• Natureza Quase Humana

    Ok, essa vai para a macharada que lê o Hellfire: afinal de contas, o que vocês pensam em ganhar cantando uma mulher na rua? Sendo mais específica: o que vocês pensam que vão ganhar assobiando, dizendo coisas como “uh, delícia” e por aí vai?

    Eu não consigo entender esse tipo de conduta, porque supõe-se que o homem é um animal racional, certo? Sendo racional, porque se arriscar a levar um tapa, um “vá se foder, seu escroto!” e coisas do gênero por causa de uma criatura que provavelmente nunca mais aparecerá na frente dele?

    De certa forma esse tipo de comportamento lembra muito a do personagem Puff do filme Natureza Quase Humana (que vi ontem). A impressão que dá é que o próximo passo é grudar na perna da mulher e ficar se esfregando, ou algo do tipo. Enfim, é tão nojento que prefiro deixar a pergunta no ar e falar sobre o filme mesmo. :mrpurple:

    Esse era o último filme do Charlie Kaufman que faltava para eu assistir. No final das contas, como em quase todos os trabalhos dele, há aquela espinafrada em questões como o amor, o que fica claro na fala da personagem de Tim Robbins:

    What is love anyway? From my new vantage point, I realize that love is nothing more than a messy conglomeration of need, desperation, fear of death and insecurity about penis size.

    Mas até pelo título dá para perceber que Kaufman vai além, e espinafra a humanidade também. E daquele jeito que ele faz melhor: com um monte de situações nonsense. Um cientista tenta educar um homem que foi criado como um macaco, acreditando que um homem é feliz não em contato com sua natureza, mas se souber usar os talheres corretamente, leu Moby Dick ou se encantou com alguma pintura de Monet.

    Claro, tem o problema que a história acaba tendendo só para a questão do sexo, mas quando faz piada de nossa “racionalidade”, é simplesmente ótima. No final das contas, é bom ter alguém como o Kaufman, que saiba rir das nossas patetices ao mesmo tempo que as critica.

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    6 comentários sobre “Natureza Quase Humana”

    • Alguem ainda canta mulheres na rua? o.O

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    • vc não é mulher, por isso não sabe :dente:

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    • Uóshinton

      Ana Paula, esse é um hábito que eu tenho desde a época que morava na União Soviética… Ah, as maravilhas do socialismo!!!

      Sabe que lá eles acabaram com a propriedade privada, e a partir disso ninguém era de ninguém… Aí o jeito era assoviar mais que o vizinho e andar sempre encostado nas paredes.

      Você acha que o muro de Berlin era pra separar os comunistas dos capitalistas? Era nada, na verdade aquilo lá era a salvação das pregas do proletariado!

      É, minha filha, tem coisas que você não aprende na escola!

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    • Uóxi, é por isso que gosto tanto de você! Cada conversa é um conhecimento novo que ganho! Muro de Berlin, ahn? Quem diria…

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    • Sabe, eu tava falando sobre isso com uma colega daqui do escritório. Estávamos esperando o sinal pra atravessarmos a rua quando passou um motoqueiro, buzinou e gritou gostooooooooosa!

      Ela me olhou e falou: que idiota.

      E eu: pois é! O que será que ele achou que tu ia fazer? Gritar UHUUU e mostrar os peitos?

      BTW, feliz aniversário, Tia Joyjoy! Um quarto de século, hein? :mrpurple:

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    • Gee, vou ter que começar a assumir o lado tia :dente:

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