• Brokeback Mountain

    Assisti nesse último final de semana O Segredo de Brokeback Mountain e confesso que estava com um pé atrás antes de começar a ver. Sabe como é, na minha cabeça o bafafá todo era por causa das personagens homossexuais (sobre isso falarei um pouco ali para frente). A questão é: independente de ser uma história de amor gay, é uma história muito bem conduzida.

    Os dois atores estão ótimos, especialmente o Heath Ledger (bem, eu estava acostumada a vê-lo em filmes teens que não exigiam muito da atuação dele). E sabe, é foda você contar uma história de tal forma que o mais importante não seja que os dois cowboys machões são na verdade gays, mas contar a forma como um gostava do outro.

    Mas isso nos leva a um outro ponto, a história do “bafafá”. Eu sinceramente acho que é desmerecer uma obra elogiá-la “pela coragem de contar uma história sobre gays” ou coisa do gênero. Não só desmerecer, tem aí um certo tom de preconceito, não sei dizer.

    O mesmo vale para a Literatura, o que eu acho especialmente irritante nesse caso. Ok, sabemos que a vida de um autor de certa forma acaba influenciando na obra, mas um texto não é só isso. Caio Fernando Abreu era gay, tá e daí? Ele escreveria pior se fosse hetero? O mesmo vale para Oscar Wilde, Elizabeth Bishop e tanta gente que o primeiro ponto levantado é a sexualidade.

    A sensação que dá é que o mérito não está na excelente obra, mas com quem o autor costumava manter relações sexuais. Esse negócio vai tão longe (e de forma tão distorcida), que já vi muitas pessoas dizendo que o Dorian Gray do Wilde foi inspirado no Bosie, quando o próprio Wilde disse que o Dorian Gray era ele mesmo.

    Enfim, como disse antes, não é que a vida do autor não tenha importância alguma. Mas acho que definir um livro pela orientação sexual de quem o escreveu é rotular. E rótulos são perigosos, para não dizer estúpidos. Afinal, com eles é apenas um passo para cair no velho preconceito.

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    16 comentários sobre “Brokeback Mountain”


    2 Trackbacks / Pingbacks

    • [...] morte do Heath Ledger1 (que saiu do esquema ‘gatinhos das adolescentes’ com filmes como Brokeback Mountain) confesso que fiquei tão surpresa quanto ficaria se anunciassem que um OVNI apareceu aqui em [...]

    • [...] Sim. Eu AINDA não tinha assistido, não sei bem a razão. Não foi por falta de indicação, nem de curiosidade, só não tive oportunidade mesmo. Aí para celebrar o início das minhas férias resolvi FINALMENTE conferir Donnie Darko, produção independente de 2001 com roteiro e direção de Richard Kelly (que agora é apontado como produtor da versão cinematográfica de Pride and Prejudice and Zombies). No papel que dá título ao filme temos Jake Gyllenhaal já surpreendendo antes de ser um cowboy em Brokeback Mountain. [...]



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