<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>.:Hellfire Club:. &#187; literatura brasileira</title>
	<atom:link href="http://www.anica.com.br/tag/literatura-brasileira/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.anica.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Feb 2012 10:29:08 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>O anel mágico da minha tia Tarsila (Tarsila do Amaral)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/10/16/o-anel-magico-da-minha-tia-tarsila-tarsila-do-amaral/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-anel-magico-da-minha-tia-tarsila-tarsila-do-amaral</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/10/16/o-anel-magico-da-minha-tia-tarsila-tarsila-do-amaral/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 21:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[literatura infantil]]></category>
		<category><![CDATA[o anel mágico da minha tia tarsila]]></category>
		<category><![CDATA[tarsila do amaral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5603</guid>
		<description><![CDATA[A pintora Tarsila do Amaral é bastante conhecida em aulas que falam do movimento modernista no Brasil – é uma obra dela, Abaporu, presente da artista para o escritor Oswald de Andrade, que inaugura o  movimento antropofágico. Foi uma mulher que conquistou seu espaço na história das artes plásticas brasileiras, tendo seus quadros mais famosos reconhecidos até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/10/40662_gg-229x300.jpg" alt="" width="229" height="300" />A pintora Tarsila do Amaral é bastante conhecida em aulas que falam do movimento modernista no Brasil – é uma obra dela, <em><a title="abaporu" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/ABAPORU50.jpg" target="_blank">Abaporu</a></em>, presente da artista para o escritor Oswald de Andrade, que inaugura o  <a title="Movimento antropofágico" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_antropof%C3%A1gico">movimento antropofágico</a>. Foi uma mulher que conquistou seu espaço na história das artes plásticas brasileiras, tendo seus quadros mais famosos reconhecidos até por aqueles que não são estudiosos de arte. Além de<em>Abaporu</em>, <em><a title="antropofagia" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/ANTROPOFAGIA50.jpg" target="_blank">Antropofagia</a></em> e <em><a title="a negra" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/NEGRA50.JPG" target="_blank">A Negra</a></em>, por exemplo, revelam muito do seu estilo e são bastante famosos não apenas no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a artista faleceu, sua sobrinha tinha apenas oito anos. A menina recebera o mesmo nome da tia, Tarsila do Amaral, e é ela que escreveu o livro infantil <em>O anel mágico da minha tia Tarsila</em>, que traz consigo a óbvia (e ótima) proposta de apresentar para uma geração de crianças brasileiras as obras mais importantes dessa pessoa que ela tanto admirava. O resultado é um excelente livro que mescla uma história fantástica (que certamente atrairá a atenção das crianças) com obras de Tarsila (a tia) e outras ilustrações.<span id="more-5603"></span>No início da história ficamos sabendo que Tarsila em seu leito de morte pede para que a enfermeira entregue para a sobrinha um anel de brilhantes, anel que usara por quase toda a vida. Na primeira noite após ganhar o presente, a menina descobre que esse anel é mágico, possibilitando que ela volte no tempo e veja a vida da tia desde criança, até os momentos de suas criações mais famosas.</p>
<p style="text-align: justify;">O carinho da sobrinha pela tia é evidente, e ela apresenta essa biografia de forma doce, talvez até por narrar sob o ponto de vista de uma garotinha de oito anos. Vários pontos da vida da artista são abordados, como a infância (que apresenta a teoria que muitas de suas obras do movimento modernista foram inspiradas por histórias que a babá contava), o primeiro casamento, o envolvimento com o movimento modernista, etc. É uma forma excelente de conhecer a mulher por trás de quadros que representam tão bem a cultura brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, um momento muito bom do livro é quando a garotinha faz amizade com a Cuca (do quadro <a title="a cuca" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/CUCA50.JPG" target="_blank">A Cuca</a>) e começa a passear pelos quadros da tia. Assim o livro <em>O anel mágico da minha tia Tarsila</em> não traz só uma biografia, mas também as obras da artista (e um pouco da história dessas obras). O fato de o nome das obras fazerem parte do texto mas aparecerem em caixa alta é também bastante interessante, como acontece com <a title="religião" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/RELIGIAO50.jpg" target="_blank">Religião Brasileira</a>, <a title="a lua" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/Lua50.jpg" target="_blank">A Lua</a>e <a title="carnaval" href="http://www.tarsiladoamaral.com.br/versao_antiga/images/JPG/CARNAVAL50.jpg" target="_blank">Carnaval em Madureira</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma obra que provavelmente interessará não só seu público alvo (crianças de mais de oito anos, acredito, até pela empatia com a narradora), mas também os mais velhos (pela quantidade de informações que traz sobre Tarsila) e os mais novos (porque as ilustrações são MUITO coloridas, vivas e chamam a atenção até de bebês de um ano de idade, esse último fato <a title="arthur agarantche" href="http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&amp;v=QGnJB98wxnw" target="_blank">comprovado pelo Arthur</a>). Uma proposta muito bacana, que deveria inclusive ser desenvolvida para apresentar outros artistas nacionais.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/10/16/o-anel-magico-da-minha-tia-tarsila-tarsila-do-amaral/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>24 Letras por Segundo (Vários)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/09/22/24-letras-por-segundo-varios/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=24-letras-por-segundo-varios</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/09/22/24-letras-por-segundo-varios/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 14:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[24 letras por segundo]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5554</guid>
		<description><![CDATA[Não é segredo que o cinema usa muito da literatura como inspiração. É só pensar que uma das maiores premiações da sétima arte tem uma categoria dedicada a roteiros adaptados – majoritariamente de livros. E como seria o caminho inverso, da telona para as páginas? Pois a Não Editora trouxe a resposta com a coletânea [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/08/24-letras-por-segundo.jpg" alt="" width="214" height="324" />Não é segredo que o cinema usa muito da literatura como inspiração. É só pensar que uma das maiores premiações da sétima arte tem uma categoria dedicada a roteiros adaptados – majoritariamente de livros. E como seria o caminho inverso, da telona para as páginas? Pois a Não Editora trouxe a resposta com a coletânea de contos <em>24 Letras por Segundo</em>, organizada por Rodrigo Rosp. O título é uma referência à<a title="cadência" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cad%C3%AAncia_(audiovisual)" target="_blank"> cadência de projeção</a> padrão de cinema, e acredite, a brincadeira de referências vai muito além disso: basta ver a capa (que lembra uma uma fita vhs, daquelas que emprestávamos em locadoras), as ilustrações que antecedem cada conto e até o “Por favor, rebobine o livro” no final. É muito divertido ficar procurando esses detalhes, e é um ponto altíssimo para a Não Editora o cuidado que tem com o visual dos livros que publicam, já que eles também tem no catálogo o ótimo <a title="ficção de polpa" href="http://blog.meiapalavra.com.br/tag/ficcao-de-polpa/" target="_blank">Ficção de Polpa</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Por falar em <em>Ficção de Polpa</em>, saiba que se você é como eu mais um daqueles fãs da série que aguarda ansiosamente o quinto volume, <em>24 Letras por Segundo</em> vem como um ótimo remédio para aliviar a espera. Como boa parte dos contistas já publicaram nos volumes do Ficção de Polpa (Bernardo Moraes, Rodrigo Rosp, Juarez Guedes Cruz, Silvio Pilau, Bruno Mattos, Samir Machado de Machado, Antônio Xerxenesky e Rafael Bán Jacobsen), há ali uma gostosa sensação de familiaridade, é quase o mesmo que dizer que deu para matar saudades.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5554"></span>Mas sim, <em>24 Letras por Segundo</em> tem vida própria. O que une os contos da coletânea é a proposta de passar para o papel em forma de conto o que seria um filme típico de determinado diretor. Cada autor escolheu um diretor para representar em conto que sempre abre com a já comentada ilustração do título, além de uma mini-bio do autor, filmografia do diretor e um comentário do autor sobre o cineasta que “adaptou” para o livro. Alguns focam os temas principais dos filmes (como o de Tarantino), outros tentam conversar com algum filme em questão (como o de Shyamalan e o de Almodóvar), outros captam a essência dos trabalhos do diretor (como o de Spielberg). O resultado geral, como é de se esperar, é ótimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Fica a pergunta: preciso ser um cinéfilo para gostar do livro? A resposta é <strong>não</strong>. Muito embora seja evidente que reconhecer seu diretor favorito em um texto, ou mesmo perceber referências e brincadeiras com filmes que você gostou, faz parte da experiência de leitura que <em>24 Letras por Segundo</em> propõe, mas ele não precisa ser lido só desta maneira. Digo isso porque confesso aqui minha completa ignorância sobre a filmografia de alguns diretores escolhidos (ok, para falar a verdade “a completa ignorância sobre alguns diretores escolhidos”) e mesmo assim gostei dos contos, o que acabou trazendo o extra de atiçar minha curiosidade para ir atrás de alguns filmes. Então se você não se acha tão entendido em cinema, saiba que sim, dá para se divertir muito com <em>24 Letras por Segundo</em>mesmo assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre os contos, mantendo a tradição da casa dá para dizer que estão todos para acima da média para excelentes. A coletânea abre com <em>O túmulo frio de Mimi Meyers</em> de Bruno Novaes (referência a Tarantino). A única coisa que faltou nele foi referência às músicas da década de 70 que costumam aparecer nos filmes do norte-americano, mas fora isso é quase como se você estivesse acompanhando algo novo de Tarantino, é divertidíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Segue então com <em>Um mar para Carmina</em> de Monique Revillon (referência a Tim Burton) que conseguiu captar muito bem o tom fantástico e poético dos filmes de Burton, assim como Rodrigo Rosp nos entrega <em>Todos os homens dizem eu te amo</em> (referência a Woody Allen) que tem o típico personagem neurótico cheio de tiradinhas ácidas especialmente sobre si, muito engraçado.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Inquebrável</em> de Juarez Guedes Cruz (referência a M. Night Shyamalan) traz uma proposta interessante de narrar<a title="corpo fechado" href="http://www.imdb.com/title/tt0217869/" target="_blank">Corpo Fechado</a> a partir do ponto de vista da mãe da personagem Elias. Meu único pé atrás é que eu realmente não gosto deste filme, então digo com tranquilidade que o conto consegue ser bem superior à película.</p>
<p style="text-align: justify;">Reginaldo Pujol Filho assume a difícil (pelo menos eu acho) tarefa de trazer os irmãos Coen para o papel, com o conto <em>Irmãos</em> que não só ficou muito bom, mas também diverte ficar procurando o modo que o autor conseguiu encaixar cada um dos títulos dos filmes deles na história. Após este conto, por coincidência vem dois seguidos cujos diretores homenageados eu conheço pouco, então acabei lendo sem buscar as referências, no caso <em>O Conchário </em>de Pena Cabreira (referência a Terry Gilliam, que só conheço pelo lado Monty Python) e <em>O elevador</em> de Pedro Gonzaga (referência a Wong Kar-Wai, de quem assisti absolutamente nada) e aqui reforço o que já disse antes sobre não haver necessidade de conhecer os filmes e os diretores para apreciar os contos.</p>
<p style="text-align: justify;">Vem então um dos meus favoritos da coletânea, <em>No trânsito</em> de Silvio Pilau (referência a Kevin Smith). Muito engraçado, lembrando os melhores momentos de Smith (que considero qualquer coisa até <a title="dogma" href="http://www.imdb.com/title/tt0120655/" target="_blank">Dogma</a>), ele vem em forma de roteiro. Depois temos <em>Os velhinhos</em> de Milton Ribeiro (referência a Roman Polanski), trazendo uma versão de escritores a famosa história do pacto com o diabo (e até Roberto Bolaño aparece ali!). Então a coletânea segue com os ótimos <em>Esqueletos no armário</em> de Eric Novello (referência a Bernardo Bertolucci) e <em>Se não ficares até o fim, eles te passam a perna</em> de Bruno Mattos (referência a José Mojica Marins). No caso do último eu desafio qualquer leitor a ler sem imaginar a voz do narrador como a do Zé do Caixão!</p>
<p style="text-align: justify;">Temos então um toque francófono com <em>Três copos</em> de Diego Grando (referência a Sylvian Chomet) e <em>Visitas</em> de Samir Machado de Machado (referência a Spielberg). Esse conto já esteve presente em outra coletânea da Não Editora, o Ficção de Polpa 2, mas é tão legal que vale a pena reler (mesmo). <em>Sobrevivendo à razão</em> de Antônio Xerxenesky (referência a Hal Hartley) foi um daqueles casos de diretor que até então eu desconhecia e que agora estou morrendo de curiosidade de assistir.</p>
<p style="text-align: justify;">O desfecho da coletânea fica por conta de <em>O paradigma do mexilhão</em> de Rafael Bán Jacobsen (referência a Almodóvar), <em>O fabuloso Juarez</em> de Victor Paes (referência a Milos Forman) e <em>Um dia na vida de David Lynch</em> de Márcio André. Os três conseguem captar muito bem a assinatura desses diretores, e o que é interessante é que apesar da homenagem, conseguem ser originais mantendo o que acredito ser um estilo próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">Então se você é cinéfilo e também gosta de ler, não perca tempo e corra atrás de <em>24 Letras por Segundo</em> – eu duvido que você não encontre nele algumas boas horas de diversão, nem que seja a brincadeira de encontrar referências. Mas se cinema não é muito sua praia, não desanime: a coletânea é tão bacana que é capaz de despertar em você um gosto que até então você desconhecia.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/09/22/24-letras-por-segundo-varios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Obax (André Neves)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/09/07/obax-andre-neves/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=obax-andre-neves</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/09/07/obax-andre-neves/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 19:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[andré neves]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[literatura infantil]]></category>
		<category><![CDATA[obax]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5534</guid>
		<description><![CDATA[Vencedor de diversos prêmios literários (entre eles o Jabuti e o Açorianos) André Neves já publicou mais de 30 livros, escrevendo e ilustrando histórias infantis. Com Obax, lançado pela Brinque-Book, fica evidente o cuidado do trabalho de Neves, que neste caso incluiu uma boa pesquisa sobre  o oeste africano, para trazer para as páginas do livro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border-style: initial; border-color: initial; border-width: 0px; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/obax-258x300.jpg" alt="" width="258" height="300" />Vencedor de diversos prêmios literários (entre eles o Jabuti e o Açorianos) André Neves já publicou mais de 30 livros, escrevendo e ilustrando histórias infantis. Com <em>Obax</em>, lançado pela Brinque-Book, fica evidente o cuidado do trabalho de Neves, que neste caso incluiu uma boa pesquisa sobre  o oeste africano, para trazer para as páginas do livro o lirismo e cores da cultura desta região.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro conta a história da menininha<em> Obax</em> (que significa “flor” na África ocidental), que jura ter visto uma chuva de flores. Como o lugar em que vive é conhecidamente árido, é evidente que seus amigos e familiares acreditam ser só uma invenção da garota, que viaja o mundo para ver novamente uma chuva de flores e provar que o que vira era de verdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5534"></span>O enredo é delicado, poético até – e assim também é a arte de Neves. A técnica que envolve colagem (ou pelo menos aparenta envolver) em alguns momentos lembra o tom onírico do inglês Dave McKean (famoso por suas parcerias com Neil Gaiman em livros como <a title="Cabelo Doido (Neil Gaiman &amp; Dave McKean)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/02/cabelo-doido-neil-gaiman-dave-mckean/" target="_blank">Cabelo Doido</a>). Porém, é menos sombrio, bebendo de fato das cores da cultura africana, presente constantemente, mas que explodem de fato nas páginas da chuva de flores. É realmente lindo.</p>
<p style="text-align: justify;">E justamente por um apelo visual tão forte que este livro pode agradar não só a faixa etária para a qual ele é indicado (entre cinco a doze anos de idade), mas também aos mais pequenos. Fiz um teste com o Arthur (que vai completar um livro esta semana), lendo a história com ele, que ficou animadíssimo com as ilustrações (e também com o capricho do título em letras em papel brilhante), querendo brincar com o livro, virando as páginas e tocando nas personagens da história.</p>
<div id="attachment_13979"><a href="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/5743442585_96be176696_b.jpg"><img class="aligncenter" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/09/5743442585_96be176696_b-300x174.jpg" alt="" width="300" height="174" /></a></div>
<div style="text-align: justify;">É realmente um livro muito gostoso, talvez até pela leveza e o jeito de sonho que ele tem. É agradável e flui bem, como uma daquelas centenas de histórias da África que acabaram sendo trazidas para o Brasil. Para quem gosta de contadores de história (e lógico, boas histórias) e tem crianças em casa, vale a pena dar uma conferida em<em>Obax</em>.</div>
<p style="text-align: justify;">E para quem ficou curioso sobre o trabalho do André Neves, fica a dica do blog <a title="confabulando imagens" href="http://confabulandoimagens.blogspot.com/" target="_blank">Confabulando Imagens</a>, onde o próprio autor fala de suas obras, incluindo aí a notícia de que <em>Obax</em> foi selecionado pela Biblioteca Internacional da Infância e da Juventude, de Munique, na Alemanha, para o importante catálogo<a title="white ravens" href="http://www.childrenslibrary.org/servlet/WhiteRavens" target="_blank"> The White Ravens</a> 2010.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/09/07/obax-andre-neves/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A página assombrada por fantasmas (Antônio Xerxenesky)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/07/22/a-pagina-assombrada-por-fantasmas-antonio-xerxenesky/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-pagina-assombrada-por-fantasmas-antonio-xerxenesky</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/07/22/a-pagina-assombrada-por-fantasmas-antonio-xerxenesky/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 23 Jul 2011 00:20:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[a página assombrada por fantasmas]]></category>
		<category><![CDATA[antônio xerxenesky]]></category>
		<category><![CDATA[coletânea]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5463</guid>
		<description><![CDATA[As pessoas tem a falsa ilusão de que por serem mais curtos que romances, contos são fáceis de escrever. Pode até ser, mas bons contos não. É difícil dizer muito, causar sensações no leitor, criar personagens cativantes ou mesmo trazer uma boa história com tão poucos caracteres.  Some a isso o fato de que qualquer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/07/tumblr_lofp1z0fyv1qbk98go1_500-197x300.jpg" alt="" width="197" height="300" />As pessoas tem a falsa ilusão de que por serem mais curtos que romances, contos são fáceis de escrever. Pode até ser, mas <em>bons</em> contos não. É difícil dizer muito, causar sensações no leitor, criar personagens cativantes ou mesmo trazer uma boa história com tão poucos caracteres.  Some a isso o fato de que qualquer excesso no texto fica ainda mais óbvio, e já dá para perceber a série de dificuldades que um escritor enfrenta ao seguir por esse caminho. E é por conta disso que sempre fico muito feliz ao ter em mãos uma coletânea tão boa como <em>A página assombrada por fantasmas</em>, de Antônio Xerxenesky.</p>
<p style="text-align: justify;">Os contos são enxutos, fluem de um jeito gostoso e pegam o leitor de jeito – especialmente se esse leitor for também um apaixonado por literatura. Correndo o risco de causar um efeito semelhante ao que acontece com a personagem Charles Mankuviac (do conto <em>A breve história de Charles Mankuviac</em>), a verdade é que <em>A página assombrada por fantasmas</em> é livro que fala de literatura. Mas de um modo delicioso (porque o leitor se reconhece em determinadas situações) e mesmo crítico (não dá para não transferir certas passagens para a realidade).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5463"></span>Livros estão por toda parte, são eles que assombram essa coletânea. Seja o primeiro que aparece, acalmando um narrador enquanto ele está indo encontrar um escritor que admira, sejam nos livros da Geração Z descrita pelo narrador do último conto, <em>No segundo andar</em>. O livro, a relação com o objeto, ler, escrever. Isso vai se repetindo de modo a alinhavar de forma coesa as narrativas dentro da coletânea (e dá para esquecer de quando uma personagem diz que se incomoda com “os jovens que reuniam meia dúzia de contos sem muita relação entre si” no conto que dá título ao livro?).</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda a questão de Xerxenesky ser um escritor jovem. Minha bagagem literária é lotada de velhinhos bacanas, mas confesso ter lido pouca gente da minha idade (ou mais nova do que eu). E quando você tem em mãos histórias como <em>Algum lugar no tempo</em>, a verdade é que dá vontade de conversar com o escritor e perguntar como é que ele sabe tanto sobre você. É um passado fictício, mas não tem como não se ver ali, jogar no texto milhões de memórias pessoais de verões em família. Talvez até pelo fator nostálgico seja um dos meus favoritos neste livro, embora seja realmente difícil fazer esse tipo de seleção, todos são muito bons.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda entre os favoritos,<em> Esse maldito sotaque russo</em> é uma história que mostra bem como o autor consegue se sair escrevendo conto, aproveitando tudo o que o texto pode oferecer mesmo que sejam poucos caracteres para desenvolver o enredo. Ele usa recursos como notas de rodapé ou mesmo parte do texto coberta para auxiliar no efeito a causar no leitor. Além disso, o mote também é muito bem sacado, um detetive que procura escritores reclusos – tem como não gostar logo de cara de uma personagem assim?</p>
<p style="text-align: justify;">No final das contas <em>A página assombrada por fantasmas</em> é um passeio tão gostoso pela literatura que deixa nítido que o autor não é só um contador de histórias. É também alguém apaixonado por esse universo dos livros. Paixão tão grande que acaba inclusive influenciando a lista de leituras futuras de quem tem a obra em mãos: te desafio a terminar a coletânea e não correr atrás de Borges e Cortázar se ainda não conhecer esses escritores. Imperdível mesmo, especialmente para quem compartilha dessa paixão.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/07/22/a-pagina-assombrada-por-fantasmas-antonio-xerxenesky/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Arte e Letra: Estórias M</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/06/10/arte-e-letra-estorias-m/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=arte-e-letra-estorias-m</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/06/10/arte-e-letra-estorias-m/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 12:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[arte e letra: estórias m]]></category>
		<category><![CDATA[coletânea]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5382</guid>
		<description><![CDATA[Quando lemos um pouco sobre a literatura do século XIX, muitos dos nomes que conhecemos até os dias de hoje tinham algo em comum, que era a publicação de seus escritos em jornal. Na maior parte das vezes eram contos, ou romances públicados em capítulos tais como se fossem novela, que garantiam o ganha pão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/06/estoriasm-222x300.jpg" alt="" width="222" height="300" />Quando lemos um pouco sobre a literatura  do século XIX, muitos dos nomes que conhecemos até os dias de hoje  tinham algo em comum, que era a publicação de seus escritos em jornal.  Na maior parte das vezes eram contos, ou romances públicados em  capítulos tais como se fossem novela, que garantiam o ganha pão do autor  e a diversão de várias pessoas em uma época sem televisão, computador  ou seja lá o que as pessoas considerem entretenimento hoje em dia. Edgar  Allan Poe, Sir Arthur Conan Doyle… tenha certeza, muitos desses não  estariam entre nossos favoritos caso não tivessem ganhado um espaço em  periódicos daquele tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">E é pensando justamente nisso que a  proposta da editora Arte e Letra para a revista Estórias é tão  importante. Em uma revista-livro caprichadíssima, temos o que de certa  forma seria a versão moderna daquelas publicações do século XIX: a  possibilidade de conhecer novos escritores e de resgatar outros tantos  que podem por ventura ter sido esquecidos com o passar do tempo. É um  espaço para quem escreve, mas é também (e isso é importante destacar)  diversão garantida para o leitor que busca na leitura não só prazer, mas  a certeza de ter um texto de qualidade em mãos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5382"></span>A Edição M  vem com belíssimas ilustrações de Athos Bulcão, que aparecem entre um  conto e outro. Entre os autores já consagrados traz E.T.A. Hoffmann com  seu importantíssimo <em>O Homem da Areia</em>, e tradução por conta de Guilherme da Silva Braga (<a title="guilherme da silva braga" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/25/10-perguntas-e-meia-para-guilherme-da-silva-braga/" target="_blank">já entrevistado aqui no Meia Palavra</a>). Outro grande clássico é <em>O Estudante</em> de Anton Tchecov, traduzido por Gabriela Soares da Silva e <em>Bibliomanie</em> de Gustave Flaubert, traduzido por Sandra M. Stropparo (de quem tive a ótima oportunidade de ser aluna na UFPR).</p>
<p style="text-align: justify;">São excelentes escolhas entre nomes famosos porque são representativos da obra do autor. <em>O Homem da Areia</em> traz a mistura do fantástico com a realidade que faria de Hoffmann  fonte de inspiração para outros escritores (como o já citado Edgar Allan  Poe e, coincidência! Flaubert, que chega a citá-lo em <em>Bibliomanie</em>). <em>O Estudante</em> tem um tom introspectivo e melancólico bastante típico da narrativa de  Tchecov, e conforme explicado na introdução do texto, era um dos  favoritos do autor. <em></em></p>
<p style="text-align: justify;">Há também os textos de dois autores que  nasceram no mesmo ano, 1866, e embora seus textos já tenham aí bastante  tempo de existência, parece que aparentemente ainda são pouco conhecidos  do público brasileiro. Tratam-se de E.W. Hornung com <em>Idos de Março</em> (traduzido por Adriano Scandolara) e Ramón del Valle Inclán com <em>O Medo </em>(tradução  de Iara Tizzot). Na primeira história temos muito daquela Londres que  habita o imaginário popular, com forte neblina e andanças pela Bond  Street. Mas ao contrário do que se espera, não temos mais um detetive, o  protagonista aqui é um ladrão. <em>O Medo</em> é um texto bastante breve, porém de uma força que chama bastante a atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, há os textos dos escritores  contemporâneos, os brasileiros que com publicações como essa vão  ganhando espaço e novos leitores. De certa forma eles conversam entre  si, com tons de melancolia, loucura e um pouco do fantástico. O primeiro  na coletânea é <em>Trem das Consequências</em> de Roberto Sousa Causo, talvez o que mais apresente desse último elemento. <em>Ezra</em> de Sérgio Tavares é bastante forte, como há de se esperar de uma  história na qual o protagonista acorda com vontade de matar alguém. <em>Tempo Demais</em> de Simone Magno é bonito e ao mesmo tempo bastante triste, com um desfecho até surpreendente. Fechando a revista temos <em>Mobília</em> de Edson Valente, no que me pareceu uma visão bastante inusitada de um suicídio.</p>
<p style="text-align: justify;">A escolha dos contos foi muito boa,  resultando em uma edição que tem tudo para agradar quem quer conhecer  novos rostos e visitar velhos conhecidos. Arte e Letras: Estórias merece  reconhecimento pelo que está fazendo pela Literatura no Brasil. Como  aparece no fim da revista, “o mundo seria bem melhor se as pessoas  lessem mais”. Com Estórias M em mãos isso fica bem mais fácil.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Autores da Edição</strong>: E. T. A. Hoffmann, Gustave  Flaubert, Roberto de Sousa Causo, Sérgio Tavares, E. W. Hornung, Simone  Magno, Ramós Del Valle Inclán, Edson Valente e Anton Tchekhov<br />
<strong>Tradutores da Edição</strong>: Guilherme da Silva Braga, Gabriela Soares da Silva, Sandra M. Stropparo, Adriano Scandolara e Iara Tizzot.<br />
<strong>Ilustrações</strong>: Athos Bulcão</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/06/10/arte-e-letra-estorias-m/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alma e Sangue: O Pacto dos Vampiros (Nazarethe Fonseca)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/05/19/alma-e-sangue-o-pacto-dos-vampiros-nazarethe-fonseca/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=alma-e-sangue-o-pacto-dos-vampiros-nazarethe-fonseca</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/05/19/alma-e-sangue-o-pacto-dos-vampiros-nazarethe-fonseca/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 May 2011 21:59:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[alma e sangue]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[nazarethe fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[o pacto dos vampiros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5360</guid>
		<description><![CDATA[O maior problema das séries literárias é que bem, elas são séries. Como tal, por mais que você se divirta em saber um pouco mais das personagens que gostou no primeiro livro, começa então a sentir aquela sensação de que seria melhor parar, antes que a trama desande. Foi o que eu senti ao ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/pacto_frente_alta-e1305727548734-207x300.jpg" alt="" width="207" height="300" />O maior problema das séries literárias é  que bem, elas são séries. Como tal, por mais que você se divirta em  saber um pouco mais das personagens que gostou no primeiro livro, começa  então a sentir aquela sensação de que seria melhor parar, antes que a  trama desande. Foi o que eu senti ao ler <em>O Pacto dos Vampiros</em>, da brasileira Nazarethe Fonseca. Dando continuidade aos eventos de <a title="Alma e Sangue: O Despertar do Vampiro (Nazarethe Fonseca)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/01/alma-e-sangue-o-despertar-do-vampiro-nazarethe-fonseca/">O Despertar do Vampiro</a> e <a title="Alma e Sangue: O Império dos Vampiros (Nazarethe Fonseca)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/03/30/alma-e-sangue-o-imperio-dos-vampiros-nazarethe-fonseca/">O Império dos Vampiros</a>,  vemos a personagem Kara Ramos enfrentar novos desafios na complicada  sociedade vampiresca criada por Fonseca, cheia de regras, proibições e  punições.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso adiantar: <em>O Pacto dos Vampiros</em> não é ruim, é talvez o que tem mais ação dos três livros e finalmente  resolve o problema com o qual eu implicava, daquela parte dedicada a um  flashback bem no clímax da história. Ele ainda conta com pontos bastante  favoráveis se comparar com o que tem saído de histórias de vampiros  atualmente, como por exemplo o fato de a protagonista não ser uma  mocinha indefesa que fica sentadinha esperando seu amor a salvar, ou  ainda de a trama principal se sustentar só na melação do amor de uma  mortal por um vampiro (a saber, Kara já é uma vampira desde o segundo  volume).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5360"></span>Mas…  lobisomens?! Aqui é uma questão pessoal, tenho certeza que há um grupo  de leitores que vibrará com a notícia de que O Pacto dos Vampiros traz  os eternos rivais dos vampiros, os lobisomens. Mas de todos os livros de  apelo sobrenatural que li nos últimos tempos (como a série Anita Blake  ou série Sookie Stackhouse), se tem um tipo de personagem que eu não  suporto são os lobisomens. Não gosto dessa coisa de rivalidade, não acho  que combinem com o universo vampírico. Não sei explicar exatamente o  motivo pelo qual desgosto tanto dos lobinhos, mas a verdade é que só de  saber que eles estariam no livro eu já torci o nariz.</p>
<p style="text-align: justify;">E a realidade é que era algo  completamente desnecessário no universo de Alma e Sangue, porque  Nazerethe Fonseca conseguiu criar uma sociedade vampírica bastante  complexa, que por si só já traz uma série de conflitos para a narrativa.  E ao lembrar do primeiro livro, com Jan Kman descobrindo tantas coisas  sobre o mundo novo ao despertar, fico com a sensação que se a série  tivesse tomado o rumo de desenvolver a adaptação de Kman ao novo mundo  teria sido um caminho infinitamente melhor do que o do pacto com os  lobisomens.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, como já dito antes, o  terceiro livro da série não é ruim – eu é que fiquei extremamente  incomodada com a inclusão dos lobisomens. É interessante ver o  crescimento de Kara, que é feito de modo que não distorça as principais  qualidades da protagonista conforme apresentadas no começo. Também a  relação dela com o rei Ariel, que empresta outras cores para a história  até porque muito do que eles estão passando está justamente baseada nas  regras da sociedade vampírica que eu já mencionei.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonseca também continua boa em  desfechos, o clímax do terceiro livro é bem surpreendente e, o melhor de  tudo, dessa vez não é cortado por um flashback. Muitas personagens  novas chegam, criando diversas subtramas e tornando tudo muito maior do  que o amor de Kara e Jan. Assim, é óbvio que haverá continuidade, com o  quarto livro chegando ainda esse ano. Para os que não se incomodam com  lobisomens, provavelmente este será um dos melhores da série. Para mim, o  primeiro ainda é meu favorito.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/05/19/alma-e-sangue-o-pacto-dos-vampiros-nazarethe-fonseca/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Boa Ventura! (Lucas Figueiredo)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/05/10/boa-ventura-lucas-figueiredo/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=boa-ventura-lucas-figueiredo</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/05/10/boa-ventura-lucas-figueiredo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 May 2011 00:40:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[boa ventura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[lucas figueiredo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5352</guid>
		<description><![CDATA[Algumas pessoas costumam torcer o nariz quando assunto é História, mais especificamente História do Brasil. Talvez tenha alguma coisa a ver com o processo que na escola transforma futuros leitores em odiadores de Literatura (e Literatura Nacional), mas a realidade é que para muita gente passar no vestibular significa, entre tantas coisas, tirar o peso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/05/8501089834_3y-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" />Algumas pessoas costumam torcer o nariz  quando assunto é História, mais especificamente História do Brasil.  Talvez tenha alguma coisa a ver com o processo que na escola transforma  futuros leitores em odiadores de Literatura (e Literatura Nacional), mas  a realidade é que para muita gente passar no vestibular significa,  entre tantas coisas, tirar o peso de “coisas chatas” como essa. E aí que  pessoas assim acabam perdendo livros excelentes como <em>Boa Ventura!</em> de Lucas Figueiredo, que já no subtítulo deixa claro sobre do que se trata: <em>A corrida do ouro no Brasil (1697-1810) – A cobiça que forjou um país, sustentou Portugal e inflamou o mundo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">O que de fato é uma pena. O trabalho de  investigação que Figueiredo entrega ao leitor é delicioso, repleto de  curiosidades mas, o mais importante, muito bem alinhavado. Não é romance  (acredito ser algo que se enquadraria em “Jornalismo Histórico”), mas  dada a fluidez e coesão do texto, e mais ainda, a galeria de personagens  que passam pela obra, poderia muito bem ser lido como tal.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5352"></span>Você foi  para a escola e certamente sabe do que o livro trata. Mas acredite, é  muito diferente passar ver figuras como Aleijadinho e Tiradentes sob a  ótica do autor. Fatos conhecidíssimos como o próprio descobrimento e a  chegada da família real no Brasil parecem ganhar novas cores, ficarem  inclusive mais nítidas e claras. E aí que começamos a perceber o quanto a  aula de História na escola pode ter falhado ao retratar o que houve no  nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando aborda um tema em especial (o  ouro) e não todos os ‘n’ ciclos pelos quais o Brasil passou, algumas  questões saltam aos olhos. Como por exemplo o fato de que levou quase  200 anos para que Portugal finalmente conseguisse começar a explorar o  ouro brasileiro. Ou como pequenos detalhes fizeram toda a diferença  (como a ideia de ir cultivando a terra por onde iam passando os  bandeirantes). A sensação que dá é que ao pegar esse recorte Figueiredo  conseguiu se dar ao luxo de se aprofundar mais do que nossos professores  podiam com o tempo de aula que lhes era dado.</p>
<p style="text-align: justify;">E conseguir fazer isso de forma  interessante e divertida não parece ser para qualquer um. Extremamente  informativo, há diversas passagens em <em>Boa Ventura!</em> que o leitor  provavelmente se questiona como é que nunca relacionou uma coisa com  outra (eu pelo menos costumava ver o terremoto de Lisboa como um evento  separado, que nada tinha a ver com o ouro no Brasil). E o melhor disso é  que não há saltos que possam fazer o leitor se perder, é até bastante  linear e fácil de seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de todas essas qualidades, ainda  tem o cuidado da edição em si, caprichadíssima e repleta de ilustrações  bastante curiosas. As que estão no corpo do texto são preto e branco,  mas nos anexos algumas aparecem em papel especial e são coloridas.  Também no fim do livro (e coloridos) há uma série de mapas do período  abordado no livro. Para completar, cada capítulo é encerrado por uma  série de notas que complementam informações ou fazem referências aos  fatos citados pelo autor.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um texto tão legal e com tanto cuidado com a edição do livro em si, <em>Boa Ventura!</em> merece uma leitura, mesmo no caso daqueles que torcem o nariz quando o  assunto é História, como comentei inicialmente. Na realidade, é um  daqueles casos em que fica mais do que óbvio que História do Brasil pode  ser não só interessante, mas também muito divertida.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem ficou curioso e quer uma amostra do que é <em>Boa Ventura!</em>, o primeiro capítulo está disponível <a title="boa ventura" href="http://www.record.com.br/boaventura/" target="_blank">no site do livro</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/05/10/boa-ventura-lucas-figueiredo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ficção de Polpa Crime! (Vários)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/04/17/ficcao-de-polpa-crime-varios/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ficcao-de-polpa-crime-varios</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/04/17/ficcao-de-polpa-crime-varios/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 14:29:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[crime!]]></category>
		<category><![CDATA[ficção de polpa]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5310</guid>
		<description><![CDATA[O lançamento mais recente da série Ficção de Polpa foi lançado com uma proposta bem definida, como já mostra o título “Crimes!”, dando lugar à sequência numerada dos anteriores. E se nos outros volumes mesmo com um tema principal (horror, ficção científica e conto fantástico) ainda assim os contos circulavam livremente entre gêneros, agora nesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/03/ficcaodepolpacrime.jpg" alt="" width="202" height="302" />O lançamento mais recente da série <em>Ficção de Polpa</em> foi lançado com uma proposta bem definida, como já mostra o título  “Crimes!”, dando lugar à sequência numerada dos anteriores. E se nos  outros volumes mesmo com um tema principal (<a title="Ficção de Polpa Vol.1 (Vários)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2010/12/19/ficcao-de-polpa-vol-1-varios/" target="_blank">horror</a>, <a title="Ficção de Polpa Vol.2 (Vários)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/03/ficcao-de-polpa-vol-2-varios/" target="_blank">ficção científica</a> e <a title="Ficção de Polpa Vol.3 (Vários)" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/04/12/ficcao-de-polpa-vol-3-varios/" target="_blank">conto fantástico</a>)  ainda assim os contos circulavam livremente entre gêneros, agora nesse  quarto livro isso não acontece: são histórias de detetive, do começo ao  fim. Outra diferença sobre os outros números da série é que o número de  contos é menor, porém esses são mais longos (e todos são ilustrados).</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez que são menos contos, é até  possível falar um pouco de cada um deles. No geral, são todos ótimos e  certamente agradarão aos fãs de histórias policiais, até porque são  todos combinações de elementos já conhecidos desse universo literário,  mas com enredos ou estilos de narrativas bastante inovadores,  diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5310"></span>É o caso de <em>As Muralhas Verdes</em> (de Carlos Orsi), que tem aquela típica imagem do detetive de sobretudo  e que fuma compulsivamente, mas aqui investigando um assassinato em um <em>reality show</em>. A verdade é que o conto já tinha me conquistado só pela referência ao <em>We,</em> de Ievguêni Zamyatin, mas o detetive que narra a história é também uma  personagem muito legal, com aquele jeitão irônico típico das personagens  deste tipo de história.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A Conspiração dos Relógios</em> (de Yves Robert) vem como uma ótima notícia para quem tinha gostado do conto <em>Traz outro amigo também</em>,  do volume 2 do Ficção de Polpa. O detetive que tem um coelho como amigo  imaginário reaparece para resolver um mistério envolvendo as horas que  aparecem nos relógios. Mais uma vez, aquela imagem bem familiar do  detetive, em um conto com momentos muito engraçados, como quando o  protagonista conta para sua “cliente” que um coelho azul estava sentado  na cadeira que ela iria ocupar. Dá vontade de ler uma coletânea inteira  só de contos dessa personagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A aventura do americano audaz</em> (de Octávio Aragão) pode ser uma faca de dois gumes: o autor empresta  Watson e Sherlock Holmes das histórias de Conan Doyle, para escrever seu  próprio conto envolvendo outras personagens também bastante famosas  (mais ou menos como acontece na Liga Extraordinária). Quando digo que  pode ser uma faca de dois gumes é porque os fãs mais apaixonados por  Sherlock podem em um surto de xiitismo não gostar. Eu, que era  apaixonada pela personagem (obcecada talvez seja o termo mais  apropriado) há cerca de 15 anos, confesso que não só adorei o conto,  como quis reler a obra de Doyle novamente. Aragão conseguiu recuperar  muito bem a Inglaterra dos tempos de Sherlock e, o mais impressionante, o  estilo da narrativa de Doyle.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>A carne é fraca</em> (de Rafael Bán  Jacobsen) resgata as histórias envolvendo açougueiros como Sweeney Todd,  para construir um efeito bastante interessante na narrativa, formada a  partir de três pontos de vistas diferentes. Cada ponto de vista também  segue um gênero textual diferente: temos diário, depoimento e  reminiscência. Não querendo correr o risco de entregar o ouro e estragar  a experiência do leitor, o importante aqui é saber que quanto menos  você souber do conto ao ler, melhor. Vale a pena, o desfecho é muito  legal.</p>
<p style="text-align: justify;"><em> Agulha de Calcário</em> (de Carol  Bensimon) também utiliza o recurso de diferentes pontos de vista para  construir a narrativa. A história toda se passa no Hôtel Dectetive e  suas redondezas, e a partir do que é narrado por cada uma das  personagens o leitor vai como que montando as peças de um quebra-cabeça,  para chegar ao crime em si.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Um dos nossos</em> (Carlos André  Moreira) é talvez o mais “brasileiro” de todos os contos. Os demais  passam a sensação de que poderiam acontecer em qualquer lugar, mas aqui,  envolvendo a polícia de Porto Alegre e lugares típicos da cidade, a  narrativa acaba ficando um tanto presa ao espaço. Mesmo assim, é muito  bom, retomando a ideia de assassinato e investigação como tem sido vista  em histórias mais modernas de detetive, mesmo as que passam em séries  de tv.</p>
<p style="text-align: justify;">A faixa bônus de Ernest Bramah (<em>A moeda de Dionísio</em>) é, como todas as faixas bônus da série <em>Ficção de Polpa</em>,  muito legal. Mas o melhor dela é apresentar um autor que era  contemporâneo de Sir Arthur Conan Doyle e tão bom quanto ele, porém não  tão conhecido.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, chegando ao quarto volume a série <em>Ficção de Polpa</em> continua mantendo a ótima qualidade, e a característica marcante de ser  simplesmente viciante: assim como aquela marca famosa de salgadinhos, é  impossível ler um só. Conto após conto você mal percebe quando já  devorou mais um volume, e mal pode esperar pelo próximo (<a title="twitter samir" href="http://twitter.com/#%21/samirmachado/status/58869471875571712" target="_blank">que, segundo o organizador Samir Machado de Machado, infelizmente só sai ano que vem</a>).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/04/17/ficcao-de-polpa-crime-varios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Triste Fim de Policarpo Quaresma (Lima Barreto)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/04/15/triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima-barreto/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima-barreto</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/04/15/triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima-barreto/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 16 Apr 2011 01:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[lima barreto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[triste fim de policarpo quaresma]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5307</guid>
		<description><![CDATA[Alguns livros parecem estar ligados com nossas memórias dos tempos de escola. O problema é que nem sempre são as memórias gostosas como o recreio, as conversas com os melhores amigos ou a sensação boa de um bom resultado de uma prova. Tem momentos que ouvir nomes como “Dom Casmurro”, “Macunaíma” ou ainda “Senhora” causam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/04/85023_gg-194x300.jpg" alt="" width="194" height="300" />Alguns livros parecem estar ligados com  nossas memórias dos tempos de escola. O problema é que nem sempre são as  memórias gostosas como o recreio, as conversas com os melhores amigos  ou a sensação boa de um bom resultado de uma prova. Tem momentos que  ouvir nomes como “Dom Casmurro”, “Macunaíma” ou ainda “Senhora” causam  um certo arrepio na pessoa, trazendo lembranças de leituras obrigatórias  que resultariam em uma prova com perguntas idiotas como “O que disse a  personagem x na página y?”.</p>
<p style="text-align: justify;">É uma pena que muito da literatura em  sala de aula ainda aconteça desse modo, afastando leitores não só da  (excelente) produção nacional, mas às vezes do hábito da leitura em si. E  a realidade é que mesmo dos que se salvaram desse modo antiquado de  ensinar literatura, ainda assim não costumam dar uma segunda chance para  livros que certamente o merecem, como é o caso de <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em>, de Lima Barreto.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5307"></span>Publicado  pela primeira vez em folhetins em 1911, a obra de Lima Barreto está  entre aquelas de “traumas da escola” que sem sombra de dúvidas devem ser  relidas, sem a pressão da prova no outro dia, só por puro prazer. A  começar pelo estilo da escrita de Barreto. Muito leitor jovem costuma  colocar todos os clássicos da literatura nacional no mesmo caldeirão,  dizendo que são “difíceis” de ler por causa do registro excessivamente  formal do escritor.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso de Barreto, o que temos é um  estilo que depois viria ser muito comum em literatura, bastante próxima  da fala das pessoas da época. Por conta disso, a narrativa flui muito  bem, sem se apresentar como um desafio para pessoas que estão começando a  desenvolver o hábito da leitura. O irônico é que se considerar o  Prefácio da edição da Penguin-Companhia<sup>((</sup>Escrito por Oliveira Lima, publicado pela primeira vez n’O Estado de São  Paulo no lançamento da primeira edição do livro de Lima Barreto)) essa qualidade da prosa de Lima Barreto era vista naquele momento como  um defeito, ao qual o autor do prefácio justifica de forma precisa e  corretíssima: “<em>antes, mil vezes antes, singelo, familiar mesmo, do que pernóstico</em>“.</p>
<p style="text-align: justify;">Considerando que quase todo brasileiro  acabou cruzando com Policarpo Quaresma enquanto estudantes, a verdade é  que falar do enredo é até desnecessário: temos o protagonista que  empresta o nome ao título, tentando colocar para funcionar três projetos  de cunho nacionalista: mudar a língua falada no Brasil para o Tupi,  plantar em um sítio e participar da revolta da Armada. O livro é  dividido em três partes, cabendo a cada uma um desses projetos desta  personagem quase quixotesca.</p>
<p style="text-align: justify;">O tom da narrativa é leve, tendendo  algumas vezes para o cômico e ficando mais pesado apenas ao chegar na  terceira parte, aproximando do final trágico da protagonista. Mas é  importante ressaltar que por “leve” não se quer dizer sem valor algum,  já que todo o livro vem recheado de críticas ao Brasil daquela época que  – talvez o mais chocante – em determinados momentos caberia muito bem  para nosso país atualmente.</p>
<p style="text-align: justify;">E retomando a questão da releitura, a  verdade é que muito dessa crítica pode acabar passando batido pelo  leitor, até por desconhecimento de peculiaridades do Brasil da época de  Lima Barreto. É por conta disso que a edição de Penguin-Companhia chega  como um verdadeiro presente para quem está disposto a reencontrar  Policarpo Quaresma: com notas de Lilian Moritz Schwarcz, Lúcia Garcia e  Pedro Galdino, a leitura torna-se muito mais completa, e ainda mais  gostosa. Há páginas que são ocupadas quase que só pelas notas de rodapé  (que eu falhei miseravelmente na tentativa de fotografar para ilustrar  esse artigo). Como já havia dito sobre <a title="papeis avulsos" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/02/16/papeis-avulsos-machado-de-assis/" target="_blank">Papéis Avulsos</a> (Machado de Assis) e <a title="d.h. lawrence" href="http://blog.meiapalavra.com.br/2011/01/02/o-amante-de-lady-chatterley-d-h-lawrence/" target="_blank">O Amante de Lady Chatterley</a> (D.H. Lawrence) o trabalho da editora com os títulos desse selo se  compara a oferecer ao público um DVD recheado de extras. É livro para  quem gosta de livro, para quem gosta de saber sempre mais.</p>
<p style="text-align: justify;">O que traz à memória um trecho <a title="editando clássicos" href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/03/editando-classicos/" target="_blank">de uma coluna de André Conti no Blog da Companhia</a>, no qual ele comenta da questão de ter títulos como o de Lima Barreto entre os lançados pelo selo Penguin-Companhia:</p>
<blockquote><p>O nacionais são ainda mais complicados.  Com exceção dos volumes organizados por nós (seleções de contos, de  peças etc.) e de algumas pérolas esquecidas, são livros de ampla  circulação, com literalmente dezenas de edições, em alguns casos. De  novo: não se pode ter um selo de clássicos que não inclua Machado e Lima  Barreto, por exemplo.</p>
<p>Para que se tornem interessantes ao  leitor, essas edições precisam trazer algo de novo sobre o livro,  invariavelmente. Seja uma reinterpretação ou um trabalho de  contextualização (nas notas de rodapé), é preciso que esses livros  ofereçam uma visão diferente da que se tem da obra. Para tanto, o editor  pode se rodear de bons especialistas, acadêmicos, enfim, alguém capaz  de realizar essa leitura.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E tendo <em>Triste Fim de Policarpo Quaresma</em> em mãos, é legal perceber como eles estão levando à sério esta questão  de fazer algo diferente, que interesse o leitor. Porque não é só um caso  de complementar uma leitura, mas também de tirar excelentes títulos  como esse de Barreto da injusta lista dos traumas da escola. Se você  ainda treme ao ouvir “Triste Fim de Policarpo Quaresma” (que na sua  mente vem sempre com o tom monótono de voz da sua professora), repense  uma segunda chance. Um livro não é considerado um clássico à toa, e o  fato de ter envelhecido tão bem já serve por si só como motivo para  reler. Ou ler, caso na escola você tenha ficado só com o resumo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/04/15/triste-fim-de-policarpo-quaresma-lima-barreto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ficção de Polpa Vol.3 (Vários)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2011/04/12/ficcao-de-polpa-vol-3-varios/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=ficcao-de-polpa-vol-3-varios</link>
		<comments>http://www.anica.com.br/2011/04/12/ficcao-de-polpa-vol-3-varios/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 17:46:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[fantástico]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[ficção de polpa]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[maravilhoso]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://anica.megadodo.com.br/?p=5301</guid>
		<description><![CDATA[E então você já está familiarizado com a série e sabe mais ou menos o que esperar do livro que tem em mãos. Pelo menos você pensa isso quando começa a ler Ficção de Polpa vol.3, da Não Editora. Mal passa a Introdução, já damos de cara com uma surpresa: a primeira história não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
<!-- ALL ADSENSE ADS DISABLED -->
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2011/01/polpa3-350-196x300.jpg" alt="" width="196" height="300" />E então você já está familiarizado com a  série e sabe mais ou menos o que esperar do livro que tem em mãos. Pelo  menos você pensa isso quando começa a ler <em>Ficção de Polpa vol.3</em>,  da Não Editora. Mal passa a Introdução, já damos de cara com uma  surpresa: a primeira história não é um conto, é história em quadrinhos!  Com roteiro de Guilherme Smee e arte de Jader Corrêa, <em>O Quarto Desejo</em> abre a coletânea já mostrando qual será o tom predominante: o fantástico.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez não só fantástico, mas também maravilhoso. Retomando a discussão proposta na <em>Introdução de Contos Fantásticos do Século XIX</em> escrita por Italo Calvino, em todas elas temos o elemento sobrenatural,  que foge da nossa realidade. Mas a sutil diferença é que no caso do  conto fantástico, temos uma explicação sobre os eventos da narrativa,  enquanto no maravilhoso há pura e simplesmente uma suspensão da  realidade, o leitor compra aquela história como “real” e aceita os fatos  sem questioná-los. É mais ou menos o que acontece já com <em>O Quarto Desejo</em>,  no qual temos um homem que pode fazer quatro desejos para um gênio:  você não questionará se é possível a existência de um gênio, apenas  seguirá os desdobramentos da narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5301"></span>E falo disso  porque um dos motivos da resistência que os contos  fantásticos/maravilhosos enfrentam com relação ao público leitor é que  aparentemente os leitores não familiarizados com o gênero apresentam  certa dificuldade em simplesmente se deixar levar, aceitando esse pacto  entre autor e leitor no qual pelo breve período em que você lê, tudo é  possível. Aí busca-se no conto necessariamente uma alegoria, um  “significado oculto”, quando a história busca em determinados momentos  unicamente divertir.</p>
<p style="text-align: justify;">E o terceiro volume de Ficção de Polpa  deve ser lido com isso em mente, sem aquele pé na realidade que tanto  acaba estragando o efeito de histórias piradíssimas (e muito, muito  legais!) como a do sujeito vivendo dentro de uma cobra (<em>Todas as cobras</em>, de Emir Ross) ou de um prédio que ganha vida (<em>O incidente do edifício 476</em>, de Bruno Mattos).</p>
<p style="text-align: justify;">Não é que a coletânea seja rasa, ou  vazia de qualquer significado. Há de se reconhecer o mérito dos bons  contadores de história, os que conseguem nos entreter e fazê-lo com  qualidade. De qualquer forma, para os fanáticos por alegoria, é bom  saber que é impossível ler <em>Os melhores amigos</em> (de Clarice Kowacs), <em>Sonho de Consumo</em> (de Ubiratan Peleteiro) ou <em>Trabalho, chefe e um gole de café</em> (de Luciana Thomé) sem captar uma crítica ao nosso modo de vida.  Ou mesmo <em>Aos pedaços</em> (de Rafael Spinelli), uma alegoria do fim de relacionamento. Por outro  lado, há histórias que são simplesmente histórias, e mesmo assim ótimas.  Tente ler <em>Fabulosas inconsistências</em> (de Felipe Kramer) sem um sorriso no rosto quando chega na conclusão do conto. Ou mesmo, tente não morrer de rir enquanto lê <em>Um insalubre sozinho no escuro</em> (de Cardoso).</p>
<p style="text-align: justify;">E o bacana de quando você caminha pelo fantástico, é que sendo tudo possível, você pode brincar com outros gêneros. <em>A Vila das Acácias</em> (Silvio Pilau) e <em>Indiferente à tragédia</em> (Fernando Mantelli) seguem na linha do horror enquanto <em>Duas fábulas</em> (Lancast Mota) resgata a boa e velha estrutura dos contos de fadas. <em>Recuperação</em> (Antônio Xerxenesky) tem aquele quê de ficção científica e <em>Pelos dentes da baleira</em> (de Roberto de Sousa Causo) lembra as lendas indígenas que estudávamos na escola.</p>
<p style="text-align: justify;">O conto que encerra a coletânea, <em>Admirável Mundo Monga</em> (de Samir Machado de Machado) de certa forma fez com que eu lembrasse de <em>Algo sinistro vem por aí</em> do Ray Bradbury – e que fique claro que isso é um elogio. Até porque  quem foi criança nos anos 80 se apaixonará automaticamente pela  história, que se passa nos tempos das balas xaxá e do chocolate lollo.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, já em seu terceiro volume <em>Ficção de Polpa</em> continua sendo uma série deliciosa, diversão garantida para quem há  algum tempo circula pela área do fantástico. Mas é também uma boa porta  de entrada para quem ainda não leu muita coisa do gênero, até pela  variedade de estilos e, o mais importante, qualidade dos textos. Além do  que, nunca é demais lembrar: literatura nacional. Das boas!</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.anica.com.br/2011/04/12/ficcao-de-polpa-vol-3-varios/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  www.anica.com.br/tag/literatura-brasileira/feed/ ) in 0.37452 seconds, on Feb 11th, 2012 at 7:37 am UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on Feb 11th, 2012 at 8:37 am UTC -->
