• Macunaíma (Mário de Andrade)

    Quando li Macunaíma pela primeira vez, acho que estava nas mesmas condições de temperatura e pressão (hehe) que muita gente que leu Macunaíma pela primeira (e única) vez. Estudante perto do vestibular, com literatura brasileira enfiada goela abaixo e portanto um leve preconceito sobre algo que não me permitiam conhecer sozinha, no meu tempo. Conclusão? Achei um saco. Só parei de torcer o nariz para o nome de Mário de Andrade depois de conhecer a brilhante coletânea de crônicas chamada Os Filhos da Candinha (fica a sugestão aí).

    E então que eu resolvi dar uma segunda chance e pedi de presente de aniversário. Ganhei da Day, que deu para mim outros ótimos livros, incluindo uma versão em inglês de Ensaio sobre a cegueira que ainda tenho que ler. Enfim, que surpresa ahn. Adorei Macunaíma. Devorei o livro nas horas que tinha livre e depois ainda fiquei pensando nele, saboreando alguns momentos e pensando em como deveria ter sido legal conversar com o Mário de Andrade, há.

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  • O Seminarista (Rubem Fonseca)

    Lançado no mês passado, O Seminarista de Rubem Fonseca vem marcado com importantes estreias. No campo do mercado editorial, é a primeira obra inédita de Fonseca publicada pela editora Agir (depois de 20 anos no catálogo da Companhia das Letras). E considerando a tecnologia, foi o primeiro livro lançado também em formato eletrônico, para ser lido no Kindle. E embora a novidade inicialmente não tenha dado muito certo (o e-book estava custando mais caro que a versão impressa desse), isso não tem nada a ver com a qualidade do livro, não é mesmo?

    Somando isso a uma campanha de marketing muito bacana que inclui até um video com ninguém mais ninguém menos do que o próprio Fonseca narrando o começo do livro, fica difícil segurar a curiosidade e esperar para conferir o que o autor de obras como Lúcia McCartney (1967), O caso Morel (1973) e Agosto (1990) trouxe de novo para os leitores.

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  • Areia nos Dentes (Antônio Xerxenesky)

    Desde agosto do ano passado, quando li uma resenha da Ágata lá no blog do Meia Palavra comentando esse livro morro de vontade de ler. O fato do autor ter sido tão bacana e topado uma entrevista (10 perguntas e Meia de abril desse ano) aumentaram ainda mais a curiosidade. Faroeste. Com zumbis. Eu sei, eu sei. Eu me vendo fácil para esse negócio de histórias de zumbis, mas no caso de Areia nos Dentes eu fico mais do que feliz por isso. Porque é um daqueles livros que eu colocaria fácil, fácil entre um dos melhores que li esse ano. E ó, nem tem tanto zumbi assim.

    A narrativa mostra um sujeito tentando recuperar a história da família ao escrever um livro sobre os tempos em que viviam em um povoado no sul dos Estados Unidos. Aos poucos o narrador vai interrompendo a narrativa, seja por um problema com o computador, seja por embriaguez. E quando você já está afoito pensando: cadê os zumbis, cadê, cadêêê?, Já era.  Xerxenesky já prendeu sua atenção e você quer saber dos dois Juans. Você já consegue sentir o calor e a poeira da Mavrak, cidade dos antepassados do narrador.

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  • Catatau (Paulo Leminski)

    leminskicatatau Ganhei o livro há quatro anos e confesso que sempre começava mas depois largava no meio. Minha teoria era de que Catatau deveria ser lido em um fôlego só. Quando percebi que jamais conseguiria ler dessa maneira, larguei mão e resolvi ler aos poucos, como pessoas normais fazem com os livros, sabe? De qualquer forma continuo achando que a experiência teria sido milhares de vezes mais legal se eu pudesse ler assim, e mais: ler em voz alta.

    Catatau é isso, uma experiência. Um “romance ideia”. É uma leitura diferente, com uma intenção diferente partindo do autor. Nas palavras do próprio Leminski: “O Catatau é o fracasso da lógica cartesiana branca no calor, o fracasso do leitor em entendê-lo, emblema do fracasso do projeto batavo, branco, no trópico.”1

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    1. LEMINSKI, Paulo. Catatau Curitiba: Travessa dos Editores, 2004. p.271 []

  • Quem é Capitu?

    Eu sei que ao mesmo tempo que diversas pessoas babam por essa personagem, às vezes até querer atribuir mais mistérios do que aqueles que Machado já deixou, existe lá também uma infinidade de pessoas que tremem só de lembrar que Capitu é personagem de Dom Casmurro (também conhecido como “aquele livro chato que fui obrigado a ler”). Eu, apesar de “obrigada” a ler Dom Casmurro, confesso que estou no primeiro time.

    Não que eu tenha uma adoração tremenda pela personagem. Admiro sim, é a capacidade do Machado de ter incluído em nosso imaginário essa figura que é, por si só, uma interrogação. E acredito que justamente por isso que Quem é Capitu?, recém-lançado pela editora Nova Fronteira, é tão especial: ao invés de focar no mistério básico da traição ou não, ele vai além e mostra faces e faces não só de Capitolina, mas da obra Dom Casmurro em si.

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  • Convite para quem estiver em Curitiba


  • Por que os livros são caros no Brasil?

    O blog Hotel Terra lançou a mesma pergunta no último dia 22: Por que os livros são caros no Brasil? Eu sei que muita gente não dá a mínima para isso – e esse ‘não dar a mínima’ é uma das razões, ou talvez sintomas dos preços altos – mas de qualquer forma, eu como apaixonada por literatura vira e mexe faço essa pergunta, especialmente quando vejo chegando nas livrarias edições nem tão caprichadas que batem na casa dos 60 reais, o que independente de quanto você receba por mês, é muito caro.

    A pergunta no Hotel Terra na verdade serve para abrir espaço para citar um blog de economia estrangeiro, que fez a mesma questão sobre os preços elevados dos livros por aqui. O Marginal Revolution tenta responder com quatro argumentos, embora para falar bem a verdade o primeiro já mata a charada: a maioria dos brasileiros não lê.

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  • O bandido que sabia latim

    Na noite de sábado para domingo comecei a ler a biografia Paulo Leminski – O bandido que sabia latim (escrita por Toninho Vaz), mas foi ontem à noite que a leitura engrenou de um modo que eu simplesmente não conseguia deixar o livro de lado (o que rendeu bastante reclamação do Fábio sobre a luz, hehe). Eu sei que não basta uma personagem interessante sem talento para se contar a história, só que, não desmerecendo o trabalho do Vaz (que é excelente, diga-se de passagem), Leminski parece uma daquelas pessoas que renderam histórias que nem o mais inapto dos escritores conseguiria tirar o brilho.

    O que eu acho engraçado é que quando comecei a ler me dei conta que na realidade nunca fui fã do Leminski, mas da obra dele. E isso é raro, visto que sempre que me apaixono por algum trabalho quero logo fuçar a vida do autor (vide Wilde, Voltaire e Poe, por exemplo). Sabia pouco dele, pelo menos comparado com o que há para se saber.

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  • 1984

    Algo que me perturbou muito durante a leitura de 1984 era a questão da manipulação da História. Lembro que passei dias pensando naquilo, querendo falar disso com alguém, como se eu tivesse um espinho de peixe na garganta. É até por causa disso que acredito que dificilmente a obra do George Orwell sairá da minha lista de favoritos de todos os tempos (mas aí já é outra história).

    Então, para quem não lembra, Winston (o protagonista) trabalhava no Departamento de Arquivos do Ministério da Verdade. E talvez até mesmo por trabalhar nesse departamento, ele ainda tinha uma visão diferente sobre o mundo no qual vivia. Ele sabia que o tempo estava distorcido, tanto que no começo do livro há uma passagem na qual ele escreve no diário e se questiona se de fato está no ano de 1984. Mas o pior, o que realmente aterroriza, é o que eles fazem com as pessoas que são contra o regime político:

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  • Guimarães Rosa

    jgrosa.jpgOntem chegou minha Bravo! de fevereiro, com o tio Rosa na capa. Eu já tinha achado bacana o fato de ter uma matéria sobre ele, mas eu nem imaginava qual seria. Abro a revista e vejo: trata-se da publicação de trechos do diário do escritor dos tempos em que ele esteve na Alemanha. Que tempos são esses, você me pergunta. Bom, nada mais nada menos do que a Segunda Guerra Mundial.

    Para quem não sabe, nesta época Guimarães Rosa era cônsul-adjunto em Hamburgo. Foi mais ou menos isso que o meteu numa roubada de presenciar uma guerra, mas que por outro lado lhe rendeu uma segunda esposa. De qualquer forma, antes que me prolongue: corre para a banca e compre a Bravo. Não só pelos trechos do diário, mas pelo perfil do escritor, é aquele tipo de revista para ter guardada em casa.

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  • Meia Palavra

    books_256.pngNa semana passada divulguei aqui a criação de um fórum de RPG, o Matar! Pilhar! Destruir! Pois hoje estou aqui, toda orgulhosa e serelepe, para divulgar a inauguração do Meia Palavra, para todos aqueles devoradores de livros que adoram falar sobre o assunto. Mas vejam bem, a idéia não é fazer desse um clubinho de leitores, longe disso. A idéia é divulgar a Literatura aqui no Brasil, falar de gente nova que manda muito bem mas que ainda não ganhou o destaque merecido, compartilhar o que nós escrevemos para os outros, falar de eventos relacionados que ocorrerão no país inteiro, enfim, tirar a Literatura de estante e colocá-la no sol.

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