• "Bem, e se eu estiver equivocado…"

    Bem, e se eu estiver equivocado – exclamou de forma súbita e involuntária -, se de fato o homem, o homem em geral, todo o gênero, isto é, o gênero humano, não for canalha? Quer dizer que tudo o mais são preconceitos, simples temores estimulados, e que não existem obstáculos de nenhuma espécie, e que é assim mesmo que deve ser!…“*

    campanha_doacaoorgaos2004.gifUma pessoa próxima passou por uma situação que eu não desejaria para ninguém. Não vou citar o nome, quem o conhece sabe de quem se trata, quem não o conhece não precisa saber. Enfim, o pai dele estava doente, com problemas cardíacos, e depois de dois meses internado foi indicado para o transplante. Na sexta-feira passada receberam a notícia de que encontraram um coração compatível em Itajaí.

    Os médicos foram para a cidade buscar o órgão, e lógico que todos os familiares ficaram felizes com a notícia, já que a situação era bastante grave. Eis então que o médico chama esse meu amigo para conversar. E diz que a família do doador voltou atrás, não doaria os órgãos.

    Se esse ato fez com que você apenas se certificasse do fato de que o ser humano é egoísta (burro, fanático ou qualquer outro adjetivo que se encaixe), ou se com isso algumas dúvidas sobre a questão da doação de órgãos foram levantadas, saiba que a história não acabou.

    O pai desse meu amigo faleceu nessa segunda-feira.

    E eu realmente gostaria que os PUTOS que negaram essa chance de melhora a ele, um dia precisem de um doador e tomem uma porta na cara também. Sim, eu fiquei bem chateada com essa história toda. Sei que a família-quase-doadora também está atravessando um período difícil (um ente que provavelmente encontra-se em estado vegetativo ou algo que o valha), mas o gesto de oferecer e depois recusar foi simplesmente cruel.
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    * Citando Dostoiévski. Finalmente poderei tirar Crime E Castigo da minha lista dos livros para ler.

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    6 comentários sobre “"Bem, e se eu estiver equivocado…"”

    • Eu já perdi a esperança na humanidade.

      Brasileiros em especial. A parcela de pessoas boas é pequena demais para ser levada em consideração.

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    • Lucas Restelli

      Até eu senti raiva dos PUTOS agora; honestamente… A Pena de Morte, embora não dê grandes resultados… Bem, dá vontade de… (Vou imaginar uma morte bem terrível, Jesus foi o salvador e foi crucificado mesmo…). Bem, paciência…

      Obs: Eu nem sei a quantos quilômetros moro de Curitba; só sei que é em dois Vizinhos, no outro lado do estado.

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    • É ridículo o fato da família ter poder de decisão sobre o que o doador (já falecido) determinou, etc.

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    • A maioria das pessoas é podre mesmo. E eu não acho que a tendência pro futuro seja melhorar.

      Mas sabe, quanto a essa coisa de transplantes… Esses dias eu estava conversando com o pai de uma colega minha, ele é cirurgião e faz transplantes de fígado. Diz que apesar de ser uma coisa que além legal de fazer é bonita, é uma merda. A família dos doadores SEMPRE enche o saco, e vez ou outra voltam atrás. E, parece, que quanto mais ‘vital’ o órgão é considerado, mais as pessoas botam entraves pra atrapalhar a decisão que o doador fez, ainda em vida; ou seja, se fígado é ruim, coração é mil vezes pior.
      Mas o defeito também é da lei, que deixa essa gente meter o dedo onde não é chamado.

      smack

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    • Benvindos ao resultado da cultura industrial ocidental: o Ser Máquina, mas frio que o aço.

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    • Só pra deixar registrado já que vc é família, a minha vontade é que se aproveite o que der pra aproveitar quando partir dessa pra uma melhor. Então se vc estiver por aí faça valer a MINHA vontade “priss”??
      O que a família vai ganhar com isso? Já perderam alguém o que não se deve desejar pra ninguém quanto mais colaborar pra que isso aconteça.
      É bem revoltante.

      BjoS!

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