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	<title>.:Hellfire Club:. &#187; Literatura</title>
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		<title>2666: A parte de Fate</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Sep 2010 13:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[2666]]></category>
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		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Dando continuidade à leitura de 2666 de Roberto Bolaño, acabo de terminar A parte de Fate. Para quem chegou aqui agora, vale lembrar que estou escrevendo sobre a obra aos poucos, seguindo a ideia inicial de Bolaño de que cada parte seria um livro. Sobre A parte dos críticos você pode ler o artigo clicando [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2010/07/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" />Dando continuidade à leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, acabo de terminar <em>A parte de Fate</em>. Para quem chegou aqui agora, vale lembrar que estou escrevendo sobre a obra aos poucos, seguindo a ideia inicial de Bolaño de que cada parte seria um livro. Sobre <em>A parte dos críticos</em> você pode ler o artigo <a title="a parte dos críticos" href="http://www.anica.com.br/2010/07/16/2666-a-parte-dos-criticos-2/" target="_blank"><strong>clicando aqui</strong></a>, e sobre <em>A parte de Amalfitano</em> você pode ler <a title="a parte de amalfitano" href="http://www.anica.com.br/2010/07/23/2666-a-parte-de-amalfitano/" target="_blank"><strong>clicando aqui</strong></a>. Vamos seguir então aos comentários sobre a terceira parte de <em>2666</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu estava com algumas leituras acumuladas, e acabou que passou mais de um mês entre a conclusão da parte anterior e a dessa. O que no final das contas foi algo positivo, acabou possibilitando um envolvimento com a nova personagem (o jornalista norte-americano Fate) que provavelmente não seria possível se eu tivesse engatado a leitura buscando os críticos ou Amalfitano. Porque é assim que começamos, com uma personagem completamente nova, em um lugar completamente novo e só pensando o que é que isso tudo tem a ver com o que tinha sido lido até então.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-4731"></span>O ritmo da narrativa é mais parecido com a parte de Amalfitano, embora pareça mais &#8220;episódica&#8221;. Um parágrafo é um momento, corta, vai para outro e assim segue. Acaba nos prendendo não só para saciar a curiosidade sobre qual seria a relação dele com o que já foi visto, mas porque a personagem em si se revela interessante: Fate é um repórter que escreve para uma revista voltada para a comunidade negra. Ele parece tão deslocado de tudo o que está vendo e relatando que em alguns momentos você precisa acabar lembrando em várias situações que ele <em>também</em> é negro. Tal como vimos com Amalfitano, aquela sensação de estar em um lugar sem fazer parte dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Fate acaba sendo chamado para substituir o jornalista esportivo e cobrir uma luta em uma cidade do México. É quando finalmente  a história de Fate se cruza com as que o leitor já sabia. O repórter segue para Santa Teresa, onde fica sabendo dos assassinatos. Aqui lembrei do que tinha dito n&#8217;A parte de Amalfitano sobre a frustração de expectativas com a qual Bolaño lida tão bem. Você pensa que vai começar uma história de investigação, que Fate de repente assumirá o papel de detetive e buscará pistas sobre os assassinatos&#8230; mas o chefe dele não o autoriza a fazer a reportagem sobre o assunto, e mesmo quando uma outra repórter oferece para ele a oportunidade de entrevistar na prisão o principal suspeito dos crimes, Fate deixa o evento de lado.</p>
<p style="text-align: justify;">A narrativa se desvia para a relação entre Fate e Rosa Amalfitano, que acaba mostrando um outro lado de Santa Teresa. A aridez permanece, mas agora o machismo da cidade parece falar mais alto. Combinando outros elementos já apresentados anteriormente, o fato é que o leitor começa a suspeitar de todas as personagens masculinas sobre os crimes que estão acontecendo na região. Isso ficou evidente para mim em um trecho quando Rosa conta sobre um dia que encontrou um colega da universidade por acaso na rua; ele a convida para entrar no carro e você pensei &#8220;Já era.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">E nessas suspeitas, o autor acaba desviando nossa atenção, por um momento é esquecido que os crimes de Santa Teresa não são a única questão a ser respondida. E eu adoraria comentar sobre a conclusão desse capítulo, mas a verdade é que pode acabar estragando a experiência de leitura de muita gente, até porque carrega novas questões. Mas fiquemos assim: fôlego novo para a história, e mais vontade ainda de continuar lendo. E a essa altura já deu para ter certeza que Bolaño é um danado que não vai entregar o ouro fácil para ninguém.</p>
<p><strong>2666</strong></p>
<p>Roberto Bolaño<br />
Tradução: Eduardo Brandão<br />
856 páginas<br />
Preço sugerido: R$ 55,00</p>
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		<title>A vitória de Orwell (Christopher Hitchens)</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 13:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[a vitória de orwell]]></category>
		<category><![CDATA[christopher hitchens]]></category>
		<category><![CDATA[george orwell]]></category>
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		<description><![CDATA[Sempre que penso em escritores cuja biografia renderiam por si só um romance, lembro de uma frase de Oscar Wilde em O retrato de Dorian Gray, que dizia “Um grande poeta é a menos poética de todas as criaturas. Parece que escreve a poesia que não consegue viver, enquanto poetas inferiores vivem a poesia que [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/08/vitoriaorwell-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Sempre que penso em escritores cuja biografia renderiam por si só um romance, lembro de uma frase de Oscar Wilde em <em>O retrato de Dorian Gray</em>, que dizia “<em>Um grande poeta é a menos poética de todas as criaturas. Parece que escreve a poesia que não consegue viver, enquanto poetas inferiores vivem a poesia que não conseguem escrever</em>“. Óbvio, lembro da frase porque Wilde mesmo provou que o raciocínio não estava sempre certo – e a realidade é que eu me surpreendo muito com a quantidade de vezes que algum grande escritor parece contrariá-lo.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja só o caso de George Orwell. Tomando apenas os trabalhos mais conhecidos, como <em>1984</em> e <em>Revolução dos Bichos</em>, é indiscutível a importância desse escritor para a literatura do século XX. E se ao bater os olhos nas fotos de Eric Arthur Blair (nome de batismo do autor) você pensa que era só um tiozinho que escrevia umas boas histórias entre uma xícara de chá e outra, temos <em><a title="a vitória de orwell" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12557" target="_blank">A vitória de Orwell</a></em> (de Christopher Hitchens) para mostrar o contrário.<span id="more-4700"></span>Com tradução lançada no mês passado pela Companhia das Letras, é importante frisar que não se trata de uma biografia de Orwell, pelo menos não se considerarmos a ideia formal que se tem desse tipo de livro. O que Hitchens faz é dissecar vida e obra de Orwell nos mínimos detalhes para mostrar que o inglês era uma figura complexa o suficiente para estar além de qualquer rótulo que possam querer usar para falar sobre ele. E a questão é que Hitchens em muito já toma que o leitor interessado em conhecer um ponto de vista mais aprofundado sobre, por exemplo,  posicionamento político de Orwell, provavelmente já sabe um pouco mais sobre a vida do escritor.</p>
<p style="text-align: justify;">A fase que Orwell passa na miséria, por exemplo, é comentada no capítulo sobre Orwell e a Esquerda quase que apenas passando a referência sobre em qual obra encontrar mais informações sobre esse período (no caso, <a title="na pior em paris e londres" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=11845" target="_blank">Na pior em Paris e Londres</a>). Não espere relatos detalhados de momentos como esse, porque a preocupação de Hitchens é sobretudo destruir certas imagens criadas e perpetuadas que não fazem justiça alguma a Orwell. E quando uso o termo “destruir”, é porque ele não tem muitas papas na língua ao contra-argumentar, chegando a citar nomes e trechos do que certas pessoas já falaram sobre o escritor para então expor sua opinião (algumas vezes até bem ácida) sobre o que citou.</p>
<p style="text-align: justify;">Por causa dessa “briga” comprada por Hitchens, talvez os melhores capítulos sejam justamente os sobre posicionamento político de Orwell (direita e esquerda). Aliás, o terceiro capítulo (Orwell e a direita) traz uma ótima passagem com opiniões do autor sobre a Guerra Fria, trazendo inclusive uma informação que eu desconhecia: que o termo tão utilizado por todos foi inventado pelo escritor.</p>
<p style="text-align: justify;">E apesar de não ser uma biografia propriamente dita, é impressionante como mesmo menções breves à vida de Orwell mostram tanto sobre ele. Desde os tempos na Birmânia, a amizade (e separação) com o poeta W. H. Auden, a guerra civil espanhola… Tanto do que ele viu acaba deixando claro que uma obra como <em>1984</em> permanece atual até os dias de hoje não por acaso. O que Hitchens enfatiza da melhor forma possível sobre a vida que Orwell levou e tudo o que produziu, fica evidente na passagem que conclui o livro:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>(…)Mas três coisas ele ilustra, em seu comprometimento com a língua e com a verdade: “opiniões” não contam de fato; o que importa não é o que você pensa, mas <em>como</em> pensa; a política é relativamente desimportante, enquanto princípios, assim como os poucos indivíduos irredutíveis que se mantêm leais a eles, costumam perdurar.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Leitura recomendada para qualquer um que queira ir um pouco além da obra, conhecendo um pouco mais do autor. E principalmente para quem quer ter a certeza de que pelo menos no caso de George Orwell, a personagem de Oscar Wilde em <em>O Retrato de Dorian Gray</em> não poderia estar mais errada no que diz sobre a vida dos grandes escritores.</p>
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		<title>Camisetas para apaixonados por literatura</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 11:52:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Achei isso no blog Girl Gone Geek e me apaixonei. A Novel-T é uma loja especializada em camisetas que fazem referências literárias (ahá, sacou o nome da loja?), divididas em duas categorias: American Canons e National Puncs. Muito legal mesmo, até porque cada &#8220;time&#8221; tem um símbolo relacionado com algo da obra ou autor citado [...]]]></description>
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<p>Achei isso no blog <a title="girl gone geek" href="http://gurlgonegeek.wordpress.com" target="_blank">Girl Gone Geek</a> e me apaixonei. A <a title="novel t" href="http://www.novel-t.com" target="_blank">Novel-T</a> é uma loja especializada em camisetas que fazem referências literárias (ahá, sacou o nome da loja?), divididas em duas categorias: <a title="american canons" href="http://www.novel-t.com/gallery1.htm" target="_blank">American Canons</a> e <a title="puncs" href="http://www.novel-t.com/puncs.gif" target="_blank">National Puncs</a>. Muito legal mesmo, até porque cada &#8220;time&#8221; tem um símbolo relacionado com algo da obra ou autor citado (Poe vem com um corvo ou um coração, Quixote com um moinho de vento, Hester Prynne com o &#8220;A&#8221; da Letra Escarlate, etc.). Saca só (para ampliar as imagens, basta clicar sobre elas):</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4681" href="http://www.anica.com.br/2010/08/23/camisetas-para-apaixonados-por-literatura/9-jpg/"><img class="size-thumbnail wp-image-4681 alignnone" title="9.jpg" src="http://www.anica.com.br/files/2010/08/9.jpg-150x150.gif" alt="" width="150" height="150" /></a> <a rel="attachment wp-att-4682" href="http://www.anica.com.br/2010/08/23/camisetas-para-apaixonados-por-literatura/7jplr-jpg/"><img class="size-thumbnail wp-image-4682 alignnone" title="7jplr.jpg" src="http://www.anica.com.br/files/2010/08/7jplr.jpg-150x150.gif" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4683" href="http://www.anica.com.br/2010/08/23/camisetas-para-apaixonados-por-literatura/13r-jpg/"><img class="size-thumbnail wp-image-4683 alignnone" title="13r.jpg" src="http://www.anica.com.br/files/2010/08/13r.jpg-150x150.gif" alt="" width="150" height="150" /> </a><a rel="attachment wp-att-4684" href="http://www.anica.com.br/2010/08/23/camisetas-para-apaixonados-por-literatura/10jplr-jpg/"><img class="size-thumbnail wp-image-4684 alignnone" title="10jplr.jpg" src="http://www.anica.com.br/files/2010/08/10jplr.jpg-150x150.gif" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: left;">Quero o site todo!! *_*</p>
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		<title>Diego e Frida: Biografia (J.M.G. Le Clézio)</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Aug 2010 16:53:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Meu primeiro contato com a pintora mexicana Frida Kahlo foi através do filme Frida (2002), uma adaptação de Frida: A Biography of Frida Kahlo de Hayden Herrera. Como pareceu uma personagem forte cuja biografia se confunde de forma muito interessante com a obra, fiquei bastante interessada quando soube da publicação no Brasil do livro Diego [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/08/9788501087782.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4638" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/2010/08/9788501087782.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Meu primeiro contato com a pintora mexicana Frida Kahlo foi através do filme <a title="frida" href="http://www.imdb.com/title/tt0120679/" target="_blank">Frida</a> (2002), uma adaptação de <em>Frida: A Biography of Frida Kahlo</em> de Hayden Herrera. Como pareceu uma personagem forte cuja biografia se confunde de forma muito interessante com a obra, fiquei bastante interessada quando soube da publicação no Brasil do livro <a title="Diego e Frida: biografia" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24907" target="_blank">Diego e Frida: Biografia</a>, do vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2008, J.M.G. Le Clézio.</p>
<p style="text-align: justify">Inicialmente fiquei preocupada que fosse muito parecido com o que já tinha assistido, mas o comprometimento em falar não só de Frida, mas também de seu marido Diego Rivera, acabam por garantir uma nova perspectiva sobre a história. E Le Clézio conduz muito bem essa biografia, mesclando a narrativa sobre a vida dos dois artistas de tal modo que deixa clara a ideia de que tudo o que fizeram jamais teria a mesma beleza se nunca tivessem ficado juntos. Apesar da importância da arte tanto para Frida quanto para Diego, outra constante que fica clara já no Prólogo é a presença da política. Os dois tinham modos diferentes de pensar sobre o tema, mas a todo momento os ideais políticos dos protagonistas se mesclam com suas criações. Assim como o amor de um pelo outro acaba servindo como elemento para a obra, por isso da importância de conhecer a história não só sob o ponto de vista de Frida (como acontece na cinebiografia), mas também de Diego.<span id="more-4637"></span></p>
<p style="text-align: justify">E é interessante observar o quanto Diego domina a narrativa de Le Clézio até o momento em que o casal entra em crise. A sensação que Le Clézio passa é de que Diego produz de forma muito mais constante do que a esposa, que costuma fazer suas melhores pinturas nos momentos de maior dor (o acidente, a perda do filho, as traições do marido, etc.). É como se Frida utilizasse a obra muito mais como uma forma de escapar da realidade, enquanto para Rivera era um modo de expressar seus ideais.</p>
<p style="text-align: justify">Um ponto interessante é que a narrativa é essencialmente cronológica, mas alguns <em>flashforwards</em> antecipam o que está por vir na vida das protagonistas, criando um efeito interessante no momento em que o momento antecipado finalmente acontece, como por exemplo um dos abortos sofridos por Frida. É como se o autor separasse algo no passado para que o que era narrado não fosse julgado pelo ato apenas, mas por tudo o que ele envolvia antes de acontecer.</p>
<p style="text-align: justify">Talvez o único aspecto negativo seja uma certa repetição de termos e frases, soando quase como se fosse um refrão. Em algumas passagens funcionava bem, até justamente por causa da técnica do <em>flashforward</em>, mas em outras dava simplesmente a sensação de que eu estava relendo uma página por engano.</p>
<p style="text-align: justify">Mas fora isso, <em>Diego e Frida: Biografia</em> é realmente um livro extremamente interessante, até pelo cuidado de Le Clézio na pesquisa sobre o casal. Várias passagens são transcrições <em>ipsis litteris</em> de cartas e trechos de diários, o que garante um caminho bem distante do tomado por certos biógrafos que “romanceiam” a partir de acontecimentos. Uma dica: anote os nomes das obras para dar uma consultada no Google depois.</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Sim, esse post foi publicado ontem no Meia Palavra. Caso não conheça o blog ainda, <a title="meia palavra" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/" target="_blank">dá uma passada lá</a>)</em></p>
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		<title>O beijo de Lamourette: Mídia, Cultura e Revolução</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 11:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[flip]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[o beijo de lamourette]]></category>
		<category><![CDATA[robert darnton]]></category>

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		<description><![CDATA[A Flip começou quarta e segue até domingo trazendo muitas discussões e novidades sobre Literatura e assuntos relacionados. Um dos nomes da festa literária é o historiador norte-americano Robert Darnton, que estará presente em duas mesas que debaterão o futuro do livro. A primeira, na quinta-feira às 19:30h, com Peter Burke e a segunda na [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><img class="alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/uploads/2010/08/obeijo-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" />A <a title="flip" href="http://www.flip.org.br/" target="_blank">Flip</a> começou quarta e segue até domingo trazendo muitas discussões e novidades sobre Literatura e assuntos relacionados. Um dos nomes da festa literária é o historiador norte-americano Robert Darnton, que estará presente em duas mesas que debaterão o futuro do livro. A primeira, na quinta-feira às 19:30h, com Peter Burke e a segunda na sexta-feira às 10h, com John Makinson. E marcando a vinda de Darnton para o Brasil, a Companhia das Letras relançou no fim do mês passado <em>O beijo de Lamourette: Mídia, Cultura e Revolução</em> em formato de bolso.</p>
<p style="text-align: justify">Trata-se de uma série de textos publicados pelo historiador, que já na introdução Darnton deixa claro ao leitor que não apresentam necessariamente uma ordem ou conexão. E de fato, cada parte parece um pequeno livro que em comum tem apenas a relação do homem com o texto impresso, e muito da experiência do autor sobre a França do século XVIII para ilustrar o que está sendo comentado.<span id="more-4613"></span>É um livro de nicho, sim, o que poderia ser um problema. Normalmente apenas quem faz parte “do clube” consegue nutrir algum interesse que permita a leitura de uma obra assim até o fim. Mas <em>O beijo de Lamourette: Mídia, Cultura e Revolução</em> passa sem dificuldades no teste de livro que também é indicado para o Leitor Culto Médio (termo utilizado pelo autor). Até porque Darnton parece ser claramente o caso de pessoa com muito para compartilhar, seja considerando os tempos que trabalhou como jornalista (que rende o ótimos capítulo 5 da Parte II),  como  membro do conselho editorial da Princenton University Press (quando com um senso de humor  no capítulo 6 da Parte II dá dicas para os acadêmicos que desejam ver seus trabalhos publicados)  ou mesmo o modo como apresenta a Revolução Francesa (no capítulo de abertura).</p>
<p style="text-align: justify">São detalhes que dão vida a um texto que poderia ser apenas técnico, despertando a curiosidade mesmo da pessoa que não seja da área. Naturalmente no meu caso o ponto alto foi justamente quando Darnton começa a trabalhar com a combinação entre História e Literatura (a partir da parte III). O capítulo I da parte III, que apresenta a disciplina História dos Livros, foi extremamente empolgante para mim. Durante minha passagem pela graduação em Letras, quando se falava em História e Literatura o que tínhamos normalmente era uma contextualização da obra, buscando a partir de fatos históricos buscar mais do significado de um livro.</p>
<p style="text-align: justify">Mas quando Darnton faz todo um levantamento sobre as relações dos livreiros do século XVIII com Questions sur l’Encyclopédie de Voltaire foi como se depois de anos morando em uma casa eu descobrisse que ela tinha um cômodo que eu ainda não visitara. O mesmo vale para quando o autor fala da História da Leitura, lembrando o óbvio de que a relação com o livro que temos hoje não é a mesma de períodos anteriores na história (passando da leitura como uma atividade em grupo para uma atividade privada, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify">E disso tudo vale lembrar que a obra foi originalmente publicada em 1989 (aqui no Brasil um ano depois), e consegue se manter atual (com exceção talvez ao capítulo que fala da Polônia, ainda em tempos de URSS). Quando fui chegando próximo ao fim, onde Darnton chega a discutir as razões pelas quais termos como cadela (bitch) ou de filho de uma cadela (son of a bitch) são tabu na cultura de língua inglesa, eu me arrependi profundamente de não ter conhecido o trabalho dele antes, para de repente dar uma escapadela para a Flip. Como consolo fica o lançamento mais recente dele, A Questão dos Livros, que chegou no Brasil pela Companhia das Letras em abril desse ano.</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Sim, esse post foi publicado antes lá no <a title="blog meia palavra" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/" target="_blank">blog do Meia Palavra</a>. Se ainda não o conhece, é um bom momento para passar lá =P )</em></p>
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		<title>Plim-plim</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 22:41:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[meia palavra]]></category>

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		<description><![CDATA[Propaganda cara-de-pau do Meia Palavra, mas vocês sabem, é um cantinho que me enche de orgulho e tudo o mais. Então, para quem perdeu, vamos lá: Como aquecimento para a chegada do autor no Brasil, começamos a promoção “Conn Iggulden na Bienal”, que vai até dia 03/08. Se ainda não participou, &#8216;bora lá mandar email. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: justify"><img class="alignright" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://blog.meiapalavra.com.br/wp-content/uploads/2009/01/meia.gif" alt="" width="180" height="151" />Propaganda cara-de-pau do Meia Palavra, mas vocês sabem, é um cantinho que me enche de orgulho e tudo o mais. Então, para quem perdeu, vamos lá:</p>
<ul style="text-align: justify">
<li>Como aquecimento para a chegada do autor no Brasil, começamos a promoção “<strong><a href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/28/promocao-meia-palavra-conn-iggulden-na-bienal/">Conn Iggulden na Bienal</a></strong>”, que vai até dia 03/08. Se ainda não participou, &#8216;bora lá mandar email.</li>
<li><a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank"><strong>10 Perguntas e Meia para Tony Belotto</strong></a> &#8211; siiiim, o Tony Belotto dos Titãs e dos livros do Bellini. Boa entrevista, vale a pena dar uma conferida. E fiquem espertos porque logo chega outro 10 Perguntas e Meia muito legal.</li>
<li>A lista de sugestões d&#8217;<strong><a href="http://votorama.mtv.uol.com.br/14-casais-fofos-da-literatura">Os 14 Casais Fofos da Literatura</a></strong> que está rolando lá no Votorama MTV foi criada por membros do <strong><a href="http://www.meiapalavra.com.br/">Fórum Meia Palavra</a></strong>. A enquete ficará aberta por mais 20 dias, e eu até sugeriria uma trollagem nérdica que tirasse Harry Potter e Crepúsculo das primeiras colocações, mas meeeh, deixa a rapaziada ser feliz.</li>
<li>E bem, aproveitando para deixar o convite: se tiver algum artigo que você queira publicar no Blog Meia Palavra, basta mandar um email para <strong>meiapalavra@meiapalavra.com.br</strong>. E se ainda não visitou o Fórum Meia Palavra, passa lá que no momento está rolando uma discussão bem legal sobre <strong><a href="http://www.meiapalavra.com.br/showthread.php?tid=5113">Cândido do Voltaire no Clube de Leitura</a></strong>.</li>
</ul>
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		<title>2666: A parte de Amalfitano</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jul 2010 12:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[2666]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[Roberto Bolaño]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando a leitura de 2666 de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/07/2666.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4507" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>Continuando a leitura de <em>2666</em> de Roberto Bolaño, terminei ontem à noite a segunda parte (A parte de Amalfitano). Para situar quem acabou de chegar, estou seguindo na direção contrária do que foi adotado pela família do autor (publicação do que seriam cinco livros em um só) e fazendo os comentários aos poucos, sempre antes de iniciar a parte seguinte. Minhas opiniões sobre a primeira parte (A parte dos críticos) você pode encontrar <a title="a parte dos críticos" href="http://www.anica.com.br/2010/07/16/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank"><strong>aqui</strong></a>.</p>
<p style="text-align: justify">Eu sei que em teoria estou lendo o livro tal e qual a qualquer um &#8211; até porque mal estou interrompendo a leitura. Por causa disso acho que as sensações que tive sobre A parte de Amalfitano não serão tão diferentes, talvez só os achismos sobre o que as outras três partes podem trazer, o que será até divertido de confirmar depois. A verdade é que se não fosse a já familiar dificuldade para ler o catatau na cama, fiquei em alguns momentos com a impressão que tratava-se de um outro livro.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4518"></span>A parte de Amalfitano é extremamente melancólica e densa, muito densa. Ontem quando concluí a leitura fiquei morrendo de vontade de voltar para o começo e reler os trechos em que Amalfitano aparece para os críticos, porque o que ele falava ali ganharia toda uma outra conotação depois de saber o que ele vivera antes daquele encontro, especialmente aquele trecho no qual comenta sobre a sombra se separando do escritor que trabalha para o Estado. A narrativa trata basicamente dos caminhos que o levaram a viver em Santa Teresa (cidade onde encontrará os críticos), começando do momento que sua esposa Lola o abandona para viajar em busca de um poeta.</p>
<p style="text-align: justify">Quando falo que a segunda parte é diferente, é porque realmente distoa do que foi visto antes, tendo como único elo três elementos que se repetem d&#8217;A parte dos críticos: Amalfitano, o livro de Dieste pendurado no varal e os assassinatos que estão acontecendo em Santa Teresa.  Mesmo o estilo é diferente, tendendo muito mais para o fluxo de consciência do que para um discurso direto, o que funciona muito bem se considerar que um dos temas recorrentes dessa parte é a loucura.</p>
<p style="text-align: justify">A loucura do poeta que Lola persegue, depois a loucura de Lola e então o próprio Amalfitano questionando se está ou não louco. A rapidez do estilo adotado por Bolaño para registrar diálogos e pensamentos nessa segunda parte acabam justamente criando aquele redemoinho que tiram a segurança da personagem (e óbvio, do leitor) sobre o que é real, sobre o que é certo. E no final das contas, acredito eu, pesam bastante para o plot dos crimes, mas aqui provavelmente também pela união de alguns elementos que são colocados na primeira parte.</p>
<p style="text-align: justify">Sobre isso, a ideia que as duas partes dão é que Bolaño brinca um pouco com as exepectativas do leitor. Sempre retomando aquela ideia de que o ato de ler carrega junto o de prever, os elementos que ele oferece na primeira parte apontam para um grande clímax que não acontece. E agora a fórmula se repete: quando parece que tudo tende a levar a uma conclusão, ele segue uma outra direção. Da minha parte acho um exercício ótimo como leitora (e bem, da parte dele como escritor), mas tenho a sensação que no fim da segunda parte ele pode perder o leitor que busca apenas um enredo com  estrutura básica de começo meio e fim, digamos assim.</p>
<p style="text-align: justify">Isso para não falar da questão da melancolia, que comentei inicialmente. Não são só as ações (ou em alguns momentos a falta delas) de Amalfitano que constroem esse tom. As personagens ao seu redor, desde a filha até um possível novo interesse romântico, mostram a aridez de Amalfitano, como ele simplesmente não sente. Aridez como a de Santa Teresa, que cresce ainda mais na história e se revela triste tal como o protagonista. Eu sei que isso varia muito de leitor para leitor, mas para quem não suporta o calor como eu, dá quase para entender porque Amalfitano fica daquele jeito nesse lugar.</p>
<p style="text-align: justify">Concluindo, a leitura continua sendo uma ótima experiência &#8211; e é experiência mesmo, extrapola um pouco aquela linha da leitura por puro entretenimento. E a verdade é que agora mal posso esperar para ver qual a próxima expectativa que será frustrada na terceira parte (talvez o fato de que não será frustrada?). E sim, eu continuo evitando ler o máximo possível o que saiu por aí sobre o livro, mas acabei lendo o post no blog do Tony Bellotto e aproveito para recomendar aqui: <a title="testamento geométrico" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2010/07/testamento-geometrico/" target="_blank">Testamento geométrico</a>. Em tempo, se você ainda não conferiu, corre lá no blog do Meia Palavra para ler o <a title="10 perguntas e meia para tony bellotto" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/21/10-perguntas-e-meia-para-tony-bellotto/" target="_blank">10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto</a>. Está bem legal!</p>
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		<title>2666: A parte dos críticos</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 13:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A tradução de Eduardo Brandão para 2666 do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/07/2666.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4507" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/2666-208x300.jpg" alt="" width="208" height="300" /></a>A tradução de Eduardo Brandão para <em>2666</em> do escritor chileno Roberto Bolaño é, sem dúvida, um dos maiores lançamentos literários aqui no Brasil em 2010. E por maiores não falo apenas da importância do acesso ao texto em português, mas também ao tamanho do catatau publicado pela Companhia das Letras: 856 páginas, adotando a decisão da família de Bolaño em não dividir <em>2666</em> em cinco partes como sugerido pelo escritor para facilitar o sustento dos filhos quando morresse. A obra foi publicada mais de um ano após sua morte, mas, como garante Ignacio Echevarría em nota à primeira edição, “o romance se aproxima muito do objetivo que ele traçou”.</p>
<p style="text-align: justify">E eu sei que para muitos fãs de Bolaño (e de <em>2666</em>) eu provavelmente estarei cometendo uma heresia, mas decidi seguir o caminho oposto da família, e comentar o livro por partes, publicando os comentários  sempre antes de iniciar a leitura da parte seguinte. E para começar, vamos de <em>A parte dos críticos</em>, primeira parte de <em>2666</em>. Acredito ser importante destacar aqui que estou tentando ler o mínimo possível sobre o livro para não estragar a experiência, e que muito do que falar agora eu posso contrariar em textos futuros. Mas bem, qual é a graça de se ler uma obra sem participar da brincadeira da adivinhação do que está por vir?</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4512"></span><strong>A parte dos críticos</strong></p>
<p style="text-align: justify">Eu tenho uma curiosidade enorme de conhecer a obra de Bolaño porque muitas pessoas próximas que acredito terem bom gosto literário simplesmente adoram o que ele publicou. Mas eu sou teimosa e encasquetei que meu primeiro Bolaño seria o <em>tão-falado-2666</em>, que demorou um pouco para chegar no Brasil porque Brandão levou mais de um ano para traduzir a obra.<sup><a id="identifier_0_2620" title="para saber mais sobre a tradução, vale a pena conferir uma entrevista com Brandão para a Livraria da Folha" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/#footnote_0_2620">1</a></sup> E então finalmente tive a oportunidade de ler o livro, com as expectativas lá no alto, é óbvio.</p>
<p style="text-align: justify">E Bolaño já começa impondo um ritmo de narrativa mais lento, fazendo com que o leitor mais afoito volte a acostumar os olhos a uma leitura mais cuidadosa, detalhada. O autor não tem pressa e vai desenvolvendo as personagens e os eventos que as conectam de forma cuidadosa: não são apenas suas ações que os definem, são seus sonhos, o que se pensou mas não foi dito, o modo como se relacionam com o que ou quem gostam.</p>
<p style="text-align: justify">E por causa disso, quanto menos se espera, você já está completamente amarrado pelo quarteto de críticos apaixonados pela obra do recluso escritor alemão Benno von Archimboldi. Espinoza, Pelletier, Norton e Morini se encontram nos congressos de estudos literários que frequentam, e desenvolvem um grande laço de amizade justamente por causa do interesse em comum – Archimboldi – e, mais precisamente, por onde andará Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify">A relação entre eles se estreita, e apesar de obviamente as cutucadas que Bolaño dá na crítica literária ficarem mais ao gosto de quem é da área, ainda assim a amizade independe desse aspecto, e mesmo quem não é muito familiar aos estudos literários vai acabar se encantando com as personagens, até mesmo ao se enxergar na situação de apaixonado que eles se encontram. Isso não precisa ser só entre leitor e escritor, aparece de tantas formas: o músico e o sujeito que o escuta, o cineasta e quem o assiste. É a relação com a arte.</p>
<p style="text-align: justify">E nisso, um dos trechos mais memoráveis é o dos críticos conversando com a dona da editora que publicou Archimboldi pela primera vez, a senhora Bubis. O comentário da mulher sobre o gosto que tinha pela obra de Grosz e da diferente reação que ela tinha para seus quadros da que seu amigo tinha é genial. A questão da diferença entre o gostar e o entender, e de como uma obra pode refletir de maneiras diferentes de acordo com quem a vê.</p>
<p style="text-align: justify">É o que acaba nos levando ao trecho com o pintor Edwin Johns, que decepou a própria mão para fazer o que seria sua obra-prima.  O artista causa reações diferentes nas personagens, sendo a mais forte certamente sobre Morini, o único que lhe pergunta a razão da mutilação. A história é retomada na conclusão da primeira parte, servindo como o elemento que faltava para definir a relação dos quatro críticos.</p>
<p style="text-align: justify">Como comentei, evitei ao máximo possível saber sobre <em>2666</em> antes de completar a leitura, mas é óbvio que do básico do enredo é impossível fugir, e sei que uma pequena história contada para os críticos enquanto seguiam uma pista de Archimboldi no México, de assassinatos de centenas de mulheres, vai acabar se desdobrando nas partes que virão. Mas no momento o que temos é isso: esse primeiro quadro com a relação entre os quatro críticos e a relação desses com Benno von Archimboldi.</p>
<p style="text-align: justify">Eu adorei, especialmente pelo modo como Bolaño conduz a narrativa. Um “truque” legal utilizado por ele é mudar a forma de escrever de acordo com o que está representando. Por exemplo, um sujeito está contando uma história, a fala vem com marcas de oralidade – aquelas pequenas idas e vindas de quando relatamos algo. A parte do email de Norton é simplesmente fantástica, com ações de Pelletier e Espinoza entrecortadas por trechos do que ela escreveu para eles. Ou ainda, Amalfitano falando sobre os artistas e o Estado na América Latina, fala longa e cheia de metáforas que é cortada por um “Não entendi nada do que você disse” de Norton.</p>
<p style="text-align: justify">O texto é quase como um labirinto, que em alguns momentos você continua seguindo e com a certeza de que está no caminho certo, em outros anda, anda e anda para então dar de cara com uma parede indicando que é hora de recomeçar. Mas não pensem que isso faz de <em>2666</em> um texto difícil. Muito pelo contrário: Bolaño é acima de tudo um contador de histórias, e a primeira parte fluiu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify">Para quem ficou curioso, <a title="2666 na companhia" href="http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=12537" target="_blank">no site da Companhia das Letras está disponível um trecho do livro em pdf</a>. Vale a pena conferir, mas se as outras quatro partes do livro forem tão boas (ou melhores) do que a primeira, vale a pena é ir atrás do livro mesmo.  Se já leu e quer saber mais sobre outras obras do Bolaño, não deixe de conferir as resenhas do Pips para <a title="noturno do chile" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/03/18/noturno-do-chile-roberto-bolano/" target="_blank">Noturno do Chile</a>, <a title="os detetives selvagens" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/26/os-detetives-selvagens/" target="_blank">Os Detetives Selvagens</a> e <a title="estrela distante" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/01/04/estrela-distante/" target="_blank">Estrela Distante</a> já publicadas aqui no blog do Meia Palavra. Enquanto isso, aguardo dicas  das melhores posições para ler <em>2666</em> na cama, há!</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Sim, esse texto foi <a title="no meia" href="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/2010/07/15/2666-a-parte-dos-criticos/" target="_blank">publicado ontem no Blog Meia Palavra</a>)</em></p>
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		<title>Louras Zumbis (Brian James)</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 12:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/07/louraszumbis.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-4500" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/louraszumbis-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" /></a>Já vão aí uns dois anos em que o que mais se tem visto sobre lançamentos para o público jovem são histórias de amor entre uma garota e alguma figura sobrenatural (o segundo normalmente sendo vampiro, certo?). A fórmula básica se repete exaustivamente, com pequenas variações que não chegam a de fato fazer diferença porque no fim é tudo sobre o sujeito diferentão que atrai a menina para sua vida, que apresenta supostos perigos. No final das contas, quem ainda busca esses livros atrás de diversão acaba se desapontando e simplesmente deixando de lado títulos novos, pensando que será mais do mesmo.</p>
<p style="text-align: justify">E é por isso que li com certo alívio <a title="louras zumbis" href="http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24887" target="_blank"><strong><em>Louras Zumbis</em></strong></a>, de Brian James lançado aqui no Brasil pela <a title="galera record" href="http://www.record.com.br/grupoeditorial_editora.asp?id_editora=11" target="_blank">Galera Record</a>. Quando fiquei sabendo sobre o título, pensei que lá vinha outra história com uma heroína desajeitada perdidamente apaixonada, só que dessa vez por um zumbi. Bem, as coisas são diferentes com <em>Louras Zumbis</em>, porque não se trata de um livro romântico, mas de ação (ou, sendo mais específica, de horror).<span id="more-4499"></span>Logo de início somos apresentados à Hannah Sanders, uma garota que vive mudando de cidade porque o pai precisa fugir das dívidas. Eles chegam na pequena Maplecrest, uma cidadezinha que ela pensa ser como qualquer outra no começo. Chegando no primeiro dia de aula, ela precisa enfrentar a rotina que já conhece bem para se adaptar ao novo ambiente. Hannah é já mudou tantas vezes que sequer tem dificuldades para reconhecer quem são as garotas populares da escola: as líderes de torcida, todas louras e perfeitas e admiradas pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify">A história em muito apresenta essa adaptação de Hannah em Maplecrest, que apesar de alertada por Lukas, o “esquisitão” da escola ainda assim sente uma vontade irresistível de se aproximar dessas meninas. Aqui aquele ponto interessante do deslocamento, de simplesmente querer fazer parte de algo “normal”, mesmo que sabendo que com certo prazo de validade, acaba dando um histórico legal para a personagem. Mas é nos avisos de Lukas que começa a parte da ação: as meninas são mesmo zumbis ou é só exagero da parte de alguém que lê muito gibi?</p>
<p style="text-align: justify">E enquanto a protagonista ainda está querendo encontrar a resposta para essa dúvida, já temos a preparação do que são capítulos finais que já estavam fazendo falta em livros do gênero: muito mais tensão do que sacarina, e a conclusão (que eu obviamente não vou contar aqui) simplesmente me conquistou. Então se você já estava meio cansado desse tema porque nunca era o que você achava que TINHA que ser, dê uma chance para <em>Louras Zumbis</em>. Não segue a metáfora do ótimo <a title="generation dead" href="http://www.anica.com.br/2008/12/19/generation-dead-daniel-waters/" target="_blank"><em>Generation Dead</em> de Daniel Waters</a>, mas diverte muito quem gosta do gênero.</p>
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		<title>Burnt Offerings (Laurell K. Hamilton)</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 12:48:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[anita blake]]></category>
		<category><![CDATA[burnt offerings]]></category>
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		<category><![CDATA[vampiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Então que tem aí uns dois anos que estou lendo livros de vampiros para cá, livros de vampiro para lá. Eles parecem ter em comum mais do que os dentuços. Eles costumam vir em séries também. E o público-alvo é quase sempre a mulherada. Pode reparar aí: Crepúsculo, Vampire Diaries, Vampire Academy, The Southern Vampire [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/06/burntofferings.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4465" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/burntofferings-186x300.jpg" alt="" width="186" height="300" /></a>Então que tem aí uns dois anos que estou lendo livros de vampiros para cá, livros de vampiro para lá. Eles parecem ter em comum mais do que os dentuços. Eles costumam vir em séries também. E o público-alvo é quase sempre a mulherada. Pode reparar aí: <a title="crepúsculo" href="http://www.anica.com.br/2008/09/29/crepusculo-stephenie-meyer/" target="_blank">Crepúsculo</a>, <a title="vampire diaries" href="http://www.anica.com.br/2010/01/07/diarios-do-vampiro-o-despertar/" target="_blank">Vampire Diaries</a>, <a title="vampire academy" href="http://www.anica.com.br/2009/06/04/o-beijo-das-sombras-richelle-mead/" target="_blank">Vampire Academy</a>, <a title="sookie" href="http://www.anica.com.br/2008/12/30/dead-until-dark-x-true-blood/" target="_blank">The Southern Vampire Mysteries</a> (que deram origem ao True Blood)&#8230; Enfim, dessa patota toda, o que eu achava que tinha mais chances de agradar também a macharada era <a title="anita blake" href="http://www.anica.com.br/tag/anita-blake/" target="_blank">a série Anita Blake</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Aquela coisa: não focava tanto na melação das relações da protagonistas com sujeitos perfeitos mas em crimes envolvendo o sobrenatural, já que Anita é uma necromancer que ajuda a polícia em investigações envolvendo vampiros, ghouls, lobisomens, etc. E a coisa funciona porque Anita por si só não tem nada a ver com as &#8220;mocinhas em perigo&#8221; das demais séries, que acabam sempre tendo que ser protegidas pelos vampirões que amam e blablabla. Anita é forte, independente e gosta de manter-se assim. A narrativa em primeira pessoa ajuda também na construção da personalidade da protagonista, incluindo elementos legais como o senso de humor cáustico e a visão dela sobre o que seriam &#8220;os monstros&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4464"></span>E tudo corria muito bem, tão bem que cheguei a ler sete dos dezenove (!!!) livros da série. Mas agora com <em>Burnt Offerings</em> a coisa decaiu para exatamente o que é o ponto fraco das outras histórias que já citei aqui: focando mais no romance da protagonista do que na ação. Não que o livro seja completamente ruim. O começo lembra até um jogo, a cada capítulo é uma &#8220;aventura&#8221; diferente que Anita acaba vivendo. Só que para a metade da narrativa entra todo o conflito da personagem com o Conselho dos Vampiros, e os problemas da relação dela com Jean-Claude (vampiro) e Richard (lobisomem).</p>
<p style="text-align: justify">Se continuasse como começou, eu ainda indicaria para um amigo (da mesma forma que ainda indico <em>The Laughing Corpse</em>, o segundo livro da série, como uma ótima história de zumbis). Mas com todo aquele blablabla de como Jean-Claude e Richard fazem com que ela se sinta, e sem falar a putaria que envolve a relação dela com os lobos&#8230; hum&#8230; melhor não.E a coincidência é que esse é justamente o primeiro livro com Anita e Jean-Claude como casal. Tanto que o anterior, <em>The Killing Dance</em>, é bem bacana, apesar de já apresentar algumas doses de glicose. Trocando em miúdos: funcionava melhor quando ela ainda sentia aversão aos vampiros.</p>
<p style="text-align: justify">Outro problema é que a história acabou apresentando MUITAS personagens, que já vem de conflitos dos livros anteriores. Chegou uma hora que eu me senti como quando na adolescência ao tentar ler os romances russos e me confundia totalmente com quem era quem por causa dos nomes parecidos, hehe. E no meio de tanta personagem, a Hamilton decide deixar de fora justamente a mais legal, o caçador de recompensas Edward, que sempre deu uma mãozinha para Anita na tarefa de executar vampiros.</p>
<p style="text-align: justify">No final das contas morreu um pouco a curiosidade de saber o que vem a seguir na série. A ironia é que agora que desisti (pelo menos por enquanto) dos livros, parans! A Rocco finalmente dá continuidade à publicação das traduções aqui no Brasil, com o lançamento de <a title="o cadáver que ri" href="http://www.rocco.com.br/shopping/ExibirLivro1.asp?Livro_ID=9788532525499" target="_blank">O Cadáver que Ri</a> (sim, <em>The Laughing Corpse</em> que comentei há pouco). Pelo menos os dois primeiros eu recomendo para o pessoal que tem gosto por histórias envolvendo elementos sobrenaturais.</p>
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