Do diário de Rose Walker

rosewalker.jpgEu confesso que na minha primeira leitura de Sandman não tinha me encantado muito pela menina de cabelos coloridos que surge já em A Casa de Bonecas. Mas aí eu li de novo, e vi como ela é bacana. Ela cantarola Velvet Underground (Sunday Morning!), ela diz coisas bacanas e ela sobreviveu a um encontro de assassinos seriais, ueba!

Mas desde a primeira vez que li Sandman, tem uma fala dela em Entes Queridos que gostei logo de cara. É no momento em que ela vai visitar uma amiga no hospital, que está morrendo de AIDS. Segue a citação:

I’ve been making a list of the things they don’t teach you at school. They don’t teach you how to love someone. They don’t teach you how to be famous. They don’t teach you how to be rich, or how to be poor.They don’t teach you how to walk away from someone you don’t love longer. They don’t teach you how to know what’s going on in someone else’s mind. They don’t teach you what to say to someone who’s dying. They don’t teach you anything worth knowing.

E lógico que a primeira identificação com esse momento foi toda a raivinha que sentimos por ter que aprender logarítmo ou a equilibrar equações químicas, quando sabemos que lá para frente não utilizaremos isso (oi, eu já tenho quase 30 e ainda não usei isso a não ser na escola, confesso).

“Mas a escola te ensinou a ler e escrever, coisas que você adora fazer!”, você me dirá. Sim, me ensinou isso, e mais um monte de coisa bacana também. Mas a “escola” da qual estou falando é a faculdade em si.

Agora que acabou, eu olho para trás e fico pensando o que foi que eu aprendi que poderá ser realmente aplicado em minha vida. Porque eu adoro enxergar uma beleza que olhos não treinados não enxergarão em um verso de Vinicius de Moraes, mas não sei qual é a aplicação prática disso.

Ensinar as pessoas a verem essa beleza? Convenhamos é legal, mas ninguém virá sangrando até mim perguntar o que eu acho da aplicação do fluxo de consciência na narrativa de Virginia Woolf. Mas aí, antes que eu chegue a pensar “Wtf… bacharel em literatura? Onde é que eu estava com a cabeça?” lembro de um momento de Sociedade dos Poetas Mortos, e sossego.

We don’t read and write poetry because it’s cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for. To quote from Whitman, “O me! O life!… of the questions of these recurring; of the endless trains of the faithless–of cities filled with the foolish; what good amid these, O me, O life? Answer. That you are here – that life exists, and identity; that the powerful play goes on and you may contribute a verse.” That the powerful play goes on and you may contribute a verse. What will your verse be?

Um comentário em “Do diário de Rose Walker”

  1. Quando eu aprendi a equilibrar Equações Químicas, não prestet atenção e ia com 4,5 de méia (E isso com o ponto de amizade 8O) No entanto, tirei 6,0 não sei como; portanto, elas não fizeram nada de mais na minha vida. O professor era camarada.

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