Os melhores filmes de 2019

Uou. Já são 15 anos fazendo a lista de melhores filmes aqui no blog. Falhei em 2011 e 2012 porque ainda estava me adaptando à maternidade, mas fora isso, desde 2004 volto sempre aqui para contar quais foram meus dez filmes favoritos do ano que passou.

Em 15 anos até o modo como acompanhava cinema mudou. A minha lista de 2004 e 2005 tem muitos filmes que… ALUGUEI EM UMA LOCADORA. Em 2004, minhas principais fontes de informação ainda eram a revista SET (sim, de papel) e o site Cinema em Cena. Mas já estava começando a seguir recomendação dos amigos lá do Fórum Valinor (a mania das listas começou lá, diga-se de passagem).

Dois anos antes lembro que tinha saído o segundo filme da trilogia nova de Star Wars (agora já não mais nova), e o Uglúk mandou link para baixar pelo emule (!!!!!) um spot de tv do Yoda lutando contra o Dooku, que simplesmente não estava acessível para os brasileiros ainda. Agora com A Ascensão de Skywalker a Disney não deu um espirro sem que todas as redes sociais no mundo inteiro fossem atualizadas.

Voltando para o primeiro ano que comecei a fazer listas, foi por causa de uma resenha do Pablo Villaça que acabei indo assistir Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (um dos meus filmes favoritos da década passada) já no final de semana de estreia. Atualmente o material que sai sobre um filme é tão grande que fica até difícil definir qual foi o momento em que você realmente decidiu que ok, aquele ali merecia sua atenção.

E hoje em dia a lista que inicialmente tinha como critério “Lançamentos no país nos cinemas, em festivais ou direto em dvd” hoje em dia teve que ser atualizado para “Lançamentos nos cinemas, em festivais ou serviços de streaming”. Eu nem tenho mais lugar para rodar dvd aqui em casa.

Enfim, os comentários foram só para não deixar passar em branco a efeméride. Vamos lá para a listinha de 2019. As listas dos anos anteriores você pode encontrar nos seguintes links:

2004|2005|2006|2007|2008|2009|2010|2013|2014|2015|2016|2017|2018

1. Parasita (Gisaengchung, 2019): O que todo mundo comentará sobre Parasita é que trata-se de um filme sobre luta de classes. E é, como fica óbvio inclusive em alguns cartazes de divulgação. Mas se concentrar apenas nisso é um pouco falar sobre o destino e perder toda a jornada. Claro que o questionamento levantado sobre quem são os parasitas de fato é executado de forma brilhante (a Fabiane Secches escreveu um artigo ótimo falando sobre isso, vale muito a leitura), mas o que me conquistou de verdade foi como o filme salta do cômico ao dramático com fluidez. A experiência que se tem ao assistir a primeira metade do filme não te prepara de modo algum para a outra metade, e não falo sobre os momentos mais violentos, mas para como é devastador ouvir o filho narrando o plano para o pai, descrevendo como a partir dos estudos melhoraria de vida, e saber que as imagens na tela são apenas devaneio, pensamento mágico tal qual esperar boa sorte a partir de uma pedra aleatória.   

2. A Despedida (The Farewell, 2019): Preciso começar falando que talvez o contexto no qual assisti ao filme pode ter influenciado muito na minha opinião sobre ele. Assisti A Despedida no dia do aniversário de morte da minha avó, não uma escolha consciente (ou muito esperta), vale dizer. Então, ver a história de uma família chinesa se reunindo depois que descobrem que a matriarca tem pouco tempo de vida, mas decidem não contar – enganá-la com um falso casamento para justificar a vinda inclusive de pessoas que tinham deixado o país – tocou as notas certas naquele momento. Mas a história é tão bonita, tão viva. Há algo ali que vai além da despedida lenta, ou mesmo do retrato da vida familiar. Mesmo a situação da protagonista que veio para os Estados Unidos com os pais, mas viveu alguns anos da vida na China – uma China que reconhece em poucos momentos, a qual parece não mais pertencer, tudo é tão rico e delicado que fez do filme um dos meus favoritos desse ano.

3. Jojo Rabbit (idem, 2019): Eu adoro o trabalho do Taika Waititi, mas quando ouvi falar de Jojo Rabbit fiquei com um certo receio. Um filme cujo protagonista é uma criança que tem Hitler como amigo imaginário? As chances de dar caca eram grandes demais. Mas mesmo assim, com todo o risco: que filme! É estranho porque não está fazendo nada de realmente novo, retratar os horrores da guerra pelo olhar de uma criança já passou aqui e acolá nos últimos anos. Mas de alguma forma a piada funciona, e não só pelo humor, mas pelo quentinho que dá no coração – e é bem estranho dizer isso, já que quase todo mundo na história é… bem. Nazista. Quando chegou a cena final com uma versão em alemão de Heroes do Bowie tocando, eu estava com lágrimas nos olhos. Ah, sim, e a Scarlett Johansson está melhor nesse filme do que em História de um Casamento. E veja bem, se tem uma coisa que se destaca em História é justamente a atuação do casal protagonista.

4. A Favorita (The Favourite, 2018): O Oscar de 2019 foi um tanto decepcionante para mim, mas pelo menos rendeu um prêmio para Olivia Colman (na época, estava apaixonadíssima pela atriz pelo trabalho como a madrasta em Fleabag), que está muito bem no papel da Rainha Anne. Mas vou dizer uma coisa: estava trabalhando com uns textos do Roberto Schwarz para usar como base em um seminário sobre a Capitu, e a questão do favor estava forte demais na minha cabeça quando assisti ao filme. E ver as maquinações de Lady Sarah e Abigail para conquistar o favor da rainha e, principalmente, ver que Abigail se dá conta que não há possibilidade de liberdade em uma sociedade dessa natureza, foi um daqueles momentos legais onde a teoria se encaixa direitinho, as engrenagens giram azeitadinhas, sabe como? Isso sem contar que o trio principal está maravilhoso, parceria Rachel Weisz e Yorgos Lanthimos dá muito certo.

5. História de um Casamento (Marriage Story, 2019): Quando vi o trailer na primeira vez achei que choraria o filme todo, e a verdade é que História de um Casamento é um filme triste, mas eu acho que fica mais ali para o lado agridoce. Tem até uns momentos engraçados (os advogados do casal, por exemplo, é tudo tão absurdo que não tem como não rir), e outros bem fortes (como a cena da discussão que até virou meme), mas a nota final é que eles conseguem encontrar no filho o ponto em comum, o modo de se salvar da loucura do divórcio. Eu diria até que é um final feliz, não fosse a reação do Charlie ao ler o que Nicole escreveu sobre ele mas se recusou a ler na terapia de casais. Fica a sensação de que talvez eles nem se divorciassem se ela tivesse lido? Mas e aí, o final seria bom para Nicole, que com a separação finalmente conseguiu ir atrás do que queria?

6. Fora de Série (Booksmart, 2019): Caraca, que sorte têm os adolescentes dos dias de hoje que podem assistir um filme tão, mas tão legal quanto Fora de Série. Porque ele tem aquela estrutura que a gente já conhece bem de “última noite antes da formatura”, mas como traz novidades – principalmente quando não coloca as duas amigas em uma busca por um interesse romântico (embora o interesse romântico até apareça, mas não é peça central da história). E é cheio de momentos hilários, piadas que você ainda acha engraçadas mesmo meses depois de assistir ao filme (estava lembrando aqui das meninas no carro do professor e comecei a rir feito uma boba, por exemplo). É realmente muito divertido, especialmente quando brinca com nossas expectativas.

7. Midsommar: O mal não espera a noite (Midsommar, 2019): Que filme perturbador. Como no trabalho anterior, Ari Aster trabalha a atmosfera do filme para que mesmo nos momentos mais mundanos fique aquela sensação de que há algo de errado, algo ruim para acontecer. E como o subtítulo horroroso que escolheram aqui no Brasil indica, o mais surpreendente é que isso se sustenta mesmo que a maior parte das cenas aconteça sob um céu super azul de verão. Aliás, é enorme a quantidade de cenas lindíssimas, daquelas de encher os olhos e te fazer se arrepender de não estar assistindo no cinema, como a cena da dança para escolher a rainha, por exemplo. E o legal é como abre mão de uma reviravolta forçada para explorar a tensão, deixando toda a trama escancarada para a audiência, mas mantendo as personagens completamente sem noção do que está acontecendo (exemplo: o suquinho do Christian é o único com uma cor diferente, e você fica “NÃO TOMA ISSO, MOÇO!!”).

8. Bacurau (idem, 2019): Bacurau é catarse. Estamos na metade de um ano em que não tivemos sossego um dia sequer, aí sentamos no cinema e vemos uma história que vai ficando cada vez mais esquisita (quando aparecem os “discos voadores” eu já estava meio “uáááát???”) para chegar naquele desfecho que é catártico, porque mostra o povo se unindo contra um mal maior. Eu lembrei de Um sonho de mil gatos (“Sonhem um mundo onde não seremos mais caçados e mortos por gatos”), de como talvez o nosso problema enquanto nação é que ainda não conseguimos sonhar juntos. Trilha sonora maravilhosa, chegaram a divulgar uma playlist no Spotify mas parece que agora algumas músicas já não estão mais disponíveis, de qualquer modo, fica o link aqui.

9. A Música da Minha Vida (Blinded by the Light, 2019): Fui ao cinema para assistir Yesterday (que é bem divertido e aqueceu meu coraçãozinho de fã de Beatles, devo dizer) e antes do filme passou o trailer de uma história coming of age sobre um guri que em 1987 descobre a música de Bruce Springsteen e muda completamente sua vida. Tinha uma cena em especial em que ele estava andando na frente de um muro onde era projetada a letra da canção que estava tocando e pensei “Bom, deve ser bacana”. E é mais do que bacana, viu? Baseado em uma história real (lagriminhas da manteiga derretida oficial quando chegam os créditos finais), te faz pensar bastante não só na importância da música na vida das pessoas, de como sua linguagem pode ser universal, mas também de como a história continua se repetindo. Ver o modo como os imigrantes asiáticos eram tratados na Inglaterra de Thatcher e pensar em alguns argumentos de voto a favor do Brexit, por exemplo. E eu nem sou fã do Bruce Springsteen, eita.

10. Maus Momentos no El Royale (Bad Times at the El Royale, 2018): O melhor Tarantino do ano.1 Seis personagens se encontram em um hotel em uma noite dos anos 70, as histórias vão se cruzando e complementando – lembra muito Pulp Fiction pela estrutura (e ok, também pela violência), e por isso a piada inicial. Acho que deu para ter uma ideia. É divertido demais, a trilha sonora é ótima. E tem uma cena do Chris Hemsworth comendo torta e dançando ao som de Deep Purple, se isso não te convencer a assistir, eu não sei o que convencerá. Ah, sim. Caso você não tenha lido a nota de rodapé, não, o diretor não é o Tarantino. É o Drew Goddard, o mesmo de O Segredo da Cabana, e que também foi roteirista de Perdido em Marte. E antes que eu me esqueça: o Tarantino (realoficial) desse ano está bem bom também, mas não rolou aquele tcham para entrar na lista.

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NO LIMBO DAS REGRAS IDIOTAS QUE INVENTO PARA MINHAS LISTAS:

Sem me prolongar muito porque o post já está longo, mas uma lista rápida de filmes que não entraram aqui só porque não se encaixam na regra de lançamentos no Brasil em 2019.

1. Ponto Cego (Blindspotting, 2018)

2. Guerra Fria (Zimna wojna, 2018)

3. Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman, 2018) >> meu favorito de todos que assisti em 2019.


  1. Ok, melhor dizer que foi piada 

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