinar tudo o que eu queria saber, eu tenho certeza disso. Mas dele eu herdei o gosto por todos os tipos de arte (ele acreditava piamente que minha paixão pelos caran d’ache dele era artístico, e não gastronômico). Herdei também o amor por Beatles e a irritação ao ouvir barulho de dente batendo em colher quando uma pessoa está tomando sopa.

E eu não sei se por ela ter 14 anos de “vantagem” com relação ao meu pai, mas sinto que é quando olho para minha mãe que me vejo. Ontem, enquanto ela fazia o jantar, conversávamos tomando um vinho, coisa que há muito não fazíamos. Foi impressionante perceber que todas as nossas idéias sobre as coisas ao redor são idênticas, nós só mudamos as palavras ao nos expressar.

Mais do que isso: que tudo o que vemos de errado em nossas vidas nesse momento são mais ou menos a mesma coisa. É um não encontrar o caminho e um desiludir-se com as pessoas que muda de nome de acordo com a situação, mas ainda assim é igual.

Difícil concluir esse tipo de texto. Não vou citar Legião, btw.

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E prosseguimos com Swift…

“Resoluções para quando envelhecer”

Não casar com uma mulher jovem.
Não andar com os jovens, a menos que eles realmente queiram.
Não ser rabugento, nem mal-humorado, nem desconfiado.
Não menosprezar o jeito de ser, o humor, a moda, os homens e as guerras de hoje.
Não ser “coruja” com as crianças.
Não contar a mesma história mais de uma vez para a mesma pessoa.
Não ser pão-duro.
Não deixar de lado a decência e a limpeza para não ser desagradável.
Não ser muito severo com os jovens, mas deixar que cometam suas bobagens e fraquezas juvenis.
Não ser influenciado e nem dar ouvidos às pessoas velhacas e fofoqueiras.
Não dar conselhos para quem não os quer.
Pedir para alguns bons amigos me alertarem quando deixar de cumprir alguma destas resoluções, e entrar na linha novamente.
Não falar demais. Também não falar de mim mesmo.
Não me gabar da minha antiga beleza, força, ou sucesso com as mulheres.
Não dar atenção aos bajuladores, nem acreditar que posso ser amado por uma jovem; evitar quem quiser me aplicar o golpe do baú.
Não ser categórico nem enxerido.
Não acreditar que cumprirei todas estas regras, para não correr o risco de não cumprir nenhuma.

Sujeito batuta esse Swift.

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Porque tudo depende do contexto…

Ok, vamos supor que uma pessoa que está lendo um blog o está fazendo por ter muuuuito tempo disponível (assim como a pessoa que está escrevendo, mas sobre isso a gente fala outra hora). Levando em conta que você, caro leitor, dispõe desse tempo, vamos fazer um exercício de leitura.

Leiam esse texto aqui:

A Modest Proposal

Modesta Proposta (versão tecla sap pra quem não lê em Inglês nem sob ameaça.)

Tempo!!!!!!

Leu?

Ah, tá. Vou esperar mais um pouco…

Hmmm… acho que agora já deu, né? Ok, vamos continuar o exercício. E aí, o que achou do texto? Ficou revoltadão? “Caraleo, como alguém pode ter sugerido uma coisa dessas?!!”

Pois sim, agora leiam isso:

David Cody fala de ‘Modesta Proposta’

Agora eu pergunto: e quanto do que é escrito/dito não pode ser distorcido por não se entender o contexto, ou ainda, a real intenção da pessoa que escreveu/falou? Eu levanto essa pergunta porque ela não diz respeito só à Literatura, isso está aí, no nosso cotidiano também.

Seja crítica, seja piada, seja um mero comentário. Parece que estamos pré-dispostos a tomar a defensiva em qualquer situação, interpretando o que poderia ser um conselho ou brincadeira como um ataque, baseados unicamente do nosso conhecimento de mundo, ignorando o fato de que pode existir uma razão por trás do que se falou.

Eu tenho a sensação que as pessoas não sabem mais conversar. A falar elas ainda não desaprenderam, mas a trocar informações, crescer, aprender a partir de um diálogo, me parece cada dia mais difícil, justamente por causa dessa postura defensiva.

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Descobri um submundo no orkut: o petkut. As pessoas criam perfis para seus bichinhos de estimação, incluindo dados como brincadeiras ou comidas preferidas. Além disso, entram em comunidades como Whiskas ou Eu Amo Meu Humano e discutem questões como “E a ração seca, o que acham?” Não deixa de ser engraçado.

Como descobri esse submundo? Digamos assim, que vinhos e idéias de jerico normalmente rendem esse tipo de descoberta…

***

Sabem aquelas plaquetinhas de “meu humor hoje” que as pessoas costumam colocar nos perfis dos blogs? Assim ó: hoje estou...

Pois então. No dia que criarem um Hoje eu estou me sentindo enganada, confusa, cansada e medrosa, eu coloco uma plaquinha no meu perfil também.

***

Tic tac, tic tac…

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Eu e o Fá vimos um monte de filme nesse final de semana, entre eles revi Encontros e Desencontros, da Sofia Coppola. Como eu já falei dele aqui no Hellfire na primeira vez que assisti, não vou me prolongar em comentários. Na realidade só quero deixar registrada a música que o Bob Harris canta para a Charlotte no karaokê:

More Than This (Roxy Music)

I could feel at the time
There was no way of knowing
Fallen leaves in the night
Who can say where they´re blowing
As free as the wind
And hopefully learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this – there is nothing
More than this – tell me one thing
More than this – there is nothing
It was fun for a while
There was no way of knowing
Like dream in the night
Who can say where we´re going
No care in the world
Maybe i´m learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this – there is nothing
More than this – tell me one thing
More than this – there is nothing

***

Vimos também um trequinho bizarro chamado Party Monster, filme com o Macaulay Culkin como um dos protagonistas. É um filme based on a true story que os americanos tanto gostam, no caso é a vida do organizador de festas Michael Alig e de sua queda por conta das drogas.

Dá pra ser mais previsível? Alôô-ou!!

Todos os elementos básicos dos filmes de junkies estão presentes, com exceção que a subtrama não é interessante, como acontece no caso de Réquiem para um Sonho ou Trainspotting.

WTF! Não tem nem comparação.

***

Gente! A Paris vai casar

***

Eu cheguei a conclusão de porque as conversas de msn me cansam. Você conversa com cinco pessoas diferentes e elas, em determinados momentos da conversa, farão as mesmas perguntas. Para me poupar desse aborrecimento e economizar o tempo de vocês, criei o meu…

…FAQ:

1. Tá tudo bem?
R. Perfeitamente bem.

2. O que você quis dizer com (incluir citação do blog)
R. Não gosto de explicar o que eu escrevo.

3. Quando você vai se mudar?
R. Em menos de 30 dias.

4. Para onde você vai?
R. Não faço idéia.

5. Por que você não fica mais online nos finais de semana?
R. Porque estou no Fábio.

6. Quando você se forma?
R. Metade de 2006.

7. Teu telefone ainda é o mesmo?
R. Sim.

8. Posso te ligar?
R. Não.

9.Você já viu Star Wars?
R. Não, ainda não.

10.Por que você ainda não viu Star Wars?
R. A preguiça tem imperado e ficar na cama parece bem mais sedutor do que conferir os estragos do George Lucas.

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Os Perdidos

Havia um anjo perdido entre os homens. Era um anjo que não tinha asas; que chorava, que errava. Também não era perfeito, mas mesmo assim era um anjo. Ele aparecia assim de repente e ia embora sem dizer adeus, mas nunca se esquecia de ninguém.

Havia um demônio que sofria e sangrava sem parar; um demônio que se apaixonava e escrevia cartas, e até fazia algumas pessoas felizes; não tinha rabo nem tridente, mas mesmo assim era um demônio. Um demônio perdido entre os homens.

O anjo e o demônio se apaixonaram um dia. Eles se tocaram… o anjo descobriu o prazer, o demônio descobriu o amor. O anjo mostrou ao demônio o nascer do sol, o demônio mostrou a beleza da noite.

O demônio escreveu várias cartas de amor que o anjo guardou com carinho, apesar de não entender aquelas palavras. O anjo cantou músicas celestiais para o demônio que guardou todas elas em sua memória.

Depois de uns tempos, eles foram separados, mas um sempre esteve no outro. O anjo tornou-se um pouco demônio; o demônio tornou-se um pouco anjo.

O anjo foi expulso do céu, o demônio foi expulso do inferno. Um dia se encontraram numa rua qualquer. Eles se olharam, e depois de um breve tempo se reconheceram: eles eram um homem e uma mulher, ambos perdidos entre os homens.

(Camila Silveira)

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A-há! Tirei a Sade da cabeça!! O problema foi o custo: Billy Idol. Jizuis, alguém me tira desse túnel do tempo musical antes que eu comece a usar polainas ou saia balonê!!

I spend so much time
Believing all the lies
To keep the dream alive
Now it makes me sad
It makes me mad at truth
For loving what was you

Legal, quando eu não sabia Inglês eu cantava “Assaltar um peixe!” ao invés de “Eyes Without a Face” hehe. Enfim, eu gosto desse trecho da música. Tem a ver.

***

Responda a questão com caneta preta ou azul, justificando sua resposta: Ao usar o sistema de transporte coletivo de curitiba, do que você tem mais medo?

a) Cachorros que correm atrás de pessoas que correm atrás de ônibus
b) Velhas que falam sozinhas
c) Briga de malaco com direito à polícia
d) Gente que ao embarcar acha que está participando do American Gladiators (há, há. desenterrei essa)
e) Todas as alternativas acima

(Pois acreditem: ontem à noite voltando para casa eu encarei a alternativa e)

***

Alice não pôde deixar de rir, mesmo em meio às lágrimas.
– E pode-se deixar de chorar só pensando em coisas? – perguntou.
– É claro, é assim que se faz. Ninguém pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

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Engraçado. As pessoas citam como ‘medos modernos’ coisas do tipo “medo de ser assaltado”, por exemplo, mas poucos falam do horror moderno chamado…

…COFRINHO!!!!!

É, o cofrinho, senhoras e senhores! Até o começo dos anos 90, usar calça de cós alto ainda era fashion, o que significa que os adolescentes dos anos 80 não viveram esse medo.

Mas nós, pessoas antenadas (há, há) do século XXI (eu nunca sei contar os séculos direito, eca), usamos calças com cós cada vez mais baixo, o que nos leva ao dito cujo do cofrinho.

Ninguém escapou de um belo dia, ao inocentemente catar um objeto no chão, ouvir delicadas sentenças como “Opa, posso por uma moeda aí?” e suas respectivas variações.

Na realidade, cheguei a conclusão de que sofro de cofrinhofobia quando percebi que na cantina da faculdade sempre sento encostada na parede para esconder o possível cofre. E que não sento de jeito nenhum sem dar aquela levantada na calça antes.

Bizarro. Tanta coisa pra ter medo e eu com essa. Mas se vocês ouvissem os meninos falando do cofrinho das outras, também teriam essa fobia.

cofrinho

Aiai.