• A verdade

    erghDezembro de 2002, Berta acabou de cortar o cabelo, visual totalmente novo e arrojado. Não aguenta esperar mais um dia para mostrar o corte para a amiga Candinha e vai visitá-la. Candinha abre a porta e vê o cabelo da amiga e pensa com seus botões “Qual foi o pombo que cagou na cabeça da minha amiga?!“. Porém, ao constatar a expressão radiante de Berta ao perguntar “O que achou? Tá bom??” ela não tem coragem de dar voz aos seus pensamentos e diz:

    - Tá liiiindo, Berta! Nossa, ficou assim, super você!

    Os anos passam, Berta e Candinha estão vendo antigas fotos e eis que surge uma com Berta com aquele visual. Ela suspira, num misto de nostalgia e vergonha, e então diz:

    - Caramba, meu cabelo era muito feio.

    Candinha concorda e ainda emenda:

    - Não sei como você passou tanto tempo com aquele corte.

    Tarde demais. Ela percebe com horror a expressão do rosto da amiga mudando, os olhos brilhando de tanta cólera. Quase espumando, Berta pergunta:

    - Por que você não disse isso naquela época?!

    Elas nunca mais conversaram.

    É por causa de histórias comoventes como essa que eu sempre insisto: diga a verdade, sempre. Não, não sempre. Diga a verdade sempre que te perguntarem.

    ***

    Sim, o Hellfire está um tanto instável, mas acredito que o problema no servidor seja apenas temporário. Tenham fé, eeeermãos!

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    4 comentários sobre “A verdade”

    • Como disse mui bem pensadamente um personagem de uma série por aí : “Se você diz a verdade é grosso, e se mente é mentiroso”. Ninguém quer ouvir e nem contar a verdade. Todo mundo quer ouvir o que quer. E todos querem falar o que querem ouvir pra ouvirem depois o mesmo.

      Em fim, tô noia demias pra comentar logicamente agora.

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    • Giuliano

      Tirando da manga: “Somos todos falsários da palavra. Um ‘bom dia’ é uma moeda falsa que passamos adiante, e o ‘muito prazer’, outra, e o ‘Deus o abençoe’, outra. Ora, um ‘bom dia’ teria de ser um gesto de amor, e de amor para sempre. Mas a verdade é que, desde o automatismo do cumprimento até o fatal ‘eu te amo’ – nós falsificamos tudo, tudo.”

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    • acho que se falasse na hora, ia dar no mesmo “nunca mais se falaram”

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    • Por isso o “sempre que te perguntarem” na conclusão :dente:

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