Sobre o que aconteceu no Couto Pereira…

Eu tomo emprestada as palavras do Carlos Drummond de Andrade (em crônica publicada em 1974):

Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de futebol, pois deles é o reino da tranqüilidade.

Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.

Bem-aventurados os que não têm a paixão clubista, pois não sofrem de janeiro a janeiro, com apenas umas colherinhas de alegria a título de bálsamo, ou nem isto. Continue lendo “Sobre o que aconteceu no Couto Pereira…”

Mr. Darcy, Vampyre (Amanda Grange)

Algumas personagens conquistam os leitores de tal maneira que parece que um romance só não basta. A pessoa quer saber o que aconteceu antes e o que veio depois, quer mais daquela figura que tanto a encantou. É o caso de Mr. Darcy, acredito eu. O “herói” de Orgulho e Preconceito (de Jane Austen) arranca suspiros do público feminino até os dias de hoje e mais do que isso, gerou um filão de obras que tentam descrever o que aconteceu depois (caso não acredite, dá uma consultada em “Mr. Darcy” na amazon.uk para conferir). “Obras” é meio que elogioso, no final das contas acho que não é muito diferente de qualquer fanfic (a não ser pelo fato de que vem impresso, há!).

É o caso de Mr. Darcy, Vampyre, de Amanda Grange (escritora dita como especialista em Jane Austen). Ok, vamos então primeiro ao contexto que é sempre importante para entender a opinião do leitor sobre o livro comentado. Eu tinha lido esse ano Pride and Prejudice and Zombies do Seth Grahame-Smith. Quando comprei sabia que tratava-se de uma paródia, e que portanto a ideia era rir (e se divertir, é óbvio). Mas não foi bem o que aconteceu, achei o livro bem chatinho e com poucos momentos que realmente tinham graça. Continue lendo “Mr. Darcy, Vampyre (Amanda Grange)”

Je tue un ami

A internet é cheia dessas coisas estranhas e sem grandes serventias, então não fiquei muito surpresa quando meu irmão me apresentou um site francês (Je tue un ami, chuto que  seja algo como “eu matei um amigo”), no qual você envia a foto de um conhecido que será assassinado, hum, virtualmente. Tudo é baseado naquele já até meio manjado esquema da montagem da foto sobre um video já pronto. Algumas vezes demora para carregar e dá umas travadinhas, mas não deixa de ser interessante (mas sim, mórbido). Acho aconselhável usar a brincadeira só com quem seja bem próximo ou tenha lá um certo humor negro, porque caso contrário a coisa pode soar (bem) mal. São assassinatos com detalhes, então o site não é aconselhável para menores de 16 anos. Para conferir, clique nos assassinos abaixo.

Manias estranhas no Twitter

27 de setembro de 2007 (uia!) eu comentei brevemente sobre o Twitter, como uma dica para quem não tinha nada para fazer e queria matar um tempo. O tempo passou, lançaram até ideias semelhantes (como o Plurk) e para falar bem a verdade, eu ainda acho que o funcionamento da ferramenta mudou um tanto. Embora as pessoas ainda falem o que estão fazendo, é inegável que alguns tweets são bastante interessantes, trazendo informação de forma rápida – quase como se fosse um agregador de notícias. Pensem lá no caso do Michael Jackson, para entenderem o que estou falando.

E como não poderia deixar de ser, os usuários do Twitter já revelaram suas manias estranhas. E aqui eu falo de forma geral, não apenas dos brasileiros, embora vocês saibam que nós temos um dom especial no campo das manias estranhas. Aliás, aviso desde já que eu muito provavelmente já fiz uma ou duas das coisas listadas aí, então não se ofenda caso você faça algo que comentei, não é pessoal: ninguém está livre de ser um pouco maluco na internet. Então segue agora mais um Top5 (já que faz tempo que não elaboro um): Continue lendo “Manias estranhas no Twitter”

Rapidim:

  • Moon chegará em janeiro do ano que vem no Brasil direto em DVD. Sim, é triste, mas poderia ser pior né. Ah, sim, o título em português ficou como Lunar.
  • Contos Completos da Virginia Woolf por 29 reais de novo na Saraiva. Eu aproveitaria, se fosse você.
  • Aparentemente Zombieland terá continuação. E não só uma continuação, será também em 3D. Lembrando que o primeiro (hehe) ainda não chegou no Brasil (estreia prevista para janeiro do ano que vem).
  • Eu já comentei que estou apaixonada pela banda White Lies? O engraçado é que a música que mais gostei (Death) já tocou em mais de um lugar (não que Vampire Diaries e Jennifer’s Body sejam uma boa referência, mas de qualquer forma…). Enfim, caso não conheça, escuta lá.

(500) Dias Com Ela

500O bacana de alguns filmes é que mesmo que apresente personagens bastante atípicas, ainda assim conseguem fazer com quem está assistindo acabe se identificando com o que elas estão vivendo. É o caso de (500) Dias com Ela, que estreou nos cinemas brasileiros na semana passada. Summer é a soma dos sonhos de qualquer nerd, e como qualquer ser idealizado é claro que foge da realidade. Mas as ações dela não são muito diferentes das de qualquer pessoa que busque ser feliz, e é daí que surge a identificação imediata com a personagem.

O filme começa com um aviso que não trata-se de uma história de amor. E não é, não no sentido que esperamos quando assistimos a algum filme que tenta contar esse tipo de história – do mocinho se apaixonando pela mocinha, passando por dificuldades e então ficando juntos no final. Mas é de certa forma uma história de amor, sim. De como podemos nos confundir sobre o que esperamos daqueles que amamos ou que julgamos amar, para ser mais precisa.

Tom é um sujeito que trabalha como escritor de cartões de aniversário. Ele cresceu ouvindo música pop (alou, Rob Fleming?) e vendo filmes como A Primeira Noite de um Homem, e bem, tornou-se um romântico sem grandes sucessos amorosos. Até que conhece Summer no escritório. A menina é linda e aparentemente inantingível, mas um dia começa a conversar com ele (que está ouvindo There’s a Light That Never Goes Out dos Smiths, segunda referência em menos de um mês a essa música que eu achava que era só minha, humft!). E aí eles ficam juntos, com Summer deixando bem claro que não acredita no amor e Tom lutando para aceitar a condição de ser só o amigo-que-beija dela.

É evidente que toda a tensão da história se constrói sobre o que Tom espera de Summer, e o que obviamente ela não oferecerá. De qualquer modo, o filme prende sua atenção mesmo com você sabendo o que está por vir: talvez porque todo mundo já esteve também no lugar de Tom, insistindo em um relacionamento por acreditar que aquela é “a” pessoa de sua vida, mesmo que falte a essa pessoa um pequeno detalhe: retribuir o sentimento.

Filme bacana, até porque foge do formato comum das comédias românticas – veja o caso dos flashforwards, que em alguns momentos até emprestam graça, junto com a repetição de alguns elementos só que em contexto diferente, como quando Tom começa a dizer que odeia tudo que dias antes amava em Summer. Vale a pena aproveitar e conferir enquanto ainda está em cartaz. Até porque tem toda aquela pinta de ser o alternativo fofo queridinho do ano.

Zombieland

ZombielandO bacana dos filmes de zumbi é que eles não precisam necessariamente serem filmes de terror. No sentido de sangue jorrando, tripas voando e outras nojeiras, aí é óbvio que sim. Mas de quando em quando um sujeito pode contar a história não de modo a provocar medo, mas riso. É exatamente o caso de Zombieland, filme que provavelmente chegará aqui no Brasil no dia 04 de dezembro mas que já está sendo muito bem recebido lá fora, tanto pelo público quanto pela crítica.

Também não é à toa. O filme cumpre muito bem seu objetivo, e diverte bastante e isso já desde os minutos iniciais, quanto o protagonista conta para o público a situação na qual tem vivido desde que pessoas que comeram carne infectada se tornaram zumbis. Nesse momento inicial já somos apresentados a uma ideia recorrente durante todo o filme, das regras da personagem principal para sobreviver aos ataques dos mortos-vivos. A graça aqui é que as regras são baseadas em clichês de filmes de horror, lembrando bastante o livro do Seth Grahame-Smith, How to Survive a Horror Movie.

E então quando você acha que o filme se baseará em piadas que aproveitam-se do fato do narrador ser um nerd, ou mesmo da questão dos clichês que acabei de falar e eis que chega Tallahassee, personagem brilhantemente interpretada por Woody Harrelson, que obviamente tem um talento especial para interpretar malucos, vide o que ele fez em Assassinos por natureza, O povo contra Larry Flynt e mais recentemente em Onde os fracos não tem vez.

Ambos se encontram na estrada quando seguem rumo ao leste, e logo depois são assaltados por duas irmãs, que levam o carro e as armas. Uma das irmãs é Abigail Pequena Miss Sunshine Breslin, que parece estar atravessando bem a fase de menina gracinha para adolescente. Os dois homens são enrolados pelas irmãs uma segunda vez, quando começam então a viajar juntos. É a aí que o terrir vira uma história bem bacana de amizade. Especialmente

SPOILER!!

no momento em o narrador descobre que Tallahassee não perdeu um cão para os zumbis, mas um filho.

O bacana é que dá para ser tocante sem ser piegas, talvez até pelo tom de humor negro que domina toda a história. É o tipo de filme engraçado e que pode agradar qualquer um com um pingo de senso de humor, independente de curtir filmes de zumbi ou não. E ainda tem momento impagável com Bill Murray interpretando ele mesmo. Tá aí o trailer para quem ficou curioso:

 

Antichrist

anticDe tempos em tempos chegam aos cinemas (ou NÃO chegam, se considerar Curitiba) filmes que causam tanta polêmica que acabam chamando a atenção do público mais pela controvérsia do que pelo filme em si. Acredito ser o caso de Anticristo, de Lars von Trier. O que tem sido comentado por aí mais do que qualquer coisa são as “cenas fortes” e extremamente explícitas. E aí as pessoas correm para o cinema para saber o que é a tal da cena da tesoura, e esquecem que para um minuto de “cena da tesoura” tem pelo menos uma hora e meia de filme sem isso.

Os primeiros 10 minutos de Anticristo são geniais. A cena em preto e branco com o casal (sem nome) fazendo sexo enquanto o filho acorda e acaba caindo da janela do apartamento é bem forte – mas aqui não por ser explícita (e o é, acreditem), mas forte por ser bem montada, conduzindo os sentimentos de quem está assistindo, mesclando a beleza com o horror da situação (eu não tenho filho, mas fiquei agoniada com o moleque se aproximando da janela). Continue lendo “Antichrist”

Supernatural S05E01: Sympathy for the Devil

supernaturals05e01Então que como quem acompanha o Hellfire deve saber, no final de junho comecei a assistir Supernatural, desde a primeira temporada. A série me fisgou e me acostumei a todo dia acompanhar um tico da história dos irmãos Dean e Sam Winchester, e muito embora a quarta temporada não tenha me agradado tanto, estava morrendo de curiosidade de ver o que aconteceria na quinta. Contava os dias para finalmente ouvir o Kansas com Carry on my Wayward Son e eis que finalmente chega o dia. E bem, o episódio Sympathy for the Devil NÃO começa com a música que embalou o início das outras temporadas. Dessa vez vem com Thunderstruck, do AC/DC.

Parece meio um aviso: vem surpresa por aí. E a verdade é que conseguiram fazer um começo de temporada impecável: estabeleceram as novas regras do jogo sem matar o telespectador de tédio, colocaram alguns momentos “chutando bundas” com nossos personagens favoritos e ainda usaram muito bem o velho truque do “vamos matar vocês de susto mas calma que é só o começo da temporada”, ehehe. Gostei muito – é o tipo de episódio que faz com que eu torça pela sexta temporada.

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