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	<title>.:Hellfire Club:. &#187; Literatura</title>
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		<title>The Paris Wife (Paula McLain)</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Nov 2011 20:31:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muito bem posicionado em listas dos mais vendidos lá fora, The Paris Wife de Paula McLain vem com uma proposta bem interessante: narrar a história de Ernest Hemingway e outras figuras da dita “Geração Perdida” que viveu em Paris na década de 20, sob o ponto de vista da primeira esposa do escritor norte americano, Hadley. De [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/the-paris-wife-197x300.jpg" alt="" width="197" height="300" />Muito bem posicionado em listas dos mais vendidos lá fora, <em>The Paris Wife</em> de Paula McLain vem com uma proposta bem interessante: narrar a história de Ernest Hemingway e outras figuras da dita “Geração Perdida” que viveu em Paris na década de 20, sob o ponto de vista da primeira esposa do escritor norte americano, Hadley. De certa maneira, acredito que muito do sucesso do livro tenha acontecido por conta do lançamento do filme de Woody Allen, <em><a title="meia noite em paris" href="http://www.anica.com.br/2011/06/26/meia-noite-em-paris/" target="_blank">Meia Noite em Paris</a></em>, que criou um grande interesse por parte do público sobre os grandes nomes das artes que circulavam por Paris naqueles tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">E digo isso porque o livro por si só não explica o fato de ele estar entre os mais vendidos. É uma ótima ideia, porém muito, muito mal executada. O começo ainda passa alguma impressão de que será uma leitura que valerá a pena – Hadley, a narradora, avisa de antemão que não trata-se de um livro de mistério, construído de modo a descobrir quem será a segunda esposa de Hemingway (Pauline, uma amiga de Hadley que conhece o escritor em Paris). A franqueza da narradora conquista o leitor, o problema é que a atenção logo é perdida com devaneios completamente desnecessários para a narrativa.<span id="more-5645"></span>Se a intenção de McLain era uma abordagem mais psicológica de figuras históricas como o próprio Hemingway, ou ainda os Fitzgerald, Ezra Pound, Gertrud Stein e outros, o problema é que ela é romântica e melosa demais. McLain cria uma Hadley que claramente se vê como uma santa que suporta todas as dificuldades que o casamento com Hemingway lhe impõe, em nome do amor que tem por ele. Inicialmente é até compreensível, mas a verdade é que essa fórmula começa a se repetir de tal maneira que fica simplesmente enfadonho – o que é um absurdo se imaginar que a história se passa na Paris da década de 20.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, o recorte do tempo conta de forma desfavorável para a história de McLain, porque boa parte do tempo da narrativa é o mesmo de <em><a title="Paris é uma festa (Ernest Hemingway)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/08/11/paris-e-uma-festa-ernest-hemingway/" target="_blank">Paris é uma festa</a></em>, de Hemingway. Se o leitor já teve as memórias do escritor em mãos, sabe como ela é deliciosamente escrita, e aí a comparação com os eventos que ambos descrevem é inevitável, e é evidente que McLain sai perdendo nesse placar.</p>
<p style="text-align: justify;">É claro, não é um tempo jogado fora. Há alguns momentos no livro que são realmente interessantes e vale a pena imaginar de fato o ponto de vista de Hadley para determinados acontecimentos, como por exemplo quando ela perde manuscritos de toda a juventude de Hemingway (o evento aparece n’<a title="O livro dos livros perdidos (Stuart Kelly)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/12/o-livro-dos-livros-perdidos-stuart-kelly/" target="_blank">O Livro dos Livros Perdidos</a>) ou o fato de que se não fosse pelo interesse dela em ler <a title="O grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/11/01/o-grande-gatsby-f-scott-fitzgerald-2/" target="_blank">O grande Gatsby</a>, o marido provavelmente jamais o teria lido nem começado uma amizade com Fitzgerald.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer modo, permanece a sensação de uma ideia muito boa, mas que foi mal desenvolvida. O excesso de melodrama torna a leitura cansativa, daquelas que quando você lembra que o livro te espera na cabeceira da cama a sensação da lembrança não é boa, mas ruim, como se fosse uma questão de honra terminá-lo. Se o leitor saiu do cinema após ver <em>Meia Noite em Paris</em> e deseja mais daquela cidade naqueles tempos, continuo achando que a melhor leitura é sem sombra de dúvidas <em>Paris é uma festa</em> do próprio Hemingway.</p>
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		<title>Os gatos (Patricia Highsmith)</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 22:45:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[os gatos]]></category>
		<category><![CDATA[patricia highsmith]]></category>

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		<description><![CDATA[É certo que gatos não são exatamente uma unanimidade. Tem o time dos que dizem preferir cachorros, ou que simplesmente não gostam do estilo extremamente independente do bichano. Eu, gateira que sou, não consigo compreender quem não goste – compreendo sim, quem prefira cachorros, tenho certeza de que se pudesse ter urso panda em casa [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/OS_GATOS_1319817145P-181x300.jpg" alt="" width="181" height="300" />É certo que gatos não são exatamente uma unanimidade. Tem o time dos que dizem preferir cachorros, ou que simplesmente não gostam do estilo extremamente independente do bichano. Eu, gateira que sou, não consigo compreender quem não goste – compreendo sim, quem prefira cachorros, tenho certeza de que se pudesse ter urso panda em casa eles seriam meus animais de estimação favoritos. E se você é alguém que prefere cachorros aos gatos deve, num exercício de empatia, compreender a relação dos que preferem gatos como seus bichanos, não é mesmo?</p>
<p style="text-align: justify;">É essa relação que fica evidente no livro <em>Os gatos</em>, de Patricia Highsmith. Como o título já anuncia, é um livro de uma gateira para gateiros. Somente alguém que aprecia tanto os bichanos poderia publicar uma obra que consiste em três contos, três poemas e um ensaio cujo tema principal (ou, no caso dos contos, personagem principal) são os gatos. O carinho da autora por esses bichos é claro, até porque o que se vê nas páginas do livro são reflexos de quem observa e convive com eles. E é por isso que certamente agradará muito aqueles que também gostam de gatos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5638"></span>Os três contos são bem interessantes e mostram como um elemento comum pode assim mesmo ser base para histórias tão variadas. Na primeira, <em>Presentinho de gato</em>, temos o enredo girando em torno do dito presente que o gato traz: um pedaço de uma mão humana. De quem é a mão? O que aconteceu? São perguntas que surgem ao longo da história. A seguir temos <em>A maior presa de Ming</em>, onde o gato realmente ocupa o papel central da história e que mostra a desconfiança que gatos tem de certas pessoas. Finalmente temos <em>A casa de passarinhos vazia</em>, o gato funciona como um ponto-chave na crise de um casal.</p>
<p style="text-align: justify;">São, como já dito, histórias escritas por quem convive com gatos, com quem conhece suas manias e modo de agir. É dessa observação que surgem também os três poemas, <em>O filhote</em>, <em>O gato</em> e <em>O gato velho</em>. São composições bem simples, e de certa forma até ingênuas, mas que apresentam um bom ritmo. Os poemas na edição da L&amp;PM vem com a versão em português e inglês, o que é bem interessante já que dá para conferir a musicalidade do original.</p>
<p style="text-align: justify;">Fechando a coletânea há o ensaio <em>Sobre gatos e estilo de vida</em>, que mostram exatamente aquilo que o leitor já suspeitava sobre a escritora – que realmente gosta de gatos, convive com esses e vê em suas características algo extremamente positivo para o convívio. Tenho certeza que os gateiros adorarão o ensaio, justamente por se reconhecer e reconhecer seus bichanos nele (como no momento em que ela fala sobre os gatos procurarem o colo justamente dos amigos alérgicos ou que detestam gatos). É bem pessoal e por isso mesmo muito cativante.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, é definitivamente um livro para gateiros, agrada pelo reconhecimento, pela fácil identificação. Mas para os que não gostam de gatos, talvez seja uma oportunidade de observar esse universo sem o preconceito típico que envolvem os animais (como aquela bobagem de que gatos gostam da casa e não do dono, ou que gatos não criam vínculos com seus donos). Para fechar, um video feito pela L&amp;PM para um dos poemas do livro:</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1lCHlb4_Eo0?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/1lCHlb4_Eo0?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>As Esganadas (Jô Soares)</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Nov 2011 23:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[as esganadas]]></category>
		<category><![CDATA[jô soares]]></category>
		<category><![CDATA[o xango de baker street]]></category>

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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/11/13252_gg-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Você já deve ter passado por isso em algum momento: depois de anos reencontra um amigo, no começo fica achando que não terão muito assunto porque afinal, faz tempo que vocês não se veem. Mas mal começam a conversar e a sensação que tem é que não passaram mais do que um dia sem se encontrar, tamanha a familiaridade entre vocês. Digo isso porque foi mais ou menos o que senti ao ter em mãos <em>As Esganadas</em>, novo romance de Jô Soares.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem mais de 15 anos da última vez que li algo do Jô, no caso foi <em>O Xangô de Baker Street</em>, que trazia Sherlock Holmes para o Brasil em uma história muito divertida. No caso de <em>As Esganadas</em>, não foi preciso ler muitas páginas para ter aquela (boa) sensação de reencontro, o Jô Soares que eu tinha conhecido tanto tempo antes estava ali novamente, em uma fórmula até bem semelhante ao do primeiro romance dele, com um crime e bastante humor, usando como recorte algum período histórico e algumas personagens emprestadas da ficção e da própria História.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5636"></span>O romance se passa no fim da década de 30, começo do <a title="estado novo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Brasil)" target="_blank">Estado Novo</a> aqui no Brasil. É quando algumas mulheres gordas começam a ser assassinadas, tendo em comum apenas o sobrepeso. Poucas pistas para o delegado Noronha, que acaba ganhando a ajuda de um ex-policial lusitano, Tobias Esteves. Para se ter noção de como Jô Soares brinca com o real e o fictício, esse Esteves é o mesmo “Esteves sem metafísica” que aparece nos versos de<a title="a tabacaria" href="http://www.insite.com.br/art/pessoa/ficcoes/acampos/456.php" target="_blank">A Tabacaria</a> de Fernando Pessoa (ou melhor, de seu heterônimo, Álvaro de Campos).</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o crime, o leitor sabe desde o princípio quem o comete, então não é uma daquelas histórias no estilo<a title="whodunit" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Quem_matou%3F" target="_blank">whodunit</a>, em que o leitor acompanha o detetive para juntos descobrirem a solução do mistério. Nesse caso, o leitor acompanha Noronha, Esteves, Calixto e a jornalista Diana para saber como é que eles chegarão ao assassino – o que acaba emprestando um pouco de ação para a narrativa, especialmente quando eles chegam perto do antagonista sem ainda saber que é ele que procuram.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer modo, o tom principal do romance é o humor, seja nas piadas marcando as diferenças na fala do brasileiro e do português, seja pela ironia afiada de Jô Soares para descrever certas passagens da história. É de um humor tão gostoso que o livro acaba fluindo muito bem, sem que você sequer perceba que está virando página após página e quase chegando ao fim. A melhor palavra para defini-lo seria divertidíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">E claro, há além de tudo isso o pano de fundo histórico, envolvendo Getúlio Vargas e outros acontecimentos daquele fim da década de 30. Talvez o melhor evento usado por Jô Soares na trama é um jogo do Brasil na Copa do Mundo, cuja narração vai sendo alternada pela ação do assassino, chegando cada vez mais perto de uma nova vítima. O efeito desse trecho em questão é sensacional, certamente um dos pontos altos da leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho certeza que para quem está conhecendo a obra de Jô Soares através de <em>As Esganadas</em> terá algumas horas de diversão garantida. É um livro leve e delicioso (por favor, nenhuma intenção de trocadilho!), ótimo para passar o tempo. E já deixo a sugestão caso ainda não conheça, O Xangô de Baker Street segue essa mesma linha e também vale a pena conferir.</p>
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		<title>O Cemitério de Praga (Umberto Eco)</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Nov 2011 19:42:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[o cemitério de praga]]></category>
		<category><![CDATA[umberto eco]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Protocolos dos Sábios de Sião são tidos hoje em dia como uma fraude, esteve presente em alguns pontos importantes da história desde que surgiu. Foi utilizado pela polícia secreta do Czar Nicolau II (como modo de reforçar a posição desse) e anos depois por Adolf Hitler, para justificar a perseguição aos judeus. O texto é [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><em><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/O-Cemit%C3%A9rio-de-Praga-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Os Protocolos dos Sábios de Sião</em> são tidos hoje em dia como uma fraude, esteve presente em alguns pontos importantes da história desde que surgiu. Foi utilizado pela polícia secreta do Czar Nicolau II (como modo de reforçar a posição desse) e anos depois por Adolf Hitler, para justificar a perseguição aos judeus. O texto é uma espécie de ata de uma assembléia na qual judeus e maçons se encontram para planejar a dominação mundial, através do acúmulo de riquezas, entre outras metas. A questão é que a autoria dos Protocolos é bastante nebulosa: não se sabe ao certo quem escreveu, até porque para alguns parte do documento é cópia de outros escritos, sendo adicionado ao texto o elemento antissemita.</p>
<p style="text-align: justify;">O que Umberto Eco faz com seu <em>O Cemitério de Praga</em> (lançado no Brasil pela Editora Record) é criar um romance usando como premissa justamente esse caráter misterioso e tom de teoria de conspiração que envolve <em>Os Protocolos dos Sábios de Sião. </em>É por si só um prato cheio para uma excelente trama, que não deve nada para aqueles que gostam de histórias que envolvam complôs, espionagens e outros elementos de narrativas similares.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5628"></span>O charme de <em>O Cemitério de Praga</em> é que as personagens de Umberto Eco realmente existiram. Tirando o narrador, toda a galeria de figuras que vão desde “Fröide” (sim, Freud) até o escritor Alexandre Dumas. São tantas personagens e tantos fatos históricos abordados nas páginas do diário de Simone Simonini que para o mais leigo sobre esse período é inevitável diversas pesquisas sobre essas figuras e momentos. Mas não pense que isso é um enfado: Eco as retrata de tal maneira que é realmente a curiosidade que leva o leitor a querer saber mais sobre isso.</p>
<p style="text-align: justify;">A narrativa apresenta três pontos de vista diferentes, e nisso dá para dizer que um outro mistério se constrói além do que envolve Os Protocolos. Temos um narrador (texto em negrito), e além disso temos o diário de Simonini, que de quando em quando é “invadido” por um certo Dalla Picolla – parte da trama gira em torno de quem afinal de contas é Dalla Picolla, e como ele sabe dos segredos mais obscuros de Simonini (embora a realidade é que essa questão tem uma resposta bastante óbvia para quem está atento desde o início).</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fator positivo de <em>O Cemitério de Praga</em> são as descrições que Eco faz, tanto do espaço quanto – surpresa! – de comidas. Nos dois casos é quase possível se transportar para dentro da história (a abertura na qual o narrador descreve o lugar onde vive Simonini, por exemplo, é espetacular). Mas quanto à comida é um elemento importante porque faz parte de uma característica marcante de Simonini, um apaixonado pela boa mesa. A descrição dos pratos que devora mostra exatamente isso, o gosto que ele tem por comida, o prazer que tira disso. É um traço marcante de uma personagem que carrega consigo como outra característica um azedume que em alguns momentos beira ao cômico.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez algo que se perca no fluxo da narrativa e que merece nota é a história de ódio que o livro carrega. O desprezo de Simonini por judeus, maçons e o que mais lhe surge na frente é, por si só, uma ótima alegoria para a estupidez do ódio que se nutre pelo desconhecido. Como esse ódio é em muito criado pela ignorância e, principalmente, como é perigoso. Acredito sim que <em>O Cemitério de Praga</em> funciona não só como um romance com uma trama eletrizante, mas também como um alerta, porque muito do comportamento de Simonini se repete nos dias de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, <em>O Cemitério de Praga</em> não é exatamente um livro fácil, até porque a pluralidade de vozes, personagens e eventos acaba exigindo bastante do leitor. Mas é um desafio que é vencido de forma prazerosa, até porque Eco sustenta muito bem a narrativa, envolvendo o leitor no mistério e nos desdobramentos das ações de Simonini.</p>
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		<title>O vendedor de armas (Hugh Laurie)</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Oct 2011 11:02:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[hugh laurie]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Thomas Lang (protagonista e narrador do primeiro romance do britânico Hugh Laurie) entrega logo de cara o que O vendedor de armas tem a oferecer: um punhado de ação, recheado de comentários ácidos sobre as pessoas e sobre si mesmo. Contratado para assassinar um homem, ele recusa a proposta e segue avisar essa pessoa que sua cabeça [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/04/o-vendedor-209x300.jpg" alt="" width="209" height="300" />Thomas Lang (protagonista e narrador do primeiro romance do britânico Hugh Laurie) entrega logo de cara o que <em>O vendedor de armas</em> tem a oferecer: um punhado de ação, recheado de comentários ácidos sobre as pessoas e sobre si mesmo. Contratado para assassinar um homem, ele recusa a proposta e segue avisar essa pessoa que sua cabeça está a prêmio: é aí que começa a se envolver em um caso que tem até a CIA e o Ministério da Defesa britânico, para se ter uma ideia. O livro parece prometer muito, mas logo nos primeiros capítulos já começa a decepcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">O maior problema talvez seja abuso do uso do recurso de reviravolta. São tantas aos longos das páginas que chega uma hora que você até se perde – não consegue confiar em nada nem ninguém e meio que continua lendo só para saber no que vai dar. Até porque o excesso de reviravolta acaba já preparando o leitor, que lá pela metade do livro já sabe que “lá vem mais uma” – mas ao contrário dos bons livros que dão vontade de continuar lendo, até pela curiosidade, as ditas “reviravoltas” são tão simplórias que não atraem.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5623"></span>Além disso, um número sem fim de descrições de chutes e pontapés que não fazem meu gosto nem mesmo no cinema, que dirá em literatura. Acredito ser possível desenvolver ação sem que necessariamente o autor precise descrever cada soco desferido e a reação ao golpe. Nesse caso, o que era para ser um momento de tensão acaba virando só um momento de tédio, daqueles que dá vontade de pular logo o parágrafo para seguir em frente.</p>
<p style="text-align: justify;">O enredo em si também é um tanto tolo, para não dizer ingênuo. Falta nele alguma massa, algo que dê mais força para as personagens e o que elas fazem ao longo da narrativa. Encantar-se pela filha de Woolf, por exemplo, me pareceu um clichê tão absurdo que pensei até que era uma tentativa de Laurie de fazer humor com aquilo. Somando a isso o que já comentei sobre as reviravoltas, enquanto lia o livro pensei muito em um trecho de <em>Frenesi Polissilábico</em> de Nick Hornby, onde ele diz:</p>
<blockquote><p>“…I just sort of lost my grip on the book. Also, someone gets shot dead at the end, and I wasn’t altogether sure why. That’s a sure sign that you haven’t been paying the right kind of attention. It should always be clear why someone gets shot. If I ever shoot you, I promise you there will be a really good explanation, one you will grasp immediately, should you live.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Enfim, vira uma bagunça só. Para não dizer que é uma perda de tempo total, é fato que o humor da personagem-narrador é realmente muito bom, e as passagens em que ele se sobressaía acabavam dando um pouco de força para continuar a leitura, que pensei em abandonar diversas vezes. No final das contas ainda acho que gosto de Hugh Laurie muito mais como ator. O autor precisa melhorar um tanto ainda.</p>
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		<title>Mozipedia: The encyclopedia of Morrissey and The Smiths (Simon Goddard)</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Oct 2011 20:35:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Para quem viveu os anos 80 ou mesmo para quem gosta da cultura daquela década, é impossível falar de música sem citar a banda The Smiths. Formada em 1982 e liderada por Steven Patrick Morrissey (mais conhecido pelo sobrenome, Morrissey), o grupo apresentava muitos dos elementos principais das músicas mais populares daquela época, com letras bastante [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/mozi-232x300.jpg" alt="" width="232" height="300" />Para quem viveu os anos 80 ou mesmo para quem gosta da cultura daquela década, é impossível falar de música sem citar a banda <em>The Smiths</em>. Formada em 1982 e liderada por Steven Patrick Morrissey (mais conhecido pelo sobrenome, Morrissey), o grupo apresentava muitos dos elementos principais das músicas mais populares daquela época, com letras bastante melancólicas falando sobre solidão e inadequação. Mesmo quem não consegue relacionar o nome à música, provavelmente já ouviu em algum momento hits como <em>Heavens Knows I’m Miserable Now</em>,<em> How Soon Is Now?</em>, <em>Bigmouth Strikes Again</em>, <em>Panic</em> e<em>Ask</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas como é bastante comum na história de muitas bandas de rock, um desentendimento entre Morrissey e o guitarrista Johnny Marr acabou levando ao fim da banda cinco anos após sua formação original. A partir daí Morrissey seguiu uma (muito bem) sucedida carreira solo, com músicas ainda bastante similares ao estilo dos Smiths e outros grandes hits, como <em>Everyday is Like Sunday</em> e <em>Suedehead – </em>carreira essa que continua até os dias de hoje, sendo que o último álbum do músico (<em>Years of Refusal</em>) saiu em 2009.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5616"></span>Com tanto tempo de estrada e com tantas canções que parecem refletir exatamente o que sentimos em momentos mais tristes, Morrissey ganhou uma legião de fãs que viam nele alguém que conseguia transformar melancolia em música. Por isso, não é de surpreender um livro como a <em>Mozipedia: The encyclopedia of Morrissey and The Smiths</em>, escrita por Simon Goddard, jornalista que cobre a área de Música e é bastante conhecido por seus artigos sobre os Smiths.</p>
<p style="text-align: justify;">A enciclopédia é um trabalho para aquecer o coração de qualquer apaixonado pela banda de Manchester. Seguindo um formato de verbetes, traz a história da banda desde sua formação, além da fase de carreira solo de Moz. Entre alguns verbetes, há curiosidades sobre os músicos (evidentemente, como já indica o título, o foco é Morrissey), além de inúmeras referências culturais que aparecem nas composições (Charles Dickens e Oscar Wilde, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas sem sombra de dúvida os melhores verbetes são os que falam das canções. Uma vez que muito da força dos Smiths (e da carreira solo de Morrissey) estava nas letras, é muito interessante ficar sabendo de onde alguns versos surgiram, ou o que o compositor queria dizer com outros (<em>Alma Matters</em> foi uma surpresa para mim, imaginava algo completamente diferente). É realmente uma viagem ao coração da história da banda, e mais ainda, para a cultura musical britânica na década de 80 (de quando ainda se tentava conseguir contratos com gravadoras através de fitas demo, e não de videos no YouTube ou músicas no MySpace, por exemplo).</p>
<p style="text-align: justify;">Com capa dura e algumas imagens em papel especial (e coloridas), a <em>Mozipedia</em> é uma espécie de biografia picotada, e deliciosa de ler. Mesmo que você tente assumir o compromisso de ir aos poucos, quando vê as mais de 500 páginas do livro já acabaram. Indispensável para fãs e bastante recomendado para quem quer um guia para começar com os Smiths, é realmente uma pena que ainda não tenha tradução aqui no Brasil.</p>
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		<title>Morango Sardento e o valentão da escola (Julianne Moore)</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Oct 2011 12:57:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[julianne moore]]></category>
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		<description><![CDATA[Você provavelmente já viu Julianne Moore em algum filme. A atriz atuou em produções famosas como Minhas Mães e Meus Pais, Ensaio sobre a cegueira, As Horas, Magnólia e O grande Lebowski, um currículo certamente invejável. O que pouca gente sabe é que Moore também já se aventurou pelo mundo das letras, escrevendo para crianças a série de livros com a [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/22931445-232x300.jpg" alt="" width="232" height="300" />Você provavelmente já viu Julianne Moore em algum filme. A atriz atuou em produções famosas como <a title="minhas mães e meus pais" href="http://www.imdb.com/title/tt0842926/" target="_blank">Minhas Mães e Meus Pais</a>, <a title="ensaio" href="http://www.imdb.com/title/tt0861689/" target="_blank">Ensaio sobre a cegueira</a>, <a title="as horas" href="http://www.imdb.com/title/tt0274558/" target="_blank">As Horas</a>, <a title="Magnólia" href="http://www.imdb.com/title/tt0175880/" target="_blank">Magnólia</a> e <a title="o grande lebowski" href="http://www.imdb.com/title/tt0118715/" target="_blank">O grande Lebowski</a>, um currículo certamente invejável. O que pouca gente sabe é que Moore também já se aventurou pelo mundo das letras, escrevendo para crianças a série de livros com a personagem Morango Sardento (<em>Freckleface Strawberry</em>no original), que começou a ser publicada aqui no Brasil no ano passado, pela Cosac Naify com o primeiro título, <a title="morango sardento" href="http://editora.cosacnaify.com.br/ObraSinopse/11378/Morango-Sardento.aspx" target="_blank">Morango Sardento</a> (com tradução de outra atriz, Fernanda Torres, e texto da quarta capa escrito por uma conhecida sardentinha brasileira, Debora Bloch).</p>
<p style="text-align: justify;">Agora chega por aqui o segundo livro da série, também pela Cosac Naify: <em>Morango Sardento e o valentão da escola</em>, agora com tradução de Denise Fraga e texto da quarta capa por Mario Bortolotto. Continuando a parceria com a artista vietnamita LeUyen Pham, o livro traz uma história sensível e alegre sobre um tema que costuma ser bastante difícil, o <em>bullying</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5614"></span>No livro Morango Sardento vai ao Passatempo, um lugar onde as crianças que chegam mais cedo na escola ficam até o horário de entrar. O lugar parece ser muito divertido, exceto em dias de chuva como o da história. Aí não tem nenhuma opção a não ser jogar queimada (eu cresci conhecendo o jogo como “caçador”), o que também poderia ser divertido não fosse o valentão Pedro Bomba, que machuca e assusta todas as crianças que jogam com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Não há outro termo para descrever que não seja “fofo” quando vemos a solução de Morango Sardento para enfrentar o medo de jogar com Pedro Bomba: ela faz de conta que é um monstro, e fica atrás dos outros colegas. As expressões da personagem, através da arte LeUyen Pham são realmente encantadoras. Moore sugere que os valentões só tem fama, e que podem ser inclusive bons amigos – uma mensagem interessante a se passar quando o assunto é <em>bullying, </em>tema do qual ela provavelmente entende já que sofreu um pouco disso quando criança, uma época em que os colegas faziam piadas sobre seu cabelo vermelho e sardas (como ela conta <a title="morango sardento" href="http://www.youtube.com/watch?v=mte0yKUfL78&amp;feature=player_embedded" target="_blank">em entrevista sobre a personagem</a>, que obviamente é inspirada em momentos da vida pessoal da autora).</p>
<p style="text-align: justify;">Embora soe a uma solução um tanto ingênua para o problema, Moore tem uma visão interessante sobre isso: <a title="estado de são paulo" href="http://editora.cosacnaify.com.br/Upload/SaiuImprensa/5/6/6/18102010174439_EstadoS%C3%A3oPaulo-10-10-2010-PagD7.jpg" target="_blank">em entrevista ao Estado de São Paulo</a>, conta que “as crianças que agridem foram também maltratadas ou tem medo mortal de alguma coisa”, e é a partir disso que vem a solução para o problema de Morango Sardento sobre o jogo de queimada contra Pedro Bomba – e quem jogou queimada/caçador na infância sabe que sempre havia um fortão que judiava das outras crianças, por isso a identificação com a personagem deve ser imediata.</p>
<p style="text-align: justify;">Combinando muito bem o texto com a arte, mantendo um tom leve e até mesmo engraçado, <em>Morango Sardento e o valentão</em> da escola é um bom livro, e mostra de forma positiva uma outra faceta da atriz Julianne Moore que até então eu desconhecia: além de encarnar personagens, ela também sabe muito bem escrever histórias sobre eles. Em tempo: <strong><a title="denise fraga" href="http://www.youtube.com/watch?v=_GICCo-DmMs" target="_blank">aqui</a></strong> tem um video bem legal de Denise Fraga falando sobre como foi traduzir o livro.</p>
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		<title>A Gangue do Pensamento (Tibor Fischer)</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Oct 2011 00:15:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[a gangue do pensamento]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
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		<description><![CDATA[Pense em um livro que em dado momento tem o seguinte parágrafo: “Há um momento na vida em que se precisa sair de um carro que contém um criminoso imperdível, e, trajando um uniforme zunindo de ridículo, entrar à força num empório de azeitonas, numa tentativa de resgatar um assaltante à mão armada maneta, e [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/1ff41e3d-536c-4b80-8092-e5c22c817ff2-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" />Pense em um livro que em dado momento tem o seguinte parágrafo:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>“Há um momento na vida em que se precisa sair de um carro que contém um criminoso imperdível, e, trajando um uniforme zunindo de ridículo, entrar à força num empório de azeitonas, numa tentativa de resgatar um assaltante à mão armada maneta, e tombar morto a tiros.”</em></p>
<p style="text-align: justify;">A citação acima é do livro <em>A Gangue do Pensamento</em>, do escritor britânico Tibor Fischer, e representa muito bem o que o leitor terá em mãos ao começar a ler o romance. Não é um livro comum em diversos sentidos. Mas a insanidade da trama é certamente para poucos até porque Fischer não é sutil: quem pensa que o trecho citado é um momento máximo da loucura da história, é bom já saber que desde o começo é assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5606"></span>Pessoalmente não vejo isso como um ponto negativo, pelo contrário, me diverte e prende muito a atenção. É um pouco mais exagerado do que na coletânea de contos <a title="Adoro Morrer (Tibor Fischer)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/22/adoro-morrer-tibor-fischer/" target="_blank">Adoro Morrer</a>, mas tal como nesse livro também lembra muito aos filmes de Guy Ritchie (como Snatch ou Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes). O que é bom na prosa de Fischer é que mesmo em um universo completamente caótico, com uma narrativa em que o tempo parece uma colcha de retalhos com um punhado de flashbacks mesclados ao tempo presente da história, ainda assim ele consegue trazer tanto, mas tanto para se pensar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Gangue do Pensamento</em> começa com Eddie Caixão, um professor de filosofia que acaba acordando um dia em uma situação para lá de inusitada (deixo para você a surpresa de descobri-la ao ler) e acaba sendo preso pela polícia. Depois, ele foge para a França, onde começa uma série de assaltos a banco com Hubert, sujeito que tentara o assaltar e descobriu que bem, Eddie era um sujeito sem um tostão furado. Os assaltos acabam virando uma gigantesca bola de neve, criando inclusive o nome da dupla que é o título do livro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se você acha que um enredo assim já vale por si só a leitura do livro, saiba que Fischer tem muito mais na manga. A narrativa em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Eddie Caixão é simplesmente genial. A mania do filósofo em ir separando tudo o que está dizendo em a) listas e b) divididas exatamente assim é muito engraçada. O texto por um lado é pesado porque é realmente difícil acompanhar o fôlego da história, por outro é leve justamente por causa da acidez com a qual Caixão vê a si mesmo e a todos, somado ao tom de conversa informal que o narrador apresenta.</p>
<p style="text-align: justify;">É, de fato, um livro de humor extremamente corrosivo. Entre um assalto e outro os mais diversos assuntos são levantados, e quando digo diversos é porque realmente são muitos. Caixão resgata relacionamentos do passado, fala de dinheiro, da vida profissional, da juventude, de tudo. E é aí que Fischer te conquista para sempre, aquelas frases espirituosas que você adoraria ter pensado ou escrito, que dão vontade de ir grifando o livro inteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Acredite, <em>A Gangue do Pensamento</em> não é exatamente um livro fácil (não querendo estragar surpresas, só digo uma coisa: que conclusão foi aquela?!!), mas chegando ao final da leitura você percebe que valeu muito a pena. Seja pela diversão, seja pelo tanto que deu para pensar. E claro, bate aquela boa e velha vontade de ir atrás de outros títulos do autor.</p>
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		<title>O anel mágico da minha tia Tarsila (Tarsila do Amaral)</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 21:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[o anel mágico da minha tia tarsila]]></category>
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		<description><![CDATA[A pintora Tarsila do Amaral é bastante conhecida em aulas que falam do movimento modernista no Brasil – é uma obra dela, Abaporu, presente da artista para o escritor Oswald de Andrade, que inaugura o  movimento antropofágico. Foi uma mulher que conquistou seu espaço na história das artes plásticas brasileiras, tendo seus quadros mais famosos reconhecidos até [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/40662_gg-229x300.jpg" alt="" width="229" height="300" />A pintora Tarsila do Amaral é bastante conhecida em aulas que falam do movimento modernista no Brasil – é uma obra dela, <em><a title="abaporu" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/ABAPORU50.jpg" target="_blank">Abaporu</a></em>, presente da artista para o escritor Oswald de Andrade, que inaugura o  <a title="Movimento antropofágico" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_antropof%C3%A1gico">movimento antropofágico</a>. Foi uma mulher que conquistou seu espaço na história das artes plásticas brasileiras, tendo seus quadros mais famosos reconhecidos até por aqueles que não são estudiosos de arte. Além de<em>Abaporu</em>, <em><a title="antropofagia" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/ANTROPOFAGIA50.jpg" target="_blank">Antropofagia</a></em> e <em><a title="a negra" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/NEGRA50.JPG" target="_blank">A Negra</a></em>, por exemplo, revelam muito do seu estilo e são bastante famosos não apenas no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a artista faleceu, sua sobrinha tinha apenas oito anos. A menina recebera o mesmo nome da tia, Tarsila do Amaral, e é ela que escreveu o livro infantil <em>O anel mágico da minha tia Tarsila</em>, que traz consigo a óbvia (e ótima) proposta de apresentar para uma geração de crianças brasileiras as obras mais importantes dessa pessoa que ela tanto admirava. O resultado é um excelente livro que mescla uma história fantástica (que certamente atrairá a atenção das crianças) com obras de Tarsila (a tia) e outras ilustrações.<span id="more-5603"></span>No início da história ficamos sabendo que Tarsila em seu leito de morte pede para que a enfermeira entregue para a sobrinha um anel de brilhantes, anel que usara por quase toda a vida. Na primeira noite após ganhar o presente, a menina descobre que esse anel é mágico, possibilitando que ela volte no tempo e veja a vida da tia desde criança, até os momentos de suas criações mais famosas.</p>
<p style="text-align: justify;">O carinho da sobrinha pela tia é evidente, e ela apresenta essa biografia de forma doce, talvez até por narrar sob o ponto de vista de uma garotinha de oito anos. Vários pontos da vida da artista são abordados, como a infância (que apresenta a teoria que muitas de suas obras do movimento modernista foram inspiradas por histórias que a babá contava), o primeiro casamento, o envolvimento com o movimento modernista, etc. É uma forma excelente de conhecer a mulher por trás de quadros que representam tão bem a cultura brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, um momento muito bom do livro é quando a garotinha faz amizade com a Cuca (do quadro <a title="a cuca" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/CUCA50.JPG" target="_blank">A Cuca</a>) e começa a passear pelos quadros da tia. Assim o livro <em>O anel mágico da minha tia Tarsila</em> não traz só uma biografia, mas também as obras da artista (e um pouco da história dessas obras). O fato de o nome das obras fazerem parte do texto mas aparecerem em caixa alta é também bastante interessante, como acontece com <a title="religião" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/RELIGIAO50.jpg" target="_blank">Religião Brasileira</a>, <a title="a lua" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/Lua50.jpg" target="_blank">A Lua</a>e <a title="carnaval" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/CARNAVAL50.jpg" target="_blank">Carnaval em Madureira</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma obra que provavelmente interessará não só seu público alvo (crianças de mais de oito anos, acredito, até pela empatia com a narradora), mas também os mais velhos (pela quantidade de informações que traz sobre Tarsila) e os mais novos (porque as ilustrações são MUITO coloridas, vivas e chamam a atenção até de bebês de um ano de idade, esse último fato <a title="arthur agarantche" href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=QGnJB98wxnw" target="_blank">comprovado pelo Arthur</a>). Uma proposta muito bacana, que deveria inclusive ser desenvolvida para apresentar outros artistas nacionais.</p>
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		<title>The Discreet Pleasures of Rejection (Martin Page)</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Oct 2011 22:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[martin page]]></category>
		<category><![CDATA[the discreet pleasures of rejection]]></category>

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		<description><![CDATA[Virgil um dia chega em casa (a saber, um apartamento em uma região de prostituição de Paris) e percebe que a secretária eletrônica está piscando. Vai ouvir a mensagem, na qual uma moça chamada Clara diz de forma bastante precisa que não pode mais continuar o relacionamento com Virgil, e que está tudo acabado entre [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/discreet-210x300.jpg" alt="" width="210" height="300" />Virgil um dia chega em casa (a saber, um apartamento em uma região de prostituição de Paris) e percebe que a secretária eletrônica está piscando. Vai ouvir a mensagem, na qual uma moça chamada Clara diz de forma bastante precisa que não pode mais continuar o relacionamento com Virgil, e que está tudo acabado entre os dois. O detalhe: Virgil não conhece, ou pelo menos não lembra de nenhuma Clara, que dirá de ter em algum momento namorado a menina.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é o ponto de partida do romance <em>The Discreet Pleasures of Rejection</em>, de Martin Page, que chegou aqui no Brasil pela Rocco como <em>Talvez uma história de amor</em>. Assim como em sua obra mais famosa, <em><a title="Como me tornei estúpido (Martin Page)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/10/09/como-me-tornei-estupido-martin-page/" target="_blank">Como me tornei estúpido</a></em>, Page parte de uma premissa amalucada para mergulhar fundo nos pensamentos de sua personagem principal, e explorá-los de tal forma que por mais doido e cheio de manias que seu protagonista possa parecer, ainda assim ele lembra muito do próprio leitor, ou de pessoas conhecidas do leitor.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5601"></span>É evidente que muito do que chama atenção na narrativa é justamente quem é Clara, se é um mal entendido, se é só concidência ou se Virgil está mesmo ficando patologicamente esquecido. Mas isso não é o principal. O telefonema de Clara funciona como o gatilho para que Virgil passe a questionar seus antigos relacionamentos, mais precisamente o modo como convive com outras pessoas, buscando entender por qual motivo no final ele sempre é abandonado. Há um certo tom de Nick Hornby e seu Rob Fleming de <em>Alta Fidelidade</em>, com os amores funcionando como pano de fundo para falar de como a pessoa na realidade se relaciona com o mundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>The Discreet Pleasures of Rejection</em> é também uma história de amor por Paris. Para quem já conhece a cidade francesa, ler os caminhos que Virgil faz por lugares conhecidos (incluindo até os mercadinhos <a title="monoprix" href="http://www.monoprix.fr/" target="_blank">Monoprix</a>) é quase que uma forma de viajar novamente para aquele lugar. Lembro de poucos escritores descrevendo tão bem um espaço, sem que a inclusão dessa descrição seja enfadonha ou soe desnecessária. As andanças de Virgil parecem complementar o texto, dar mais cores para ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O maior problema desse romance é provavelmente o fator cobrança. Eu, por exemplo, fiquei tão encantada com<em>Como me tornei estúpido</em> que senti uma necessidade imediata de ler mais do Page. Não é que <em>The Discreet Pleasures of Rejection</em> seja pior que <em>Como me tornei estúpido</em>, aliás, ele tem em Virgil um protagonista tão cativante quanto Antoine. O problema é que obviamente os livros não são iguais, então demora um pouco até o leitor se acostumar com o fato de que a acidez em um livro é bem mais diluída no outro.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, foi uma ótima experiência, e vou continuar procurando mais títulos de Page. O próximo provavelmente será <em>A gente se acostuma com o fim do mundo</em>, mas agora vou dar um tempo para justamente evitar essa primeira sensação estranha que tive ao começar a ler um outro título do autor. Para quem gosta de reflexões sobre pessoas mesclados com um ótimo senso de humor (com algumas pitadas de nonsense), fica a sugestão, pode ir atrás de <em>The Discreet Pleasures of Rejection</em> sem medo.</p>
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