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	<title>.:Hellfire Club:.</title>
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		<title>Top5: Novelas</title>
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		<pubDate>Sat, 25 May 2013 14:14:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Não, eu não vou falar de novelas da tv, até porque eu acho que a última que assisti do começo ao fim foi A Usurpadora.  Negócio é que notei que volta e meia falo sobre novela (em literatura) e aí fico sentindo falta de um linkezinho que traga uma (tentativa de) explicação sobre o que [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;">Não, eu não vou falar de novelas da tv, até porque eu acho que a última que assisti do começo ao fim foi <em>A Usurpadora</em>.  Negócio é que notei que volta e meia falo sobre novela (em literatura) e aí fico sentindo falta de um linkezinho que traga uma (tentativa de) explicação sobre o que é novela e alguns exemplos disso. Então veio uma ideia de voltar para o bom e velho <a href="http://www.anica.com.br/category/top5/" target="_blank">top5 do Hellfire</a>, trazendo uma seleção com minhas novelas favoritas, ieiii! Ok, primeiro as (tentativas de) explicações. Normalmente as pessoas resumem toda a lenga lenga em &#8220;Novela é um texto mais longo que um conto, porém mais curto do que um romance&#8221;. Você já deve ter lido isso por aí, inclusive no Hellfire mesmo. O negócio é que é um tanto chato fazer uma definição que vá além disso, porque na realidade: 1) ninguém liga para esses detalhes, e aí todo mundo prefere dividir entre curto (conto) e longo (romance); 2) editoras e autores também não facilitam o trabalho, já que às vezes chamam de conto o que é novela, e de romance o que é novela e 3) a definição curtinha até que é boa, no final das contas.</p>
<div id="attachment_6498" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mkxw4a8kc51qcga5ro1_500.gif"><img class="size-full wp-image-6498" alt="tumblr_mkxw4a8kc51qcga5ro1_500" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mkxw4a8kc51qcga5ro1_500.gif" width="500" height="234" /></a><p class="wp-caption-text">Traçando um paralelo, romances seriam 11.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-align: justify;">Mas tudo bem, vamos aos detalhes. Há quem diga que novela seja um texto que tenha algo entre 20 ou 40 mil palavras, o que é só uma versão com números da definição curta, se você for pensar bem. Negócio é que há concursos literários que premiam contos e novelas, e aí a diferenciação entre categorias fica justamente por conta do número de palavras, caso do Prêmio </span><a style="text-align: justify;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9mio_Nebula" target="_blank">Nebula</a><span style="text-align: justify;">, que premia além de  roteiros, também contos, novelas, noveletas (sim, a coisa complica) e romances, levando em consideração o número de palavras. O conto, por exemplo, tem menos de 7.500 palavras, se tiver pouco mais do que isso já é noveleta.<span id="more-6497"></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas para quem desconfia dessa exatidão toda, há outras dicas para conseguir diferenciar uma novela de um conto, todas consequências óbvias do tamanho ligeiramente maior. Personagens e enredos são mais desenvolvidos do que nos contos (pense em uma maior ênfase aos sentimentos, motivações e conflitos), porém ainda não há a presença de várias subtramas como acontece com o romance: você tem em mãos uma história, com um narrador se concentrando unicamente naquela história do começo ao fim. Ficou vago? Pois eu não disse que a definição curtinha até que é boa? Se você parar para pensar que o Mario de Andrade um dia disse que &#8220;<em>um conto é o que um autor chama de conto</em>&#8220;, já dá para entender porque o assunto é um pepino (e também porque mais e mais as pessoas resolvem ignorar a existência da novela e definir tudo como conto ou romance). De qualquer forma, vai aí meu top5 novelas para você ter alguns exemplos que talvez possam ajudar a entender qual é a da novela (e para entender também o tamanho do abacaxi: algumas das novelas listadas são consideradas contos ou romances por algumas pessoas. Eta!).</p>
<div id="attachment_6499" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_inline_mlhfazQuyw1qz4rgp.gif"><img class="size-full wp-image-6499" alt="Ok, deixa para lá. Vamos mariodeandradezar e dizer que uma novela é o que eu chamo de novela." src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_inline_mlhfazQuyw1qz4rgp.gif" width="400" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Ok, deixa para lá. Vamos mariodeandradezar e dizer que uma novela é o que eu chamo de novela.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><strong>TOP 5 NOVELAS!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><em>5. <a href="http://www.anica.com.br/2010/12/09/bonequinha-de-luxo-truman-capote/" target="_blank">Bonequinha de Luxo (Truman Capote)</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Quando falei sobre essa novela comentei que era certo que Holly Golightly entrou no imaginário popular por conta da maravilhosa atuação de Audrey Hepburn, mas que após ler o livro me dei conta que a atriz recebera a personagem pronta. Holly é apaixonante, a personagem feminina mais encantadora que já li, seja por suas incongruências ou suas manias, <em>Bonequinha de Luxo</em> é isso: Holly, Holly, Holly! Mas de um jeito gostoso, fluido, impossível de largar até chegar ao fim (e aí se arrepender por ter acabado tão rápido).</p>
<p style="text-align: justify;"><em>4. <a href="http://www.anica.com.br/2006/08/01/vampiros/" target="_blank">Eu sou a Lenda (Richard Matheson)</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu nunca vou esquecer de como Matheson foi capaz de desenvolver um clima completamente claustrofóbico do início ao fim. E não só isso, mas também o fim. AQUELE FIM. Só tenho a lamentar sobre a adaptação com Will Smith, porque ela estraga justamente o que a novela tinha de melhor. E ainda fez com que algumas pessoas pensassem que é uma história de zumbis, quando é de vampiros, blé!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>3. Cândido, ou O Otimismo (Voltaire)</em></p>
<p style="text-align: justify;">Eu era uma guria de 13 anos quando li este livro pela primeira vez. Gostei tanto, mas tanto, que juro que desenvolvi uma crush meio bizarra pelo Voltaire. É divertido, é inteligente. E, assim como muitas obras do filósofo, bastante atual em algumas críticas ainda nos dias de hoje. Ah, e para quem gosta de história, é um prato cheio: A guerra dos sete anos, o terremoto de Lisboa&#8230;  não há evento infeliz daquele período que o pobre Cândido não tenha presenciado.</p>
<div id="attachment_6500" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_l0awc1aCrs1qze7wqo1_500.jpg"><img class="size-full wp-image-6500" alt="Só para compensar o fato de eu nunca ter escrito sobre Cândido nesses quase 10 anos de Hellfire." src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_l0awc1aCrs1qze7wqo1_500.jpg" width="500" height="685" /></a><p class="wp-caption-text">Só para compensar o fato de eu nunca ter escrito sobre Cândido nesses quase 10 anos de Hellfire.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><em>2. <a href="http://www.anica.com.br/2010/06/02/bartleby-o-escrivao-uma-historia-de-wall-street-herman-melville/" target="_blank">Bartleby, o Escrivão (Herman Melville)</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Se você pensa que o fato de uma novela ser mais curta do que um romance tem alguma coisa a ver com a profundidade de uma obra, dá uma conferida nesse aqui. Na segunda vez que li <em>Bartleby</em> fiquei com tantas questões na cabeça que na realidade achei que precisava de mais algumas outras para encontrar as respostas. Há toda uma melancolia na apatia da personagem, contrastando um tanto com algumas ações do patrão, que chegam a ser cômicas. É uma história belíssima e bastante marcante.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>1. <a href="http://www.anica.com.br/2011/07/28/a-outra-volta-do-parafuso-henry-james/" target="_blank">A outra volta do parafuso (Henry James)</a></em></p>
<p style="text-align: justify;">Eterna querida não só entre novelas, essa história é simplesmente excepcional. Se você for pensar em como a narrativa é breve, e em como mesmo com poucas palavras James consegue criar uma atmosfera apavorante e, mais do que isso, um texto que oferece tantas possibilidades de leituras, não tem como não admirar.</p>
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		<title>How I Met Your Mother (S08E11 até Season Finale)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/24/how-i-met-your-mother-s08e11-ate-season-finale/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2013 11:48:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[how I met your mother]]></category>
		<category><![CDATA[oitava temporada]]></category>
		<category><![CDATA[séries de tv]]></category>

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		<description><![CDATA[No episódio anterior de Anica fala da oitava temporada de How I Met Your Mother&#8230; Certo, não parece muito animador. De qualquer forma, uma boa notícia: o episódio da semana que vem durará uma hora (daquele tipo “dois episódios em um”). E, segundo a notícia que eu li, uma coisa muito importante acontece. E parece que [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[
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<div id="attachment_6487" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/barney.png"><img class="size-full wp-image-6487" alt="barney" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/barney.png" width="500" height="247" /></a><p class="wp-caption-text">Se o grande evento é o casamento dele, então essa temporada foi&#8230;</p></div>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/2012/12/12/how-i-met-your-mother-s08e01-ate-s08e10/" target="_blank">No episódio anterior</a> de Anica fala da oitava temporada de <em>How I Met Your Mother</em>&#8230;</p>
<blockquote><p>Certo, não parece muito animador. De qualquer forma, uma boa notícia: o episódio da semana que vem durará uma hora (daquele tipo “dois episódios em um”). E, segundo <a href="http://screencrush.com/how-i-met-your-mother-hour-long-holiday-episode/" target="_blank">a notícia que eu li</a>, uma coisa muito importante acontece. E parece que parte da equipe chorou em algumas cenas . Parece promissor. Negócio é esperar pelo dia 17, que poderá marcar o momento em que a série voltou aos trilhos.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">O episódio em questão foi <em>The Final Page</em> (com parte <a href="http://www.imdb.com/title/tt2556002/" target="_blank">1</a> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt2556008/" target="_blank">2</a>). A coisa importante era o desenvolvimento do plano de Barney para pedir Robin em casamento, uma cena fofinha e toda nhooooum e bem legal porque brinca um pouco com a &#8220;mitologia&#8221; da série, já que o pedido envolve o famoso playbook do Barney. Mas a cena que fez parte da equipe chorar acho que foi a do Ted sozinho no final do grande evento. E cheesus, como o Ted sofreu nessa temporada &#8211; pelo menos a partir do rompimento com a Victoria. Não só por esse momento em <em>The Final Page</em>, mas com outros dois em episódios seguidos, <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt2733014/" target="_blank"> The Time Travelers</a></em> (S08E20) e <a href="http://www.imdb.com/title/tt2815916/" target="_blank">Romeward Bound</a> (S08E21). Em Romeward Bound tem aquele baita xulépt que o Barney dá nele, dizendo &#8220;Eu vou casar com Robin, não você&#8221;. Aquilo foi tão seco, tão não-Barney que achei que iria repercutir de alguma forma nos episódios seguintes, mas ficou por aquilo mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6485"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Já <em>The Time Travelers </em>de início foi um daqueles episódios de &#8220;alívio&#8221;, digamos assim.  Ele sai um pouco das amarras da linha da narrativa atual, traz os personagens no que lembra os melhores momentos da série, tudo seguindo muito bem. Até descobrirmos que é só piração do Ted, que aquilo aconteceu há tempos e que, pans, <a href="http://24.media.tumblr.com/a758fbd34bda0f00dbbce8e3a6323bb2/tumblr_mkmh2w0AMX1rm93eio1_500.png" target="_blank">ele está <em>sozinho</em></a>. E aí tem <a href="http://bewitchedportraits.tumblr.com/post/46303383851" target="_blank">todo aquele discurso para a mãe</a> (sobre o qual vou comentar daqui a pouco) e pronto, tá aí um dos episódios mais tristes de <em>How I Met Your Mother. </em></p>
<p style="text-align: justify;">E se ainda não bastasse, tem o problema de Ted ainda estar apaixonado por Robin, para deixar tudo ainda mais deprê. Eu sinceramente vejo um problema bem grande na série como um todo quando a questão é o Ted e a Robin. <a href="http://www.imdb.com/title/tt0460649/board/nest/214581959?ref_=tt_bd_2" target="_blank">Como um cara apontou no IMDb</a> (vou copiar e colar aqui o que ele disse):</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">In the very first episode Future Ted said: &#8220;And that is how I met your aunt Robin&#8221;. So now everyone knows that Robin isn&#8217;t the mother. And yet they made 2 ENTIRE SEASONS like a big love story between them. But it&#8217;s ok they broke up, now it&#8217;s over right?  NO! After the 2 seasons they still do a lot of things with Ted and Robin, it&#8217;s like they will end up together, Ted gave up of a &#8220;future wife&#8221;(Victoria) because of Robin and stuff like that. But now we are entering the last season, Robin is going to marry Barney, Ted declared his great love for the future mother, so now it is over right? NO! They continue to do things that make me think they are setting up a Ted and Robin end, but that is not beautiful or funny because everyone knows that is not going to happen. In the very last episode of the season, when Barney and Robin are getting married and WE FINALLY SEE THE MOTHER, guess what? They are making a love story with Robin. With all that collar thing, and that big love line Ted said to Lily about Robin and the &#8220;revelation&#8221; that Robin in fact wanted to marry Ted, for me the appearance of the mother was totally anti-climatic, and she seems like a intruder. Seriously, why after 8 years they still are building up a romance that everybody knows it is not going to happen? Even after all signs with Ted almost meting the mother, or declaring his love 45 days before they met, and Robin marrying Barney. Why they do that with just 1 season remaining? It&#8217;s not funny or intriguing anymore. Are they thinking about a Ted/Robin ending even if she is not the mother? (I don&#8217;t see how) or they are retarded like that?</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, nos dois últimos episódios da temporada, <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt2795770/" target="_blank">Something Old</a></em> (S08E23) e <em><a href="http://www.imdb.com/title/tt2861788/" target="_blank">Something New</a></em> (S08E24) temos mais momentos de Ted mimizando pela Robin. No episódio final, quando ele fala para Lily que faria de tudo para fazer Robin sorrir e yadda yadda yadda, quase quebra o clima do grande evento do ano, que é o fato de FINALMENTE <a href="http://25.media.tumblr.com/14d58a3df5a7b473db409fa5d60481b2/tumblr_mn7qwsvafU1sq17oio1_500.jpg" target="_blank">vermos o rosto da mãe</a>.  Porque né, grandes coisas a mãe aparecer se o cara ainda é louco pela Tia Robin. Única coisa que achei legal daquele momento na chuva com Ted e Robin do episódio <em>Something Old</em> é que ele de certa forma faz referência a uma fala do Barney <a href="http://www.imdb.com/title/tt1737327/" target="_blank">lá da sexta temporada</a>: <em>New is always better.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/newisalways.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6486" alt="newisalways" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/newisalways.jpg" width="500" height="665" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mas fora estes episódios, a realidade é que a oitava temporada se arrastou com muita encheção de linguiça e pouca coisa realmente relevante. Alguns momentos engraçados, sim, lembrando que Lily e Marshall reconquistaram o espaço que tinham perdido com a chegada de Marvin, Barney e Robin vão mostrando que nasceram um para o outro e Ted pulou de uma garota para outra para marcar o fim da gandaia e o momento em que finalmente conhecerá a mãe e sossegará. Se me perguntassem eu diria que dá para pular alguns episódios sem qualquer risco de não compreender a história depois, sério. Era por causa disso que eu torcia para que essa fosse a última temporada, porque aí da metade para o final eles seriam obrigados a caprichar, mas aí acabou que assinaram para uma nona temporada e começaram as embromações.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a mãe: gostei que não tenham escolhido uma atriz famosa. E é óbvio que depois de oito temporadas, fica meio difícil atender às expectativas de todo mundo, mas eu achei até ok. Lado ruim da coisa toda é que logo após revelarem a identidade da mãe, começaram a sair notícias dizendo que a nona temporada cobrirá em seus 24 episódios: UNICAMENTE O FINAL DE SEMANA DO CASAMENTO DE BARNEY E ROBIN. Fala sério! Se a oitava foi embromation, imagina essa. Na entrevista que li (e linko aqui depois), a ideia é fazer com que cada um do grupo conheça a mãe antes do Ted, que aparentemente a conhecerá ali mesmo na estação de trem. Eu até acho a ideia razoável para uns dez episódios, mas 24? Aff.</p>
<p style="text-align: justify;">E aí voltando para a questão do Ted e da Robin, o negócio que deixei para comentar depois do discurso do Ted em <em>The Time Travelers</em>: muita gente por aí (incluindo eu), ficou com a decisão que aquele &#8220;eu quero esses 45 dias a mais&#8221; dão uma sensação de que quando o Future Ted está contando a história para os filhos, a mãe já morreu. Então que para as pessoas que como eu acham que a série foi muito mais sobre o amor de Ted por Robin do que o cara encontrando a mãe (hehe), o negócio é que abre uma possibilidade de os dois ficarem juntos no final. Mas ok, é wishful thinking, eu sei. Até porque as crianças mostram uma cara de enfado que eu acho que não mostrariam se o pai resolvesse falar um pouco sobre a mãe falecida, e de como a Tia Robin virou madrasta, hehe.</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo todo o blablabla, foi uma temporada bem fraquinha, na primeira metade por apagarem completamente Marshall e Lily, na segunda metade por insistirem tanto na solidão de Ted que o clima geral ficou bem longe da comédia que a série costumava ser. Sim, HIMYM teve muitos momentos tristes ao longo dessas oito temporadas (pai de Marshall, Robin descobrindo que não pode ter filhos, rompimento de Lily e Marshall, etc.), o que é normal em séries desse tipo. Mas quando o protagonista parece estar constantemente numa pior,  alguma coisa tem que estar errada, não?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pior episódio da temporada</strong>: <a href="http://www.imdb.com/title/tt2428798/" target="_blank">Nannies</a> (S08E03)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Melhor episódio da temporada</strong>: <a href="http://www.imdb.com/title/tt2733014/" target="_blank">The Time Travelers</a> (S08E20)</p>
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		<title>Not a Star and Otherwise Pandemonium (Nick Hornby)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 May 2013 11:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[nick hornby]]></category>
		<category><![CDATA[not a star]]></category>
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		<description><![CDATA[Então que eu estava lá sofrendo minha crise de abstinência de Nick Hornby e fui fuçar nas livrarias gringas se tinha alguma novidade, o pelo menos algo que fizesse com que eu apagasse da memória o péssimo Everyone&#8217;s Reading Bastard. Acabei encontrando na Amazon não exatamente algo novo, mas pelo menos um livro que nunca [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/56505.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-6481" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="56505" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/56505-225x300.jpg" width="225" height="300" /></a>Então que eu estava lá sofrendo minha crise de abstinência de Nick Hornby e fui fuçar nas livrarias gringas se tinha alguma novidade, o pelo menos algo que fizesse com que eu apagasse da memória o péssimo <a href="http://www.anica.com.br/2012/07/26/everyones-reading-bastard-nick-hornby/" target="_blank">Everyone&#8217;s Reading Bastard</a>. Acabei encontrando na Amazon não exatamente algo novo, mas pelo menos um livro que nunca tinha lido: <em><a href="http://www.amazon.com/Not-Star-Otherwise-Pandemonium-ebook/dp/B002R88EWE" target="_blank">Not a Star and Otherwise Pandemonium</a></em>. Publicado em 2009 (viu, eu disse que não era novo), o livro saiu pela Riverhead Books, como parte da <a href="http://www.us.penguingroup.com/static/pages/whatsnext/eSpecials.html" target="_blank">Penguin eSpecials</a>. Nunca ouviu falar da Penguin eSpecials? Pois é, eu também não conhecia. Diz o site que &#8220;eSpecials são para leitores de ebooks que querem mais de um autor que já admiram&#8221;. Uou, gente, é bem o meu caso. Vem ni mim, Hornby.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro abre com <em>Not a Star</em>, um conto (ou novela, parece um pouco longo mas o fato de eu estar lendo de madrugada e com sono pode ter afetado o meu julgamento) originalmente publicado em 2000. Conta a história de uma mãe que um dia descobre que o filho é ator de filme pornô. Achou ruim? Calma, piora: ela descobre também que o rapaz é extremamente avantajado. É até um conto bacaninha, gostei principalmente das divagações da narradora mais para o final. Vale lembrar também que Lynn é uma narradora feminina até bem razoável, o que acho um ponto positivo, já que o na minha opinião o Hornby não é muito feliz nas histórias com narradoras femininas.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6480"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O problema principal do conto é não conseguir achar o tom: se comédia ou se um drama, digamos assim. A parte dos &#8216;n&#8217; trocadilhos que os pais de Mark faziam sem querer sobre o tamanho do pênis do filho é realmente engraçada, mas a insegurança do marido sobre o tamanho do próprio pênis fica parecendo um pouco desnecessário, sobretudo se lembrarmos que é uma forma curta de texto. A partir daí a parte cômica vai ficando mais rara para chegar a um ponto das já mencionadas divagações de Lynn, que sim, eu gostei, mas que acabam estragando o tom da história: ué, não era para ser engraçado? Quando de repente a coisa toda virou a história de uma mulher que perdeu um filho ainda bebê e que acha que nada de realmente ruim acontece em sua vida?</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, o conto é até ok. Não é o melhor do que eu li do Hornby, mas certamente está beeeem mais para frente de <em>Everyone&#8217;s Reading Bastard</em>. Só que aí com a abertura mais morna, quando cheguei no segundo conto já nem estava esperando grandes coisas. Para piorar: narrador era um adolescente que tinha decidido perder a virgindade. Li os primeiros parágrafos, revirei os olhos, acabei achando melhor ir dormir e deixar a leitura para depois. Acabei no dia seguinte, em poucos minutos e, como você provavelmente já deve estar esperando, queimei a língua e adorei.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Otherwise Pandemonium</em> (2005) começa de um jeito que de maneira alguma você consegue pensar que vai se transformar em algo próximo a um episódio de além da imaginação. O narrador-protagonista é um adolescente ali na casa dos 15 anos, que após mudar de cidade está com dificuldades para fazer amigos porque todo mundo fala dos jogos da NBA, e ele nunca pode assisti-los à noite porque tem ensaio com a banda da escola. Resolve assim comprar um video cassete, para gravar os jogos e assistir quando voltasse dos ensaios, o negócio é que logo na primeira noite ele descobre que seu video cassete consegue avançar o que é transmitido na tv. Ele vê o jornal da manhã seguinte, vê episódios de <em>Friends</em> e de <em>Buffy</em> que ainda nem foram ao ar e também vê os jogos da NBA, é claro.</p>
<p style="text-align: justify;">E se aqui você esperava qualquer coisa sobre ele usar essas informações para ser um garoto popular na escola, vem aqui a parte que me conquistou completamente (até porque nunca, nunca esperei que Hornby fosse para esses lados um dia). Hum, spoiler, pula lá para o próximo parágrafo. Então, ele fica completamente obcecado, passa todo seu tempo livre avançando a programação da tv. Até que percebe que há algo de estranho: vê imagens de telejornais mostrando pessoas fugindo de casa, desesperadas. Sem entender o que acontece, avança até chegar a um comunicado da presidente que é seguido de imagens de pessoas fugindo de Nova York. E então, estática. É o fim do mundo. Óbvio que os eventos mudam a forma de ver até o aspecto mais trivial da vida (comprar roupas para quê?), e é o que levará o garoto até sua primeira vez. Mas acredite, o frio que dá na barriga, até pelo inesperado da situação, faz valer todo o conto.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas além disso tem também a voz do narrador, bem bacana para um adolescente, fugindo até daquele problema do Hornby em criar adolescentes maduros demais. Você quase consegue ouvir a voz do garoto, enxergá-lo contando tudo aquilo, até por conta de algumas expressões utilizadas pelo autor ao longo da história. O irônico é que enquanto Hornby erra a mão ao não saber dosar o cômico do dramático no primeiro conto, aqui ele também mistura os tons, mas consegue dar conta muito bem disso &#8211; não fica a sensação de estar lendo duas histórias em uma, é tudo uma coisa só, bem alinhavada, mesmo que o modo de contar do menino seja completamente caótico.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi uma surpresa tão boa que chego até a ficar triste por Hornby não ter tentado mais nada dentro da ficção especulativa, acho que ele escreveria muita coisa legal nesse campo. E bem, mesmo que curto o livro acabou servindo para abrandar um pouco a abstinência. Ainda bem, até porque pelo que eu andei especulando, livro novo dele só em 2014.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo: em 2005 a Penguin lançou o livro com o mesmo conteúdo, só que sob o título <em>Otherwise Pandemonium</em> em uma coleção de pockets para celebrar os 70 anos da casa. A capa é <a href="http://www.amazon.com/Otherwise-Pandemonium-Pocket-Penguins-Hornby/dp/0141022515" target="_blank">esta aqui</a>, mas como dá para notar pelo link, pelo menos na Amazon americana ele está esgotado.</p>
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		<title>O Psicopata Americano (Bret Easton Ellis)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/22/o-psicopata-americano-bret-easton-ellis/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 12:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[bret easton ellis]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/O_psicopata_americano.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6476" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="O_psicopata_americano" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/O_psicopata_americano-179x300.jpg" width="179" height="300" /></a>Perto do final do romance <em>O Psicopata Americano,</em> de Bret Easton Ellis, temos um capítulo chamado “Fim da década de 1980″. A verdade é que este bem que podia ser um título para a obra de Ellis, já que resume tão bem o espírito geral do que se lê ao longo das quase 500 páginas, em uma narrativa sob o ponto de vista de Patrick Bateman. Bateman é o “psicopata” da história, mas inicialmente aparece apenas como mais um <em>yuppie </em>(termo usado para se referir a jovens adultos de classe média ou alta), com uma rotina tão próxima do esteriótipo que chega quase a ser um clichê. Ele se preocupa com a marca das roupas que usa, repara nas que seus colegas de trabalho usam, quer frequentar os lugares da moda, é mimado, egoísta e completamente desprovido de grandes sentimentos pelas pessoas próximas. É quando ele começa a falar em cabeças decepadas no congelador que o leitor passa a perceber que cheirar cocaína não é o único ato criminoso que Bateman comete.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu poderia seguir comentando sobre os assassinatos, mas durante a leitura resolvi tomar outro caminho. Explico: à medida que Bateman vai perdendo o controle sobre suas vontades e ficando cada vez mais violento, a narrativa fica pesadíssima. Torturas envolvendo choque elétrico, uma ratazana sendo colocada dentro da vagina de uma mulher, pedaços de outra sendo cozidos, etc. E acreditem, eu estou sendo breve e poupando os detalhes. Tem que ter estômago mesmo, e quem fala aqui é uma fã de filmes <em>slashers</em>, para ter ideia. Mas apesar de toda a piração do narrador ao descrever seus atos, não consigo deixar de ficar com uma certa pulga atrás da orelha sobre se os crimes <em>realmente</em> aconteceram, ou se ele estava apenas imaginando coisas. Algumas passagens colocam isso em dúvida, e por isso que foquei em outro aspecto, o de ninguém prestar atenção em ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;"><em id="__mceDel"><span id="more-6475"></span></em></p>
<p style="text-align: justify;">E foi nisso que esse livro de Ellis me conquistou totalmente. Porque sim, é um retrato dos anos 80, como fica claro nas inúmeras idas de Bateman à locadora, ou mesmo nos geniais capítulos em que ele abandona o fluxo de consciência para escrever como um crítico sobre figuras da música pop da década, como Genesis ou Whitney Houston. São outros tempos, mas parece que pouco muda. Se representasse o grupo de amigos de Bateman hoje em dia, seria com várias pessoas em uma mesa de bar mexendo em seus <em>smartphones</em> de última geração, mas as pessoas ainda assim seriam as mesmas, com o mesmo modo de agir. Todos falam sobre tudo, mas ninguém ouve absolutamente nada.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior prova disso é que Bateman mais de uma vez diz em voz alta com todas as letras que é um psicopata, mas as pessoas não acreditam nele. De certa forma, lembrei de uma frase da personagem <a title="don drapper" href="http://www.amctv.com/shows/mad-men/cast/don-draper" target="_blank">Don Drapper</a>, da série Mad Men: “As pessoas te dizem quem elas são, mas nós ignoramos porque queremos que elas sejam quem nós queremos que elas sejam”. E com isso estão todos condenados à solidão, mesmo acompanhados. O próprio narrador não foge à regra, como se observa nas descrições dos encontros com os amigos (e mesmo com Evelyn ou a amante Courtney). O interlocutor está falando sobre a vida, o universo e tudo o mais, e ele fica pensando se conseguirá chegar em casa a tempo de assistir o David Letterman.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda a óbvia crítica à sociedade de consumo. Chega uma hora que já ficamos até acostumados, mas absolutamente tudo que Bateman vê é reconhecido por sua marca. Ao descrever uma rotina simples envolvendo uma prática de exercícios e um café da manhã, ele vai nomeando as marcas de tudo que compra, desde o produto para pele até os pratos que utiliza. E a observação se prolonga para as pessoas com quem convive, desde a secretária até os colegas de trabalho. Dos sapatos até o casaco, tudo pertence a alguma marca de renome. E o círculo de convívio de Bateman não parece fugir à regra, já que regam a história com diálogos sobre marcas de água mineral ou como é o modo mais adequado de se utilizar um colete. É como se ninguém quisesse falar sobre sentimentos, só sobre coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">E essa situação é tão comum até mesmo nos dias de hoje, tão ligada ao fato de que nossa sociedade cada vez mais converge para o “eu”, numa insana tentativa de formar uma sociedade de egoístas, que é por isso que eu acho que o livro merece uma leitura mesmo 21 anos após ter sido publicado. Ele permanece atual, vivo, mexendo com o leitor não só pela violência gratuita dos atos de Bateman, mas também por ser tão verdadeiro no modo como nos comportamos que chega a ser cruel.</p>
<p style="text-align: justify;">Em tempo, dois comentários:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>O livro foi lançado em setembro do ano passado pela L&amp;PM e uma parceria que até então eu desconhecia com a editora Rocco. A Nanni da L&amp;PM explicou como funciona: “<em>são títulos cujos direitos de publicação pertencem à Rocco, que, por sua vez, nos concede a permissão para publicação em formato pocket. Tudo começou com alguns títulos de Agatha Christie e Simenon, que depois de um tempo acabaram sendo comprados pela L&amp;PM e hoje são exclusividade nossa. Os livros que ainda fazem parte da parceria com a Rocco são <a title="estes" href="http://lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=510927&amp;SubsecaoID=0&amp;Serie=Rocco/Cole%E7%E3o%20L%26PM%20Pocket" target="_blank">estes</a>.</em>“</li>
<li>O livro ganhou uma adaptação para o cinema em 2000, com Christian Bale no papel de Patrick Bateman. Eu acho engraçado que o humor que eu consegui captar na versão cinematográfica eu não achei assim tão fácil na obra de Ellis. Fica como amostra do tal humor uma cena do filme, <a title="bateman e os cartões" href="http://www.youtube.com/watch?v=l8j4trKy_0Y" target="_blank">com Bateman e seus amigos discutindo sobre cartões de visita</a>.</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #ff0000;"><strong>Atualização de 22/05/2013</strong></span></span>: Ano passado comecei a seguir o <a href="https://twitter.com/BretEastonEllis" target="_blank">Bret Easton Ellis no twitter</a>. Descobri que é o cara mais azedo e amargo do mundo, o que ficou comprovado com <a href="http://www.guardian.co.uk/books/2012/sep/06/bret-easton-ellis-david-foster-wallace" target="_blank">a babaquice dele sobre o David Foster Wallace</a> e a seleção de<a href="http://flavorwire.com/356469/bret-easton-elliss-worst-tweets-of-2012" target="_blank"> piores tweets dele em 2012 feita pelo Flavorwire</a>. É óbvio que não vou deixar esse tipo de coisa afetar o julgamento que faço da obra dele (estou com outros livros dele para ler aqui), mas o evento serviu pelo menos para lembrar que um sujeito pode escrever um livro muito bom mas ainda assim ser um babaca completo. E nem venha me dizer que isso é óbvio, porque eu aposto que quando você termina de ler um livro muito foda você logo imagina &#8220;Uou, imagina uma conversa com esse cara!&#8221; ou, &#8220;Queria que ele fosse meu amigo&#8221; &lt;&lt; digo isso sempre que leio algo do Arthur Miller. Benzadeus que ele morreu antes da popularização do twitter.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Post originalmente publicado em 20 de Março de 2012 no Meia Palavra)</em></p>
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		<title>O futuro de nós dois (Carolyn Mackler, Jay Asher)</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 11:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Estava eu lendo uma matéria qualquer na Folha quando reparei na lateral da página a propaganda de um livro cuja capa lembrava, de certa maneira, o pôster de Nick and Norah&#8217;s Infinite Playlist. Como tinha gostado do filme, resolvi clicar no link para ver qual é do livro. Dizia a sinopse: &#8220;É 1996, e menos da [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/O-futuro-de-nós-dois.-capa.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-6470" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="O-futuro-de-nós-dois.-capa" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/O-futuro-de-nós-dois.-capa-207x300.jpg" width="207" height="300" /></a>Estava eu lendo uma matéria qualquer na Folha quando reparei na lateral da página a propaganda de um livro cuja capa lembrava, de certa maneira, o pôster de <em><a href="http://1.bp.blogspot.com/-2AHMCp7LJzA/UYk1UJRCEnI/AAAAAAAAEuA/nifdREM_QC8/s1600/nickandnorahsinfiniteplaylist.jpg" target="_blank">Nick and Norah&#8217;s Infinite Playlist</a>. </em>Como tinha gostado do filme, resolvi clicar no link para ver qual é do livro. Dizia a sinopse: <em>&#8220;É 1996, e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos Estados Unidos já tinham usado a internet. Emma acaba de ganhar o primeiro computador e um CD-ROM da America Online de Josh, seu melhor amigo. E ao instalar o programa, logo no primeiro acesso, descobrem que acabam de entrar no Facebook, dali a quinze anos. Todos se perguntam como será o futuro. Josh e Emma estão prestes a descobrir&#8230;&#8221;. </em>Uou! 1996!!! Internet das antigas!!! Prato cheio para uma criatura que adora nostalgia como eu.  Logo comecei a ler o livro e&#8230; que decepção.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois é. Decepção. A ideia é muito bem sacada, mas muito, muito, MUITO mal desenvolvida. Se você tira o fator &#8220;piadas sobre nosso futuro/nosso passado&#8221;, pans, o livro é chato. Não é só questão de chatice, é de ser vazio ou ainda, mais do mesmo. Melhores amigos que se apaixonam. Sério? Sério meeeeesmo? Chegou num ponto que eu já estava até querendo pular as páginas com momentos de Josh e Emma quando não estavam checando o Facebook, de tanto que parecia que aquelas páginas tinham sido escritas no piloto automático.  Sei que terá quem se encante, sei que pessoas acharão o Josh fofo e blablabla, mas duvido que alguém termine de ler o primeiro capítulo sem já saber tudo o que acontecerá dali para frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6469"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na maior parte do tempo as referências sobre os anos 90 beiram ao <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Name-dropping" target="_blank">name-dropping</a>, com citações completamente aleatórias de bandas do momento, o que é uma pena, porque em algumas passagens dá para perceber que os autores poderiam seguir com maior sutileza para retratar aquele período, como quando Josh estica o fio do telefone o mais longe possível para ter alguma privacidade, ou mesmo a briga sobre ter que desconectar para que alguém da família usasse o telefone (se você usou internet discada, sabe o quão chato era ter que largar uma conversa NAQUELE momento porque sua mãe tinha que ligar para sua tia ou algo que o valha). Mas aí talvez ler uma <a href="http://www.studentbeans.com/worldweirdweb/a/shame/18-problems-you-havent-had-since-the-90s4184.html" target="_blank">lista de problemas que você não tem desde os anos 90</a> seja mais divertido.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí tinham as piadinhas sobre o futuro, que inclusive fazem uma certa crítica aos nossos hábitos atuais. Como quando Emma se pergunta por que diabos as pessoas ficam escrevendo sobre pequenas aleatoriedades no Facebook, ou quando em uma das checadas no futuro Josh comenta que sente saudades de Plutão e Emma se assusta com o que pode ter acontecido com Plutão. Assim como as referências ao passado, aqui as piadas vão da sutileza ao óbvio em questão de segundos. Não sei como funcionou a escrita do livro (já que são dois autores), se a Mackler ficou com os capítulos sobre a Emma e o Asher sobre o Josh, mas é nítida a diferença na forma de tratar essas questões. E quando passado e futuro apareciam de forma mais sutil,  eu até esquecia da parte ruim &#8211; e foi o que me motivou a ir até o fim do livro, caso contrário provavelmente teria abandonado a leitura no meio.</p>
<p style="text-align: justify;">E aquele conflito com o padrasto? Por que OH DEUUUUUS POR QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE quase nenhum adolescente em livro YA consegue ter uma relação normal com os pais? Por que tem sempre um perrengue, algo para ser resolvido fora da trama central da obra? Sinto falta de protagonistas que não precisam lidar com um padrasto malvado, pais ausentes, doentes, dementes e variantes. Sabe, nem todo mundo cresceu em uma família disfuncional. E aí se for ver toda a lenga-lenga do padrasto pouco ou nada acrescenta à obra, e você fica pensando &#8220;Certo, isso era provavelmente para dar uma profundidade, releve.&#8221;. Mas é difícil, viu.</p>
<p style="text-align: justify;">No final das contas achei fraco e realmente me decepcionei. Pior que agora eles já executaram a ideia, e se alguém fizer algo partindo da mesma premissa será plágio, piuft. Negócio é esperar até achar um livro que pelo menos retrate os anos 90 sem que a história principal seja na realidade só um pano de fundo para isso. Porque talvez o maior erro de <em>O futuro de nós dois</em> seja justamente esse: achar que só a sacada de falar do passado e do futuro já bastariam para salvar o livro, quando a maior parte dele é uma história que qualquer um que tenha lido pelo menos três YA na vida já viu em outro momento.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Últimas</strong>:</p>
<ul>
<li>Tão decepcionada que levei quase uma semana para falar dele aqui.</li>
<li>Não quero ser chata, mas o AIM é mencionado várias vezes na história (que se passa em 1996, vale lembrar), <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/AOL_Instant_Messenger" target="_blank">sendo que ele só foi criado em maio de 1997</a>.</li>
<li><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=UKs74qAjDz8" target="_blank">Tem booktrailer aqui</a> </strong>(em inglês), para quem ficou curioso.</li>
</ul>
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		<title>Viajando pelo olhar do outro: Londres e Paris</title>
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		<pubDate>Mon, 20 May 2013 10:42:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[c'était un rendez-vous]]></category>
		<category><![CDATA[claude friese-greene]]></category>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/london26.png"><img class="aligncenter  wp-image-6461" alt="london26" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/london26.png" width="576" height="387" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Semana passada começou a rolar pela internet um vídeo bem legal mostrando alguns lugares mais conhecidos de Londres. Hum, ok, eu sei que falando assim fica parecendo que não há nada de legal, já que o Discovery Travel já deve dar conta de muitos videos com imagens de Londres. O negócio é que esse é um video de 1926. Sim, quase 90 anos atrás. E mais bacana ainda é que ele é um video COLORIDO de Londres. A história por trás da gravação é de que o cineasta Claude Friese-Greene utilizou as imagens para o que seria uma espécie de &#8220;diário de viagem&#8221; de sua jornada cruzando a Grã-Bretanha chamada &#8220;<em>The Open Road</em>&#8220;. O video foi preservado mas esquecido, sendo que em 2007 ele foi completamente restaurado.</p>
<p><span id="more-6460"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A técnica utilizada por Friese-Greene envolve filme preto e branco sensível a cores, e projeção com filtros verdes e vermelhos (explicação dada <a href="http://www.bfi.org.uk/news-opinion/news-bfi/features/bfi-archive-footage-1920s-london-goes-viral" target="_blank">no site da BFI</a>, responsável pela restauração). Há uma confusão sobre a data da gravação, já que os videos replicados por aí normalmente falam de Londres em 1927, mas a gravação é de 1926 mesmo. E a sensação ao ver o vídeo é realmente de um passeio pela cidade, como você pode conferir aqui (<a href="http://vimeo.com/7638752" target="_blank">tem link para o que está rolando no vimeo também</a>, mais longo):</p>
<p><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='640' height='390' src='http://www.youtube.com/embed/XdxvdKLzc6o?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
<p style="text-align: justify;">Após assistir lembrei na hora de um bem famoso feito em Paris, só que mais recente. É um chamado <em>C&#8217;était un rendez-vous</em> de Claude Lelouch (outro Claude!). Gravado em 1976, ele mostrava um carro em alta velocidade circulando pelas ruas de Paris até chegar na Basílica Sacre Cœur em Montmartre. Já discutiram muito sobre a identidade de quem pilotava o carro (cogitaram nomes como o do piloto de F1 <a title="Jacques Laffite" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Laffite">Jacques Laffite</a>, por exemplo), e mesmo qual seria o carro. As apostas sempre foram de que o som era de uma Ferrari 275GTB, mas parece que Lelouch deu entrevista dizendo que foi um Mercedes-Benz 450SEL 6.9 e usaram o som do motor da Ferrari para &#8220;dublar&#8221; o da Mercedes.</p>
<p style="text-align: justify;">A rota, de acordo com a Wikipédia: Boulevard Périphérique &#8211; Avenue Foch &#8211; Place Charles-de-Gaulle - Avenue des Champs-Élysées - Place de la Concorde - Quai des Tulieres - Arc de Triomphe du Carrousel &#8211; Rue de Rohan &#8211; Avenue de l&#8217;Opéra &#8211; Place de l&#8217;Opéra &#8211; Fromental Halévy &#8211; Rue de la Chausée d&#8217;Antin &#8211; Place d&#8217;Estienne d&#8217;Orves &#8211; Rue Blanche &#8211; Rue Pigalle &#8211; Place Pigalle &#8211; Boulevard de Clichy (rua usada após abortar a rota pela Rue Lepic) &#8211; Rue Caulaincourt &#8211; Avenue Junot &#8211; Place Marcel Aymé &#8211; Rue Norvins &#8211; Place du Tertre &#8211; Rue Ste-Eleuthère &#8211; Rue Azais - Place du Parvis du Sacré Cœur.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu adoro o original (com algo em torno de nove minutos de duração), mas infelizmente só encontrei pedaços do video no youtube, mas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pAg9fg_523k" target="_blank"><strong>fica aqui o link</strong></a> para quem quiser assistir um trechinho e ouvir o som original. Ahh, achou familiar? Sim, as imagens do filme do Lelouch são usadas no clip <em>Open your eyes</em> do Snow Patrol. Aqui, ó:</p>
<p><span class='embed-youtube' style='text-align:center; display: block;'><iframe class='youtube-player' type='text/html' width='640' height='390' src='http://www.youtube.com/embed/fk1Q9y6VVy0?version=3&#038;rel=1&#038;fs=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;wmode=transparent' frameborder='0'></iframe></span></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Meu namorado é um zumbi (Warm Bodies)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/19/meu-namorado-e-um-zumbi-warm-bodies/</link>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 20:45:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[adaptação]]></category>
		<category><![CDATA[meu namorado é um zumbi]]></category>
		<category><![CDATA[sangue quente]]></category>
		<category><![CDATA[warm bodies]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não sei por que diabos fiquei tão brava quando vi que traduziram o título do filme Warm Bodies como Meu namorado é um zumbi aqui no Brasil. A questão é: me decepcionei um pouco com o livro Sangue Quente quando chegou ao Brasil, e passado um tempo ele &#8220;envelheceu&#8221; muito mal na minha memória. [...]]]></description>
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/sanguequente_3.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6448" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="sanguequente_3" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/sanguequente_3-202x300.jpg" width="202" height="300" /></a>Eu não sei por que diabos fiquei tão brava quando vi que traduziram o título do filme <em>Warm Bodies</em> como <a href="http://www.imdb.com/title/tt1588173/" target="_blank"><em>Meu namorado é um zumbi</em></a> aqui no Brasil. A questão é: me decepcionei um pouco com o livro <a href="http://www.anica.com.br/2011/05/27/sangue-quente-isaac-marion/" target="_blank"><em>Sangue Quente</em></a> quando chegou ao Brasil, e passado um tempo ele &#8220;envelheceu&#8221; muito mal na minha memória. Sabe quando você pensa &#8220;Mas wtf, é um zumbi que se cura com o poder do amor? Isaac Marion, você está on drugs? Ou eu estava quando li e não me revoltei com o que foi feito do excelente conto <em><a href="http://www.burningbuilding.com/zombie.htm" target="_blank">I am a zombie filled with love</a></em>?&#8221;. Enfim, divagações. O ponto é: o livro fica ali do médio para fraco, e a ideia central dele é realmente péssima, se você for pensar bem. Acho ok o fato de o ponto de vista ser de um zumbi, tudo bem ele se apaixonar, mas<em> dezumbificar</em> é fogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Então que quando vi a tradução do título, pensei que só podia ser zoação. Quando vi os trailers, ficou confirmado que sim, seria zoação mesmo. Mas como comentei <a href="http://www.anica.com.br/2013/02/01/guerra-mundial-z-e-meu-namorado-e-um-zumbi-ou-das-adaptacoes/" target="_blank">em um post tem um tempo</a>, foi justamente o fato de a adaptação ter partido para outro lado que salvou o filme. Desde o título ele já diz &#8220;Ei, não me leve à sério!&#8221; ou ainda &#8220;Olha só a tiração de sarro que estamos fazendo com filmes como <em>Crepúsculo</em>!&#8221; o que acaba mudando totalmente a forma de encarar a história. Continua sendo só para se divertir, e tem momentos de extrema vergonha alheia, mas o humor acaba salvando porque dá tintas de <em>Sessão da Tarde</em> para o que não tinha lugar nem em <em>Cine Trash</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6447"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não sabe do que se trata: R é um zumbi que arrasta pé de lá para cá até que conhece Julie, uma humana. Ele se apaixona instantaneamente, e decide salvá-la dos outros zumbis do seu grupo. Com o tempo Julie logo percebe que R não é como os outros <del>caras</del> zumbis, o amor surge e pans, com ele começa o processo de dezumbificação de R. Consigo até ver uma leve metáfora de como estamos mortos sem o amor e yadda yadda yadda, além de toda uma brincadeira envolvendo o nome das personagens e <em>Romeu e Julieta</em>, mas convenhamos, zumbi que se cura com o poder do amor. &#8216;Nuff said.</p>
<p style="text-align: justify;"> Mas aí tendendo para a comédia, dá para se divertir. É óbvia a piada que faz com filmes como <em>Crepúsculo</em>, aliás, nada tira da minha cabeça que a escalação da Teresa Palmer para Julie não foi por acaso, já que ela é quase uma Kristen Stewart loira. Tem também a cena que mostra o momento em que R conhece Julie, com uma música romântica tocando ao fundo  enquanto zumbis atacavam os humanos e Julie atirava em vários deles. A mensagem é clara: &#8220;Viram, meninas, é isso que você faz quando vê um morto-vivo&#8221;. Falando em música romântica, a trilha sonora,  é bem bacana. Lamentei o fato de terem deixado de lado o que o livro tinha de melhor (na obra, Julie é apaixonada por Beatles), mas as músicas da trilha foram bem escolhidas, até o momento em que toca <em>Patience</em> do Guns acaba ficando legal.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb1.gif"><img class="alignnone size-full wp-image-6451" alt="wb1" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb1.gif" width="245" height="184" /></a> <img class="alignnone size-medium wp-image-6454" alt="wm2" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wm2.gif" width="245" height="184" /></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb3.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-6452" alt="wb3" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb3.gif" width="245" height="184" /></a> <a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb4.gif"><img class="alignnone size-medium wp-image-6453" alt="wb4" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/wb4.gif" width="245" height="184" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Do que eu não gostei: a maquiagem, péssima. Tão, tão ruim que chega a distrair. A ideia de uma maquiagem é que não pareça maquiagem, certo? Tem uns closes na cara do R que você para e pensa &#8220;Por que diabos esse cara tá usando sombra preta?&#8221;. E acho que já que em adaptação dá para cortar algo aqui e acolá, eu deixaria de fora os ossudos &#8211; o conflito com o pai de Julie já era suficiente. Se há uma decisão de seguir para a comédia, não tinha motivo para emprestar uma falsa profundidade com mais de um antagonista.</p>
<p style="text-align: justify;">Então assim: é engraçadinho e bobinho, como uma <em>Sessão da Tarde</em> mesmo. Não acho que seja imperdível nem para quem é apaixonado por filmes de zumbi como eu, mas no final das contas para mim será um daqueles raros casos em que a adaptação foi melhor do que o livro. Porém, na dúvida, nem pense duas vezes: fique só com o conto do Marion, que esse sim, é lindo e imperdível até para quem não gosta de zumbis.</p>
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		<title>The IT Crowd</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/18/the-it-crowd/</link>
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		<pubDate>Sat, 18 May 2013 11:40:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[TV]]></category>
		<category><![CDATA[séries de tv]]></category>
		<category><![CDATA[the it crowd]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma mulher que entende lhufas sobre o universo geek por algum motivo aleatório passa a se relacionar com nerds. Não, eu não estou falando de The Big Bang Theory (que olha, até achava engraçadinha no começo, mas piiiiuf), mas de uma série britânica que foi lançada um ano antes, chamada The IT Crowd. Ok, paremos [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[
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<div id="attachment_6438" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_maipm9tD6k1qgqp05o1_500.gif"><img class="size-full wp-image-6438 " alt="Clica aqui e vamos lá!" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_maipm9tD6k1qgqp05o1_500.gif" width="500" height="282" /></a><p class="wp-caption-text"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=q9QbwiQUXpw" target="_blank">Clica aqui</a> e vamos lá!</p></div>
<p style="text-align: justify;">Uma mulher que entende lhufas sobre o universo geek por algum motivo aleatório passa a se relacionar com nerds. Não, eu não estou falando de <a href="http://www.imdb.com/title/tt0898266/" target="_blank">The Big Bang Theory</a> (que olha, até achava engraçadinha no começo, mas piiiiuf), mas de uma série britânica que foi lançada um ano antes, chamada <a href="http://www.imdb.com/title/tt0487831/" target="_blank">The IT Crowd</a>. Ok, paremos com as comparações aqui, porque <em>The IT Crowd</em> toma um outro rumo (e talvez por isso me agrade mais): não é só sobre ser nerd, e,  embora algumas piadas façam referência à cultura geek, a base do show não é essa, mas a relação entre Roy, Moss e Jen e seu cotidiano como empregados de uma grande empresa. E a graça é que os três são fantásticos, nenhum usa o outro de muleta ou brilha mais. Quando você pensa &#8220;Jen é minha personagem favorita&#8221;, vem um episódio impagável com o Roy, e aí depois o Moss e assim segue.</p>
<p style="text-align: justify;">Como toda boa comédia britânica, muito do humor vem de situações completamente nonsense em que as personagens acabam se metendo, cito por alto aqui uma em que na empresa pensam que Jen morreu e um dos funcionários acaba achando que ela é um fantasma quando a vê, ou ainda um em que Moss fica preso dentro de uma daquelas máquinas de &#8220;pescar&#8221; brinquedos. Alguns episódios são claramente montados de modo a criar essas situações inusitadas, com acontecimentos aparentemente bobos que chegam em um momento completamente hilário, como quando no começo de um episódio Moss está assistindo a um comercial que informa que o número da emergência mudou de três dígitos para vários dígitos, e aí quando precisa ligar para a emergência um tempo depois, ele não consegue recordar do número.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6422"></span></p>
<div id="attachment_6439" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mmg6jwnuDo1qctvhho1_500.png"><img class="size-full wp-image-6439" alt="E por nonsense eu reaaaaaalmente quero dizer nonsense" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mmg6jwnuDo1qctvhho1_500.png" width="500" height="288" /></a><p class="wp-caption-text">E por nonsense eu reaaaaaalmente quero dizer nonsense</p></div>
<p style="text-align: justify;">Minha temporada favorita é a primeira, de longe a mais engraçada (e bizarra), mas é a partir da segunda que vemos os atores mais à vontade em seus papéis. Por exemplo, o ator que interpreta Moss arranca risos só com algumas expressões, sem precisar falar nada, o mesmo acontecendo com Jen, cada vez que ela dá de cara com algum absurdo e faz uma cara de paisagem que não dá para você parar de rir. E a consequência disso é que cada temporada tem pelo menos um episódio hilário e carregados de frases que anos e anos depois ainda são lembrados pelos fãs (e não só as &#8220;catchy phrases&#8221; como &#8220;Have you tried turn it off and on again?&#8221;). Os meus favoritos por temporada são:  <a href="http://www.imdb.com/title/tt0849997/" target="_blank">The Working Out </a>(sério, começo a rir sozinha só de lembrar algumas cenas) na segunda, <a href="http://www.imdb.com/title/tt1320784/" target="_blank">Are we not men?</a> na terceira e <a href="http://www.imdb.com/title/tt1650327/" target="_blank">Jen the Fredo</a> na quarta. O bacana de <em>The IT Crowd</em> é que não tem episódio ruim, mesmo os menos engraçados ainda assim são legais.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que a única coisa que eu realmente não gostei foi a saída de Denholm Reynholm como chefe da empresa para a entrada do filho dele, Douglas. A personagem acaba tendo as piores piadas (até porque invariavelmente elas acabam envolvendo algo sobre sexo), e só para o fim da terceira temporada que começa a ter alguns momentos mais engraçados, enquanto Denholm era sempre engraçado (a cena em que ele contrata Jen é ótima e dá uma boa ideia de como ele será nos episódios seguintes).</p>
<div id="attachment_6437" class="wp-caption aligncenter" style="width: 508px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mmo7qwdT0K1qf8p8so1_500.gif"><img class="size-full wp-image-6437" alt="Do you feel stressed?" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_mmo7qwdT0K1qf8p8so1_500.gif" width="498" height="282" /></a><p class="wp-caption-text">Do you feel stressed?</p></div>
<p style="text-align: justify;">E como disse antes, o legal da série é que não são só piadas do tipo &#8220;É Vista/Vamos morrer!&#8221; que fazem a graça de <em>The It Crowd</em>, mas o cotidiano deles. TPM, corações partidos, unir amigos do trabalho com os de fora do trabalho&#8230; está tudo lá. E se você pensar que o último episódio foi ao ar em julho de 2010, e ainda assim tem gente assistindo e gostando e comentando sobre a série (oi, eu) , acho que dá para ter uma ideia de como é uma comédia bacana e bem feita. Algumas considerações finais:</p>
<ul>
<li>Queria mais episódios com o Richmond</li>
<li>São 6 episódios por temporada, cada um com pouco menos de 25 minutos: ou seja, acaba muito rápido.</li>
<li>Sei que não tem nada a ver, mas eu meio que shippo a Jen e o Roy</li>
<li><a href="http://oleitorcomum.blogspot.com.br/" target="_blank">Tuca</a> passou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=BNPj3jXhzgw" target="_blank">o link para o piloto da versão americana</a>. Muito mais estranho ver o cara do Community como o Roy O_o</li>
<li>E o melhor fica para o fim: <a href="http://www.withanaccent.com/2013/05/09/the-it-crowd-to-get-a-true-finale/" target="_blank">está previsto para este ano um episódio final de 40 minutos</a>!</li>
</ul>
<div id="attachment_6440" class="wp-caption aligncenter" style="width: 452px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_lr25tdsYPZ1qa9wvf.gif"><img class="size-full wp-image-6440" alt="Ieeeei todos comemora" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_lr25tdsYPZ1qa9wvf.gif" width="442" height="250" /></a><p class="wp-caption-text">Ieeeei todos comemora</p></div>
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		<title>As personagens que somos</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/16/as-personagens-que-somos/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2013 16:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sei se você conhece o tumblr &#8220;Eu te dedico&#8220;. A ideia é de colocar uma imagem de uma dedicatória em um livro, e contar a história dessa dedicatória. Hoje cedo dei de cara com uma imagem de Apanhador no Campo de Centeio, com o seguinte texto: Se alguém me perguntasse hoje qual o livro [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: justify;">Não sei se você conhece o tumblr &#8220;<a href="http://eutededico.tumblr.com/" target="_blank">Eu te dedico</a>&#8220;. A ideia é de colocar uma imagem de uma dedicatória em um livro, e contar a história dessa dedicatória. Hoje cedo dei de cara com <a href="http://eutededico.tumblr.com/post/50573141508/18-02-2013-se-alguem-me-perguntasse-hoje-qual-o" target="_blank">uma imagem de Apanhador no Campo de Centeio</a>, com o seguinte texto:</p>
<blockquote><p><strong>Se alguém me perguntasse hoje</strong><br />
<img class="alignright size-medium wp-image-6431" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="tumblr_m5u4lqbOgY1r2q15do1_500" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_m5u4lqbOgY1r2q15do1_500-300x240.jpg" width="300" height="240" /><br />
<strong>qual o livro mais legal que eu já li,</strong><br />
<strong>eu com certeza diria ser este.</strong><br />
<strong>Porque há uma pérola nele, uma</strong><br />
<strong>metáfora forte, pura e bela, o</strong><br />
<strong>apanhador que protege a inocência,</strong><br />
<strong>impedindo-a de despencar no abismo.</strong></p>
<p><strong>E também tem a Phoebe.</strong><strong><br />
Você é a minha Phoebe.</strong></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Ela conta: Meu namorado me presenteou, creio não só por ser um bom livro, mas também por ele ter se identificado muito com o personagem principal; ciente do meu amor, não teve dúvidas de que eu gostaria. Ao primeiro parágrafo lido, o identifico como Holden. Espero que com o decorrer da leitura consiga me encontrar na sua Phoebe.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A dedicatória é linda, senti inveja automática pela garota, confesso. Porém, o texto fez com que eu lembrasse de um assunto que tenho pensado já há algum tempo, o de como relacionamos nós mesmos e certas pessoas a determinados personagens de livros que lemos. É um negócio interessante, porque essa construção de imagem varia muito de pessoa para pessoa, e na maior parte das vezes o que você enxerga em alguém nada tem a ver com a imagem que a pessoa faz dela mesma. Em uma das leituras de tarot que eu fazia, lembro que existia um trio de cartas que representava, respectivamente, como a pessoa se via, como as outras pessoas a viam e como ela realmente era. Como se todos nós fôssemos desdobramentos de três histórias diferentes, três personagens que circulam juntos por aí.<span id="more-6426"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">A garota dizendo &#8220;espero que com o decorrer da leitura consiga me encontrar na sua Phoebe&#8221; reproduz o sentimento de várias outras pessoas que, ao aceitou a sugestão de leitura de alguém que além de recomendar a obra ainda acrescentou &#8220;Nossa, presta atenção naquele personagem! Lembrei muito de você quando li!&#8221;. Lembrou? Lembrou por quê? É criada então a oportunidade de se ver pelos olhos do outro, talvez reconhecer alguma característica para a qual você era completamente cego até então.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, é uma egotrip, sempre uma egotrip.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas aí entramos no velho problema da interpretação, de como cada livro é uma obra diferente para cada pessoa. Diferente mesmo. Conheço pessoas que acham o Holden insuportável, e veriam o comentário da garota sobre ter identificado o namorado com ele como um belo de um xingamento. Eu mesma gostaria muito mais de ser uma Jane do que uma Phoebe para um cara, por motivos óbvios. Isso para não falar que às vezes essa busca por &#8220;o que ele vê em mim&#8221; acaba esculhambando completamente a leitura (já que voltamos nossa atenção apenas para isso). Já aconteceu comigo diversas vezes, de dizerem que tal personagem era muito parecido comigo e eu apenas pensar &#8220;Que foi que eu te fiz para você me odiar tanto?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí depende da pessoa ter um certo jogo de cintura e saber que para quem é apaixonado por livros, essa coisa de personagem é serious business. Quer um exemplo de como fugir do assunto? Segue uma conversa que tive por email com o Fábio hoje, assim que comecei a escrever o post.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Anica: que personagem de livro faz vc lembrar de mim?</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: e o que é esse pergunta? &lt;&lt;&lt;&lt; <em>tentando ganhar tempo o safado</em></p>
<p style="text-align: justify;">Anica: só perguntando, ué</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: pq? &lt;&lt;&lt; <em>consigo enxergá-lo pensando &#8220;Certo, quais os livros favoritos dela mesmo?&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;">Anica: pq estou escrevendo um post sobre isso &gt;&lt;&#8217;</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: eu tenho problema com essas perguntas à queima roupa &gt;&lt;</p>
<p style="text-align: justify;">Anica: é porque você não sabe a resposta &gt;&lt;&#8217;</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: eu nunca *pensei* nisso ;P</p>
<p style="text-align: justify;">Anica: você está comigo há quase 10 anos e nunca pensou nisso?!</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: em qual personagem você seria em um livro? não, não pensei exatamente nisso <img src='http://www.anica.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif' alt=':P' class='wp-smiley' />  &lt;&lt; <em>mais uma tentativa de ganhar tempo</em></p>
<p style="text-align: justify;">Anica: nãããão! dos livros que você leu, que personagem fez você lembrar de mim</p>
<p style="text-align: justify;">Fábio: preciso pensar, afinal eu leio mais de 40 por ano :/</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Poisé.  Me enrolou, mudou de assunto e ainda não me respondeu. Só deixo passar porque vez ou outra ele diz coisas bonitinhas como &#8220;Sempre que estou lendo um livro penso se você também vai gostar&#8221;. Aliás, alguém tem que avisar para o pessoal que já leu aquele texto &#8220;<a href="http://meantforsilence.blogspot.com.br/2011/03/date-girl-who-reads-rosemary-urquico.html" target="_blank">Date a girl who reads</a>&#8221; que ó, nós não somos bolinho, não. E antes que eu me esqueça: Rob Fleming. Sempre Rob Fleming.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Retrato de um assassino (Patricia D. Cornwell)</title>
		<link>http://www.anica.com.br/2013/05/10/retrato-de-um-assassino-patricia-d-cornwell/</link>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 12:25:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anica</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[jack o estripador]]></category>
		<category><![CDATA[literatura estrangeira]]></category>
		<category><![CDATA[patricia cornwell]]></category>
		<category><![CDATA[retrato de um assassino]]></category>

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		<description><![CDATA[Poucos criminosos mexeram tanto com o imaginário popular quando Jack, o Estripador. Por conta do fato de que sua identidade nunca foi descoberta, coube à ficção tentar desvendar os crimes que ocorreram em Londres no final da década de 1880. De romances até HQs (vide o caso de Do Inferno, de Alan Moore), com uma passada óbvia [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/retrato-de-um-assasino-patricia-d-cornwell_4128233_114451.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6416" style="border: 0px; margin: 5px;" alt="retrato-de-um-assasino---patricia-d--cornwell_4128233_114451" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/retrato-de-um-assasino-patricia-d-cornwell_4128233_114451-e1368188611728-209x300.jpg" width="209" height="300" /></a>Poucos criminosos mexeram tanto com o imaginário popular quando Jack, o Estripador. Por conta do fato de que sua identidade nunca foi descoberta, coube à ficção tentar desvendar os crimes que ocorreram em Londres no final da década de 1880. De romances até HQs (vide o caso de <em>Do Inferno,</em> de Alan Moore), com uma passada óbvia pelo Cinema, histórias e mais histórias foram contadas, baseando-se em diversas teorias a respeito da identidade do famoso <em>serial killer</em>. Um médico influente, um membro da realeza britânica. Muitos foram apontados como suspeitos, mas considerando o que era o trabalho de investigação naqueles tempos, a verdade é que fica difícil sair do campo das teorias de conspiração. Pelo menos até recentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Há 10 anos a autora de <em>best-sellers</em> policiais Patricia Cornwell resolveu investigar o caso aplicando a metodologia moderna, o que inclui entre vários detalhes a análise de amostras de DNA e digitais. E a partir disso ela afirma categoricamente que sim, ela sabe a identidade de Jack, o Estripador. O livro <em>Retrato de um assassino</em> busca mostrar o que foi que ela descobriu com suas investigações, justificando porque seu suspeito, no final das contas, é o Estripador (e também porque isso foi mantido em segredo até os dias de hoje).<span id="more-6415"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Embora ao escrever policiais Cornwell busca a fórmula básica de só revelar a identidade do criminoso no final, neste que é seu primeiro livro de não-ficção não há mistério. Desde o início ela diz que Jack é o pintor <strong>Walter Sickert</strong>. A obra começa apontando a vida de Sickert do começo até o momento dos crimes, explicando qual era a razão da raiva que sentia das mulheres – que chegou ao ponto de cometer os crimes que cometeu. Explicado o motivo, Cornwell passa então a descrever as vítimas, e embora divida os capítulos de modo a evidenciar os cinco assassinatos ditos “canônicos”, em determinado momento ela aponta que não foram apenas cinco, chamando a atenção inclusive para um livro de registro de um hospital da região em que Jack atacava que apresentava um número grande de pessoas que tentaram o suicídio cortando o pescoço. Cornwell sabe que na falta de arma de fogo esse era um método comum de praticar o suicídio na época, mas questiona quantos casos podem ter sido assassinatos quando foram classificados de suicídio.</p>
<div id="attachment_6417" class="wp-caption alignright" style="width: 221px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/Walter_Sickert_photo_by_George_Charles_Beresford_1911.jpg"><img class="size-medium wp-image-6417 " style="border: 0px; margin: 5px;" alt="Walter Sickert" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/Walter_Sickert_photo_by_George_Charles_Beresford_1911-211x300.jpg" width="211" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Walter Sickert</p></div>
<p style="text-align: justify;">As principais evidências que Cornwell aponta são uma amostra de DNA coletada do selo de uma carta enviada pelo Estripador, a marca d’água de papéis de carta usadas por Jack e por Sickert e alguns quadros pintados por Sickert que revelam uma mórbida semelhança com as vítimas do Estripador. Há ainda uma série de coincidências, que vão desde o nome artístico adotado por Sickert quando ele era ator até o fato de o pintor contar para os amigos que um de seus estúdios ficava em um quarto que fora utilizado por Jack.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma rápida pesquisa no Google revela que em dez anos muitas pessoas já apareceram para contestar as teorias de Cornwell. E aí entra a questão: mesmo que você não acredite na ideia de Sickert como assassino, ainda assim a leitura terá valido a pena, por conta do trabalho envolvendo pesquisa e reconstrução da Londres vitoriana. É uma verdadeira aula de História, mostrando como era a polícia naqueles tempos, ou ainda, como era o trabalho de um legista. A reconstituição dos crimes chega a ser arrepiante: a autora lembra o papel da iluminação da cidade naquele período, de como mesclada à neblina produzia a atmosfera perfeita para que Jack agisse sem que fosse pego. É realmente muito envolvente, e tão gostoso de ler que dá até para esquecer que é um “não-ficção”.</p>
<p style="text-align: justify;">Algo que chama a atenção além do estilo de escrita de Cornwell é o fato de que ela usa muito material que só ficou conhecido recentemente. Algumas cartas de Jack, um caderno de recortes de Abberline, certas fotos das vítimas. Há muita coisa que ficou escondida do público, o que pode ter ajudado a perpetuar conceitos que ela considera errados, como o fato de acharem que para retirar o útero de uma vítima Jack deveria necessariamente ser um médico (já que saberia de onde extrair o órgão).  Como dá para perceber, ela realmente foi fundo no mistério, tão fundo que há quem a acuse de ter destruído quadros de Sickert para coletar amostras de DNA (embora a autora negue isso).</p>
<div id="attachment_6420" class="wp-caption alignleft" style="width: 252px"><a href="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_m8rcnn440i1qb64zjo1_1280.jpg"><img class="size-medium wp-image-6420 " style="border: 0px; margin: 5px;" alt="Jack the Ripper’s Bedroom de Walter Sickert" src="http://www.anica.com.br/files/2013/05/tumblr_m8rcnn440i1qb64zjo1_1280-242x300.jpg" width="242" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Jack the Ripper’s Bedroom de Walter Sickert</p></div>
<p style="text-align: justify;">O livro conta com algumas imagens, como fotos das vítimas e cartas do Estripador. Infelizmente (por motivos óbvios) a entidade responsável pelos direitos de reprodução de cartas e obras de Sickert não autorizou a reprodução desses itens no livro, coisa que teria enriquecido enormemente a leitura. Mas acredite, ele desperta de tal forma a curiosidade do leitor que a cada descrição de quadro fui correndo para o Google pesquisar para acompanhar os detalhes apontados por Cornwell. Uma pena que nem todos sejam fáceis de encontrar (<em>Patrol</em>, por exemplo, que alguns entendidos em Jack, o Estripador dizem ser bastante revelador, eu não consegui encontrar).</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto não há dúvidas que é um livro imperdível para quem gosta de histórias policiais, mas também para quem tem interesse sobre a Inglaterra vitoriana. O trabalho de Cornwell pode não ser a resposta definitiva (e haverá algum dia?) para o mistério de Jack, mas indiscutivelmente vale a leitura, até porque com <em>Retrado de um assassino</em> Cornwell deixa claro que de fato, a realidade é mais estranha do que a ficção.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline; color: #ff0000;"><strong>Atualização de 10 de maio de 2013</strong></span>: Para quem gosta do assunto, a Kika está fazendo <a href="http://construindovictoria.wordpress.com/tag/jack-o-estripador/" target="_blank">uma série de posts sobre as vítimas de Jack</a> no blog <a href="http://construindovictoria.wordpress.com/" target="_blank">Construindo Victoria</a>.  Pessoalmente acho que ela tem tanto conhecimento no assunto que deveria escrever um blog só sobre Jack, hehe. Fica a dica aí, aliás, aconselho a leitura do blog para quem gosta da Inglaterra Vitoriana também.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>(Post originalmente publicado no Meia Palavra em 29 de abril de 2012)</em></p>
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