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	<title>.:Hellfire Club:. &#187; revista</title>
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		<title>Por que os livros são caros no Brasil?</title>
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		<pubDate>Sat, 24 May 2008 15:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[O blog Hotel Terra lançou a mesma pergunta no último dia 22: Por que os livros são caros no Brasil? Eu sei que muita gente não dá a mínima para isso &#8211; e esse &#8216;não dar a mínima&#8217; é uma das razões, ou talvez sintomas dos preços altos &#8211; mas de qualquer forma, eu como [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.anica.com.br/files/livros1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-2292" style="float: right;border: 0;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/livros1-288x300.jpg" alt="" width="288" height="300" /></a>O blog Hotel Terra lançou a mesma pergunta no último dia 22: <a title="hotel terra" href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/hotelterra/?id=768625" target="_blank">Por que os livros são c</a><a title="hotel terra" href="http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/hotelterra/?id=768625" target="_blank">aros no Brasil</a>? Eu sei que muita gente não dá a mínima para isso &#8211; e esse &#8216;não dar a mínima&#8217; é uma das razões, ou talvez sintomas dos preços altos &#8211; mas de qualquer forma, eu como apaixonada por literatura vira e mexe faço essa pergunta, especialmente quando vejo chegando nas livrarias edições nem tão caprichadas que batem na casa dos 60 reais, o que independente de quanto você receba por mês, é muito caro.</p>
<p>A pergunta no Hotel Terra na verdade serve para abrir espaço para citar um blog de economia estrangeiro, que fez a mesma questão sobre os preços elevados dos livros por aqui. O <a title="marginal" href="http://www.marginalrevolution.com/marginalrevolution/2008/05/why-are-books-s.html" target="_blank">Marginal Revolution</a> tenta responder com quatro argumentos, embora para falar bem a verdade o primeiro já mata a charada: a maioria dos brasileiros não lê.</p>
<p><span id="more-2291"></span></p>
<p>A explicação, segundo o blog, é essa: &#8220;<em>Eu não estou dizendo que eles não sabem le</em><em>r, estou dizendo que eles não lêem tanto por entretenimento. Fiquei preso no aeroporto de São Paulo por sete horas e não vi uma única lendo um livro, nem uma vez.</em></p>
<p><em>Levando isso em consideração, uma baixa demanda significa preços altos. É por isso que os paperbacks de Stephen King são baratos e os tomos de Edward Elgar (o nome de uma editora acadêm</em><em>ica) vão de 100 dólares para cima.</em>&#8221;</p>
<p>Outros motivos citados pelo autor: O varejo brasileiro não é eficiente, não há outra fonte de abastecimento por perto e a língua portuguesa não produz um mercado extramente consistente e talvez a moeda brasileira esteja sendo supervalorizada no momento, pelo menos em termos de poder de compra.</p>
<p>Dexando de lado esses últimos três aspectos que eu realmente não tenho qualquer conhecimento de Economia para poder comentar, voltemos ao primeiro: <em>baixa demanda significa preços altos</em>. Há quem diga que entramos em um círculo vicioso: as pessoas não lêem porque os livros são caros, os livros são caros porque as pessoas não lêem e assim segue. Ou seja, se continuar assim, pagaremos absurdos por livros para sempre.</p>
<p>E aí as editoras dizem que é um problema cultural e que o governo (sempre o governo) tem que adotar medidas para fazer com que uma nova geração de leitores seja formada, de forma que daqui uns 10, 15 anos exista um cenário que permita que editoras façam grandes tiragens de obras literárias (e portanto, possam vendê-las a preços mais baixos). Por outro lado, a sociedade argumenta que fica difícil ter o hábito da leitura com livros custando tão caro.</p>
<p>Tomemos o lado da sociedade primeiro: pode parecer surpreendente, mas adquirir o hábito de leitura não significa ler aquela edição bacanuda da Odisséia de Homero, muito menos aquela tiragem especial de Grande Sertão: Veredas do Rosa. O hábito de leitura vem de pequeno, e por isso mesmo vem de <strong>porções pequenas</strong> &#8211; você não chega logo de cara oferecendo uma feijoada para um bebê, porque ele certamente passará mal, certo? O que você faz? Oferece uma papinha com feijões amassadinhos e com pouco tempero. Depois passa para um feijão com arroz e aí a criança está pronta para a feijoada.</p>
<p>O processo de aquisição do hábito de leitura é o mesmo (e estou tomando o meu caso como exemplo): antes mesmo de aprender a ler, eu já tinha contato com livros e principalmente gibis (e gibi da Turma da Mônica não custa caro, minha gente). Quando aprendi a ler, comecei com Ziraldo e outros escritores que embora escrevam literatura infanto-juvenil, não fazem uma leitura imbecil (tanto que você pode tirar páginas de Flicts e O Menino Maluquinho e citar como poesia pura).</p>
<p>É um processo lento, de fato. E em um momento no qual já ficou comum aos pais atribuirem todo o papel da educação para a escola, acredito que ninguém queira assumir a responsabilidade na formação de uma geração de leitores, fazendo com que a criança sempre tenha contato com histórias para se familiarizar a ponto de fazer disso parte constante da vida (não só a encheção de saco para as avaliações da escola).</p>
<p>O &#8220;governo&#8221;, nesse caso, pode auxiliar com projetos de incentivo à leitura e é claro, com bibliotecas, diversas bibliotecas. Porque se eu gosto de Oscar Wilde hoje em dia é por ter uma biblioteca lá perto do campinho, no Centenário, onde tive a oportunidade de emprestar um livro da série Reencontro e ler O Fantasma de Canterville pela primeira vez. <strong>SEM PAGAR NADA POR ISSO</strong>.</p>
<p>Eu não sei como funciona no resto do Brasil, mas aqui em Curitiba eu devo dizer que a Fundação Cultural tem feito seu papel. E por isso retorno ao ponto do resgate da responsabilidade da educação: os pais TAMBÉM educam. Não é só a escola (muito menos a TV). Então, se você quer um filho leitor, é fundamental que desde cedo você mostre para ele o quanto eles podem oferecer. E sim, você precisa ler também. Porque a criança é emuladora por natureza, e ela vai fazer o que os pais fazem: se os pais lerem, elas lerão.</p>
<p>E assim finalmente chegamos às editoras. É culpa das editoras o fato dos brasileiros não lerem? Não, não é. Elas podem ajudar? Sim, podem. Tempos atrás levantei a questão de porque aqui no Brasil não se vende revista no formato conhecido lá fora como <em>Mass-Market Paperback</em>. Ele é parecido com aquelas revistinhas Julia e Sabrina, conhecem? Papel bem furreca, capa mole, formato de bolso. Normalmente é vendido fora de livrarias, em supermercados, aeroportos e afins. E custam poucas, pouquíssimas doletas (até pela baixa qualidade do produto).</p>
<p>O formato funciona tão bem lá fora que em listas de mais vendidos há inclusive um espaço para o <em>mass-market paperback</em> (aqui ignoremos o fato de que recentemente Paulo Coelho andava na frente de Garcia Marquez, sim?). Eu já citei o exemplo aqui, mas citarei novamente para que compreendam a vantagem do formato: meu <em>Anansi Boys</em> é desse formato. Paguei menos da metade do preço que pagaria se comprasse o formato lançado aqui no Brasil (que chegou nas livrarias custando a bagatela de 50 reais). E no final das contas, o que importa se ele tem papel ruim? Eu li um livro que um monte de fã do Neil Gaiman (ainda) não leu porque aqui custava muito caro.</p>
<p>E eu, curiosa que sou, entrei em contato com diversas editoras perguntando sobre o formato aqui no Brasil. Porque não, os pockets lançados aqui não são a mesma coisa que o <em>mass-market paperback</em> (sobretudo os da Companhia das Letras, que são caprichadíssimos e portanto ainda caros). Mandei e-mail para Martins Fontes, Companhia das Letras, Ediouro e outras &#8220;grandes&#8221; editoras. Respostas? Nenhuma.</p>
<p>A única resposta veio do Ispaine, da editora curitibana Arte&amp;Letra<sup><a href="http://www.anica.com.br/2008/05/24/por-que-os-livros-sao-caros-no-brasil/#footnote_0_2291" id="identifier_0_2291" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="eles acabaram de lan&ccedil;ar uma revista bem bacana, a Est&oacute;rias, eu acabei me enrolando e ainda n&atilde;o paguei a minha mas dessa semana nao passa">1</a></sup>. Lá no Meia Palavra ele contou sobre mais um dos absurdos do mercado literário brasileiro:</p>
<blockquote><p>Sobre o papel jornal, é uma loucura o que acontece. Na verdade as gráficas não trabalham com esse papel (provavelmente a demanda não é suficiente e ninguém produz em quantidade) já tentei usá-lo mas não consegui. O papel reciclado é mais caro que o papel normal. Loucura.</p></blockquote>
<p>Sim, loucura. E no final das contas, nessa situação que nasceu torta e que ninguém quer ir muito além dos remendos, quem literalmente paga a conta (o pato, o sapo e afins) somos nós, os leitores.</p>
<p>Em tempo: o Hotel Terra sugeriu a leitura desse artigo da SuperInteressante, <a title="por que o livro é caro" href="http://super.abril.com.br/superarquivo/1995/conteudo_114599.shtml" target="_blank">Por que o livro é caro no Brasil</a>. Ele é de 1995, portanto não sei se as porcentagens estão de acordo com a realidade atual, mas de qualquer forma é bacana ter alguma idéia de quanto &#8220;custa&#8221; o livro para uma editora. 40% para livrarias, heim?</p>
<ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2291" class="footnote">eles acabaram de lançar uma revista bem bacana, a <a title="estórias" href="http://www.arteeletra.com.br/site/lancamentosd.php?id=417" target="_blank">Estórias</a>, eu acabei me enrolando e ainda não paguei a minha mas dessa semana nao passa</li></ol>]]></content:encoded>
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		<title>O Retorno da Revista MAD</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Mar 2008 11:42:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acabei de ler uma notícia no G1 falando que a Revista MAD voltará a ser publicada no Brasil, agora através da editora Panini. Na hora que li o título pensei &#8220;Ué, e em algum momento ela deixou de ser publicada?&#8221; Para minha surpresa, sim, desde 2006 ela não aparecia nas bancas. No final das contas, [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.anica.com.br/files/newman-alfred.jpg" title="newman-alfred.jpg"><img src="http://www.anica.com.br/files/newman-alfred.jpg" alt="newman-alfred.jpg" align="right" border="0" hspace="5" vspace="5" /></a>Acabei de ler uma notícia no G1 falando que <a href="http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL363602-7084,00-REVISTA+MAD+BRASILEIRA+VOLTA+DOS+MORTOS.html" title="revista mad retorna" target="_blank">a Revista MAD voltará a ser publicada no Brasil</a>, agora através da editora Panini. Na hora que li o título pensei &#8220;Ué, e em algum momento ela deixou de ser publicada?&#8221; Para minha surpresa, sim, desde 2006 ela não aparecia nas bancas. No final das contas, a falta de informação sobre o assunto é mais uma vez um sintoma de algo que está ficando cada vez mais comum: deixar de ler as revistas de papel para acompanhar notícias e artigos apenas pela internet.</p>
<p>Sobre o assunto <a href="http://fabneme.blogspot.com/2008/02/morte-s-revistas.html" title="morte às revistas" target="_blank">o Sky já escreveu um ótimo post no blog dele</a>, então voltemos à MAD. Pode parecer estranho, mas MAD é uma das minhas recordações mais fortes de infância no que diz respeito às revistas. Lembro que uma vez meu pai chegou em casa com um monte de MAD (e acho que depois meu irmão começou a comprar, não lembro bem, só sei que elas brotavam lá em casa) e aí me apaixonei.</p>
<p><span id="more-2207"></span> Nem tanto pelo humor, que eu obviamente não entendia (pelo menos inicialmente, afinal, eu era uma pirralha de uns 8, 9 anos que nem sabia da existência da inflação, por exemplo). Mas o fato é que algumas coisas recorrentes na revista, como a dobradinha lá no final ou ainda o SpyVs.Spy acabavam mexendo bastante com minha imaginação.</p>
<p>Depois de um tempo, o que virou minha parte favorita era aquela que em cada quadrinho aparecia uma situação na qual a pessoa dizia uma coisa, e no quadrinho ao lado o que a pessoa realmente queria dizer. Zoação com filmes, relatório Ota, e sim, é claro, a seção de cartas &#8211; que era hilária, especialmente porque eles criavam &#8220;personagens&#8221; para respondê-las.</p>
<p><em>(Aqui abro um parênteses para dizer uma coisa sobre esse negócio de revistas online e revistas na banca: quando minha assinatura da SET estava para acabar, eu fiquei na dúvida se renovaria ou não. A única coisa pesando à favor de renovar era a seção de cartas, mas acabei achando que não valia a pena torrar dinheiro nisso só por um momento de humor)</em></p>
<p>Enfim, fico feliz que a MAD esteja aí, firme e forte. O rosto do Alfred E. Neuman de certa forma está lá no meu baú da infância, misturado com outras &#8220;pessoas ilustradas&#8221;, como as da Caverna do Dragão, Galaxy Rangers, Jem e Defensores da Terra. Em tempo: se você não clicou no primeiro link, clique. Tem uma reportagem com o Ota que vale a pena ler.</p>
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		<title>Não deixe que pensem por você</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Feb 2008 11:31:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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<p><img src="http://www.anica.com.br/files/capa380.jpg" alt="revista veja" align="left" border="0" height="322" hspace="5" vspace="5" width="251" />Quando estava lá no meu primeiro ano da escola de jornaleira (o único que cursei :mrpurple: ), lembro de um professor dizendo que a partir do momento que fizemos a matrícula, ler MUITOS (se possível TODOS) jornais e revistas seria fundamental. E eu tenho cá como hábito estar sempre atrás de notícias, em fontes variadas. Atualmente, é claro, acompanho a maioria dos periódicos pela web, mas também assino revistas como a <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a>.</p>
<p>O negócio é: de uns tempos para cá ela está tão, mas TÃO exageradamente panfletária que parece ter esquecido algumas coisas que eu, com meu único ano de jornalismo, jamais esqueci. Não é questão de ser imparcial, porque todos sabem que a <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a> não é imparcial &#8211; e nenhuma revista tem a obrigação de o ser, vide Carta Capital, por exemplo. Mas o que a <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a> tem feito é um exemplo bizarro de mau jornalismo, conforme apontado por Luís Nassif: manipulação de informação, acusações com provas forjadas e por aí segue.</p>
<p><span id="more-2141"></span> O Nassif fez um dossiê bem completinho apontado estas falhas da <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a>, só não lê quem não quer. E o problema é bem esse: muita gente não quer. Não por ser a <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a>, mas porque atualmente as pessoas não recorrem mais aos periódicos para buscar fatos, elas querem opiniões prontas para serem papagaiadas por aí. O sujeito compra a <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a> para saber o que dirá sobre moda, comportamento, cultura e política. Então, por que mexer nesse vespeiro, né?</p>
<p>De qualquer modo, para aqueles que ainda não se deixaram dominar pela preguiça de pensar por si só, deixo como sugestão o blog do Nassif sobre a revista <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a>. E, obviamente, entro na onda do <a href="http://www.benderblog.com/realidade/revista-veja-a-verdade-luis-nassif-e-mais-um-bombardeio/" title="bender" target="_blank">Bender</a> (sugestão do <a href="http://dmilhioranca.wordpress.com/2008/02/27/google-bomb-pro-nassif/#comment-100" title="minduim" target="_blank">Minduim</a>) e ajudo esse novo Google Bomb. Se quiser ajudar também, basta publicar um post em seu blog no qual onde você escreva <a href="http://luis.nassif.googlepages.com/home" title="revista veja" target="_blank">Veja</a>, seja colocado um link para o blog do Nassif.</p>
<p>E antes que me acusem de &#8220;esquerdinha&#8221;, &#8220;lulista&#8221; ou qualquer outra coisa, vai o recado: oi, liguem o cérebro e pensem por vocês, só para variar. É o que eu faço. <strong>A liberdade de formar opinião independente de partidos</strong>, <em>apenas de acordo com os fatos</em>, é algo formidável. Vocês deveriam tentar.</p>
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		<title>Guimarães Rosa</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Feb 2008 20:07:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Ontem chegou minha Bravo! de fevereiro, com o tio Rosa na capa. Eu já tinha achado bacana o fato de ter uma matéria sobre ele, mas eu nem imaginava qual seria. Abro a revista e vejo: trata-se da publicação de trechos do diário do escritor dos tempos em que ele esteve na Alemanha. Que tempos [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.anica.com.br/files/jgrosa.jpg" title="jgrosa.jpg"><img src="http://www.anica.com.br/files/jgrosa.jpg" alt="jgrosa.jpg" align="right" border="0" height="264" hspace="5" vspace="5" width="227" /></a>Ontem chegou minha <a href="http://bravonline.abril.com.br/" title="bravo!" target="_blank">Bravo!</a> de fevereiro, com o tio Rosa na capa. Eu já tinha achado bacana o fato de ter uma matéria sobre ele, mas eu nem imaginava qual seria. Abro a revista e vejo: trata-se da publicação de trechos do diário do escritor dos tempos em que ele esteve na Alemanha. Que tempos são esses, você me pergunta. Bom, nada mais nada menos do que a Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>Para quem não sabe, nesta época Guimarães Rosa era cônsul-adjunto em Hamburgo. Foi mais ou menos isso que o meteu numa roubada de presenciar uma guerra, mas que por outro lado lhe rendeu uma segunda esposa. De qualquer forma, antes que me prolongue: corre para a banca e compre a Bravo. Não só pelos trechos do diário, mas pelo perfil do escritor, é aquele tipo de revista para ter guardada em casa.</p>
<p><span id="more-2096"></span> Vale muito a pena guardar, porque é a prova de que não só de Ayrton Senna e Pelé são feitos os heróis brasileiros. Aliás, tenho cá a teoria de que só cultivamos o hábito de idolatrar esportistas porque nesse caso a diferença entre o vencedor e o perdedor é bastante clara. No cinza do mundo &#8220;real&#8221;, às vezes fica difícil distinguir quem é herói, quem é oportunista, quem deu sorte, etc.</p>
<p>E eu não quero entrar na discussão &#8220;pobre do país que precisa de heróis&#8221;, porque se heróis não fossem necessários, a literatura não teria criado e registrado tantos. Heróis são exemplos. Assim como tem aquela peça na França que mostra quanto é um metro, um herói mostra quanto é ser bom, em todos os sentidos aplicáveis ao adjetivo.</p>
<p>E Rosa era bom. Era fenomenalmente bom. Ele não arrancava com a bola de futebol do meio do campo até fazer um daqueles gols que deixariam qualquer goleiro num misto de constrangimento e estupefação. E não falo do escritor. Do escritor, eu nunca tive dúvidas que tratava-se de um dos melhores do mundo. Vou demorar parar encontrar alguém que brincasse com as palavras tão seriamente quanto ele, disso tenho certeza.</p>
<p>A questão é o homem. É esse que serve de modelo, é esse o herói brasileiro que tanta gente desconhece porque ou não caminhou pelos bosques da literatura, ou porque, como disse anteriormente, não é fácil distinguir o vencedor e o perdedor do jogo da vida. Trechos do perfil escrito por Mariana Delfini para que compreendam o que digo:</p>
<blockquote><p>A história de sua aprovação no Itamaraty é lendária. Classificado em segundo lugar, por conta das restrições literárias que fizera a Rui Barbosa na prova de português, surpreendeu os examinadores na argüição oral. &#8220;O que o senhor conhece de literatura francesa?&#8221;, perguntaram-lhe. &#8220;Toda&#8221;, respondeu. &#8220;Desde quando o senhor lê francês?&#8221; Nova resposta: &#8220;Os clássicos comecei a ler aos 9 anos.</p></blockquote>
<p>Vale atentar ao fato de que, segundo o perfil da Bravo!, nesta época ele já dominava mais de 20 idiomas. Mas se você acha que a inteligência não é o que destaca um sujeito dos demais humanos, o que tem a dizer daquele que sabe ser humano em um momento desumano? Sim, isso mesmo. Durante a Grande Guerra, Rosa ajudou diversos judeus a escaparem, inclusive sendo fichado por lá.</p>
<blockquote><p>&#8220;Certamente não é um dos nossos&#8221;, consta no arquivo da polícia alemã encontrado por Adriana Jacobsen e Soraia Vilela.</p></blockquote>
<p>Eu não acho que viver a mais de 300 km/h não tenha seu valor. Também não acho que todos os meus heróis morreram de overdose. Só acho que talvez estejamos procurando nossos heróis no lugar errado.</p>
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