• Verborrágica (ou: Oi, estava com saudades)

    three-musketeers-1.jpgPor não ter muito o que fazer enquanto cuidava do meu noivo adoentado na Bettegolândia, acabei retomando a leitura de “Os Três Mosqueteiros” (na verdade era para ele ler o livro). O impressionante é que, tal como na primeira vez que li, fui novamente fisgada pela história de D’Artagnan e companhia.

    A fórmula do Dumas pai é manjada e foi repetida várias vezes depois (a aventura misturada com elementos históricos e o romance) mas tem algo que é mérito dele e só dele: o desenvolvimento das personagens. Está para surgir um grupo mais carismático do que Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan.

    ***

    Não comentei por aqui pela mais pura falta de tempo, mas assisti recentemente um filme de suspense lusitano. Sim, o nome da pérola é Coisa Ruim, e fico tentada em dizer que o nome não tem nada a ver com a qualidade do filme, quee superou as expectativas, hehe. Vale para quem gosta de tomar alguns sustos, como eu. O único problema é que a não ser que você esteja acostumado com o português de Portugal, você precisa das legendas.

    Isso deveria inclusive valer um post à parte discutindo essa questão da língua portuguesa, mas não ando com muita vontade de falar de Lingüística.

    ***

    Mas falando em tradução… Luci comentou que foi premiada com uma bolsa de estudos, com passagem, acomodação, alimentação e lingüista disponível 24 horas lá na Irlanda. Falta para o Brasil aprender a investir nessa questão da cultura, o retorno seria algo fantástico se levarmos em conta o quão rico somos nesse quesito, o que bate na minha idéia de que não há arma mais poderosa de conquista do que a cultura.

    O problema é que cruzamos os braços e esperamos que os estrangeiros venham para cá e eles mesmos reconheçam o que temos de bom – e assim divulguem lá fora. Na realidade, nos contentamos com aquela babaquice de “lugares bonitos com mulheres bonitas e povo feliz” e esquecemos do que produzimos aqui que é bom, muito bom. Aquela coisa: não fosse Elizabeth Bishop, os americanos demorariam ainda mais para conhecer Vinícius de Moraes, Carlos Drummond e João Cabral, por exemplo.

    Aí nós ficamos todos putiadinhos com episódios de Simpsons ou quando dizem que nossa capital é Buenos Aires, mas o quanto a gente investe nesse sentido de divulgar nossa cultura em outros lugares (e não só os lugares bonitos com mulheres bonitas e povo feliz)? Esse projeto irlandês, por exemplo, seleciona determinados países e oferece bolsa para tradutores de obras, o que garante um, digamos, boom de livros irlandeses sendo lançados no país escolhido.

    Em tempo: como faz tempo que não faço um poetry from the strange, fica como curiosidade uma tradução de uma poesia MUI conhecida de Drummond, por Bishop:

    poetry

    In the Middle of the Road

    In the middle of the road there was a stone
    there was a stone in the middle of the road
    there was a stone
    in the middle of the road there was a stone.

    Never should I forget this event
    in the life of my fatigued retinas.
    Never should I forget that in the middle of the road
    there was a stone
    there was a stone in the middle of the road
    in the middle of the road there was a stone.

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