Eu costumo dividir os bons escritores em duas categorias: artesãos e contadores de história. No primeiro grupo entram os autores que vão além de um enredo bacana, moldando a narrativa de forma única, surpreendendo ao apresentar novas maneiras de se contar uma história. Colocaria aí Guimarães Rosa com seu Grande Sertão: Veredas, e Chico Buarque com Budapeste1 , por exemplo. E aí temos os contadores de história, que apesar de sob o ponto de vista literário ficarem no feijão-com-arroz, se destacam entre outros tantos escritores no mundo por simplesmente saberem contar uma história. É o caso do francês Júlio Verne, considerado por alguns o pai da ficção científica.
Durante os últimos dias simplesmente devorei Viagem ao Centro da Terra. E se você me perguntar o que o livro tem demais, eu não vou conseguir passar do fato de que é uma aventura que prende sua atenção do começo ao fim, com bastante senso de humor e muita criatividade. Diverte e agrada, e o tom da história é quase como se você estivesse ouvindo um amigo contando um “causo” numa roda, talvez até por isso seja tão gostoso de ler.
O livro conta a história de Axel, um jovem que embarca em uma missão rumo ao centro da terra com seu tio, o geólogo Lidenbrock. A parte da missão em si começa quase na metade da narrativa, sendo que boa parte dessa fica por conta dos preparativos – incluindo aí a chegada do guia Hans, personagem calada que algumas vezes até parece ter sido esquecida pelo autor, aparecendo em sua maioria nos momentos mais tensos da história.
O caminho rumo ao centro da Terra é um capítulo a parte. Verne descreve tão bem o espaço que agora eu fecho os olhos e lembro de pedaços da história como se tivesse assistido a um filme, como no momento em que eles encontram o Mar Lidenbrock. E talvez justamente essas descrições são parte do charme de Viagem ao Centro da Terra, lembrando que parte dessas imagens são de seres e lugares que simplesmente não existem. Se já é difícil criar a partir do que já nos é familiar, imagina no caso do que nos é desconhecido.
Talvez o único porém fique por conta dos títulos dos capítulos. Não sei se é algo da edição que eu li (da Penguin Classics), mas o título conta o que acontecerá – e aí perde um pouco da graça do “gancho” que o autor deixou no capítulo anterior. Mas acho que é só isso. Viagem ao Centro da Terra foi um daqueles livros que me fez reservar um espaço para Júlio Verne entre os bons contadores de história.
- Clube de Leitura no Meia Palavra sobre Budapeste começa na semana que vem, não percam!! [↩]





jessica
13 de novembro, 2009 às 19:10
Eu li Julio Verne no começo desse ano….e ameiiiii!
o cara é demais, sabe tudo de (quase) tudo. As descriçoes do cenario que ele faz é….sem palavras.
fiquei particularmente impresionada com a parte em que Axel se perde de seu tio e ele é obragado a fazer uma conta fisica doida pra achar o caminho de volta. hoje nos temos o santo Google pra isso, mas e naquela epoca?
simplesmente demais!!!
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Daniel
13 de novembro, 2009 às 22:33
Eu também gostei muito desse livro. O contraste da personalidade cética do atrapalhado Axel com a do Professor Lidenbrock gerou momentos muito ricos, de humor e também de aventura. E pra completar esse quadro temos o ajudante, com sua frieza impressionante. Aliás pra mim ele também foi motivo de mais risos, já que a versão que tenho é bem antiga, um daqueles livros didáticos distribuídos nas escolas, sei lá de quantas décadas. E nessa versão esse ajudante foi nomeado “João”, hehe
Até mais.
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Ibertson
14 de novembro, 2009 às 00:54
Por incrível que pareça, não li ainda esse livro. Mas a adaptação que fizeram recentemente, com Brendan Fraser no elenco, é horrível.
Ótimo site, passarei a visitá-lo com mais frequência.
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Wans
16 de novembro, 2009 às 13:29
Eu li “Viagem ao mundo em 80 dias” e amei! Tô com “20.000 Léguas Submarinas” na estante de casa e logo vou lê-lo. Depois falo mais.
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