Hotel da Morte (The Innkeepers)

innHotel da Morte. Hoteeeeel da Morte. Mais um título que constará na Grande Lista Valinor de Traduções Bizarras. Eu fico aqui lembrando dos tempos do VHS, quando ainda era obrigada a assistir os trailers dos filmes, se for puxar de memória, acho que os da Playarte eram sempre meio tosquinhos. Era Playarte que sempre tinha propaganda daquela pousada em Paraty? Não sei. O fato é que o filme chegou direto em DVD aqui no Brasil, pela Playarte, suponho então que ela seja a responsável pela tradução ruim do título. Tão ruim que só por acaso me dei conta que o filme acabou de chegar no catálogo do Netflix nacional, então fica o aviso para o caso de você também ter achado que The Innkeepers não ter dado as caras por essas bandas: calma, ele chegou. É só o título que ficou ruim.

Enfim, sobre Hotel da Morte (gakjhslalwkdq!). Eu sei que vai parecer estranho falando de filme de terror, mas o fato é que mesmo que tenha poucas cenas assustadoras (a coisa fica assustadora mesmo só na última meia hora), ainda assim eu gostei bastante. Tem lá seus furos, mas também tem alguns detalhes que amarram a história de um modo que não costuma aparecer em filmes do gênero, que convenhamos, costumam ser bastante óbvios sobre todo o enredo e ganham sua força só nos sustos mesmo. Então uma história que poderia ser mais uma de lugar assombrado como tantas outras que já saíram por aí, consegue ser original – o que é bem importante se formos considerar que o horror norte-americano nos últimos anos quase que sobrevive só a base de remakes de filmes estrangeiros e continuações.

A história é sobre um hotel que está perto de ser fechado. Cuidam dele duas pessoas, Claire e Luke, que aparentemente trabalham no lugar com segundas intenções, já que acreditam que o lugar é assombrado. Os dois cuidarão do hotel em seus últimos dias de funcionamento, tentado de alguma forma conseguir registro (de imagem ou som) do fantasma de Madeline O’Malley, que supostamente teria se suicidado no local no século XIX, após ter sido abandonada no altar. O filme é dividido em capítulos, embora não tenha ficado muito claro para mim o motivo (talvez: 1. de onde explicamos qualé, 2. de onde contamos a história do fantasma e 3. onde a coisa fica feia, mais o epílogo). Desses capítulos, como já comentei antes, é no último que temos de fato uma boa sequência de sustos e tensão constante – nos demais há uma imagem aqui e acolá de O’Malley, tipo:

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Mas o clima geral ainda não é exatamente assustador, é mais de situar a pessoa na história mesmo, incluindo aí a apresentação dos últimos hóspedes do hotel: uma mãe e o filho, uma atriz em fim de carreira e um idoso que parece ter boas recordações do local. Logo ficamos sabendo que a atriz é médium, o que traz novos elementos para a história e bem, a partir daqui vai chover spoiler, então o ideal é que você só leia os seguintes depois de já ter assistido ao filme, combinado? Ok.

Bom, a verdade é que as coisas foram acontecendo de tal maneira que a ficha só caiu depois que eu já tinha terminado o filme. A atriz (Leanne), ao revelar que é médium, diz para Claire que há três espíritos no hotel, e que ela não deve ir ao porão. Na hora Claire nos induz a pensar na hipótese errada: ela fala que foi lá que O’Malley foi enterrada, portanto imagina que o aviso para não ir ao porão é porque lá é que a atividade paranormal estará mais intensa. Um pouco mais adiante ela comenta que sua mediunidade se revela quase como um déjà vu, só que ao invés de captar apenas o que já aconteceu, ela vê também o presente e o futuro. Certo, tento isso em consideração, vamos lá para os minutos finais do filme.

Claire, bastante assustada após mais um contato com o fantasma de O’Malley (e por ter sido abandonada por Luke, que foge do local ao perceber que essa história de fantasma era “real”), encontra Leanne que avisa que ela corre perigo, que deve fazer as malas e ir embora. A tensão aumenta e tudo piora quando Claire, ao bater na porta do velhinho conhecido como “o último hóspede”, descobre que na realidade ele tinha ido ao hotel para se suicidar, já que sua esposa morrera (e lá eles tinham começado a vida como casal). Claire vai ficando cada vez mais apavorada até que chega ao porão, onde vê o fantasma do velhinho. Tranca-se em um local para tentar escapar, mas acaba morrendo lá.

No epílogo ficamos sabendo que Luke estava batendo na porta do porão chamando por Claire, ou seja, que ela estava tão apavorada que já estava até imaginando coisas. Aí voltamos à fala de Leanne. Três fantasmas. Porão perigoso. Bem, no final do filme de fato há três fantasmas: O’Malley, o velhinho… e Claire, que morreu onde? No porão.  Nos momentos finais de Hotel da Morte vemos um diálogo entre Leanne e Luke onde ela diz que não poderia ter feito nada, um desfecho que pessoalmente não gosto, já que implica toda aquela ideia de destino e de que o que está escrito não pode mais mudar. Mas fica claro então que aquele primeiro contato com os espíritos na realidade eram um contato com o futuro do hotel, e não o passado.

Há ainda na cena final uma brincadeira com o telespectador. Por um bom tempo a câmera se concentra na porta entreaberta do quarto de Claire. Eu fui dar uma sondada nas opiniões sobre o filme por aí e muita gente perguntou “Mas o que tem nessa cena?!!”. Bom, vamos lá, a cena é essa aqui (o gif demora um tico para chegar ao fim, continue vendo até perceber uma mudança beeeem óbvia):

é spoiler, né. já tinha avisado pra você vir ler aqui depois, mas enfim, clique aqui para ver

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E o que é legal sobre a imagem é que de certa forma você está esperando que apareça o fantasma de Claire, quando na realidade ela acaba se manifestando de um jeito que funciona quase como uma piada interna. Lembra do começo do filme, quando Luke mostra um video para ela? Ele ficava um bom tempo mostrando uma cadeira parada, e aí aparecia uma mulher assustadora berrando (pegadinha típica de internet, aposto que você já viu algo assim). Essa batida na porta é justamente o modo de Claire de dizer que estava ali.

Enfim, foi toda essa história de fundo que acabou dando um charme especial para o filme, que pelo menos para mim deixou de ser mais do mesmo. Não assustou tanto quanto poderia, tem uns furos que não dá para entender muito bem (Luke não volta meio na boa demais para quem saiu apavorado? Já que era caso de vida ou morte, não era melhor a Leanne ter dito “Suma daqui” ao invés de “Vá buscar suas coisas”? Se Luke não conhecia Leanne, como ele sabia que ela tinha um problema com bebidas? Etc.) mas pela criatividade ao elaborar a história merece atenção.

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