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	<title>.:Hellfire Club:. &#187; mario de andrade</title>
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		<title>Histórias de Natal</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 12:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Natal? Agora, Anica? Sim, eu sei que é dia 27. Mas eu estou caradepaumente copiando um post que coloquei no Meia Palavra no dia 25/12, só porque não gosto de deixar o blog sem atualização por muito tempo (e nesta semana estranha entre o natal e o ano novo a tendência é que ele fique [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><em><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/12/pile-of-books-001-e1293283353572-300x231.jpg" alt="" width="258" height="198" />Natal? Agora, Anica?</em> Sim, eu sei que é dia 27. Mas eu estou caradepaumente copiando um post que coloquei no Meia Palavra no dia 25/12, só porque não gosto de deixar o blog sem atualização por muito tempo (e nesta semana estranha entre o natal e o ano novo a tendência é que ele fique às moscas mesmo). O original você pode conferir <a title="histórias de natal" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/12/25/historias-de-natal/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify;">É quase um top5 de histórias com Natal como pano de fundo. Quase top5 porque são cinco mas elas estão organizadas de forma aleatória, e não de favoritismo (como acontece com os top5). Aproveito e já deixo o espaço aberto aqui: você lembra de alguma história com ano novo como pano de fundo? Não consigo pensar em nada agora, fora Harry&amp; Sally (mas aí já é cinema). Se você lembrar, comenta aí e refresque minha memória, hehe.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5076"></span></p>
<p><a title="o peru de natal" href="http://www.releituras.com/marioandrade_natal.asp" target="_blank"><strong>O Peru de Natal</strong></a> (Mario de Andrade):</p>
<p>Se tem um feriado familiar, este é o Natal. E talvez por isso evoque tantas histórias como <em>O Peru de Natal</em>, de Mario de Andrade.  Presente na coletânea <em>Contos Novos</em> (publicados postumamente em 1947), não deixa de ser uma bela crítica ao  modo como nos comportamos nesta data, e do que deveria realmente  significar o Natal para uma família. O narrador conta como foi o  primeiro natal da família sem a presença do pai, e a mudança que isso  traz para todos.</p>
<p><strong>Como O Grinch Roubou O Natal</strong> (Dr. Seuss):</p>
<p>Talvez por conta da adaptação para o  cinema, mas não deixa de ser interessante a forma como um livro popular  para crianças estrangeiras começou a virar referência até para quem não  leu quando ainda era pequeno. Fale de Grinch e a maior parte das pessoas  lembrará daquele monstrinho verde que não suporta o Natal (o que acabou  rendendo apelido para muita gente que não fica feliz nesta época do  ano). <a title="companhia das letrinhas" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=40188" target="_blank">A tradução no Brasil saiu pela Companhia das Letrinhas</a>.</p>
<p><strong>Missa do Galo </strong>((Download disponível na <a title="biblioteca meia palavra" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/biblioteca-meia-palavra/" target="_blank">Biblioteca Meia Palavra</a>)) <strong> (Machado de Assis)</strong></p>
<p>Publicado pela primeira vez em 1863, é  presença constante em qualquer coletânea de contos do Machadão, talvez  por ser um daqueles que apresente tão bem elementos constantes de sua  obra (adultério e ambiguidade das pessoas). A história é narrada por  Nogueira, que na noite de natal conversa com Conceição, uma mulher mais  velha, casada. De primeira parece que nada acontece ali, mas como todo  bom conto machadiano, o mais importante da história está nos detalhes e,  principalmente, no que não foi dito. Vale a pena conhecer o conto sem  aquele peso de “leitura para vestibular”, é realmente muito legal.</p>
<p><strong>Memória de Natal</strong> (Truman Capote)</p>
<p>Publicado pela primeira vez em 1956, no Brasil é possível encontrá-lo no livro <a title="bonequinha de luxo" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/12/09/bonequinha-de-luxo-truman-capote/" target="_blank">Bonequinha de Luxo</a> (Companhia das Letras). Cheio de imagens lindas e de uma sensibilidade  encantadora. É um conto que traz um tema recorrente quando se trata de  Natal: a nostalgia. De forma doce um rapaz conta suas lembranças sobre  uma velha senhora que vivia na mesma casa que ele, e de como se  preparavam para esta data tão especial. É realmente um conto muito  gostoso, e mesmo que cheio de elementos de natal que não são familiares  aos brasileiros, o sentimento presente nele é universal.</p>
<p><strong>Um Conto de Natal </strong><strong> </strong>((Download disponível na <a title="biblioteca meia palavra" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/biblioteca-meia-palavra/" target="_blank">Biblioteca Meia Palavra</a>)) (Charles Dickens)</p>
<p>Talvez uma das histórias mais populares  de natal de todos os tempos. Mesmo quem não leu o livro de alguma  maneira já encontrou uma das ‘n’ releituras da obra de Dickens, que  retrata um senhor mesquinho que após a visita de três fantasmas no natal  passa a rever sua postura com relação ao mundo. Embora a tradução do  título no Brasil seja “conto”, a história é um pouco mais longa do que  isso -  talvez até por isso a leitura ideal para esta semana entre o  natal e o ano novo.</p>
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		<title>Top5 livros em 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[E como eu adoro tradições, e mais ainda este clima de retrospectiva que impera no final do ano, vamos lá para o top5 de leituras de 2010. Fiz em 2007, 2008 e 2009, e no caso desta lista vale qualquer coisa lida durante o ano, não necessariamente livros que foram lançados agora. 2010 teve pouco [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">E como eu adoro tradições, e mais ainda este clima de retrospectiva que impera no final do ano, vamos lá para o top5 de leituras de 2010. Fiz em <a title="2007" href="http://www.anica.com.br/2007/12/30/top5-livros-de-2007/" target="_blank">2007</a>, <a title="2008" href="http://www.anica.com.br/2008/12/31/top5-livros-em-2008/" target="_blank">2008</a> e <a title="2009" href="http://www.anica.com.br/2009/12/19/top5-livros-em-2009/" target="_blank">2009</a>, e no caso desta lista vale qualquer coisa lida durante o ano, não necessariamente livros que foram lançados agora. 2010 teve pouco daquelas paixões arrebatadoras, o que não significa que não tive meus bons momentos de leitura. Menos brasileiros este ano, o que me deixou com vontade de estipular como meta para 2011 ler mais do que é feito aqui. Vamos ver se eu cumpro isso, hehe.</p>
<p style="text-align: justify;">O começo do ano foi bem devagar, até porque estava trabalhando. Agora com a licença maternidade meu ritmo de leitura subiu um monte, e a maioria dos livros do top5 são, talvez por coincidência, da segunda metade de 2010. Segue então meu top5, lembrando que os links nos títulos levam para os posts que publiquei sobre os livros.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5063"></span><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://www.anica.com.br/files/2010/04/macunaima-e1270222045813.jpg" alt="" width="130" height="201" />5. <a title="macunaíma" href="http://www.anica.com.br/2010/01/30/macunaima-mario-de-andrade/" target="_blank"> Macunaíma (Mario de Andrade)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi na realidade uma releitura, mas uma releitura com olhos tão diferentes que é quase como se o livro tivesse caído em minhas mãos pela primeira vez. Eu já era fã do Mario de Andrade cronista, e foi com prazer que me reencontrei com o romancista. Foi tão bom reler Macunaíma que na realidade eu comecei a pensar que todo mundo que leu e odiou na época do vestibular deveria dar uma segunda chance para este livro. Vale muito a pena mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://www.anica.com.br/files/2010/03/oreidoinverno.jpg" alt="" width="130" height="189" />4. <a title="cronicas de artur" href="http://www.anica.com.br/tag/as-cronicas-de-artur/" target="_blank">As Crônicas de Artur (Bernard Cornwell)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vou considerar os três livros como um todo: O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur. Sabe o que digo sobre literatura não ter que ser só a genialidade de quem domina excelentes técnicas de narrativa? Que pode muito bem ser também nos apresentar bons contadores de histórias, ter aquele enredo divertido que prende sua atenção só por entretenimento? Pois Cornwell ganhou um lugar no top5 por causa disso. As Crônicas de Artur são para nerd nenhum botar defeito, diversão garantida do começo ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/11/capa_amuleto_300_div.jpg" alt="" width="130" height="194" />3. <a title="amuleto" href="http://www.anica.com.br/2010/11/22/amuleto-roberto-bolano/" target="_blank">Amuleto (Roberto Bolaño)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei muito feliz por finalmente ter conhecido Roberto Bolaño este ano. Fazia tempos que eu estava encucada com esse autor, querendo saber por que falavam taaaanto dele, e agora eu sei. Eu vergonhosamente ainda não terminei <a title="2666" href="http://www.anica.com.br/tag/2666/" target="_blank"><em>2666</em></a> (empaquei n&#8217;<em>A parte dos crimes</em>) e fiquei em dúvida sobre qual colocaria aqui, se <em>Putas Assassinas</em> ou <em>Amuleto</em>. Resolvi colocar o segundo, até porque foi aquele tipo de leitura que me fez querer ir atrás de mais informações depois, coisa que eu adoro em livros. Vamos ver se ano que vem termino 2666 e confiro outros títulos do Bolaño, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/12/bonequinha.jpg" alt="" width="130" height="196" />2. <a title="bonequinha de luxo" href="http://www.anica.com.br/2010/12/09/bonequinha-de-luxo-truman-capote/" target="_blank">Bonequinha de Luxo (Truman Capote)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu descaradamente estou colocando aqui porque me apaixonei completamente por Holly Golightly, e fazia muito tempo que eu não me apaixonava por uma personagem. Mas a novela toda é uma delícia de ler, e a edição da Companhia das Letras também vem com outros contos do Capote, que também são muito bons (embora não tão inesquecíveis quanto <em>Bonequinha de Luxo</em>). Fazia muito tempo que queria ler, tinha expectativas altíssimas e no fim adorei. Acho que indicaria para qualquer tipo de leitor, mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/12/a-elegancia-do-ourico-200x300.jpg" alt="" width="130" height="193" />1. <a title="a elegância do ouriço" href="http://www.anica.com.br/2010/12/15/a-elegancia-do-ourico-muriel-barbery/" target="_blank">A elegância do ouriço (Muriel Barbery)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chega dezembro e eu já tinha em mente quais seriam minhas melhores  leituras desse ano, mas acabei me surpreendendo com A elegância do  ouriço de Muriel Barbery e ele ganhou o título de melhor leitura do ano.  Por ser tão plural, como se fosse mais de um livro dentro de um, com  enredo cativante e  exposição de ideias fantásticas, não tinha como ser  diferente. A história da solidão e da vida, do que é ser indivíduo, o  que você é e o que os outros pensam que você é. Recheada de referências  culturais e um dos modos mais tocantes de ensinar o real significado da  palavra nunca. Lindo e imperdível.</p>
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		<title>Macunaíma (Mário de Andrade)</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 15:13:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando li Macunaíma pela primeira vez, acho que estava nas mesmas condições de temperatura e pressão (hehe) que muita gente que leu Macunaíma pela primeira (e única) vez. Estudante perto do vestibular, com literatura brasileira enfiada goela abaixo e portanto um leve preconceito sobre algo que não me permitiam conhecer sozinha, no meu tempo. Conclusão? [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/04/macunaima-e1270222045813.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4224" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/macunaima-e1270222045813-192x300.jpg" alt="" width="192" height="300" /></a>Quando li <em>Macunaíma</em> pela primeira vez, acho que estava nas mesmas condições de temperatura e pressão (hehe) que muita gente que leu <em>Macunaíma</em> pela primeira (e única) vez. Estudante perto do vestibular, com literatura brasileira enfiada goela abaixo e portanto um leve preconceito sobre algo que não me permitiam conhecer sozinha, no meu tempo. Conclusão? Achei um saco. Só parei de torcer o nariz para o nome de Mário de Andrade depois de conhecer a brilhante coletânea de crônicas chamada <em>Os Filhos da Candinha</em> (fica a sugestão aí).</p>
<p style="text-align: justify">E então que eu resolvi dar uma segunda chance e pedi de presente de aniversário. Ganhei da Day, que deu para mim outros ótimos livros, incluindo uma versão em inglês de <em>Ensaio sobre a cegueira</em> que ainda tenho que ler. Enfim, que surpresa ahn. Adorei <em>Macunaíma</em>. Devorei o livro nas horas que tinha livre e depois ainda fiquei pensando nele, saboreando alguns momentos e pensando em como deveria ter sido legal conversar com o Mário de Andrade, há.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4127"></span><span><em>Macunaíma</em> é livro para ler esquecendo da realidade. Você faz um pacto com o narrador quando passa os olhos na primeira página: não importa mais o que eu considero real, vou acreditar no que é dito aqui. É um acordo parecido com o que um fã de Tolkien faz ao abrir <em>O Senhor dos Anéis</em>: ele não vai ficar pensando &#8220;Pftt, elfos não existem!&#8221;, &#8220;Bah, anéis do poder, que bobagem!&#8221;. O que pode ser complicado para o leitor para romper com a a noção de realidade que ele tem é que <em>Macunaíma</em> é uma fantasia, mas ainda assim busca elementos reais combinando com o <em>nonsense</em>. Digamos que é quase o que Douglas Adams faz em <em>O Guia do Mochileiro das Galáxias</em>, mas sem o sci-fi.</span></p>
<p style="text-align: justify">E é óbvio que com o <em>nonsense</em> vem muito de humor também. Como a invenção do futebol, ou o plano para ir para a Europa (virar pianista e pedir pensão do Governo, hehe). O engraçado é que assim como acontece em <em>Os Filhos da Candinha</em>, a obra é de uma atualidade assombrosa, não só no enredo, mas nos recursos que Mário usa para escrever. A narrativa é predominantemente marcada com tons de oralidade, como se alguém estivesse contando sobre lendas indígenas para um grupo de pessoas. A única excessão é uma carta escrita por <em>Macunaíma</em>, que segue um tom de alguém que tenta soar formal.</p>
<p style="text-align: justify">Mas o legal mesmo é que ao romper com o real, Mário também quebra a noção de geografia do Brasil. Nós sempre vemos tudo em pedaços, como se nosso país fosse um monte de pequenos países, cada qual com suas características: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná <em>Macunaíma</em> quebra essa imagem quando o herói segue de um lado para outro como quem atravessa uma rua. Tudo é Brasil. E o próprio autor explica como faz isso:</p>
<blockquote><p>Um dos meus interesses foi desrespeitar lendariamente a geografia e a fauna e flora geográficas. Assim desregionalizava o mais possível a criação ao mesmo tempo que conseguia o mérito de conceber um Brasil como entidade homogênea é um conceito étnico nacional e geográfico.<sup><a id="footnote-link-1-4338" class="footnote-link footnote-identifier-link" title="ANDRADE, Mario de Macunaíma: O herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008. pg. 220 " href="#footnote-1-4338">1</a></sup></p></blockquote>
<p style="text-align: justify">Não é por mero ufanismo que a obra merece ser lida. Mereceria mesmo que fosse algo relacionado com lendas australianas, japonesas ou mexicanas. O que vale a pena mesmo é atentar ao fato de como um escritor do início do século passado conseguiu dar conta de algo que muitos ditos &#8220;modernos&#8221; simplesmente não conseguem: inovar, manter-se atual mesmo com o passar dos tempos, e tudo isso sem perder o senso de humor.</p>
<ol class="footnotes">
<li class="footnote">ANDRADE, Mario de <em>Macunaíma: O herói sem nenhum caráter</em>. Rio de Janeiro: Agir, 2008. pg. 220  [<a class="footnote-link footnote-back-link" href="#footnote-link-1-4338">?</a>]</li>
</ol>
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