• Robert Frost e a poesia

    Eu às vezes vejo a poesia como uma floresta: você vai abrindo seu caminho para o coração da mata aos poucos, vencendo medos (“Poesia é só para gênios!”), se alimentando de uma ou outra fruta coletada ao longo da jornada (“Ei, esse poeta é bom mesmo!”) e claro, utilizando mapas desenhados por quem já esteve lá (ou o conhecido “seguir a indicação de professores e amigos”). Mas, ao contrário do que acontece em uma exploração em um espaço real, com a poesia parece que você dificilmente desvendará todo o caminho.

    Veja o meu caso, por exemplo. Eu demorei para me encantar pela poesia, de verdade. Acho que os primeiros poetas que de fato curti foram alguns haijins (não estou lembrada se é bem esse o termo usado para quem escreve haikai, quem souber por favor confirma aí), apresentados para mim através de uma coletânea de haikais da Estrela. A paixão completa mesmo só veio na universidade, com alguns professores como a Luci e o Édison, que, continuando na metáfora da floresta, entregaram não só mapas mas fotos mostrando toda a beleza desse espaço.

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  • O bandido que sabia latim

    Na noite de sábado para domingo comecei a ler a biografia Paulo Leminski – O bandido que sabia latim (escrita por Toninho Vaz), mas foi ontem à noite que a leitura engrenou de um modo que eu simplesmente não conseguia deixar o livro de lado (o que rendeu bastante reclamação do Fábio sobre a luz, hehe). Eu sei que não basta uma personagem interessante sem talento para se contar a história, só que, não desmerecendo o trabalho do Vaz (que é excelente, diga-se de passagem), Leminski parece uma daquelas pessoas que renderam histórias que nem o mais inapto dos escritores conseguiria tirar o brilho.

    O que eu acho engraçado é que quando comecei a ler me dei conta que na realidade nunca fui fã do Leminski, mas da obra dele. E isso é raro, visto que sempre que me apaixono por algum trabalho quero logo fuçar a vida do autor (vide Wilde, Voltaire e Poe, por exemplo). Sabia pouco dele, pelo menos comparado com o que há para se saber.

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  • Onde os fracos não têm vez

    no-country-for-old-men-poster1.jpgO que você faria se encontrasse uma maleta com mais de dois milhões de dólares? E se com a maleta encontrasse vários corpos e uma quantidade absurda de drogas, deixando claro que foi uma negociação mal sucedida? “Onde os fracos não têm vez“, dos irmãos Cohen, começa com Llewelyn Moss, um soldado aposentado que costuma caçar nas horas vagas tendo que tomar esta decisão.

    A partir daí, começa um dos melhores jogos de gato e rato que já vi no cinema. Quem vai atrás de Moss é Anton Chigurh, um psicopata que usa uma arma muito peculiar: um tubo de ar comprimido. O que faz a história ser tão interessante é que tanto Moss quanto Chigurh são bons no que fazem – e cada fechadura arrombada pelo tubo de ar comprimido é garantia de pelo menos alguns minutos de pura tensão.

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  • Feliz Ano Novo!

    E para enfrufruzar os votos de um feliz 2008, deixo aqui um trecho de A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock1 que acredito se encaixar bem com o momento:

    “Roçando suas espáduas na vidraça;
    Tempo haverá, tempo haverá
    Para moldar um rosto com que enfrentar
    Os rostos que encontrares;
    Tempo para matar e criar,
    E tempo para todos os trabalhos e os dias em que mãos
    Sobre teu prato erguem, mas depois deixam cair uma questão;
    Tempo para ti e tempo para mim,
    E tempo ainda para uma centena de indecisões,
    E uma centena de visões e revisões
    Antes do chá com torradas.”

    E não esqueçam amiguinhos, KEEP CALM AND CARRY ON.

    1. já comentei sobre esse poema anteriormente, até porque é meu favorito do Eliot []

  • Estou me sentindo concisa hoje.

    POÉTICA

    conciso? com siso

    prolixo? pro lixo

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  • Maiakovski

    Minha cabeça ainda dói. Melhor eu levar a sério as resoluções de ano novo, senão perco o fígado e o namorado.

    Poema do Maiakovski:

    E Então Que Quereis?…

    Fiz ranger as folhas de jornal
    abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
    E logo
    de cada fronteira distante
    subiu um cheiro de pólvora
    perseguindo-me até em casa.
    Nestes últimos vinte anos
    nada de novo há
    no rugir das tempestades
    .

    Não estamos alegres,
    é certo,
    mas também por que razão
    haveríamos de ficar tristes?
    O mar da história
    é agitado.
    As ameaças
    e as guerras
    havemos de atravessá-las,
    rompê-las ao meio,
    cortando-as
    como uma quilha corta
    as ondas.


  • Paulo Leminski

    “ Faço uma proposta, frase feito por via de uma dúvida: alguém pensou aqui e não fui eu. O mundo não quer que eu me distraia. Distraído, estou salvo. Essa necessidade não é só física, é a necessidade da verdade, a carência de informações, a pobreza de dados. Não é agradável ser olhado por nós, saí da geografia por meio da história.”

    Paulo Leminski

    Bairrismo? Provalvemente não. Mesmo que Paulo Leminski não fosse curitibano tenho certeza que admiraria seu trabalho com a mesma paixão.É inovador até mesmo para os dias de hoje, e em alguns casos tão bem… “confeccionado”, que não tem como não reconhecer o mínimo de valor literário. Leia a continuação desse post »


  • Poema da Estrela para mim

    Estava mexendo na minha caixa de recordações e achei uma poesia que a Estrela fez para mim quando eu tinha 16 anos…

    Viver em qualquer lugar que não seja aqui
    Que não seja já
    Pelo menos não da vida real
    Jornalista na Itália, porões de Londres, torcida do Vasco,
    mulher do Damon Hill, uma noite fria de 1857…
    Não se esforce, a vida não é feita de não
    Você já é personagem de um filme de ficção

    por falar em ficção…


  • Le chat

    puckAhhhhh…..

    Le chat (Apollinaire)

    Je souhaite dans ma maison :
    Une femme ayant sa raison,
    Un chat passant parmi les livres,
    Des amis en toute saison
    Sans lesquels je ne peux pas vivre.


  • Vinicius de Moraes

    O que eu mais gosto sobre conhecer pessoas é que elas sempre nos ensinam alguma coisa. Qualquer coisa. Seja simples experiência de vida, seja um novo poeta, ninguém passa sem ensinar algo. E tem uma pessoa de quem vou lembrar para sempre por ter me apresentado um dos maiores poetas brasileiros: Vinícius de Moraes.

    A obra de Vinícius tem cheiro de boemia. Vai ver é por isso que eu gosto tanto, não sei. Ouvir as músicas dele (especialmente as que ele faz parceria com o Toquinho) são simplesmente uma delícia, não há uma palavra que defina melhor a sensação. É aquela coisa de se estirar na cama e sentir o ventinho entrando pela janela, curtindo o som como quem está ouvindo uma cantiga de ninar. Leia a continuação desse post »


  • Soneto LXV do Camões

    (Na realidade isso aqui estava pronto para ser postado no dia em que comecei a ter os problemas para acessar o blog. Acabei deixando o rascunho numa pasta e to colocando aqui na série de comemorações de retorno hohohoho)

    Então, como eu consegui me matricular em Camões para esse período (já era para eu estar indo para a aula mas estou dando uma esticada básica nas férias :oops: ), vai um soneto do poeta para comemorar ^^

    LXV

    Quem diz que Amor é falso ou enganoso
    Ligeiro, ingrato, vão, desconhecido
    Sem falta lhe terá bem merecido
    Que lhe seja cruel, ou rigoroso.

    Amor é brando, é doce e é piedoso:
    Quem o contrário diz não seja crido,
    Seja por cego e apaixonado tido,
    E aos homens, e inda aos deuses, odioso.

    Se males faz o Amor, em mim se vêem;
    Em mim mostrando todo o seu rigor,
    Ao mundo quis mostrar quanto podia.

    Mas todas as suas iras são de amor;
    Todos estes males são um bem
    Que eu por outro bem não trocaria

    Obs. A disciplina trabalhará Os Lusíadas. Todo sábado, quatro horas seguidas. Algo me diz que minhas aparições na madrugada ficarão mais raras