Constantine (S01E01 e S01E02)

Quando começaram a sair as primeiras notícias sobre a adaptação das histórias de John Constantine para a TV, fiquei um tanto descrente de que o projeto realmente daria em algo. Aquela coisa de gato escaldado – ouço boatos sobre adaptação de Sandman para a TV há anos, então acabou que senti que seria só mais um caso de muito barulho por nada.

E então veio o nome do ator escolhido, Matt Ryan (who??). Depois vazou essa imagem dele já caracterizado:

constantine

E eu fiquei bem empolgada porque, convenhamos, ficou perfeito (ainda mais quando você pensa em Constantine, fecha os olhos e salta uma imagem do Keanu Reeves hehe).  O negócio é que mesmo com essa imagem ainda não tinha certeza de que a série realmente aconteceria (sim, sou bem cética sobre meus personagens do coração finalmente chegando às telas). E então apareceu um trailer:

 

IEIIII, é real! Está acontecendo!!! AHHHHHHH << sons de uma Anica feliz. Foram aí mais alguns meses até o primeiro episódio finalmente estrear – no meio do caminho chegou até a vazar o piloto, que não assisti porque veio mais ou menos junto com o Augusto, há. Tudo isso só para dizer que: já vi dois episódios e por enquanto estou curtindo (mas com ressalvas).

Vamos então começar lá com o primeiro episódio, Non Est Asylum. Como a maior parte dos primeiros episódios de qualquer série, as coisas acontecem de forma meio corrida para dar mais espaço para a apresentação das personagens do que para o desenvolvimento da “história do dia”, digamos assim. Mas o importante mesmo é que serviu para apaziguar os ânimos dos fãs de Hellblazer: a série toma uma série de liberdades se comparada com as HQs, mas as “liberdades” não chegam no ponto incômodo que a versão do cinema chegou. E o Matt Ryan conseguiu capturar o principal do Constantine, aquele jeito meio filho da mãe de ser, só que ao mesmo tempo um cara meio coração mole (só espero que o chororô sobre a Astra não se repita tanto quanto no primeiro episódio, porque a faceta que o John mais revela não é a do coração mole).

Como muita gente que assistiu ao piloto que vazou já tinha observado, ele segue uma estrutura semelhante a de Supernatural, de “monstro do dia”, além daquele plot principal envolvendo anjos e demônios. Agora, vale lembrar: a primeira vez que Constantine deu as caras em uma HQ foi em 1984 com Monstro do Pântano. E quando ganhou título próprio, suas histórias já meio que seguiam essa ideia de “monstro do dia” e já lidava com anjos e demônios. O que quero dizer é: sim, a estrutura é semelhante, mas não esqueçam que apesar de ser uma mídia diferente, Constantine chegou antes – então não é “cópia” de Supernatural.  Aí você pensa “e vale a pena assistir se já tem 10 anos de Supernatural?”. olha, eu acho que vale. Constantine é uma personagem diferente dos irmãos Winchester, e isso dá uma dinâmica diferente para a coisa. Enquanto os Winchester são todos sobre o dever, salvar o dia e yadda yadda yadda, o John é um escroto (e parte da graça das histórias dele é justamente por isso).

constan

Ainda sobre o piloto: há algumas mudanças no que vazou e no primeiro episódio “oficial”. A principal é o desfecho do episódio. Nas duas versões a personagem Liv passa por um cruzamento que tinha sido marcado no mapa que herdara do pai e vê que ali tinha acabado de acontecer um assassinato. Ok. A diferença: no piloto essa cena é o que convence Liv a ajudar Constantine, ela chega no bar com o mapa na mão e dá a entender que está disposta a trabalhar com ele contra os demônios. No que foi ao ar, a cena faz com que Liv fuja para bem longe, deixando o mapa para Constantine se virar com os demônios, ficando subentendido que foi tudo uma armação do Constantine para que ele continuasse trabalhando sozinho. Aí a última cena aparece Zed fazendo desenhos do John.

Para quem não entendeu: a diferença é que com o piloto Liv seria a sidekick, com o Non Est Asylum eles dão lugar para Zed. E olha, depois de ver o segundo episódio (The Darkness Beneath) a decisão pareceu ser a melhor mesmo. A química entre Constantine e Zed é ótima, rendeu momentos perfeitos para mostrar mais da personagem – como a desconfiança dele de que Zed era uma vigarista se passando por vidente, ou seja, mesmo sabendo que é possível que uma pessoa seja vidente, Constantine ainda acha mais fácil encontrar uma pessoa disposta a passar a perna em outra.

A história do “monstro do dia” não foi das melhores, mas até que foi interessante. O legal é que John acaba se valendo mais de seus conhecimentos do que de qualquer outra coisa para resolver o problema.

Então assim, por enquanto eu gostei. Tem aquele equilíbrio bom entre terror e comédia (sim, eu ri um monte de vezes), o John está bem mais próximo das HQs do que o da versão do filme, e eu acho que a série tem bastante potencial, inclusive se a NBC for esperta (e se for possível porque deve ter virado um deus nos acuda de compra de direitos de adaptação depois do que a Marvel fez com os Vingadores no cinema) ainda dá um jeito de envolver outros personagens da DC que cruzem caminho com o Constantine.

E convenhamos: só de o Chas não ser o Shia LeBouf já estamos no lucro, certo?

PS: Sobre o cigarro, na época nas notícias de antes da estreia comentavam que John não apareceria fumando, depois chegaram em um meio termo: ele coloca o cigarro na boca, mas nunca o acende.

tfios metaphor

Há. Ok, fico melhor com isso do que com uma personagem que não fuma, porque o cigarro meio que é um elemento importante na história principal de John.

PPS: Fui reler meu post sobre a adaptação para o cinema e estou rindo até agora do meu rant de fangirl. Deem um desconto, eu era quase 10 anos mais jovem.

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