A garota que eu quero (Markus Zusak)

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Daniel PereiraOpinião de um usuário da Valinor em 2007 sobre um livro do Zusak:

Zusak me pareceu muito pretensioso com o excesso de frases pseudo-impactantes, o que ele pareceu querer ressaltar com parágrafos de uma linha ou de poucas palavras. Tudo bem que ninguém espera alta literatura de um best-seller considerado infanto-juvenil em alguns países, mas os Harry Potter também têm as frases de efeito e funcionam. A diferença: elas estão à altura do mistério e suspense da história. (…)

Isso sem contar aqueles “poemas” intercalando (na verdade, quebrando) a narrativa com comentários absolutamente irrelevantes. Provavelmente a intenção era ser “diferente” ou “engraçado”, maaas…. hm.

Era sobre A menina que roubava livros. Eu, que estava completamente apaixonada pela história, encantada no estilo “Querer dar o livro de presente para todo mundo”, achei que a historia “evoluía”, portanto era apenas um caso de um mal começo. Então imagina qual não foi minha surpresa ao ler A garota que eu quero e lembrar das palavras do usuário e após reler o comentário dele, notar que é uma descrição perfeita desse livro? Ficou a dúvida: se o estilo de escrita do Zusak é tão ruim, porque A menina que roubava livros me conquistou (e comoveu) e no caso de A garota que eu quero eu só saí do entediada para ir para o irritada?

Certo, melhor seguirmos aos poucos, partindo do começo. A garota que eu quero foi originalmente publicado em 2001 com o título When Dogs Cry, e é o terceiro livro da “trilogia dos irmãos Wolfe” (os dois primeiros foram lançados no Brasil pela Bertrand). Como wikipedicamente aparentemente o Zusak não publicou nada novo desde A menina que roubava livros, as editoras vão lançando seus trabalhos anteriores. Ok, normal. Normal também que não sejam tão bons quanto os mais recentes. O negócio complica quando os problemas detectados no mais atual são os mesmos lá do começo da carreira do escritor, não?

Direto ao ponto, o que mais me aborreceu: o modo. como o autor. pontua as frases. assim. achando que está criando. momentos de impacto.

Não, não está. Só está sendo chato e mostrando que merece ser devidamente apresentado à Dona Vírgula ou algo que o valha. Olha só, eu entendo o que o Zusak tenta fazer: ele quer que o texto seja uma representação da fala de Cameron Wolfe, de como um garoto contaria sua história. E é realmente comum no discurso algumas pausas mais longas do que aqueles que são meras pausas para tomar ar (meu professor de Biologia dizia que nem essas pausas para tomar ar eu fazia, porque falo rápido demais e yadda yadda yadda, mas isso é outra história). O negócio é que ninguém fala. Parando. Assim. A não ser. Em determinados. Momentos. Não o tempo todo, como Cam faz.

É chato e irritante. Vou citar um trecho aqui para você entender o que quero dizer:

Gosto dos quadris das garotas, mas gosto especialmente dos da Octavia. Eu…

Lá estava ele de novo.

Entre nós.

O silêncio.

Gente, qual o problema de escrever a porcaria do trecho com dois parágrafos, com aquelas três últimas frases unidas em um breve parágrafo? “Lá estava ele de novo, entre nós. O silêncio.”  Por que essa pulação de linha, esse monte de pontos? Cheesus. E aí tem os poeminhas, né. Intercalando cada capítulo. Uau! Tecnicamente servem como reflexo dos sentimentos de Cameron, e era para ser bonito, mas só quebra o ritmo de uma narrativa que já não tem muito ritmo. Já está irritado também? Calma, que tem mais.

Para não perder a atenção do leitor (provavelmente já distraído pensando no que vai comer no almoço, quanto tá o dólar ou quem matou Odette Roittman), Zusak lança mão de um recurso inovador: frases finais antecipando que algo ruim acontecerá em breve.

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Não é inovador e é mal feito. E você se sente feito de trouxa, ainda por cima. Porque a real é que nada realmente acontece no livro. Cameron é uma versão masculina-adolescente-punheteira da Macabeia, então meio que só existe enquanto as coisas vão acontecendo para ele. Cameron espera um grande amor em sua vida, uma namorada, uma garota para chamar de sua e para dar uns pegas. Ok. Ele também quer ganhar o respeito dos irmãos. Certo. Aí ele passa a ser respeitado porque arrumou uma namorada e porque carregou o irmão mais velho algumas quadras até chegar em casa? Seriously? Você só é gente se tem par? Argh. Mas vá lá, o capítulo acaba com “Dias depois, aconteceu a tragédia que bateu à nossa porta” e você pensa “Oh noes, vai morrer um dos irmãos!” mas nãããão. Morre o cachorro do vizinho. O f* cachorro do vizinho!!!! Coisa que já estava anunciada desde que ele começou a ficar doente. Ah, por favor, tenha dó.

Aí chegamos na questão do começo do post. Ok, como o leitor de A Menina que Roubava Livros apontou, este aparentemente é o “estilo” do autor. Então como em um caso eu via uma evolução na história e neste eu achei o livro ruim do começo ao fim? Bom, acho que o ponto principal aqui é mais do que o enredo, mas as personagens. Não tem muito do que gostar ou do que não gostar em A garota que eu quero, porque é tudo pálido, apático: um reflexo do protagonista. Já em A Menina que Roubava Livros, as personagens são encantadoras, ao ponto de você se importar com o que acontece com cada uma delas.

Para não dizer que estou só metendo o pau, vi alguns pontos positivos no livro. O primeiro é que Zusak poderia explorar a condição social de Cameron para fazer drama, mas não o faz. A mãe trabalha horrores, o pai também, e eles trabalham com os pais nos finais de semana, mas é isso aí. Não tem chororô porque ele não pode ter o tênis da moda ou qualquer coisa do tipo. Gostei também que o espaço principal da narrativa não seja a escola, como sempre acontece em histórias de adolescentes. Há alguma menção às notas do garoto, mas é isso aí. Nada daquele papo de populares x nerds e outros clichês de romances voltados ao público mais jovem.

Mas vá lá, a melhor qualidade do livro é que ele é fininho (176 páginas) e acaba rápido, bem rápido. Ei, vamos brincar de Zusak? Vou reescrever a última linha no estilo dele.

Mas vá lá.

A melhor qualidade do livro é que ele é fininho.

E acaba rápido.

Bem rápido.

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23 opiniões sobre “A garota que eu quero (Markus Zusak)”

  1. Hahahahaha

    Dele eu só li o Eu sou o mensageiro e achei bem bacana na época… mas lembro que era assim tbm o estilo dele, mas eu tava gostando da história, nem prestei atenção nisso, e faz tanto tempo tbm… Vou fugir desses livros anteriores dele, hehe Só quero ler A menina que roubava livros por causa disso mesmo, porque todo mundo diz que a história é muito emocionante e talz… e por causa do filme que tão fazendo =P

    1. Pior que acabei de ver o trailer de A menina que roubava livros e vou até editar o post com um comentário extra hehe

      A menina que roubava livros pode ter os mesmos defeitos de estilo, mas as personagens são tão carismáticas e há imagens tão bonitas que você acaba relevando, vai pelo enredo mesmo. Mas nesse caso de A garota que eu quero não rolou mesmo.

  2. Eu curti bastante “A Garota Que Eu Quero” e por mais que tenham essas quebras de pensamentos e muitas linhas com apenas uma palavra achei que isso só deu um charme extra para a história.

    No começo admito que isso é irritante, mas com o tempo me acostumei, ademais, gostei tanto deste livro quanto de “A Menina Que Roubava Livros”

    A Garota Que Eu Quero me chamou mais a atenção pela linda forma com a qual Zusak descreve os momentos e pensamentos de Camerom, isso sim é algo que quero imitar, mas não as quebras de frases com vários pontos rsrs

    1. Hahaha a quebra das frases é realmente irritante ^^ Eu não sei o que foi que fez com que eu ignorasse isso por completo com A menina que roubava livros e acabasse me incomodando tanto com A garota que eu quero. Talvez um dia eu dê uma chance para o livro de novo :|

  3. Ai credo quanto blá blá blá pela escrita de Markus…
    Nada a ver, já li A Menina que Roubava Livros (que por sinal é meu favorito) e Eu Sou o Mensageiro e estou amando do começo ao fim Getting the Girl (A Garota que eu Quero). Estou devorando-o por completo, cada palavrinha. Amo a escrita de Markus, e a quebra de linha deixa mais deliciosa ainda pelo impacto emocionante de termos que imaginar o que vem a seguir. Ele tem um dom e escreve super BEM.

    1. Pelo menos nesse o estilo é bem semelhante ao do Paulo Coelho – frases quebradas sem razão aparente.

      Não dá nem pra dizer que é para fins dramáticos – tipo Hemingway, Elmore Leonard, Tom Clancy ou Stephen King.

      Existe uma coisa chamada “período”.

      E existe outra chamada “oração”.

      E também o “parágrafo”.

      Mas pra que usar a gramática?

      Você vai entender do mesmo jeito!

      Não é mesmo?

      Ou divago?

  4. estou na página 108 e cheguei nela em 2 horas,achei bem envolvente e n creio que o miffy morre hahah não achei irritante os váários pontos que o autor coloca porque eu escrevo igual rs. eu achei que para adolescentes o livro está bom,porque é para jovens que o livro foi escrito e retrata bem a realidade em que maioria vive.

    e gostei das palavras de Cam.
    elas retratam algo a mais.
    sem.
    mais.

    1. Quer dizer que adolescentes escrevem assim?
      E que por ser para jovens o livro tem que estar escrito assim (leia-se “mal escrito”)?
      Sério.
      Que.
      Chegamos.
      A.
      Esse.
      Ponto.
      Onde.
      Não.
      Sabemos.
      Como.
      (Make it stop!)
      Escrever.
      Parágrafos.
      (How dare you?!)
      Direito?
      (Ufa!)
      E.
      Onde.
      Não.
      Temos.
      Mais.
      Como.
      Captar.
      (Are you willing to do this?)
      Estruturas.
      Frasais.
      Como.
      Uma.
      Necessidade.
      Estilística?
      Acho.
      Isso.
      Uma.
      Desculpa.
      Pro.
      Livro.
      Ter.
      Mais.
      Páginas.
      Na.
      Verdade.

      1. eu disse que EU escrevo assim(pausadamente mas nem tanto).o estilo do livro é voltado para jovens,que adulto se interessa por paixonites adolescentes?hahah é uma opinião.eu gosto de ler de tudo até coisas ”mal escritas” isso só engrandece a bagagem literária de cada um.

        1. Clara, eu entendo o que você quer dizer, mas discordo sobre a questão do interesse de adulto. Quando o livro é bom, não faz diferença a faixa etária, e por ser bom eu não quero dizer que tenha que fugir de assuntos como “paixonites adolescentes”. Um exemplo é Eleanor & Park da Rainbow Rowell, que eu tenho certeza que agradará adolescentes (que são, sem dúvida, o público-alvo), mas que de tão bem escrito agrada também adultos (que veem as paixonites e outras situações corriqueiras da adolescência com nostalgia, como algo bom). Eu acho que no final das contas fica mais na questão do estilo: o estilo dele não me agrada, mas você curtiu. Acontece.

          1. sim concordo (: é isso mesmo é questão de estilo e fim não é? bruce eu só quis dizer isso com o ”publico alvo para jovens” que jovens vão gostar mais DESSE livro do que os adultos,sobre ESSA história.fim (:

        2. “o estilo do livro é voltado para jovens,que adulto se interessa por paixonites adolescentes?”

          Sei lá… os leitores de Shakespeare, por exemplo? Como a Anica falou, quando um livro causa tamanho impacto, mesmo adultos acabam ficando interessados por ele – vide o sucesso estrondoso que o gênero “(paranormal) young adult” fez entre pessoas fora da faixa etária visada.

          E sobre “má escrita”, o problema é quando esse estilo “trunca” de forma desnecessária a compreensão/fluidez do texto. Não é à toa que existem certas “convenções” para escrever. Se você as quebra, é bom ter uma ótima justificativa para isso.

  5. Concordo com essa história das pausas, é realmente muito chato. Mas estou gostando do livro, me lembra um pouco ” O apanhador no campo de centeio” , por causa do Cam. Mas não é um dos melhores livros q li, ”A menina que roubava livros” é realmente melhor que esse.

  6. Não consegui, tentei, mas juro que não consegui ler esse. Fui com toda a boa vontade do mundo por causa do “Menina que roubava livros”, também já tinha lido o “Mensageiro”, mas… não deu não. Esse estilo cansa a beleza da gente e, em vez de ajudar, distrai da história. Eu acho, pelo menos.

    1. Bem isso. E distrai porque é irritante, porque não tem ritmo. Eu sei lá como é que tem quem consiga ler sem notar esse problema do estilo, mas no meu caso realmente não deu. Acho que só terminei porque o livro era fininho mesmo

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