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	<title>.:Hellfire Club:. &#187; as crônicas de artur</title>
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		<title>Top5 livros em 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[E como eu adoro tradições, e mais ainda este clima de retrospectiva que impera no final do ano, vamos lá para o top5 de leituras de 2010. Fiz em 2007, 2008 e 2009, e no caso desta lista vale qualquer coisa lida durante o ano, não necessariamente livros que foram lançados agora. 2010 teve pouco [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">E como eu adoro tradições, e mais ainda este clima de retrospectiva que impera no final do ano, vamos lá para o top5 de leituras de 2010. Fiz em <a title="2007" href="http://www.anica.com.br/2007/12/30/top5-livros-de-2007/" target="_blank">2007</a>, <a title="2008" href="http://www.anica.com.br/2008/12/31/top5-livros-em-2008/" target="_blank">2008</a> e <a title="2009" href="http://www.anica.com.br/2009/12/19/top5-livros-em-2009/" target="_blank">2009</a>, e no caso desta lista vale qualquer coisa lida durante o ano, não necessariamente livros que foram lançados agora. 2010 teve pouco daquelas paixões arrebatadoras, o que não significa que não tive meus bons momentos de leitura. Menos brasileiros este ano, o que me deixou com vontade de estipular como meta para 2011 ler mais do que é feito aqui. Vamos ver se eu cumpro isso, hehe.</p>
<p style="text-align: justify;">O começo do ano foi bem devagar, até porque estava trabalhando. Agora com a licença maternidade meu ritmo de leitura subiu um monte, e a maioria dos livros do top5 são, talvez por coincidência, da segunda metade de 2010. Segue então meu top5, lembrando que os links nos títulos levam para os posts que publiquei sobre os livros.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-5063"></span><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://www.anica.com.br/files/2010/04/macunaima-e1270222045813.jpg" alt="" width="130" height="201" />5. <a title="macunaíma" href="http://www.anica.com.br/2010/01/30/macunaima-mario-de-andrade/" target="_blank"> Macunaíma (Mario de Andrade)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi na realidade uma releitura, mas uma releitura com olhos tão diferentes que é quase como se o livro tivesse caído em minhas mãos pela primeira vez. Eu já era fã do Mario de Andrade cronista, e foi com prazer que me reencontrei com o romancista. Foi tão bom reler Macunaíma que na realidade eu comecei a pensar que todo mundo que leu e odiou na época do vestibular deveria dar uma segunda chance para este livro. Vale muito a pena mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://www.anica.com.br/files/2010/03/oreidoinverno.jpg" alt="" width="130" height="189" />4. <a title="cronicas de artur" href="http://www.anica.com.br/tag/as-cronicas-de-artur/" target="_blank">As Crônicas de Artur (Bernard Cornwell)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vou considerar os três livros como um todo: O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur. Sabe o que digo sobre literatura não ter que ser só a genialidade de quem domina excelentes técnicas de narrativa? Que pode muito bem ser também nos apresentar bons contadores de histórias, ter aquele enredo divertido que prende sua atenção só por entretenimento? Pois Cornwell ganhou um lugar no top5 por causa disso. As Crônicas de Artur são para nerd nenhum botar defeito, diversão garantida do começo ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/11/capa_amuleto_300_div.jpg" alt="" width="130" height="194" />3. <a title="amuleto" href="http://www.anica.com.br/2010/11/22/amuleto-roberto-bolano/" target="_blank">Amuleto (Roberto Bolaño)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fiquei muito feliz por finalmente ter conhecido Roberto Bolaño este ano. Fazia tempos que eu estava encucada com esse autor, querendo saber por que falavam taaaanto dele, e agora eu sei. Eu vergonhosamente ainda não terminei <a title="2666" href="http://www.anica.com.br/tag/2666/" target="_blank"><em>2666</em></a> (empaquei n&#8217;<em>A parte dos crimes</em>) e fiquei em dúvida sobre qual colocaria aqui, se <em>Putas Assassinas</em> ou <em>Amuleto</em>. Resolvi colocar o segundo, até porque foi aquele tipo de leitura que me fez querer ir atrás de mais informações depois, coisa que eu adoro em livros. Vamos ver se ano que vem termino 2666 e confiro outros títulos do Bolaño, né?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignright" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/12/bonequinha.jpg" alt="" width="130" height="196" />2. <a title="bonequinha de luxo" href="http://www.anica.com.br/2010/12/09/bonequinha-de-luxo-truman-capote/" target="_blank">Bonequinha de Luxo (Truman Capote)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu descaradamente estou colocando aqui porque me apaixonei completamente por Holly Golightly, e fazia muito tempo que eu não me apaixonava por uma personagem. Mas a novela toda é uma delícia de ler, e a edição da Companhia das Letras também vem com outros contos do Capote, que também são muito bons (embora não tão inesquecíveis quanto <em>Bonequinha de Luxo</em>). Fazia muito tempo que queria ler, tinha expectativas altíssimas e no fim adorei. Acho que indicaria para qualquer tipo de leitor, mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px;" src="http://meiapalavra.mtv.uol.com.br/files/2010/12/a-elegancia-do-ourico-200x300.jpg" alt="" width="130" height="193" />1. <a title="a elegância do ouriço" href="http://www.anica.com.br/2010/12/15/a-elegancia-do-ourico-muriel-barbery/" target="_blank">A elegância do ouriço (Muriel Barbery)</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Chega dezembro e eu já tinha em mente quais seriam minhas melhores  leituras desse ano, mas acabei me surpreendendo com A elegância do  ouriço de Muriel Barbery e ele ganhou o título de melhor leitura do ano.  Por ser tão plural, como se fosse mais de um livro dentro de um, com  enredo cativante e  exposição de ideias fantásticas, não tinha como ser  diferente. A história da solidão e da vida, do que é ser indivíduo, o  que você é e o que os outros pensam que você é. Recheada de referências  culturais e um dos modos mais tocantes de ensinar o real significado da  palavra nunca. Lindo e imperdível.</p>
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		<title>Excalibur (Bernard Cornwell)</title>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 12:47:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a &#8220;tristeza&#8221; do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/05/excalibur.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4401" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/2010/05/excalibur.jpg" alt="" width="200" height="291" /></a>Finais de sagas são sempre tristes. Não importa se porque a conclusão por si só seja melancólica ou feliz, a verdade é que depois de ler vários livros acompanhando uma determinada personagem, você se apega e aí às vezes a &#8220;tristeza&#8221; do fim tem mais a ver com a despedida do que com o término da história. E não poderia deixar de ser assim com <em>Excalibur</em>, que completa a trilogia <a title="as crônicas de artur" href="http://www.anica.com.br/tag/as-cronicas-de-artur/" target="_blank">As Crônicas de Artur</a>, de Bernard Cornwell.</p>
<p style="text-align: justify">Eu não vou dizer que me apeguei tanto assim à Derfel e cia. São apaixonantes (especialmente Artur, que na maioria das lendas é só um bundão enganado por todos e aqui é um líder cativante) e algumas delas odiosas (lembrando aqui de Lancelote, sempre um dos favoritos em histórias de Artur, e descrito por Cornwell como o mais asqueroso dos covardes). Mas talvez o fato de não ter lido um livro seguido do outro pode ter pesado um pouco na questão do &#8220;apego&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4400"></span>De qualquer modo, <em>Excalibur</em> conclui muito bem a saga. E o título é perfeito, porque dos três eu achei que foi o que mais teve batalhas, mais sangue. Nesse desfecho Artur finalmente consegue se livrar dos saxões (embora todos soubessem que temporariamente) mas aí passa a ter que lidar com as disputas por poder dentro do próprio reino que jurou defender. E se você lembrar qual é a conclusão da lenda de Artur, e mesmo retomar a condição do narrador Derfel desde o primeiro livro (vivendo em um mosteiro, recebendo ordens de Samsum), já dá para imaginar que não é exatamente um &#8220;final feliz&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify">O que mais gostei aqui é, mais uma vez, como Cornwell trabalhou com as personagens. Depois de dois livros eu achava que Guinevere era a vaca mais nojenta de qualquer história já escrita, e em Excalibur ela reaparece como uma personagem extremamente cativante, inclusive participando das batalhas. E não de um jeito forçado, como se ela tivesse acordado da noite para o dia mais bacaninha. Houve um desenvolvimento progressivo, que levou a isso (e me faz lembrar de quando no primeiro livro Igraine diz que odiava Guinevere e Derfel comenta que então falhou miseravelmente em descrevê-la).</p>
<p style="text-align: justify">Outra personagem que muda é Nimue, sempre amiga do narrador e nessa conclusão completamente louca e obcecada com sua religião, ao ponto de fazer o impensável para conseguir o que precisa para completar um ritual: Excalibur e o filho de Artur. Ela aparece como mais uma peça em um tabuleiro cheio de personagens prontas para atacar Artur, que falhou justamente por não aceitar sua natureza, a de ser rei.</p>
<p style="text-align: justify">Vale a pena acompanhar a trilogia, e deixar para trás algumas imagens já cristalizadas sobre o ciclo arturiano. Insisto que a questão de ser a mais verdadeira história de Artur não é exatamente a melhor definição, porque Cornwell mesmo comenta no posfácio que nenhum dos dados nos quais se baseou eram conclusivos e/ou definitivos. Foram inspiradores, no final das contas. O brilho da obra no sentido histórico ainda fica por conta de como o autor descreve os hábitos da época, como por exemplo as comemorações de Beltane e Imbolc.</p>
<p style="text-align: justify">Diversão garantida, daqueles livros que você lê tão rápido que só percebe que chegou no fim porque as personagens estão se despedindo. E se bater saudades, talvez valha a pena arriscar <a title="obras de cornwell" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernard_Cornwell#Obras_do_autor_publicadas_no_Brasil" target="_blank">os outros títulos de Cornwell</a> que já foram publicados no Brasil.</p>
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		<title>O Inimigo de Deus (Bernard Cornwell)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 00:24:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segunda parte da trilogia As Crônicas de Artur (que começa com O Rei do Inverno), O Inimigo de Deus continua narrando as histórias do Rei Artur sob o que seria um ponto de vista historicamente possível. Gosto de insistir na questão de que o &#8220;historicamente possível&#8221; não significa de maneira alguma &#8220;o relato mais fiel&#8221;, [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/03/oinimigodedeus.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-4213" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/uploads/oinimigodedeus-213x300.jpg" alt="" width="213" height="300" /></a>Segunda parte da trilogia <em>As Crônicas de Artur</em> (que começa com <a title="o rei do inverno" href="http://www.anica.com.br/2010/02/07/o-rei-do-inverno-bernard-cornwell/" target="_blank">O Rei do Inverno</a>), <em>O Inimigo de Deus</em> continua narrando as histórias do Rei Artur sob o que seria um ponto de vista historicamente possível. Gosto de insistir na questão de que o &#8220;historicamente possível&#8221; não significa de maneira alguma &#8220;o relato mais fiel&#8221;, uma vez que existem poucos registros sobre o rei bretão que não sejam lendas medievais (obviamente fontes não tão confiáveis).</p>
<p style="text-align: justify">De qualquer forma, <em>O Inimigo de Deus</em> segue cumprindo com a mesma precisão a proposta de narrar as histórias sem o faz-de-conta e romantismo do que muitos pensam ter sido o tom predominante da época. As batalhas são descritas sem poupar qualquer detalhe mais sangrento, algumas convenções sociais da época podem revoltar assim como outros valores chegam a soar até mesmo ilógicos nos dias de hoje. O trabalho de Cornwell nos hábitos alimentares, religiosos e afins continua sendo um dos pontos altos da trilogia.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4212"></span>O  interessante é que se em <em>O Rei do Inverno</em> a magia aparece de forma extremamente dúbia (algumas vezes até mesmo é questionada), em <em>O Inimigo de Deus</em> com uma presença maior de Merlin aparentemente a magia aparece com mais força, em alguns momentos sem dar tanta chance para algum questionamento (como acontecia no primeiro livro, quando quase sempre as coisas eram explicadas a partir do consumo de substâncias alucinógenas). E o que chama a atenção para como esse elemento passa a aparecer ao longo da narrativa, é justamente o fato de que as crenças das personagens passam a ser o eixo principal da obra.</p>
<p style="text-align: justify">Por um lado temos Merlin, Nimue, Derfel e outros na busca pelo Caldeirão (o Cálice Sagrado?), que traria os deuses antigos novamente para a Britânia. Do outro, temos o cristianismo ganhando cada vez mais seguidores, e com isso a igreja conquistando mais poder &#8211; e também o atribuindo a figuras como Lancelote (que deusdocéu, nunca imaginei que poderia ser caracterizado como personagem tão desprezível!). Há também Guinevere (vaca!) como seguidora de Ísis e Artur como um ateu. O que cada um acredita passa a ser razão da luta, uma vez que Artur finalmente consegue unificar a Britânia.</p>
<p style="text-align: justify">Eu ainda me surpreendo com a forma como Cornwell retratou Lancelote. Ele sempre foi um herói nas narrativas arturianas, e mesmo quando se apaixona por Guinevere é como representação típica do amor romântico: amar o que não pode ser seu, o que é impossível. Mas em <em>O Inimigo de Deus</em> ele simplesmente torna-se uma das personagens mais mesquinhas e manipuladoras que já vi em algum romance. E nesse caso é mérito do autor, conseguir fazer de uma personagem que via de regra é sempre tão querida algo tão detestável. Requer muito mais do que coragem, já que o resultado pode ser desastroso (o que não acontece aqui, vale frisar).</p>
<p style="text-align: justify">Mais uma vez uma ótima leitura, que desta vez deixa ainda maior a curiosidade do que está por vir no último volume da trilogia, até pelo modo como a história termina (o que por razões óbvias eu não posso comentar). De qualquer forma, enquanto não leio Excalibur, continuo aqui com a mesma dúvida que tive ao terminar <em>O Rei do Inverno</em>: como é que não filmaram essa trilogia ainda? Ninguém tem notícia alguma sobre adaptação, nem que seja série de TV de algum canal europeu obscuro? Parece um desperdício tremendo deixar essa história só no papel.</p>
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		<title>O Rei do Inverno (Bernard Cornwell)</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 20:45:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está aí um livro que estou retirando da lista de atraso. O Rei do Inverno foi originalmente publicado em 1995, mas só ganhou tradução aqui no Brasil em 2001. Eu o ignorei solenemente desde os primeiros comentários, tinha cá minha birrinha pessoal contra bestsellers. Mas já vão aí quase 10 anos da publicação e as [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify"><a href="http://www.anica.com.br/files/2010/03/oreidoinverno.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-4174" style="border: 0pt none;margin: 5px" src="http://www.anica.com.br/files/2010/03/oreidoinverno.jpg" alt="" width="200" height="291" /></a>Está aí um livro que estou retirando da lista de atraso. <em>O Rei do Inverno</em> foi originalmente publicado em 1995, mas só ganhou tradução aqui no Brasil em 2001. Eu o ignorei solenemente desde os primeiros comentários, tinha cá minha birrinha pessoal contra <em>bestsellers</em>. Mas já vão aí quase 10 anos da publicação e as pessoas continuavam falando do livro, de como era legal, de como passava uma visão diferente das lendas sobre o Rei Artur e então ok, chegou o momento de deixar o preconceito de lado e peguei emprestado com meu tio para conferir.</p>
<p style="text-align: justify"><em>O Rei do Inverno</em> é o primeiro de três livros que compõem <em>As Crônicas de Artur</em>. Como já fica claro pelo nome, a história gira em torno de Artur, tentando deixar ao máximo de lado o elemento fantástico que vemos nas lendas mais conhecidas (como Excalibur sendo entregue para Artur pela Dama do Lago), focando no aspecto real do que eram aqueles tempos e partindo do teoria de que não houve um rei Artur, mas um equivalente a um general extremamente amado e respeitado chamado Artur. Esqueça daquela história de tirar uma espada de uma pedra e o que mais outras lendas possam ter apresentado porque o que você tem em mãos é mais um romance histórico do que fantasia.</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-4129"></span><span>E *é* um romance histórico, o problema é que as pessoas confundem muito romance histórico com sei lá, registro histórico. Eu não nego o mérito de Cornwell na caracterização do cotidiano das pessoas nos tempos de Artur. O que bebiam, comiam, vestiam. Como eram as batalhas, para que deuses rezavam, como dormiam. É um trabalho muito bem feito e, pelo que consta, baseado em pesquisas. Mas o próprio autor afirma em nota no final do livro que existem poucos registros, portanto o que ele escreve é incerto. Por isso é uma pena que editores tentem vender o livro como &#8220;a mais fiel história de Artur narrada até hoje&#8221; porque sem dados concretos fica complicado medir fidelidade. Mesmo Malory ou de Troyes podem ter lá seu quinhão de fidelidade é coisa que provavelmente nunca poderemos saber.</span></p>
<p style="text-align: justify">Deixando esse detalhe de lado (que nem é culpa do autor, vale destacar), é realmente uma obra bem interessante se lida como um romance. A introdução de Derfel Cadarn como o narrador é uma boa jogada. A ideia é que ele está escrevendo a história de Artur a pedido de uma rainha (Igraine), que esporadicamente o visita para saber a quantas andam os escritos. Com isso, em vários momentos vemos Cornwell brincando com o que já está cristalizado no imaginário popular como um capricho de Igraine.</p>
<p style="text-align: justify">Como por exemplo, transformar Lancelote em um grande cavaleiro. Confesso que eu sendo fanzoca de Lancelote desde a adolescência foi inicialmente difícil aceitar o príncipe mimado e covarde que nos é apresentado, mas quando ele chega Derfel já envolveu o leitor de tal forma com sua história que chega até a vibrar nos momentos que o narrador dá umas desancadas no que seria o mais famoso dos cavaleiros de Artur.</p>
<p style="text-align: justify">A questão da magia também é colocada de forma dúbia, o que é bem interessante e colabora com a intenção de aproximar-se ao máximo possível da realidade. Ainda no início Derfel em conversa com Nimue, uma &#8220;sacerdotisa&#8221; de Merlin, questiona se não há de fato magia. Tudo parece ser simplesmente uma questão de truque, e mesmo o contato com deuses em vários momentos é relacionado com uso de substâncias alucinógenas, nunca deixando claro de fato se há magia mesmo, embora seja indiscutível a presença da superstição.</p>
<p style="text-align: justify">Artur é um caso à parte. Na minha adolescência fui apaixonada por lendas arturianas, e a verdade é que todas as versões que eu lia pecavam em um ponto, que era retratar Artur como um bocó fraco. Há sempre alguma personagem que se sobressai, que o domina. Não é o que acontece em <em>O Rei do Inverno</em>, no qual Artur é retratado como um apaixonante <em>Dux Bellorum</em> (<em>warlord</em>), forte e inteligente e cujas falhas do caráter mesmo assim são qualidades: sempre disposto a perdoar os inimigos, acaba criando arapucas para si mesmo no futuro.</p>
<p style="text-align: justify">É até por conta dessas personagens cativantes que trata-se de um livro gostoso de ler, daqueles que você mal se dá conta que já está quase chegando no fim em poucos dias. E sim, fiquei bastante curiosa sobre a continuação, <em>O Inimigo de Deus</em>, que pretendo ler em breve. E alguém sabe dizer por que não saiu filme dessa trilogia ainda?!</p>
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